sábado, 10 de abril de 2021

[0280] Recursos (I): a Biblioteca Digital Mundial

Esta biblioteca já aqui foi apresentada há dois anos e meio, na mensagem «0168». Desta vez, para abrir uma série de mensagens dedicadas aos «recursos» (que vão sendo organizados em pasta própria neste blogue), mas também porque estão a ser completados os seus 12 primeiros anos de existência, são-lhe acrescentas algumas informações dizendo respeito à história, à organização e ao acervo.


Marcos cronológicos da criação da Biblioteca Digital Mundial:

Junho de 2005: o bibliotecário do Congresso Norte Americano, James H. Billington, propõe à UNESCO a criação de uma Biblioteca Digital Mundial.
Dezembro de 2006: a UNESCO e a Biblioteca do Congresso Norte Americano co-patrocinam uma Reunião de Peritos com as principais partes interessadas de todas as regiões do mundo; dela resulta a decisão de formar grupos de trabalho para desenvolver normas e diretrizes para seleção de conteúdos.
Outubro de 2007: a Biblioteca do Congresso e cinco instituições parceiras apresentam um protótipo da futura Biblioteca Digital Mundial na Conferência Geral da UNESCO.
Abril de 2009: a Biblioteca Digital Mundial é lançada para o público internacional, com conteúdo sobre cada estado-membro da UNESCO.

Os seus documentos estão organizados de diversas formas: região mundial, país, língua, assunto, etc. E também de acordo com seu o suporte e tipo, que são: Imagens e Fotografias; Jornais; Livros; Manuscritos; Diários; Mapas; Registos fonográficos; e Filmes.

Entre os documentos sobre Portugal encontram-se um
mapa de Lisboa , produzido em 1785 (trinta anos após o grande terramoto e o Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, 1497-1499 (ver em: https://www.wdl.org/pt/item/10068/view/1/63/): A descrição que é feita deste é a seguinte:

Este manuscrito é a única cópia conhecida de um relato que acredita-se ter sido escrito a bordo durante a primeira viagem marítima de Vasco da Gama à Índia. O texto original, que foi perdido, é muitas vezes atribuído a Álvaro Velho, que acompanhou Vasco da Gama à Índia em 1497-1499, mas que não voltou para Portugal com a expedição, permanecendo por oito anos em Gâmbia e Guiné. O manuscrito é anónimo e sem data, porém a análise paleográfica atribui sua datação à primeira metade do século XVI. O documento descreve a viagem para a Índia e o contato com diferentes povos nas costas da África e da Índia. Ele fala sobre doenças, plantas e animais, reféns, títulos e profissões, armas de guerra, comida, pedras preciosas, desafios de navegação e vários outros tópicos. Anexado ao corpo principal do texto encontram-se uma descrição de alguns dos reinos do Oriente, uma lista de especiarias e outras mercadorias e seus preços, e um vocabulário da linguagem de Calecute. Com uma letra de mão diferente, novos títulos foram adicionados, como Descobrimento da Índia por Vasco da Gama, na folha 1, e Relação do descobrimento da Índia por Vasco da Gama, na folha de guarda inicial. O manuscrito permaneceu durante séculos nas coleções do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Em 1834 ele foi transferido para a Biblioteca Pública Municipal do Porto. A viagem de Vasco da Gama em torno do Cabo da Boa Esperança rumo à Índia foi um evento de enorme importância histórica. Além de ser um dos grandes atos da navegação europeia, o feito lançou as bases para o Império Português, que duraria por séculos, e estabeleceu novos contatos entre a Europa e as civilizações da Ásia, fixando um marco no início do processo que mais tarde veio a ser chamado de «globalização». O Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia entrou para o Registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2013.


Fonte: sítio da World Digital Library

sábado, 3 de abril de 2021

[0279] Moinhos da Nossa Banda

O Dia Nacional dos Moinhos é comemorado em 7 de Abril, tendo essa comemoração já aqui sido referida nas mensagens «0047» (2017) e «0184» (2019). Dadas as restrições que estamos a viver, este dia não contou em 2020 (e não contará em 2021) com a iniciativa Moinhos Abertos.
Os moinhos da Nossa Banda que estiveram abertos nas comemorações de 2017 foram os seguintes:
Três moinhos de vento: Moinho Nascente da Alburrica, no concelho do Barreiro; Moinho do Esteval, no concelho do Montijo; e Moinho da Serra do Louro, no concelho de Palmela;
Dois moinhos de maré: Moinho de Maré do Cais, no concelho do Montijo; e Moinho de Maré de Corroios, no concelho de Seixal;
E ainda dois moinhos de tracção mecânica: Moinho das Galgas, num lagar de Azeite do concelho do Montijo, e Moagem de Sampaio, no concelho de Sesimbra.

Há pelo menos mais um moinho de vento que poderá estar aberto na próxima iniciativa dos Moinhos Abertos, o Moinho do Outeiro, no concelho de Sesimbra. E dois moinhos de maré: o Moinho de Maré de Alhos Vedros (mensagem «0097»), no concelho da Moita, e o Moinho de Maré da Mourisca (mensagens «0130» e «0155»), no concelho de Setúbal.
Portanto, na Nossa Banda, moinhos patrimonializados não faltam!

Em circunstâncias normais o Moinho de Maré de Corroios, além de ser visitável é sede de ateliês destinados a alunos das escolas, quer do concelho de Seixal, quer vindos de escolas de várias partes do país, dinamizados pelo Serviço Educativo do Ecomuseu Municipal do Seixal. A exploração pedagógica que as escolas podem fazer destes ateliês permite-lhes estabelecer ligações à Astronomia, à Física, à Geometria, à História e à Mecânica.

