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domingo, 18 de outubro de 2020

[0256] Educação Patrimonial (IV)

Os processos de patrimonialização têm dado origem a importantes iniciativas de educação / formação, sendo a inspirada pelo Campo Arqueológico de Mértola uma das mais antigas. Recentemente, no âmbito das candidaturas da Olaria Negra de Bisalhães (Vila Real) e do Figurado em Barro de Estremoz a Património Cultural Imaterial da Humanidade (respectivamente reconhecidas pela UNESCO em 2016 e em 2017), surgiram outras iniciativas semelhantes, visando dar continuidade aos ofícios locais que estavam em risco de se perder.


Respigadas entre outras iniciativas deste género, mas não dependentes do reconhecimento por uma entidade supervisora, estão as seguintes:

As Artes e Ofícios do Espectáculo, desde 1991 associadas à Escola de Circo do Chapitô (Lisboa):


A Arte do Junco, no Mosteiro de Santa Maria de Cós (Alcobaça);

A Tecelagem, a Cestaria e a Gaita de Fole, na Escola de Artes e Ofícios resultante da parceira entre os municípios de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca e a Escola Profissional do Alto Lima;

A Cordoaria, a Tanoaria, a Olaria e a Azulejaria, desde 2013 na Escola de Artes e Ofícios de Ovar.


Na Nossa Banda, onde ainda se sentem os antigos cruzamentos do mundo rural com os ofícios do rio e do mar, temperados pelas tradições mais recentes das indústrias e das artes como as da música e as do teatro, não se justificaria a criação de uma Escola de Artes e Ofícios, capaz de contribuir para o estabelecimento de pontes entre as muitas e meritórias iniciativas e de ajudar a inventar um futuro para essas actividades?

 

Imagem: sítio do Chapitô 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

[0224] A Reserva Ecológica Nacional do concelho do Seixal


A versão mais actualizada dos limites e dos conteúdos desta reserva foi estabelecida através da Portaria nº 3 de 2016 (18 de Janeiro). As suas origens remontam, no entanto, a cerca de duas décadas e meia antes.

Em 1997, numa publicação da Câmara Municipal do Seixal, o professor Manuel Lima destacou e descreveu as principais zonas que então a integravam (a tracejado no seguinte mapa):


Os mais de 733 hectares desta reserva correspondem a cerca de 8 % da área total do concelho do Seixal, sendo grandemente constituída por um contínuo de sapais, portanto marcados pelos níveis das marés que ritmam as águas do estuário do Tejo e ambiente favorável para uma grande diversidade de plantas e de animais.

A principal excepção a este contínuo é a zona dos Redondos da Catrapona, situada no interior do concelho, que se destaca pelo seu pinhal, não lhe correspondendo, também, qualquer património cultural.

O modo como os ocupantes das margens destes sapais deles tiraram proveito (e nalguns casos ainda tiram) está bem patente numa grande diversidade de evidências arqueológicas.
As águas situadas no subsolo do sapal de Corroios, as areias que cobrem a Ponta dos Corvos e os barros que se vão formando em qualquer sapal, foram, e continuam a ser hoje, recursos geológicos. E os vestígios de antigos fornos mostram uma das possíveis formas de eles serem aproveitados (um, romano, em Corroios; outro, de cal, na Azinheira).
As quintas, que por aqui foram abundantes, testemunham o trabalho da terra e a abundância dos produtos que dela se retiravam: a fruta, o azeite e o vinho. E porque nem toda esta riqueza se destinava a consumo local, existem muitos vestígios de estaleiros destinados à construção naval em madeira e de portinhos por onde chegavam as matérias primas e se escoava o que a Lisboa se destinava. E também existem os restos de diversos moinhos de maré (dois em Coina, quatro na Azinheira, quatro na Ponta dos Corvos), estando um deles (em Corroios), hoje, musealizado.
Mais recentes são as grandes estruturas que lembram o tempo em que diversas indústrias se situaram nestas bandas: para a produção de tijolos, de lanifícios e de vidros, para a preparação da cortiça (caso da Fábrica Mundet, situada à entrada do Seixal), para a seca do bacalhau (a Companhia Atlântica, na Ponta dos Corvos) e para produção de aço (a Siderurgia Nacional, em Paio Pires).

