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sábado, 13 de novembro de 2021

[0310] A Natureza na Nossa Banda (I): o sapal de Corroios

Estão actualmente em exposição, no terreiro em frente ao Moinho de Maré de Corroios, as ilustrações com que Carlos Xavier Varela Pita descreve a Natureza que aí nos envolve. Tratando-se do trabalho desenvolvido no âmbito de um Mestrado em Ilustração Científica, foi possível consultar, no correspondente Relatório de Estágio, o modo como o Sapal de Corroios foi entendido:

Sapal de Corroios

A zona denominada Sapal de Corroios é uma extensa área de sapal salgado, com aproximadamente 143 hectares, localizada no concelho do Seixal, na zona ocidental da baía com o mesmo nome […]. É considerada a zona húmida mais bem conservada do estuário do Tejo, a sul de Alcochete, sendo considerada Domínio Público Hídrico, e incluída na Reserva Ecológica Nacional (REN). […] Do ponto de vista geológico e morfológico, o sapal desenvolve-se sobre sedimentos essencialmente vasosos e é cortado por numerosos canais meandrizados, que se bifurcam e recombinam, apresentando, por vezes, um padrão ramificado. Os canais de maré dos sapais não são formas erosivas, mas formas que resultam da deposição de sedimentos, lateral e verticalmente, nos bancos de vaza que os confinam […]. Os sapais são ecossistemas que incluem vegetação halófita (plantas tolerantes à salinidade), apresentando zonamento característico determinado pelo tempo de imersão. A vegetação é um fator condicionante da evolução do sapal, sendo os seus sistemas radiculares e estruturas aéreas importantes na fixação de material em suspensão, contribuindo para a estabilização do solo (materiais lodosos) […]. A baía do Seixal, na qual se inclui o Sapal de Corroios, apresenta uma variedade e abundância de vida selvagem que contrasta com as áreas circundantes, intensamente urbanizadas e transformadas pelo homem. […] Esta região é particularmente importante para as aves migradoras, principalmente para as espécies invernantes. Durante os meses de inverno procuram abrigo e alimento no Sapal de Corroios largos milhares de aves, constituindo um ponto de elevado interesse ornitológico […]. Nas áreas de lodo que ficam a descoberto durante a maré vazia, é possível observar um grande número de espécies de aves, com destaque para as aves do grupo das “laro limícolas”, enquanto que durante a maré cheia, as manchas de vegetação que permanecem emersas proporcionam refúgio a várias aves aquáticas […]. Apesar de se encontrar no meio de uma zona fortemente edificada, o Sapal de Corroios é um bom local para observar diversas espécies de aves aquáticas, com destaque para as limícolas. Um dos melhores locais de observação situa-se junto ao Moinho de Maré de Corroios, especialmente durante a maré baixa […]. A zona adjacente ao sapal, e o próprio sapal durante a maré alta, assumem bastante relevância enquanto área de alimentação e abrigo para várias espécies de peixes que utilizam o estuário como área de viveiro, bem como para espécies residentes, sendo um local particularmente importante para espécies piscícolas detritívoras. Na baía ocorrem ainda várias espécies de invertebrados, que assumem um papel importante na cadeia trófica, servindo de alimento a várias espécies de aves e peixes.

Morraça; Gramata-branca; Gramata

Devido às condições adversas de salinidade encontradas nos sapais, estes apresentam uma baixa diversidade florística, sendo esta limitada quase exclusivamente às espécies halófitas, que se encontram bem adaptadas do ponto de vista morfológico e fisiológico ao habitat peculiar que colonizam. Segundo o “Estudo de Investigação, Caracterização e Valorização Ambiental da Baía Do Seixal” realizado pelo Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, realizado em 2011 […], as plantas halófitas mais abundantes no Sapal de Corroios distribuem-se por nove géneros e cinco famílias (Chenopodeaceae, representada por 6 géneros e Asteraceae, Poaceae, Polygonaceae e Juncaceae com um género cada). Destas, as espécies mais abundantes são Halimione portulacoides e Sarcocornia fruticosa, duas espécies da família Chenopodeaceae, ocupando cada uma cerca de 1/3 da área total de sapal inventariada. Em termos de ocupação no sapal, a espécie pioneira da família Poaceae, Spartina maritima, é a terceira mais abundante, ocupando cerca de 12% da cobertura total. No entanto, outras espécies halófitas podem ser encontradas, e depois outras espécies halófitas com menor expressão como, por exemplo: Polygonum maritimum (Polygonaceae), Atriplex halimus (Chenopodeaceae), Juncus maritimus (Juncaceae), Inula chritmoides (Asteraceae) e Suaeda vera (Chenopodeaceae).