Este moinho foi construído há mais de 600 anos, no século XIV, e a sua estrutura original foi preservada, apesar das ampliações de que beneficiou (e da destruição parcial pelo terramoto de 1755).
Através desta vista aérea pode ver-se a água aprisionada na Caldeira (parte inferior da imagem) durante a maré cheia, que depois será deixada sair de modo a movimentar os rodízios (submersos) que por sua vez movimentarão as mós:


Esquema do funcionamento mecânico de um moinho de maré:


Pode ver dois vídeos interessantes sobre moinhos, um sobre o Moinho do Outeiro (em https://www.youtube.com/watch?v=WVci7XuYtDM) e outro sobre o funcionamento de um moinho de vento (em https://www.youtube.com/watch?v=jq7y2-2w_jU).

 

Imagem: Câmara Municipal do Seixal

sábado, 27 de março de 2021

[0278] O Barro e a Escola

A cerâmica romana encontrada num passado recente atesta a longevidade da arte de trabalhar o barro em Viana do Alentejo. Um barro que servia essencialmente para produzir loiça utilitária. Viana tornou-se famosa pela qualidade dos seus alguidares. No início do séc. XX um visionário local, o agrónomo e veterinário António Isidoro de Sousa cria uma Escola de Olaria, para dar formação artística aos filhos dos oleiros. Artistas plásticos que mais tarde de tornaram famosos, como Júlio Resende e Aníbal Alcino dos Santos, são contratados como professores. Com a ajuda preciosa do grande mestre oleiro Francisco Lagarto. E assim desenvolve-se uma escola que foi o berço dos atuais oleiros ainda existentes mas também o local onde grandes ceramistas se formaram, que foram mostrar as suas artes por esse Portugal fora.”


“Hoje, um curso de formação de oleiros do IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional], sob a orientação do mais novo oleiro existente, tenta formar possíveis futuros oleiros e / ou ceramistas. Um documentário baseado nos testemunhos daqueles que estiveram e ainda estão ligados a esta arte milenar na vila de Viana do Alentejo.”

Pode ver este documentário aqui (duração: 52 minutos e 20 segundos)


Fonte do texto e das imagens: documentário de Menêzes (2018)

sábado, 20 de março de 2021

[0277] O Dia Mundial da Árvore na Nossa Banda

O Dia Mundial da Árvore, ou Dia Mundial da Floresta, é comemorado em 21 de Março, início da Primavera.


Em Portugal, a primeira comemoração que teve uma intenção semelhante aconteceu na Vila do Seixal, no dia 27 de Maio de 1907, numa altura em muitos outros países já se realizavam festas que celebravam o culto da árvore.
Nesse dia, as crianças das escolas oficiais, mais os seus professores, dirigiram-se ao Campo dos Mártires da Liberdade e plantaram diversas árvores. A cerimónia foi presidida pelo grande animador nacional desta ideia, o professor Borges Grainha, acompanhado pela Comissão Organizadora local, formada por António Augusto Louro, Alfredo dos Reis Silveira, D. José Maldonado, António Jorge Evangelista, Eduardo Figueiredo, padre António Coutinho e professora Dª Júlia Pinto (os nomes dos dois primeiros estão, hoje, associados a duas escolas deste concelho).

Alguns meses depois, em 20 de Dezembro desse ano, comemorou-se de modo semelhante em Lisboa, onde as crianças das escolas plantaram 38 árvores na rua Alexandre Herculano.

Rapidamente estas iniciativas se multiplicaram por todo o país, graças à acção da Liga Nacional de Instrução, da Academia de Estudos Livres e do jornal O Século.
Sabe-se que em Maio de 1918, no dia da Festa da Árvore, Antónia Adelaide Mota Ferreira plantou uma árvore no jardim da Cova da Piedade; sabe-se que estas comemorações foram longamente interrompidas, devido à mudança do regime político; mas também se sabe que os alunos do primeiro ano em que funcionaram as Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade, em 1947, festejaram o seu curso com a plantação de uma árvore.

Apresentação do Dia Internacional das Florestas pela FAO
Lema de 2021: Restauração das Florestas

A história das árvores no concelho do Seixal exemplifica o que talvez tenha sido a história das árvores em toda a Península de Setúbal.
Ao chegar à Idade Média a floresta desta região era do tipo mediterrânico, com Aroeiras, Carrascos, Carvalhos, Medronheiros, Pinheiros-mansos, Sobreiros, Urzes, Zambujeiros, … A sua utilização como coutada, por reis e fidalgos, e a exploração silvícola foi transformando esta floresta em charneca. D. Fernando e os seus sucessores introduzem-lhe o Pinheiro-bravo, originário da Flandres.
Com as viagens marítimas, os jardins encheram-se com espécies exóticas, com fins ornamentais: as os Plátanos, as Pimenteiras, as Palmeiras, as Magnólias, os Jacarandás, os Dragoeiros, os Cedros, as Casuarinas, as Borracheiras, as Araucárias, as Acácias, …
E, em paralelo, as quintas tinham nos seus pomares, para venda dos frutos em Lisboa, Figueiras, Laranjeiras, Limoeiros, Tangerineiras, …; e nos seus campos, Videiras e Oliveiras, mais os respectivos lagares.

Era um tempo em que se vivia a «festa da árvore» todos os dias.

Os Eucaliptos só chegaram no século XIX, sendo hoje dominantes, conjuntamente com o Pinheiro-bravo.