Fonte: Lima (1997)


terça-feira, 12 de novembro de 2019

[0213] O «I Encontro Património e Cultura Marítima: Do Risco ao Barco», em Sesimbra


A tradição dos ofícios relacionados com a construção naval sesimbrense é ancestral. O Tombo da Vila e seu termo refere-se em 1410 à dízima a pagar a calafates e a carpinteiros pela construção de barcas. Em 1425, a documentação menciona a mata do Zimbral como sendo o local para recolha de madeira para construção das barcas. O Foral de D. Manuel, de 1514, relata as isenções de pagamento que os materiais utilizados na construção de embarcações estavam sujeitos.

Estas são apenas algumas datas de referência que atestam a importância que a construção naval e os ofícios inerentes à mesma têm tido na história marítima local, e que vão ser o ponto de partida para o I Encontro Património e Cultura Marítima, intitulado A Construção Naval: Do Risco ao Barco, que se realiza no dia 15 de novembro, na Biblioteca Municipal, e faz parte das comemorações do Dia Nacional do Mar, que se assinala a 16 de novembro.

Para além deste momento, onde se vão debater temas como a arqueologia e a arquitetura naval, a construção e recuperação de embarcações tradicionais, os museus e a construção naval, está programada uma sessão da Sesimbra, Memória e Identidade sobre a construção naval sesimbrense e uma visita aos estaleiros navais e ao Porto de Pesca.


A inscrições estão abertas até 14 de novembro, pelos telefones 21 228 85 50 ou 93 245 45 33 ou pelo e-mail museu@cm-sesimbra.pt.

Fonte: página do Museu Marítimo de Sesimbra no Facebook

domingo, 13 de outubro de 2019

[0208] De 25 a 27 de Outubro, na Moita, o IV Encontro de Culturas Ribeirinhas


Organizado pela Câmara Municipal da Moita, em colaboração com a Associação de Desportos Náuticos Alhosvedrense «Amigos do Mar», Associação Naval Sarilhense, Centro Náutico Moitense, Secção Náutica do Beira Mar Futebol Clube Gaiense e Instituto de Dinâmica do Espaço da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, este Encontro é mais um contributo para a afirmação do projecto municipal «Moita Património do Tejo»:


PROGRAMA:

25 de Outubro (6ª feira)

Moita – Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça - Auditório Maestro Lopes Graça

21h15 - Abertura do IV Encontro de Culturas Ribeirinhas
21h30 - Exibição do documentário «A Construção Naval Tradicional e os Estaleiros das Associações Náuticas do Concelho da Moita»
22h15 - Colóquio «As Associações Náuticas e a Preservação do Património Cultural Flúvio-Marítimo»

26 de Outubro (Sábado)

Alhos Vedros – Moinho de Maré da Azenha

9h30h-17h00 - Colóquio «A Construção Naval Tradicional em Madeira e a Preservação do Património Cultural Imaterial»

27 de Outubro (Domingo)

Sarilhos Pequenos – Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos

10h00 - Visita ao Percurso Interpretativo do Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos
11h30 - «O Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos e a Preservação da Arte de Carpintaria Naval Tradicional, uma conversa com o Mestre do Estaleiro»

Moita – Cais da Moita

14h30 - Apresentação da exposição dos painéis interpretativos «Moita Património do Tejo», do Cais da Moita
15h00 - Visita à exposição de embarcações tradicionais no ancoradouro do Cais da Moita
15h30 - «Passeios a bordo» nas embarcações tradicionais do Tejo
17h00 - Encerramento

Fonte: sítio da Câmara Municipal da Moita

sábado, 9 de março de 2019

[0180] Uma visão artística do património do concelho de Sesimbra


Da autoria de Albino Moura, o mural Sesimbra foi inaugurado em 25 de Julho de 2016, no Largo de Bombaldes, junto à entrada do Mercado do Peixe da vila de que recebeu o nome. Tem 6 metros de comprimento e 2 metros de altura e é composto por azulejos:


Neste mural podem ser identificados elementos do património associado ao concelho de Sesimbra: o património natural (as falésias, o mar, o peixe, as aves); o património mitológico (o Senhor Jesus das Chagas, padroeiro dos pescadores de Sesimbra); o património edificado (as igrejas da vila, o Santuário e o Farol do Cabo Espichel, a Ermida da Memória, a Fortaleza de Santiago e o Castelo de Sesimbra); e o património laboral (a pesca e a moagem, em particular a Moagem de Sampaio).