Mainá-de-crista; Guincho
Fuinha-dos-juncos; Flamingo
Garça-real; Alfaiate; Pernilongo; Maçarico-de-bico-direito; Borrelho-grande-de-coleira; Perna-vermelha; Pato-real

A zona do Sapal de Corroios, bem como a restante baía do Seixal, apresenta uma grande diversidade da avifauna. Com efeito, Hélder Costa […] e o sítio da internet “Aves de Portugal” […], referenciam o Moinho de Corroios e a Ponta dos Corvos como locais preferenciais para observação de aves na vizinhança de Lisboa. O número de espécies que podem ser avistadas é substancial. De facto, Hélder Costa […] contabiliza a identificação de 118 espécies entre 2006 e 2009, enquanto que Manuel Lima […] refere a ocorrência de 94 espécies na zona da Baía do Seixal. De acordo com o “Estudo de Investigação, Caracterização e Valorização Ambiental da Baía Do Seixal” realizado pelo Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, realizado em 2011 […], as aves observadas na área da Baía do Seixal pertencem maioritariamente ao grupo das chamadas “laro limícolas”, aves de hábitos aquáticos, que inclui um grande número de espécies das famílias Charadriidae (vulgarmente designadas “borrelhos”), Scolopacidae (“pilritos” ou “maçaricos”) e Laridae (“gaivotas”). Em complemento às “laro-límicolas”, podem ainda ser observadas na Baía do Seixal aves das famílias Anatidae (“patos”), Phalacrocoracidae (“corvos-marinhos”), Ardeidae (“garças”), Threskiornithidae (“colhereiros”), Phoenicopteridae (“flamingos”), e ainda das famílias Recurvirostridae (“pernilongos” e “alfaiates”) e Sternidae (“gaivinas”) […]. A maioria destas espécies é migradora, e os números de indivíduos encontrados na Baía do Seixal e no Sapal de Corroios demonstram-no, aumentando significativamente durante os meses de inverno. De facto, a chegada dos primeiros migradores desta fauna “invernante” começa no final do verão, geralmente a partir do mês de agosto. Daí em diante o número de indivíduos vai aumentando, e cresce mais rapidamente a partir de novembro, até atingir os valores máximos anuais em janeiro. As espécies deste grupo ainda se mantêm na área durante o mês de fevereiro, começando em março a sua partida para norte.

Tainha-fataça; Enguia
Cavalo-marinho
Charroco; Caboz-comum

De acordo o “Estudo de Investigação, Caracterização e Valorização Ambiental da Baía Do Seixal” realizado pelo Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, realizado em 2011 […], foi documentado um total de 20 espécies piscícolas na Baía do Seixal. Embora possam ser encontradas algumas espécies que usam a baía como áreas de viveiro, como os linguados, o robalo-legítimo e vários esparídeos, a ictiofauna da zona é dominada por duas espécies residentes, o charroco e o caboz-comum. Por outro lado, a ocorrência na Baía do Seixal de diversas espécies de singnatídeos, e de cavalos-marinhos em particular, constitui uma indicação da qualidade ambiental da zona, uma vez que estes peixes são considerados bastante sensíveis à degradação do ambiente em que se inserem. Merece destaque ainda a presença da enguia, espécie que atualmente se encontra ameaçada em toda a área de distribuição. Alguns peixes residentes no estuário do Tejo utilizam a Baía do Seixal como habitat de reprodução, como são os casos dos cabozes, singnatídeos, peixe-rei-do-Mediterrâneo e charroco. A tainha-liça, a tainha-garrento, o robalo-legítimo, os esparídeos e os linguados utilizam o estuário como local de viveiro. Os migradores catádromos encontram-se representados no local pela enguia e pela tainha-fataça.

Camarão-negro; Cranguejo-verde
Choco; Amêijoa-japonesa

No que respeita aos invertebrados aquáticos, o estudo realizado pelo COFCUL […] identificou a ocorrência de nove espécies de crustáceos decápodes, sendo que as mais bem representadas na Baía do Seixal são o camarão-negro (Crangon crangon) e o caranguejo-verde (Carcinus maenas). É ainda de destacar o choco-vulgar (Sepia officinalis), a espécie de cefalópode mais abundante (a outra espécie identificada é o chopito-anão-orelhudo, Sepiola atlântica) que se reproduz na Baía e é uma das espécies ali pescadas. Das inúmeras espécies de invertebrados que colonizam as vazas lodosas das zonas intertidais (isópodes, gastrópodes, anfípodes, poliquetas e bivalves), merece destaque a ameijoa-japonesa (Ruditapes phillippinarum), espécie exótica que proliferou com grande abundância e é apreciada pelos mariscadores da região.

 

Fontes: PDF de Pita (2013; texto, nas pp. 8-12; e imagens, no Apêndice)

sábado, 14 de agosto de 2021

[0297] Em férias, nas margens das praias e dos rios da Nossa Banda

Observem.