Fontes: livros de Manuel Lima (1997b, pp. 81-83; e «A árvore no concelho do Seixal») e livro do Colectivo das Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade (2019; p. 26)

sábado, 13 de março de 2021

[0276] Uma visão patrimonial da Nossa Banda, por Albino Moura

Uma das facetas da obra de Albino Moura (1932-2019) é a dos painéis murais em azulejo que lhe foram encomendados por municípios da Nossa Banda. Nas mensagens «0176» e «0180» figuram dois desses painéis, colocados respectivamente no Seixal (em 2018) e em Sesimbra (em 2016).
Tanto esses painéis como dois outros encomendados antes para Almada (e inaugurados em 2011) têm motivação semelhante: representar elementos que podem ser considerados integrantes do património local.
Contrariamente aos painéis mais recentes, os de Almada são de difícil fotografia, dado a sua maior dimensão horizontal. Ambos se encontram na popularmente chamada «Rotunda dos Bancos», tendo um deles sido, recentemente, danificado. A melhor fotografia de um deles mostra-o com Albino Moura, muito plausivelmente pouco após ter sido inaugurado:


Se juntarmos os elementos patrimoniais identificáveis neste mural com os identificados naqueles outros painéis, talvez se possa dizer que os grandes tópicos neles destacados por Albino Moura foram:

o património natural, que está pouco patente nos painéis de Almada (as falésias e os seixos fluviais; o mar e o peixe; as aves ,visíveis em terra e no mar);

o património laboral (a pesca, a agricultura e a moagem; as grandes ferramentas que exploraram estas riquezas, como as embarcações tradicionais, mais as suas redes, os moinhos de vento e de maré e, mais tarde, as fábricas, em particular as da cortiça; e, em Almada, os novos meios de transporte).

o património mitológico (associado, nomeadamente, à pesca);

o património edificado (as fortalezas; as igrejas, as ermidas e um santuário; um farol; os edifícios em que tradicionalmente se viveu e também aqueles com que as instituições, antigas e modernas, se afirmaram);

o património artístico (a arte urbana, em Almada).

 

Imagem: sítio da SIC (em 19 de Abril de 2019)

sábado, 6 de março de 2021

[0275] Os temas da ONU para esta década

O modo como a Organização das Nações Unidas (ONU) apela à nossa intervenção nos temas que considera de importância mundial é feito a quatro níveis temporais: os «dias de», os «anos de», as «décadas de» e, com um prazo ainda mais amplo, os «objectivos do desenvolvimento sustentável», cuja implementação está actualmente em curso (2015-2030).

Os temas propostos para como alvo de acção ao longo de dez anos não correspondem a uma década do calendário, sendo, em cada ano, iniciada uma década específica para um ou mais temas. Dois dos temas que tiveram o seu início em 2021 e que estarão em foco até 2030 dizem respeito à relação da Humanidade com a Natureza: a Década Internacional das Ciências Oceânicas para o Desenvolvimento Durável e a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas.

A nossa relação com a Natureza tem sido longamente determinada pelas práticas de «posse». Mas a Humanidade já começou a perceber que apenas pode alterar equilíbrios na Natureza, que não a destruirão, mas que podem vir a destruir quem os provoca.
Então, no futuro, que relação deveremos nós estabelecer com a Natureza?

Para favorecer os nossos pensamentos sobre esta questão de fundo, eis um documentário de 2020 que aborda o Mar da Minha Terra / Almada Atlântica (fotografia de Luís Quinta; narração de Eduardo Rêgo; duração de 45 minutos e 59 segundos).
Nesta curta introdução à biologia costeira, são incluídas referências ao fitoplancton e ao zooplâncton, às algas, aos corais, aos vermes, às medusas, às estrelas-do-mar, aos moluscos (com e sem concha), aos crustáceos, aos tubarões, aos peixes ósseos, às aves costeiras (residentes / migradoras) e aos cetáceos (várias espécies de golfinhos e de baleias). Veja-a aqui:



Fonte: sítio da ONU

domingo, 28 de fevereiro de 2021

[0274] Beleza e sombra (V): a complexidade das Dicotiledóneas

Como distinguir, entre as plantas com flor, as «Monocotiledóneas» (mensagem «0270») das «Dicotilidóneas»?
O nome dado a estes dois grandes grupos ajuda a perceber: as plantas «mono» têm uma primeira folha que está especialmente preparada para a germinação; e as «di» têm duas dessas folhas. Estes dois casos estão ilustrados nas figuras seguintes:


Mais de dois terços das plantas com flor são Dicotiledóneas (igualmente chamadas «Eudicotiledóneas»). Elas são caracterizadas por:

·      As sementes possuírem dois cotilédones (daí as «duas folhas»);

·      A raiz é aprumada (o que lhe permite atingir maiores profundidades; as raízes das monocotiledóneas são fasciculadas, portanto mais curtas);

·      As folhas possuírem nervuras reticuladas (contrariamente às das monocotiledóneas, que são paralelas);

·      O seu ciclo de vida ser longo.