À semelhança do que faria dois anos mais tarde no mural Cidade do Seixal (ver mensagem «0176»), Albino Moura coloca no centro deste novo mural um pescador, abraçado ao seu barco de pesca (tradicionalmente a Muleta, no Seixal, e a Aiola, em Sesimbra):

Pormenores centrais
de «Cidade do Seixal» (2018) e de «Sesimbra» (2016)

Não deixa de ser curiosa a convergência entre estas duas representações e a feita no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, do Infante D. Henrique, com a sua Caravela pronta a navegar:


Imagens: Infocul.pt (Sesimbra); Eva Maria Blum (Seixal); Wikipédia (Padrão dos Descobrimentos)

sábado, 2 de fevereiro de 2019

[0176] Uma visão artística do património do Seixal


Situado na marginal que acompanha o Rio Judeu na direcção do Seixal (a Avenida da República), e logo a seguir ao desvio para a Avenida José Afonso, foi inaugurado em 2018 um mural de azulejos de Albino Moura intitulado Cidade do Seixal.

Neste mural podem ser encontrados elementos do património natural, edificado e laboral associados a este concelho: os seixos fluviais que, supõem-se, terão estado na origem do seu nome; os flamingos e outras aves que são hoje visíveis no esteiro e em terra; a primeira riqueza trabalhada nesta região, a piscícola e a agrícola; as grandes ferramentas que exploraram essa riqueza, como os moinhos (de vento, de maré), as embarcações (em particular a Muleta), as redes e, mais tarde, as fábricas (nomeadamente as que transformaram a cortiça); e os edifícios em que tradicionalmente se viveu e também aqueles com que as instituições, antigas e modernas, se afirmaram:

(composição de 3 fotografias, recortadas, de Eva Maria Blum)

domingo, 27 de janeiro de 2019

[0175] «Rio Grande»: uma ponte entre duas exposições actualmente patentes em Almada


Datado de 1996, este CD inclui dez composições com música de João Gil e letra de João Monge, contando com as vozes e os instrumentos de João Gil, Jorge Palma, Rui Veloso, Tim e Vitorino.

Tim, membro dos «Xutos e Pontapés», veio de Almada, sendo um dos músicos referidos na exposição NA MARGEM: uma história do rock (ver mensagem «0172»).
E «Rio Grande» ficciona uma história de vida que se ajusta a muitos dos operários que trabalharam na «Lisnave», tema de uma outra exposição, Pórtico de Identidade. A Lisnave em Almada (ver mensagem «0165»).



As dez composições: A Fisga; O Caçador da Adiça; Fui às Sortes e Safei-me; O Dia do Nó; O Sobrescrito; Lisnave; Dia de Passeio; Postal dos Correios; Senta-te Aí; Ponte do Guadiana.

E a composição que faz a ponte entre as duas exposições:

LISNAVE

Há homens de toda a sorte
Com sonhos e desenganos
Homens do Sul e do Norte
E também há Africanos

Cada qual seus apetrechos
Todos de azul são fardados
Aprendem os novos eixos
Outra raça de soldados

Quando toca a campainha
Está na hora do avio
Comi caril de galinha
Dei o caldo de safio

Os barcos de todo o mundo
Chegam doentes, idosos
Depois de uma volta a fundo
Partem muito mais vistosos

Os nossos representantes
Dizem com muito calor
Se não somos almirantes
Temos o nosso valor

Eu que nunca vi o mar
Nunca lhe senti a frio
Ando agora a remendar
A barriga de um navio

João Monge, professor de Almada, colaborou, antes de participar neste CD, com os «Trovante» e com a «Ala dos Namorados».

Fonte: CD «Rio Grande» (1996)

sábado, 25 de agosto de 2018

[0153] Entre o passado e o futuro da construção e reparação naval em madeira no estuário do Tejo


A Muleta que se encontrava em construção no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos (concelho da Moita) por encomenda da Câmara Municipal do Barreiro (mensagem «0098») está pronta, aguardando a chegada da autorização para navegar. Trata-se de uma embarcação com nove velas, concebida para a pesca de arrasto e usada entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel (desde um pouco a Norte até um pouco a Sul da costa atlântica de Lisboa).

O mestre Jaime Costa está à frente deste estaleiro, propriedade da sua família desde 1955.


Jaime Costa seguiu a arte do pai, carpinteiro naval, que também já fora a arte do avô e do bisavô.

O pai veio da terra dos moliceiros, Pardilhó, perto de Aveiro, chegando a Sarilhos Pequenos, junto ao Tejo, com 17 anos. E Jaime começou a aprender o ofício aos 11 anos, trabalhando a madeira durante o dia e estudando à noite. Concluíu o curso industrial e comercial na Escola do Montijo, pensou em continuar a estudar no Instituto Superior Técnico, mas o trabalho era muito. Era preciso aprender calafetagem, carpintaria e pintura, um saber empírico passado de pais para filhos.