Algas no Portinho da Arrábida (concelho de Setúbal):


Tanques romanos de salga de peixe na Estação Arqueológica do Creiro (concelho de Setúbal):


Salinas no Samouco (concelho de Alcochete):


Prados na Ponta dos Corvos (concelho do Seixal):


Aves no Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (concelho de Sesimbra):


E depois voltem: com outros familiares e amigos, com as escolas, com os grupos séniores …

 

Fotografias: Eva Maria Blum (entre 2013 e 2018)

sábado, 6 de março de 2021

[0275] Os temas da ONU para esta década

O modo como a Organização das Nações Unidas (ONU) apela à nossa intervenção nos temas que considera de importância mundial é feito a quatro níveis temporais: os «dias de», os «anos de», as «décadas de» e, com um prazo ainda mais amplo, os «objectivos do desenvolvimento sustentável», cuja implementação está actualmente em curso (2015-2030).

Os temas propostos para como alvo de acção ao longo de dez anos não correspondem a uma década do calendário, sendo, em cada ano, iniciada uma década específica para um ou mais temas. Dois dos temas que tiveram o seu início em 2021 e que estarão em foco até 2030 dizem respeito à relação da Humanidade com a Natureza: a Década Internacional das Ciências Oceânicas para o Desenvolvimento Durável e a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas.

A nossa relação com a Natureza tem sido longamente determinada pelas práticas de «posse». Mas a Humanidade já começou a perceber que apenas pode alterar equilíbrios na Natureza, que não a destruirão, mas que podem vir a destruir quem os provoca.
Então, no futuro, que relação deveremos nós estabelecer com a Natureza?

Para favorecer os nossos pensamentos sobre esta questão de fundo, eis um documentário de 2020 que aborda o Mar da Minha Terra / Almada Atlântica (fotografia de Luís Quinta; narração de Eduardo Rêgo; duração de 45 minutos e 59 segundos).
Nesta curta introdução à biologia costeira, são incluídas referências ao fitoplancton e ao zooplâncton, às algas, aos corais, aos vermes, às medusas, às estrelas-do-mar, aos moluscos (com e sem concha), aos crustáceos, aos tubarões, aos peixes ósseos, às aves costeiras (residentes / migradoras) e aos cetáceos (várias espécies de golfinhos e de baleias). Veja-a aqui:



Fonte: sítio da ONU

domingo, 28 de fevereiro de 2021

[0274] Beleza e sombra (V): a complexidade das Dicotiledóneas

Como distinguir, entre as plantas com flor, as «Monocotiledóneas» (mensagem «0270») das «Dicotilidóneas»?
O nome dado a estes dois grandes grupos ajuda a perceber: as plantas «mono» têm uma primeira folha que está especialmente preparada para a germinação; e as «di» têm duas dessas folhas. Estes dois casos estão ilustrados nas figuras seguintes:


Mais de dois terços das plantas com flor são Dicotiledóneas (igualmente chamadas «Eudicotiledóneas»). Elas são caracterizadas por:

·      As sementes possuírem dois cotilédones (daí as «duas folhas»);

·      A raiz é aprumada (o que lhe permite atingir maiores profundidades; as raízes das monocotiledóneas são fasciculadas, portanto mais curtas);

·      As folhas possuírem nervuras reticuladas (contrariamente às das monocotiledóneas, que são paralelas);

·      O seu ciclo de vida ser longo.

 

Algumas das mais importantes famílias de plantas Dicotiledóneas em Portugal são:
A família das Fabáceas (ou leguminosas), cujos frutos têm a típica forma de vagens, como as ervilhas, os feijoeiros, a Soja, a Olaia, a Glicínia e as acácias (muitas espécies de Fabáceas possuem nódulos nas raízes, onde se alojam bactérias fixadoras de azoto):


As vagens da Olaia

 A família das Fagáceas, que inclui os castanheiros e os carvalhos (nomeadamente o Sobreiro), tendo estes dominado a nossa floresta continental até pelo menos à Idade do Bronze:


Sobreiro (Parque da Paz, 2011)

A família das Oleáceas, onde figuram a Oliveira e o Freixo:


Oliveira frutificando (Altura, Algarve)

A família das Rosáceas, que agrupa as árvores de fruto, como a Cerejeira, a Macieira, o Morangueiro, a Nespereira e o Pessegueiro:


Folhas e flores do Pilriteiro (Parque da Paz)

 E a família das Vitáceas, constituída por trepadeiras, sendo a mais importante a Vinha:


O transporte do vinho em batelões
(azulejo em Pinhal Novo, Setúbal)

 

Fontes: Wikipédia; livro de Bingre & outros, 2007; pp. 53-54, 58, 60-61 e 65-66)

Imagens: Wikipédia (comparando as mono e as dicotiledóneas); fotografias de Pedro Esteves (as duas primeiras) e de Eva Maria Blum (as outras três)

sábado, 23 de janeiro de 2021

[0270] Beleza e sombra (IV): a simplicidade das Monocotiledóneas

As plantas com flores (Angiospérmicas), surgidas há aproximadamente 140 milhões de anos, divergiram em três grandes grupos. O que se manteve mais próximo das plantas antecessoras (Gimnospérmicas), o grupo das Magnoliáceas, foi referido na mensagem «0264». Os outros dois grandes grupos foram o das Monocotiledóneas e os das Eudicotiledóneas.