 

Algumas das mais importantes famílias de plantas Dicotiledóneas em Portugal são:
A família das Fabáceas (ou leguminosas), cujos frutos têm a típica forma de vagens, como as ervilhas, os feijoeiros, a Soja, a Olaia, a Glicínia e as acácias (muitas espécies de Fabáceas possuem nódulos nas raízes, onde se alojam bactérias fixadoras de azoto):


As vagens da Olaia

 A família das Fagáceas, que inclui os castanheiros e os carvalhos (nomeadamente o Sobreiro), tendo estes dominado a nossa floresta continental até pelo menos à Idade do Bronze:


Sobreiro (Parque da Paz, 2011)

A família das Oleáceas, onde figuram a Oliveira e o Freixo:


Oliveira frutificando (Altura, Algarve)

A família das Rosáceas, que agrupa as árvores de fruto, como a Cerejeira, a Macieira, o Morangueiro, a Nespereira e o Pessegueiro:


Folhas e flores do Pilriteiro (Parque da Paz)

 E a família das Vitáceas, constituída por trepadeiras, sendo a mais importante a Vinha:


O transporte do vinho em batelões
(azulejo em Pinhal Novo, Setúbal)

 

Fontes: Wikipédia; livro de Bingre & outros, 2007; pp. 53-54, 58, 60-61 e 65-66)

Imagens: Wikipédia (comparando as mono e as dicotiledóneas); fotografias de Pedro Esteves (as duas primeiras) e de Eva Maria Blum (as outras três)

domingo, 21 de fevereiro de 2021

[0273] O projecto «Inscrever a Europa nos Muros das Cidades»

A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia foi a principal base de trabalho para a realização de um projecto de expressão pública pelos alunos de várias das escolas do nosso país (e, num caso, pela população de uma vila).

Em cada um desses casos, uma equipa do Centro de Informação Europeia Jacques Delors trabalhou com professores e alunos, durante uma semana, visando que o produto final, um painel de azulejos, ficasse patente num local destacado da respectiva localidade.

As localidades e as escolas envolvidas foram:

 

2003

Alcabideche (Cascais): Escola Ibn Mucana.
Porto: Colégio Luso Francês.
Serpa: Escola Básica Integrada de Serpa, Escola Secundária de Serpa, Escola Oficina de Pintura de Azulejos e Louça Cerâmica, Escola Básica Integrada e Jardim de Infância de Pias.

2004

Guimarães: Escola Básica 2+3 de S. Torcato, Escola Secundária Martins Sarmento, Escola Secundária Francisco de Holanda e Centro de Formação da Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais.
Belém (Lisboa): Colégio de Pina Manique.
Tomar: Escola Secundária de Santa Maria do Olival.
Tondela: Escola Secundária de Tondela.
Vila Franca de Xira: Escola Básica 2+3 de Vialonga.

2005

Felgueiras: Escola Básica 2+3 de Idães, Escola Básica 2+3 de Airães, Escola Básica 2+3 Manuel Faria e Sousa e Escola Básica 2+3 Dr. Leonardo Coimbra.

2006

Reguengos de Monsaraz: Escola Secundária Conde de Monsaraz.
Tavira: Escola Secundária de Tavira.

2007

Oeiras: Escola Básica 2+3 de Caxias.
Mira Sintra: Escola Secundária Matias Aires.
Ulgueira: habitantes da vila.

2008

Loures: Escola Básica 2+3 Luís de Stau Monteiro.

 

Eis uma fotografia do painel que concretizou o projecto em Serpa:


Em https://www.inscrire.com/projet/inscrire-les-droits-humains-au-portugal/ é possível obter mais informações sobre cada um destes projectos,

 

Fontes: sítio da Association Inscrire Les Droits Fondamentaux
Fotografia: Eva Maria Blum

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

[0272] Educação Patrimonial VII

 Corroios, onde o concelho do Seixal se inicia para quem vem de Almada, foi a terra que, em 1976,  “acolheu” Manuel Lima, como residente e como professor. Naturalmente, Manuel Lima ganhou “apego, carinho e entusiasmo pelas coisas que a ela dizem respeito.”

Durante mais de uma década pesquisou-a através das mais diversas “áreas de saberes”. “Trabalho de campo, pesquisa bibliográfica, consulta de organismos técnicos especializados e principalmente recolha oral”: uma “pesquisa transdisciplinar”, com “abordagens entrelaçadas”.
No livro em que reuniu os diversos artigos que foi escrevendo e publicando sobre a sua terra, Manuel Lima “aborda de uma forma globalizante conhecimentos locais, nas áreas não só da geologia, da biologia ou da geografia, mas também do domínio do ambiente, da história, das ciências sociais ou económicas.” Não se trata de um livro publicado agora, mas sim há 20 anos, sendo intuito desta mensagem lembrar o potencial com que o seu conteúdo nos continua a desafiar:

 

Corroios. Minha Terra co(m a)rroios



Diz-nos Manuel Lima, na nota prévia com que no-lo apresenta: “a maioria da população da freguesia de Corroios reside neste território há relativamente pouco tempo, desconhecendo por vezes as raízes culturais desta terra.” Ora, “só conhecendo a sua área residencial melhor se poderá integrar e participar na vida colectiva.
Em particular, é “cada vez maior a necessidade de enraizar a escola no meio, preparando-a para dar respostas aos problemas da sociedade local.”