Na década de 1950 haveria perto de 800 barcos a atravessar o Tejo, nomeadamente fragatas. Quando Jaime Costa chegava a Lisboa, ainda miúdo, as docas do Cais do Sodré, do Jardim do Tabaco, do Poço do Bispo e de Alcântara estavam apinhadas destas embarcações, de gente, que aí desembarcavam produtos agrícolas vindos dos campos alentejanos.
Havia, por essa altura, na margem Sul, 42 estaleiros navais a trabalhar, só entre a Lisnave e Alcochete. Hoje resta um único desses estaleiros. O mestre Jaime Costa, agora com 65 anos, continua a não ter dias de folga, pois no seu estaleiro apenas dispõe de três carpinteiros navais, sendo Jaime o mais novo. Tem encomendas até 2021, em grande parte devido ao interesse das câmaras municipais da margem sul pelas embarcações tradicionais. A Câmara da Moita, por exemplo, pretende lançar a candidatura a património imaterial da UNESCO das técnicas de construção e reparação das embarcações tradicionais do estuário do Tejo. Mas, para Jaime Costa, o turismo pode ser outra oportunidade a ter em conta: “Se nós conseguirmos arranjar diversidade [de trabalhos] para os moços, para virem trabalhar não só na carpintaria ou na pintura, eu penso que será mais cativante. De Verão, contactam com as pessoas, de Inverno reparam as embarcações”.

Fonte jornalística: Moreira (2018b), sendo a fotografia de Daniel Rocha

sábado, 23 de junho de 2018

[0146] Tópicos sobre o património histórico do concelho do Barreiro


Da exposição permanente do Espaço Memória do Barreiro



Povoado Neolítico, na Ponta da Passadeira: com cerca de 5 000 anos; vestígios que o associam à caça, à pesca, à recolecção de marisco, à olaria e ao eventual culto do touro.

Vinhas: está documentada a sua existência em Coina (1257) e no Lavradio (1298); na primeira metade do século XIX elas ocupavam um terço do solo do concelho.

Salinas: existiam no Lavradio (antes de 1317) e no estuário do Coina (desde 1322); perduraram, juntamente com a agricultura, até ao início do século XX.

Fornos Cerâmicos: os da Mata da Machada (séculos XV e XVI) usavam a argila e a lenha das proximidades, produzindo malgas, pratos, candeias, tigelas, copos, escudelas e talhas, pesos de rede, telhas, formas de biscoito (para o Vale do Zebro) e formas de pão de açúcar (para os engenhos açucareiros); mesmo se pode dizer do forno de Santo António da Charneca, da mesma época.

Complexo Real de Vale do Zebro: no século XV tinha 27 fornos, um armazém de cereal, um cais de embarque, um moinho de maré com 8 moendas (o maior do estuário do Tejo, nessa época); produzia o «biscoito» (o nome proveio das duas cozeduras a que era sujeito, para ficar completamente desidratado), que era conservado em barricas e não azedava durante as viagens marítimas (precisava de ser humedecido antes de poder ser consumido; a ração diária era de 428 gramas por pessoa); danificado pelo terramoto de 1755, foi reconstruído, acabando por servir para outros fins.

Moinhos de maré: foi referenciada a existência de 11; o primeiro data de 1484; há vestígios dos de Coina, Telha, Palhais, de três na Alburrica (Grande, Pequeno e do Cabo) e do d`El Rei (Vale do Zebro); no século XVIII foi construído o de Braancamp, maior que o de Vale do Zebro; antes destes moinhos houve moinhos fluviais.

Moinhos de vento: aproveitavam os ventos predominantes de Norte; haveria uma dúzia no século XVIII, que perderam valor comercial com a chegada da moagem industrial; na Alburrica, subsistem os moinhos Nascente e Poente (1852), de tipologia portuguesa, e o Gigante (1852), de três pisos e pás de madeira, de tipologia holandesa, tal como o moinho do Jim, que se situou na antiga praia do Norte, hoje Av. Bento Gonçalves (1827).

Construção naval: para embarcações de longo curso, desde o século XV até ao século XIX, situada na Ribeira da Telha (Azinheira Velha, Santo André), próximo de uma mancha florestal (Mata da Machada); trabalhou em articulação com a construção naval da Ribeira, em Lisboa; paralelamente desenvolveu-se a construção e a reparação naval, destinadas à pesca e à navegação no rio.

Muleta: esta embarcação aparenta ter raízes no Mediterrâneo oriental; possui um mastro inclinado, com verga para uma grande vela latina, dois panos na ré e seis na proa; e possui «tartaranha» (rede de arrasto e de alar) e redes de deriva; exigia uma campanha de 15 homens, um mestre e 2 moços auxiliares; em 1901 só havia uma a laborar; foi substituída pelo Bote-de-fragata em 1928.