 

Cerca de um quarto das plantas com flor são Monocotiledóneas. Elas caracterizam-se por:

·      Embrião com um só cotilédone (a primeira folha, que possui reservas para alimentar a planta em crescimento);

·      Raiz fasciculada (semelhante a uma cabeleira);

·      Folhas paralelinérvias (as suas nervuras são paralelas).

 

A maioria das espécies de Monocotiledóneas são herbáceas, como são os casos dos cereais (Arroz, Milho, Trigo, …), dos Lírios e das Orquídeas.
Mas também existem espécies de maior porte:

 

Agave-americano: 


Dragoeiro:


Estrelícia-gigante:


Palmeira-das-Canárias:


Fotografias (nalguns casos recortadas): Eva Maria Blum (respectivamente na tapada das Necessidades, no Jardim do Monteiro-Mor, na tapada das Necessidades e no Jardim Tropical – todos estes locais em Lisboa)

sábado, 12 de dezembro de 2020

[0264] Beleza e sombra (III): as primeiras plantas com flor

Para ilustrar os primeiros grandes grupos de plantas que se reproduziram através de sementes foram referidos, na mensagem «0250», os casos das Cicas e dos Ginkgos e, na mensagem «0257», os casos dos Pinheiros, das Cupressáceas e das Araucárias.

Há cerca de 140 milhões de anos, no início do período Cretácico, uma planta que produzia sementes começou a fazê-lo a partir de flores. A família de plantas que se constituiu a partir deste passo pioneiro foi a das Magnoliáceas, tendo todas as outras famílias de plantas com flores evoluído a partir dela.
Num estudo internacional divulgado em 2017, onde se combinou matematicamente as informações sobre a estrutura e sobre a genética das plantas com flor, conclui-se que a aparência das flores originais seria próxima da que a actual flor da Magnólia tem; e deduziu-se que o percurso evolutivo dos restantes grupos de famílias terá sido, muito plausivelmente, o seguinte (no centro encontra-se a família das Magnoliáceas):



A Magnólia-sempre-verde (cujo nome científico é Magnolia grandiflora) é uma árvore originária do Sudeste do continente norte-americano e foi introduzida na Europa no século XVIII, sendo muito cultivada em jardins e parques.
As flores desta Magnólia são brancas, aromáticas e de dimensão invulgar (cerca de 25 centímetros de diâmetro), surgindo no final da Primavera. Por não possuírem néctar, a polinização é geralmente feita por escaravelhos, atraídos pelo seu aroma e pela possibilidade de se alimentarem das estruturas florais:



Os frutos estão estruturados como uma pinha (uma característica anatómica semelhante à das plantas que a antecederam), que atinge a maturidade no Outono e dispersa as sementes de cor vermelha, com a ajuda de aves e de mamíferos (à esquerda a pinha ainda fechada e, à direita, já aberta):


A família das Magnoliáceas inclui hoje cerca de 227 espécies, todas extintas na Europa há mais de 2 milhões de anos. Algumas dessas espécies, no entanto, são cultivadas por razões ornamentais: além da Magnólia, frequente em muitos jardins, públicos e privados, é possível ver um relativamente jovem Tulipeiro-da-Virgínia no Parque da Paz (na Cova da Piedade).

 

Fontes: indicações públicas prestadas no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa; livro de Bingre & outros (2007; pp. 42 e 138-140); notícia de Serafim (2017), de onde também foi extraída a imagem com a evolução das flores

Fotografias: Eva Maria Blum

Inspiração: mensagem nº 143 do blogue «Cosmovivências»

domingo, 25 de outubro de 2020

[0257] Beleza e sombra (II): as Coníferas

Serão as árvores que nos fazem companhia, ou seremos nós que, por uns tempos, vamos fazendo companhia às árvores?


Tal como as Cicas e os Ginkgos (a que a mensagem «0250» se referiu), o aparecimento do grupo das Coníferas precedeu o das plantas caracterizadas por flores e frutos. As primeiras Coníferas surgiram há aproximadamente 300 milhões de anos, sendo identificáveis pelo suporte que desenvolveram para guardar as suas sementes, antes de estas se dispersarem, tendo frequentemente a forma de um cone (daí o nome deste grupo), como é o caso das pinhas, podendo no entanto ser arredondado, como as gálbulas dos Ciprestes.

Este grupo chegou a ser o dominante, estatuto que foi perdendo à medida que as plantas com flores e frutos se diversificaram. Actualmente, as principais famílias das Coníferas são a dos Pinheiros, a das Araucárias e a das Cupressáceas, com um total de pouco mais de meio milhar de espécies. As folhas das árvores (e dos arbustos) deste grupo ou são muito estreitas (em forma de agulha), ou parecidas com escamas.