 

Os saberes familiares e os saberes locais serão os primeiros contextos em que cada criança enraíza o desenvolvimento do seu próprio saber sobre o mundo. Contextos concretos, portanto capazes de proporcionar um sentido aos contextos mais abstractos que lhe irão chegar quando for solicitada a interagir com os saberes globais.
Então, quais são os contextos que Manuel Lima nos descreve no seu belo livro sobre Corroios?
Alterando a ordem pela qual eles são nos apresentados, como capítulos, para começarmos pela natureza e depois chegar à acção humana:
Os recursos hidrológicos e geológicos. Que, antes de serem «recursos» (ponto de vista do Homem), são a Terra antes da existência da Vida.
O Sapal de Corroios e o seu ecossistema. A interacção primordial entre a Terra e o Mar, com a Vida a nascer dela.
Património vegetal. A primeira grande expansão da Vida: a das plantas.
Ornitologia e antigas actividades cinegéticas. A segunda expansão da Vida: a dos animais, aqui representados pelas aves. Mas a não confundir, por enquanto, com o modo como o Homem dela procurou viver.
Antigas quintas e actividades rurais. Se as actividades cinegéticas recordam o nosso passado de Caçadores e Recolectores, as quintas recordam o nosso passado como Agricultores.
Património construído, tal como o crescimento urbano e populacional. Depois da sedentarização, o crescimento em número, devido à agricultura e a outros contributos civilizacionais.
Modos de vida e actividades do passado, bem como as antigas artes, profissões e ofícios. O modo como vivemos até há não muito tempo atrás, e que ainda é a matriz das nossas Culturas e das nossas Técnicas.
Indústria a economia local. Tudo tem vindo a mudar desde a Industrialização, e o âmbito local não lhe é alheio.
Colectividades e outras associações. Elas têm sido uma das respostas culturais às grandes mudanças que estão em curso desde há dois séculos.
Educação e escolas. E aqui residirão as esperanças para que o prosseguimento dessas mudanças se enraíze em todos nós.
Protecção do ambiente. Último capítulo, e aí bem colocado: teremos de voltar a olhar para o princípio, se nos queremos proteger de nós próprios.

 

Como integrar toda esta riqueza de saberes nos currículos escolares é, portanto, o permanente desafio com que este livro nos confronta.

Será então necessário observar como as escolas o estão, ou não, a trabalhar!

 

Fontes: livro de Lima (2001; citações das pp. 7-8)

sábado, 6 de fevereiro de 2021

[0271] As Escolas do Piedense

Conforme breve anúncio aqui dado (mensagem «0191»), foi apresentado, no dia 2 de Junho de 2019, no salão nobre do Estádio Municipal José Martins Vieira (Cova da Piedade), o livro

Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade
50 Anos ao serviço do ensino popular e da democracia
.


A Cova da Piedade resultou de três vagas migratórias. Na transição do século XIX para o século XX, os beirões chegaram para trabalhar, essencialmente, na indústria e nos serviços; depois vieram os algarvios, sobretudo de São Brás e de Silves, para trabalhar na cortiça; e, a partir do início da década de 40, como consequência da mecanização do trabalho agrícola no Alentejo, chegaram os alentejanos.
Em 1947, ainda na ressaca da IIª Grande Guerra, os sócios de dois dos clubes da Cova da Piedade decidiram fundi-los num só. O mais antigo, fundado em 1914, era o União Piedade Futebol Clube; o mais recente, fundado em 1928, era o Sporting Clube Piedense. Apesar das marcadas rivalidades existentes entre muitos dos seus dirigentes e sócios, nasceu assim o Clube Desportivo da Cova da Piedade (CDCP).

 

As «escolas» começaram pouco depois.
Em 1948, dando continuidade às creches que a indústria corticeira local já garantia, foi criada uma escola Pré-Primária, talvez a primeira no país, que também foi pioneira ao juntar meninas e meninos dos 4 aos 7 anos de idade. Primeiro abriu na Rua das Salgadeiras; depois, dada a grande procura, também na Rua União Piedense. Funcionou até 1978.

As aulas de Cultura Geral foram iniciadas em 1963, perdurando, sob outras formas, até hoje. Incluíam exposições de artes plásticas, visitas de estudo e debates com intelectuais, como Ferreira de Castro, Bernardo Santareno, Matilde Rosa Araújo, Assis Esperança, Fernando Gusmão, Morais e Castro e Joaquim Benite. Foi com esta cobertura que se ajudou a preparar o Congresso da Oposição Democrática, realizado em 1973, em Aveiro.

Também em 1963 se iniciaram as aulas noturnas, de preparação de adultos para os exames do 2º e do 5º ano do Liceu (hoje 6º e 9º ano) e para o acesso à Universidade.

 

Segundo o testemunho de Artur Jaime Ferreira de Castro Rodrigues, “As Escolas pré-primárias ajudaram a colmatar lacunas numa freguesia onde as pessoas tinham uma grande vontade de aprender e de se manter informadas. A título de exemplo: lembro-me de que, nas fábricas de cortiça, sobretudo no período do movimento anarquista, quando a maioria dos operários eram analfabetos, se quotizavam entre si, do pouco que ganhavam, para terem um leitor na Sala de Escolha, o que revela a forte consciência colectiva que se estabelecia em torno da necessidade de aceder à informação. Outro exemplo dessa necessidade é reflectida através do importante papel que as bibliotecas das várias organizações associativas (Clube Recreativo Piedense, SFUAP e Cooperativa Piedense) tiveram.

 

Fontes: livro do Colectivo das Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade (2019; pp. 8, 11, 16, 19, 20, 21, 22, 25, 26, 27 e 30)

Nota 1: nos diversos textos que compõem este livro surgem duas datas (nas pp. 25 e 26) para a fundação do Sporting Clube Piedense, 1928 e 1932; adoptei a primeira apenas por provir da mesma fonte que indica a fundação do União Piedade Futebol Clube.