A família dos Pinheiros é composta por árvores resinosas, com alguns raros arbustos, no total de 210 espécies. É a maior família das Coníferas e está restringida ao hemisfério Norte, onde domina grande parte das florestas boreais e de montanha. Tem grande importância ornamental (Cedro), alimentar (Pinheiro-manso), farmacêutico e químico (Pinheiro-bravo) e madeireiro (Cedro-do-atlas). A maioria das espécies tem folhas persistentes, sendo o Larício (Larix decídua) uma excepção. Em Portugal continental há duas espécies indígenas do género Pinus, o Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e o Pinheiro-manso (Pinus pinea).


A família das Cupressáceas é constituída por árvores e arbustos resinosos, num total de 133 espécies. As suas sementes são guardadas em gálbulas. As folhas de umas espécies são persistentes e as de outras são caducas, tendo umas a forma de pequenas escamas, sendo outras estreitas, alongadas e verticiladas. Muitas das espécies desta família têm interesse ornamental (caso dos Zimbros e das Sabinas, do género Juniperus, e dos Ciprestes, do género Cupressus) e algumas têm-no para a produção de lenho (como os Ciprestes e a Criptoméria). As Sequoias, também membros desta família, proporcionam-nos as árvores de maior alta e diâmetro.


A família das Araucárias é constituída por 33 espécies, agrupadas em apenas 3 géneros. São árvores de grande dimensão e encontram-se nativamente restringidas ao Hemisfério Sul. Os seus ramos dispõem-se em andares e as suas folhas são persistentes, ou tendo a forma de agulha ou sendo espalmadas. Produzem grandes pinhas e possuem interesse maioritariamente ornamental.


O melhor local para apreciar e observar espécimes de todas estas famílias é, na Nossa Banda, o Parque da Paz (Cova da Piedade). A Casa da Cerca (Almada) também possui alguns bons exemplares.

Para a identificação de espécies está disponível uma ferramenta digital descrita na mensagem «0239».


Fonte: livro de Bingre e outros (2007; pp. 30-41)

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

[0250] Beleza e sombra (I): as Cicas e os Ginkgos

Na mensagem «0177» foram identificadas algumas ruas da Nossa Banda, situadas em Corroios, no Laranjeiro e no Feijó, cujos nomes evocam a memória ou o desejo da companhia que as árvores nos fazem.

Mas: serão as árvores que nos fazem companhia, ou seremos nós que, por uns tempos, vamos fazendo companhia às árvores?

A história das Cicas e do Ginkgo mostra-nos como esta interrogação é pertinente. E é particularmente interessante.


As Cicas e o Ginkgo partilham diversas características: têm uma origem muito remota; são dioicas (uns exemplares são machos, outros fêmeas); e, apesar de classificadas como produzindo sementes (Gimnospérmicas), a viabilidade destas depende de a germinação ser imediata (caso contrário as sementes perecem).


O grupo das Cicas teve origem no Paleozoico (há fosseis com 290 milhões de anos), expandiu-se durante o Mesozoico (havia dinossauros que o tinham por alimento) e o seu retrocesso foi-se acentuando ao longo do Cenozoico (dada a concorrência das plantas com flor, pelo que, hoje, está em perigo de extinção).

As espécies deste grupo que sobreviveram não ultrapassam as centenas, e surgem espontaneamente apenas nalgumas partes do mundo. Um bom número delas só existe porque é plantado em parques e jardins, ou usado ornamentalmente em quintais e, até, em varandas.

A espécie mais conhecida é a Cycas revoluta. Tal como as outras espécies deste grupo, tem folhas perenes, parecendo-se fortemente com uma Palmeira.

Perto da Nossa Banda, os melhores locais para observar algumas destas espécies, e para obter informações sobre elas, são os jardins botânicos de Lisboa (ver informações sobre eles na página «Recurso» deste blogue):

  • Jardim Botânico da Universidade de Lisboa;
  • Jardim Botânico Tropical de Lisboa;
  • Jardim Botânico da Ajuda.

Exemplar de Cycas revoluta (Jardim dos Jerónimos, Lisboa)


O Ginkgo (Ginkgo biloba) é a única espécie sobrevivente de um grupo que teve uma origem quase tão antiga como a das Cicas (há fósseis com 270 milhões de anos).

Trata-se de uma espécie que já esteve distribuída por todo o mundo, sendo conhecidas algumas histórias que nos sugerem possuir uma enorme resistência: seis exemplares sobreviveram ao bombardeamento atómico de Hiroshima.

Contrariamente às Cicas, o Ginkgo é uma árvore plantada com alguma frequência perto das nossas casas, tanto em jardins e parques como nas ruas (é cultivado ornamentalmente um pouco por todo o mundo). As suas folhas têm uma forma muito característica (dois lobos, daí o seu nome em latim) e, chegado o Outono, antes de cair (é caducifólia), a sua cor torna-se notavelmente dourada:


Folhas e óvulos de Ginkgo biloba (Almada Velha)


Exemplar de Ginkgo biloba, com as folhas amarelecidas no Outono (Miratejo, Laranjeiro)


Caras leitoras e caros leitores: não se esqueçam de que, para identificar plantas, podem usar a ferramenta digital sugerida na mensagem «0239».

 

Fontes: jardins botânicos de Lisboa

Fotografias: Pedro Esteves


segunda-feira, 8 de junho de 2020

[0239] Uma ferramenta digital para identificar plantas


O projecto internacional PlantNet disponibilizou uma ferramenta digital que nos permite identificar plantas ao vivo (observando-as através de uma aplicação instalada num Smartphone) ou a partir de imagens de arquivo (colocando-as num sítio acedido por computador): https://identify.plantnet.org.

Algumas experiências com esta ferramenta aconselham a sua aplicação a vistas / imagens próximas e nítidas e a não aplicação a plantas muito pouco frequentes (caso das plantas dos sapais).
Como em relação a tudo, é preciso utilizar esta ferramenta criticamente.

Três exemplos que mostram o resultado da identificação de árvores / arbustos da Nossa Banda (a partir de imagens digitais arquivadas):

Fotografia de 29 de Março de 2016, em Setúbal:


Identificação pela flor e pela folha:
Trata-se (com probabilidade 2,55 em 5) de uma Árvore-de-São-Tomé
(espécie Bauhinia variegata, da família Leguminosae),
ou de (probabilidade 1,48 em 5) uma Bauhinia purpúrea, também Leguminosae

Fotografia de 13 de Maio de 2017, no Barreiro:


Identificação pela flor:
Trata-se (com probabilidade 4,27 em 5) de um Metrosídero
(espécie Metrosideros excelsa, família Myrtaceae)

Fotografia de 9 de Fevereiro de 2018, no Museu da Música Mecânica, Pinhal Novo:


Identificação pelo fruto e pela folha:
Trata-se (com probabilidade 3,05 em 5) de uma Aroeira-vermelha
(espécie Schinus terebinthifolia, da famíla Anacardiaceae)

Fonte: sítio do Projecto PlantNet
Fotografias: Eva Maria Blum

sábado, 15 de fevereiro de 2020

[0224] A Reserva Ecológica Nacional do concelho do Seixal


A versão mais actualizada dos limites e dos conteúdos desta reserva foi estabelecida através da Portaria nº 3 de 2016 (18 de Janeiro). As suas origens remontam, no entanto, a cerca de duas décadas e meia antes.

Em 1997, numa publicação da Câmara Municipal do Seixal, o professor Manuel Lima destacou e descreveu as principais zonas que então a integravam (a tracejado no seguinte mapa):


Os mais de 733 hectares desta reserva correspondem a cerca de 8 % da área total do concelho do Seixal, sendo grandemente constituída por um contínuo de sapais, portanto marcados pelos níveis das marés que ritmam as águas do estuário do Tejo e ambiente favorável para uma grande diversidade de plantas e de animais.

A principal excepção a este contínuo é a zona dos Redondos da Catrapona, situada no interior do concelho, que se destaca pelo seu pinhal, não lhe correspondendo, também, qualquer património cultural.

O modo como os ocupantes das margens destes sapais deles tiraram proveito (e nalguns casos ainda tiram) está bem patente numa grande diversidade de evidências arqueológicas.
As águas situadas no subsolo do sapal de Corroios, as areias que cobrem a Ponta dos Corvos e os barros que se vão formando em qualquer sapal, foram, e continuam a ser hoje, recursos geológicos. E os vestígios de antigos fornos mostram uma das possíveis formas de eles serem aproveitados (um, romano, em Corroios; outro, de cal, na Azinheira).
As quintas, que por aqui foram abundantes, testemunham o trabalho da terra e a abundância dos produtos que dela se retiravam: a fruta, o azeite e o vinho. E porque nem toda esta riqueza se destinava a consumo local, existem muitos vestígios de estaleiros destinados à construção naval em madeira e de portinhos por onde chegavam as matérias primas e se escoava o que a Lisboa se destinava. E também existem os restos de diversos moinhos de maré (dois em Coina, quatro na Azinheira, quatro na Ponta dos Corvos), estando um deles (em Corroios), hoje, musealizado.
Mais recentes são as grandes estruturas que lembram o tempo em que diversas indústrias se situaram nestas bandas: para a produção de tijolos, de lanifícios e de vidros, para a preparação da cortiça (caso da Fábrica Mundet, situada à entrada do Seixal), para a seca do bacalhau (a Companhia Atlântica, na Ponta dos Corvos) e para produção de aço (a Siderurgia Nacional, em Paio Pires).