Nota 2: de igual modo notei uma não coincidência testemunhal em relação à data de início da Pré-primária (1948 na p. 8 e 1947 na p. 25); adoptei a primeira data por estar integrada num testemunho mais alargado (integrando outras datas).

sábado, 23 de janeiro de 2021

[0270] Beleza e sombra (IV): a simplicidade das Monocotiledóneas

As plantas com flores (Angiospérmicas), surgidas há aproximadamente 140 milhões de anos, divergiram em três grandes grupos. O que se manteve mais próximo das plantas antecessoras (Gimnospérmicas), o grupo das Magnoliáceas, foi referido na mensagem «0264». Os outros dois grandes grupos foram o das Monocotiledóneas e os das Eudicotiledóneas.

 

Cerca de um quarto das plantas com flor são Monocotiledóneas. Elas caracterizam-se por:

·      Embrião com um só cotilédone (a primeira folha, que possui reservas para alimentar a planta em crescimento);

·      Raiz fasciculada (semelhante a uma cabeleira);

·      Folhas paralelinérvias (as suas nervuras são paralelas).

 

A maioria das espécies de Monocotiledóneas são herbáceas, como são os casos dos cereais (Arroz, Milho, Trigo, …), dos Lírios e das Orquídeas.
Mas também existem espécies de maior porte:

 

Agave-americano: 


Dragoeiro:


Estrelícia-gigante:


Palmeira-das-Canárias:


Fotografias (nalguns casos recortadas): Eva Maria Blum (respectivamente na tapada das Necessidades, no Jardim do Monteiro-Mor, na tapada das Necessidades e no Jardim Tropical – todos estes locais em Lisboa)

sábado, 16 de janeiro de 2021

[0269] As Escolas do concelho de Almada e o Rock (anos 60, 70 e 80)

Durante a preparação da exposição NA MARGEM: uma história do rock, com que o Museu da Cidade de Almada nos brindou em 2019, foi recenseado o surgimento de mais de quinhentos grupos musicais no concelho de Almada no período de 1961-2018 (quase seis décadas).

Mais de metade desses grupos surgiu na década de 1990. Muitos tiveram vida efémera, mas alguns sobreviveram e tiveram audiência nacional, como os «UHF», o mesmo acontecendo a vários músicos, caso do Tim, desde há muito nos «Xutos e Pontapés».

O relativo sucesso das bandas mais recentes, apesar do apoios que perderam, pelas escolas (ao se encerrem em si mesmas) e por algumas infraestruturas (como aconteceu há pouco tempo com o «Ponto de Encontro», em Cacilhas), baseou-se na influência que as rupturas sociais exerceram sobre as musicais nas décadas anteriores.


Na década de 60, a falta de salas de concertos levou os grupos musicais de então a recorrer a colectividades, a cafés e esplanadas, a escolas (à Escola Comercial e Industrial Emídio Navarro, ao Externato Frei Luís de Sousa e, a partir de 1965, à extensão do Liceu D. João de Castro, mais tarde Liceu Nacional de Almada) e aos núcleos urbanos (na Trafaria, no Monte da Caparica, na Sobreda e na Costa de Caparica).
A ampliação da rede escolar nas décadas de 70 e de 80 permitiu que as escolas assumissem um papel central na formação, difusão e fruição dos novos grupos musicais. Às dos anos 60, situadas no eixo central de Almada, juntaram-se a Escola Técnica Elementar D. António da Costa, e a sua secção no Feijó, a futura Pintor Columbano, a Escola Técnica Anselmo de Andrade, as Escolas Preparatórias Elias Garcia, da Trafaria e Comandante Conceição e Silva e a Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro.
A falta de recursos deu frequentemente lugar à criatividade, como a que António Antunes descreveu:

 

Queríamos tocar! Então a gente não tinha nada, não havia uma bateria, não havia uma guitarra … não havia nada … a gente só queria formar uma banda […]. Eu comecei a comprar potenciómetros, trastes, cartões, coisas assim do género, depois fomos aqui algures, talvez à Mecânica Piedense, comprar uma tábua e então foi descocar aquilo, foi fazer um braço … fazer os buraquinhos para, como é que se chama aquelas coisas da guitarra, os captadores de som … aquelas coisas assim … e começamos a montar duas guitarras. E depois o nosso amigo tinha andado na Emídio, percebia alguma coisa de mecânica e começou a montar uns amplificadores e foram os primeiros amplificadores que eu me lembro dos UHF.

 

Algumas escolas tiveram o privilégio de proporcionar um local de estreia a alguns grupos musicais, como aconteceu com os «Procyon» em 1983, na Escola Secundária do Pragal (ex Liceu Nacional de Almada), e os «Brainhead», em 1987, na Escola Secundária de Cacilhas.

 

Fontes: catálogo do Museu da Cidade de Almada (2019; pp. 20, 32, 36 e 40)

domingo, 10 de janeiro de 2021

[0268] Tocá Rufar!!

Começar a perceber o que é o Tocá Rufar é descobrirmos como, num aparentemente simples projecto de percussão, se articula a persistência individual, a cooperação entre os percussionistas e a pujança do associativismo em rede e, claro, é encantarmo-nos com o ritmo vital que os intérpretes deste projecto nos proporcionam: 

O Tocá Rufar foi fundado em 1996, propondo-se formar artisticamente (e desenvolver culturalmente) quem desejasse trabalhar com a percussão tradicional portuguesa.
Em
1998 actuou na Expo realizada em Lisboa, sendo, desde esse mesmo ano, apoiado financeiramente pelo Ministério da Cultura, por ter sido considerado um Projecto de Interesse Cultural. E, em 1999, constituiu-se como Associação dos Amigos do Tocá Rufar (ADAT).
Desde 2019 integra a Rede Nacional de Clubes UNESCO.