Fonte: Lima (1997)


sábado, 2 de novembro de 2019

[0211] A 11ª edição da feira «ObservaNatura»


Esta feira irá ocorrer no próximo fim-de-semana, 9 e 10 novembro de 2019, desta vez no Cais 3 da APSS – Porto de Setúbal, organizada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, com o apoio da TroiaNatura e da Câmara Municipal de Setúbal:


“Dedicada ao Turismo de Natureza e às diversas temáticas e competências deste organismo, será mais uma vez dado destaque à marca Natural.PT, enquanto aposta estruturada na criação de uma rede de destinos de turismo de natureza que valorize e diferencie as Áreas Protegidas do continente, sempre com um leque diversificado de atividades, que vos darão a conhecer o património do Parque Natural da Arrábida e da Reserva Natural do Estuário do Sado. Das dez edições já realizadas, que contaram sempre com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, entre outras instituições, participaram mais de 200 entidades, entre as quais empresas de animação turística, associações e organismos públicos, e contabilizaram-se cerca de 16.000 visitantes, que puderam usufruir de passeios pelas referidas áreas protegidas e pelo centro de Setúbal, incluindo workshops, minicursos, ateliês, sessões de anilhagem e atividades de educação ambiental, entre outras.”

Fonte: sítio da ObservaNatura

sábado, 27 de abril de 2019

[0187] Inaugurado o Parque Urbano do Seixal

Com 5,3 hectares, este parque está localizado à entrada da Vila do Seixal, no Alto de Dona Ana, encontrando-se rodeado a Sul e a Oeste pelas edificações remanescentes da corticeira Mundet:


Tendo no seu ponto mais alto uma altitude de 28 metros acima do nível do mar, permite uma visualização privilegiada sobre a Baía do Seixal e sobre Lisboa:


A Câmara Municipal do Seixal abriu-o oficialmente ao público no passado dia 25 de Abril.

Fonte: sítio da Câmara Municipal do Seixal
Fotografias: Eva Maria Blum

sábado, 20 de abril de 2019

[0186] A afirmação da Natureza: plantas do cabo Espichel

O Parque Natural da Arrábida abrange partes dos concelhos de Palmela, de Sesimbra e de Setúbal, inclui alguns monumentos notáveis e tem, no mar que o bordeja a Sul, um irmão, o Parque Marinho Professor Luís Saldanha:


O extremo Oeste do Parque Natural da Arrábida, onde também se situam o Santuário e o Farol do Cabo Espichel, é particularmente agreste. A sua vegetação é rasteira e, frequentemente, espinhosa:

Vista para Norte (fotografia de Eva Maria Blum)

Mas, tratando-se de uma vegetação espontânea, não afectada pela selecção e pelo tratamento químico aplicados na agricultura e nos jardins, a sua exuberância é enorme. Nesta altura do ano ela é especialmente visível através das flores:

Fotografias de Eva Maria Blum
(numa delas pode observar-se um insecto em acção)

quarta-feira, 20 de março de 2019

[0181] Primavera: a Árvore e a Floresta


Anualmente, no dia 21 de Março, a Árvore e a Floresta são mundialmente celebradas.
A origem recente desta ideia deve-se à iniciativa do jornalista e político norte-americano Julius Sterling Morton, que, para incentivar a plantação de árvores no estado de Nebraska, promoveu o Arbor Day em 10 de Abril de 1872.
Em Portugal a 1ª Festa da Árvore foi comemorada em 9 de Março de 1913 e o 1º Dia Mundial da Floresta em 21 de Março de 1972.

Os actuais argumentos para que estas celebrações se realizem recorrem a informações vindas da ciência e, por vezes, da economia. Através delas somos recordados de que 30 % da superfície terrestre está coberta por florestas, de que mil árvores adultas absorvem cerca de seis mil quilogramas de dióxido de carbono e de que é através da fotossíntese que as árvores absorvem esse dióxido de carbono e produzem e libertam oxigénio para a atmosfera.

Estas celebrações têm, no entanto, origens muito mais antigas, sempre associadas ao momento particular em que o ciclo da Natureza se encontra nesta época do ano: o início da Primavera.
Sandro Botticelli (1445 - 1510), por exemplo, celebrou deste magnífico e abrangente modo o extraordinário momento em que, uma vez mais, estamos a entrar:

Primavera, de Sandro Boticelli (pintado por volta de 1478; quadro patente na Galeria Uffizi, em Florença; dimensões, 203 x 315 cm)

Segundo Susie Hodge, Botticelli representou através desta pintura textos dos romanos Ovídio e Séneca, que viveram um milénio e meio antes dele.

Fontes: sítios da Calendarr Portugal e da Wikipédia; Hodge (2017; pp. 60-63)

sábado, 9 de março de 2019

[0180] Uma visão artística do património do concelho de Sesimbra


Da autoria de Albino Moura, o mural Sesimbra foi inaugurado em 25 de Julho de 2016, no Largo de Bombaldes, junto à entrada do Mercado do Peixe da vila de que recebeu o nome. Tem 6 metros de comprimento e 2 metros de altura e é composto por azulejos:


Neste mural podem ser identificados elementos do património associado ao concelho de Sesimbra: o património natural (as falésias, o mar, o peixe, as aves); o património mitológico (o Senhor Jesus das Chagas, padroeiro dos pescadores de Sesimbra); o património edificado (as igrejas da vila, o Santuário e o Farol do Cabo Espichel, a Ermida da Memória, a Fortaleza de Santiago e o Castelo de Sesimbra); e o património laboral (a pesca e a moagem, em particular a Moagem de Sampaio).

À semelhança do que faria dois anos mais tarde no mural Cidade do Seixal (ver mensagem «0176»), Albino Moura coloca no centro deste novo mural um pescador, abraçado ao seu barco de pesca (tradicionalmente a Muleta, no Seixal, e a Aiola, em Sesimbra):

Pormenores centrais
de «Cidade do Seixal» (2018) e de «Sesimbra» (2016)

Não deixa de ser curiosa a convergência entre estas duas representações e a feita no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, do Infante D. Henrique, com a sua Caravela pronta a navegar:


Imagens: Infocul.pt (Sesimbra); Eva Maria Blum (Seixal); Wikipédia (Padrão dos Descobrimentos)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

[0177] Sob a toponímia, o passado: algumas ruas de Corroios, do Laranjeiro e do Feijó

A actual malha urbana das freguesias de Corroios, do Laranjeiro e do Feijó foi grandemente construída nas últimas seis décadas, transformando os campos, as quintas e os dispersos núcleos urbanos que nelas existiam.
Os nomes que foram dados a muitas das novas ruas reflectiram o que tinha acabado de ser substituído, ou que já começara a ser substituído há mais tempo, e cuja memória deixou saudades.

Agora que a Natureza está a começar a reagir ao que pode ter sido o curto Inverno de 2018-19, os nomes de algumas dessas ruas sugerem-nos como outrora a reacção da Natureza ao Inverno seria expressa de um modo muito mais intenso.
A Estrada dos Álamos, que começa por trás da bomba de gasolina do Laranjeiro, passa pela Quinta de Santo Amaro (de que é hoje utilizada a «Casa Amarela») e se transforma em Rua do Trevo ao entrar na freguesia de Corroios, é um bom exemplo desse contraste entre o que foi ontem e o que é hoje o anúncio da Primavera pela Natureza:







Mas há outros nomes que lembram as profundas mudanças introduzidas pela malha urbana na livre expressão da Natureza.

Na freguesia de Corroios existe uma Rua das Flores, que desce de Miratejo até à Quinta do Rouxinol (onde está situado o Moinho de Maré) e que tem, a Nascente, a Rua das Palmeiras.
Imediatamente a Poente da Rua das Flores situam-se: a Rua das Manjeronas; a Rua do Alecrim; a Rua das Camélias; a Rua das Orquídeas, que forma uma inabitual curva fechada, no interior da qual se situam a Rua dos Malmequeres e a Praceta dos Malmequeres; a Praceta das Orquídeas; a Rua do Girassol, a Rua dos Cactos; a Rua da Madressilva e a Praceta da Madressilva; a Praceta das Flores; e a Rua das Oliveiras.
E para Poente da Auto-estrada existem ainda: uma outra Rua do Alecrim, a Rua das Azinheiras, a Rua das Olaias, a Rua dos Sobreiros (uma árvore que deixou muitos exemplares até aos dias de hoje), a Rua das Palmeiras, a Rua das Amoreiras, a Rua das Acácias, a Rua das Tílias, a Rua dos Eucaliptos, a Rua dos Pinheiros, a Rua da Quinta dos Medronheiros, etc., etc., etc. …

Na freguesia do Laranjeiro, a Rua dos Eucaliptos lembra uma Quinta dos Eucaliptos que já não existe; ela e uma outra Rua das Flores ladeiam, respectivamente a Norte e a Nascente, o Parque Luís de Sá. um pouco mais a Norte, perto dos muros do Alfeite, existe uma Rua das Laranjeiras e uma Travessa das Laranjeiras.

Na freguesia do Feijó, quem parte do Complexo Municipal dos Desportos e sobe para o Laranjeiro fá-lo pela Rua dos Castanheiros, onde os jardineiros da Câmara Municipal de Almada plantaram, para nos amenizar as saudades, Castanheiros-da-Índia (à esquerda) e Ameixoeiras-de-jardim (à direita).
Mais perto da fronteira com a freguesia de Corroios encontra-se uma Rua da Quinta das Amoreiras (outra árvore que parece ter sido frequente nesta região, dados os exemplares que ainda hoje subsistem).

Fonte: sítio da Google Maps

Fotografias: Pedro Esteves