A Orquestra Tocá Rufar, uma orquestra de percussão tradicional portuguesa, inclui naipes de bombos, caixas de rufo e timbalões, sendo capaz de interpretar ritmos e temas originais, quer em formato de desfile, quer em formato de palco. Já actuou com artistas como Amélia Muge, o Balett Gulbenkian, os Buraka Som Sistema, Fafá de Belém, Fausto, Gilberto Gil, Jorge Palma, José Mário Branco, Mickael Carreira, Paulo de Carvalho, Tony Carreira e os Xutos & Pontapés, e, fora de Portugal, actuou, entre outros países, em Espanha, na Bélgica, no Reino Unido, na Alemanha, no Brasil, nos EUA, em Macau, na Coreia do Sul, no Japão ...
Mais de 80 % das suas actuações são oferecidas para eventos cujos promotores não têm capacidade financeiras, desde que os respectivos princípios e causas sejam considerados justos e meritórios. Noutras actuações, solicitadas por quem as pode pagar, o Tocá Rufar é financeiramente exigente.

Após o surgimento da Orquestra Tocá Rufar foram criadas em Portugal cerca de cinquenta novas orquestras de percussão. Pelo que o Tocá Rufar decidiu organizar anualmente o festival Portugal a Rufar, que reúne cerca de um milhar de bombos de todo o mundo, juntando, num mesmo acontecimento, a percussão clássica, étnica, tradicional e contemporânea, bem como as dimensões instrumental e académica.
A ADAT organiza desde 2015 o Congresso do Bombo, nesse ano na Aula Magna (Lisboa), nos anos seguintes na Casa do Bombo (Fundão), na Casa das Artes (Amarante), no Fórum Cultural (Seixal), no Governo Civil (Vila Real) e, em 2020, virtualmente, dada a impossibilidade de o realizar presencialmente, em Viana do Castelo (ver: www.bombo.pt).
Em 2016, o Tocá Rufar deu início à preparação da candidatura da prática dos Bombos à lista da UNESCO do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A comunidade associativa em que o Tocá Rufar se integra estende-se, actualmente, por sete países e por trinta distritos e inclui cerca de 350 grupos de percussão criados por portugueses.
Todos os anos este projecto ensina, gratuitamente, cerca de 500 alunos, podendo ser considerado um projecto de intervenção sociocultural, que visa o desenvolvimento da sociedade civil, nomeadamente das suas componentes mais frágeis e mais carentes de atenção. Este contributo foi assim resumido por Rui Júnior, fundador e coordenador do projecto, ao responder a um responsável municipal da educação:

“Os nossos tocadores, quando integram a Orquestra Tocá Rufar assumem a responsabilidade de representar a cultura e identidade de um país – este projecto, pela visibilidade que tem, acarreta esse peso; por isso são-lhes exigidas muitas horas de trabalho árduo, regras de educação e de conduta exemplares e uma apresentação e postura rigorosas. Eles são artistas e, sobretudo, seres humanos exigentes e de valor e - lhe garanto -, saberão tomar as necessárias iniciativas e responsabilidades, hoje e no futuro, de tudo fazer pela sua terra, assim o senhor saiba dar-lhes o respeito e admiração que eles merecem. Qualquer indivíduo que ingresse na Orquestra, seja criança, jovem, adulto, idoso, homem ou mulher é considerado e tratado pelo Tocá Rufar como um ser auspicioso.”

 

Para quem quiser antever a futura «Aldeia do Bombo», a nova sede do Tocá Rufar»: https://youtu.be/kTcWYhgH-Gk.

 

Fonte: sítio do Tocá Rufar

sábado, 2 de janeiro de 2021

[0267] Educação Patrimonial (VI)

Por decisão de Fernando Pessoa, o seu heterónimo Álvaro de Campos, depois de “uma educação vulgar de liceu”, foi “estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval”.
É de Álvaro de Campos este poema

 

O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por isso. 



Na imagem, à esquerda, estão os primeiros desenvolvimentos do binómio de Newton, desde n = 0 a n = 6. E, à direita está uma imagem da Vénus de Milo, provável obra de Alexandre de Antioquia, esculpida nos finais do século II a.C..


Três pensamentos que esta provocação poética nos pode proporcionar:

As ferramentas da racionalidade também podem ser belas;
Tanto contactamos com o património nas escolas como nos museus;
Não é de agora a falta de motivação para aprender.

 

Talvez seja interessante, para fazer face a este problema da «motivação», a seguinte opinião do arquitecto Manuel Vicente: “Acho que só assim é que se aprende: primeiro com o encantamento e depois com o conhecimento.” Talvez o engenheiro Álvaro de Campos já o tivesse intuído!

 

Fontes e imagem: Wikipédia (para a Vénus de Milo); Vicente, em entrevista (2011)

sábado, 26 de dezembro de 2020

[0266] Os 48 anos do Centro de Arqueologia de Almada

O Centro de Arqueologia de Almada (CAA) nasceu no dia 1 de Novembro de 1972.

O pioneirismo dos seus fundadores, que abrangeu domínios que se estenderam da Arqueologia, à História e ao Património, foi uma resposta a profundas carências de iniciativa nestes domínios, que, só muito gradualmente, após 1974, foram surgindo, através do Estado central, dos Municípios, do Ensino Superior e, mais recentemente, da iniciativa privada.
O seguinte vídeo comemorativo ilustra a história dos 48 anos que o CAA completou há escassas semanas:

Para apreciar o vídeo, clique aqui
(duração: 10 minutos e 42 segundos)

 

Este percurso associativo é um exemplo do que, ao longo dos mesmos anos, foram outros percursos: na saúde, na educação, nos museus, no ambiente, nas artes …
Será importante reflectir sobre o que se ganhou e o que se perdeu nestes percursos e sobre o que se pretende que eles sejam no futuro.

domingo, 20 de dezembro de 2020

[0265] Destaque para a alimentação, um dos quatro temas que a ONU promove em 2021

As Nações Unidas promovem, frequentemente, vários temas anuais, um sinal de que o nosso mundo exige múltiplas intervenções em simultâneo. Para 2021 foram escolhidos quatro temas, que deram origem à declaração de outros tantos Anos Internacionais:

 

Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil
Ano Internacional da Paz e da Confiança
Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável
Ano Internacional das Frutas e dos Vegetais

 

A coordenação deste último Ano Internacional está a cargo da FAO:


Alguns factos chave, relacionados com a produção e distribuição (citados em http://www.fao.org/fruits-vegetables-2021/en/):
Mais de 50 % das frutas e dos vegetais produzidos nos países desenvolvidos são perdidos na cadeia de distribuição, entre a colheita e o consumidor;
São necessários mais de 50 litros de água para fazer crescer uma laranja; as perdas em frutas e vegetais representam um desperdício de recursos que se têm tornado cada vez mais escassos, como o solo e a água;
Uma grande quantidade de frutas e de vegetais que estão em perfeitas condições para serem consumidos é desperdiçada ao longo do sistema de produção de comida, devido a imperfeições estéticas ou a irregularidades; físicas.

 

Fontes: sítio da Organização das Nações Unidas

sábado, 12 de dezembro de 2020

[0264] Beleza e sombra (III): as primeiras plantas com flor

Para ilustrar os primeiros grandes grupos de plantas que se reproduziram através de sementes foram referidos, na mensagem «0250», os casos das Cicas e dos Ginkgos e, na mensagem «0257», os casos dos Pinheiros, das Cupressáceas e das Araucárias.

Há cerca de 140 milhões de anos, no início do período Cretácico, uma planta que produzia sementes começou a fazê-lo a partir de flores. A família de plantas que se constituiu a partir deste passo pioneiro foi a das Magnoliáceas, tendo todas as outras famílias de plantas com flores evoluído a partir dela.
Num estudo internacional divulgado em 2017, onde se combinou matematicamente as informações sobre a estrutura e sobre a genética das plantas com flor, conclui-se que a aparência das flores originais seria próxima da que a actual flor da Magnólia tem; e deduziu-se que o percurso evolutivo dos restantes grupos de famílias terá sido, muito plausivelmente, o seguinte (no centro encontra-se a família das Magnoliáceas):



A Magnólia-sempre-verde (cujo nome científico é Magnolia grandiflora) é uma árvore originária do Sudeste do continente norte-americano e foi introduzida na Europa no século XVIII, sendo muito cultivada em jardins e parques.
As flores desta Magnólia são brancas, aromáticas e de dimensão invulgar (cerca de 25 centímetros de diâmetro), surgindo no final da Primavera. Por não possuírem néctar, a polinização é geralmente feita por escaravelhos, atraídos pelo seu aroma e pela possibilidade de se alimentarem das estruturas florais:



Os frutos estão estruturados como uma pinha (uma característica anatómica semelhante à das plantas que a antecederam), que atinge a maturidade no Outono e dispersa as sementes de cor vermelha, com a ajuda de aves e de mamíferos (à esquerda a pinha ainda fechada e, à direita, já aberta):


A família das Magnoliáceas inclui hoje cerca de 227 espécies, todas extintas na Europa há mais de 2 milhões de anos. Algumas dessas espécies, no entanto, são cultivadas por razões ornamentais: além da Magnólia, frequente em muitos jardins, públicos e privados, é possível ver um relativamente jovem Tulipeiro-da-Virgínia no Parque da Paz (na Cova da Piedade).

 

Fontes: indicações públicas prestadas no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa; livro de Bingre & outros (2007; pp. 42 e 138-140); notícia de Serafim (2017), de onde também foi extraída a imagem com a evolução das flores

Fotografias: Eva Maria Blum

Inspiração: mensagem nº 143 do blogue «Cosmovivências»

domingo, 6 de dezembro de 2020

[0263] 10 de Dezembro: Dia Internacional dos Direitos Humanos

Ao escolherem Recuperar Melhor! como tema inspirador para as comemorações deste dia em 2020, as Nações Unidas, pretendem que os Direitos Humanos estejam no centro da recuperação mundial em relação à pandemia, de modo a voltarmos a construir o mundo que queremos.

 

Esta celebração honra o dia em que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, a 10 de Dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, então assinada por 58 Estados que visavam promover a paz duradoura após os conflitos da IIª Guerra Mundial.
Por isso, é também neste dia que é entregue o Prémio Nobel da Paz.

 

Eis, expressos de um modo sinóptico, os trinta direitos universais:

Todos temos direito a …


Na página «Documentos» deste blogue pode encontrar três versões desta Declaração: em PDF, em texto (português) e uma sinopse (português).

 

Têm sido apontados momentos da História que podem ter sido antecessores desta Declaração de 1948.
No século VI a. C., o persa Ciro, o Grande redigiu num pequeno cilindro o que será a primeira versão dos direitos humanos;
Os filósofos iluministas influenciaram a Declaração de Direitos inglesa (1689), a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão francesa (1789) e a Carta de Direitos norte-americana (1791).

 

Fontes: sítios da Calendarr (sobre a comemoração) e das Nações Unidas (os originais) e Wikipédia (sobre a história)