Real Fábrica de Espelhos e Vidros Cristalinos de Coina: fundada no século XVIII, por D. João V; laborou entre 1719 e 1749, sendo transferida para a Marinha Grande devido à proibição de utilizar a madeira dos pinhais reais, apesar de ter usado, durante algum tempo, hulha importada.

Linha Ferroviária de Sul do Tejo: começou a ser explorada comercialmente em 1861; em 1884 foi-lhe acrescentado a ligação a um cais fluvial, tornando atrativo o seu uso pela indústria.

Indústria Corticeira: a primeira notícia da inauguração de uma fábrica de cortiça no Barreiro é de 1865; em 1920 havia aí 40 fábricas e mais de 1000 operários (um terço da população activa barreirense; houve quem trabalhasse a partir dos 7 anos de idade; no fim do século XIX a jornada de trabalho era de 12 horas); a CUF veio proporcionar condições mais atractivas para os trabalhadores, a que se juntou a pressão do crescimento urbano, levando ao desaparecimento desta indústria.

Companhia União Fabril (CUF): instalou-se no Barreiro, para se expandir, pois o seu desenvolvimento estava limitado em Lisboa; em 1907 já tinha armazéns e um cais acostável; depois teve um ramal de caminho-de-ferro e novos terrenos para Sul do terreno inicial, situado junto ao rio; constrói um bairro operário em 1908; no final dos anos 50 emprega mais de 8 mil operários e na década seguinte mais de 10 mil; a recessão dos anos 70 questionou o seu modelo de grande concentração industrial.

Associativismo: são centenárias a Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense «Os Penicheiros» e a Sociedade União Democrática Barreirense «Os Franceses» (1870); a Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste (1894); a Sociedade Filarmónica União Agrícola 1º de Dezembro (1896); o Futebol Clube Barreirense e a Cooperativa «Corticeiros» (1911); e a Cooperativa Popular Barreirense (1913).

Fonte (catálogo): Camarão & Carmona (2015)

quarta-feira, 23 de maio de 2018

[0140] No Barreiro, o Espaço Memória evoca a Muleta, embarcação tradicional do Tejo


Por encomenda da Câmara Municipal do Barreiro está a ser construída, no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos, uma Muleta [mensagem 0098]. Esta embarcação tradicional do Tejo já não será construída há mais de um século e esta autarquia pretende vê-la de novo a navegar no próximo Verão.
Entre 18 de Maio e19 de Agosto o Espaço Memória evoca-a na exposição A Muleta do Tejo – Recuperar Memórias:



Esta exposição (constituída por histórias, vivências e artefactos) pode ser visitada mediante marcação (212 068 185).

Fonte: sítio da Câmara Municipal do Barreiro

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

[0098] Construção naval em madeira: a «Muleta» está a renascer em Sarilhos Pequenos

Fr. Nicolau de Oliveira pôde observar no rio Tejo, no início do século XVII, “muitos barcos pequenos a que chamamos moletas”. Mas, perto do fim do século XIX, Ramalho Ortigão já chamava de outro modo a atenção para “as elegantes muletas do Seixal, que infelizmente tendem a desaparecer da nossa baía”.

As Muletas eram embarcações típicas dos pescadores do Seixal e do Barreiro, existindo dela vários modelos à escala, como o seguinte:


Recentemente, a Câmara Municipal do Barreiro encomendou ao Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos a construção de uma Muleta, estando a sua conclusão prevista para a primeira metade de 2018.

A preparação baseou-se nos planos do Museu de Marinha:


Ao fim de cerca de três semanas da construção propriamente dita …


… a Muleta nascente mostrava-se assim:


Fonte para as citações: Nabais (1984; p. 20)

O modelo da Muleta foi construído por Arnaldo dos Reis Cunha e restaurado por Luciana Casanova, estando patente ao público no Núcleo Naval do Ecomuseu Municipal do Seixal (fotografia retirada do sítio da Europeana)

Fotografias da planta e do estaleiro: Eva Maria Blum (em 6 de Novembro de 2017)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

[0062] A exposição «Na rota do progresso: a indústria naval em Almada»

Breve memória visual de uma visita à exposição permanente do Museu Naval de Almada:

Vista geral

     Traçado de peças em verdadeira grandeza
     (Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)

Traçado de peças em verdadeira grandeza

Traçado de peças em verdadeira grandeza     
(Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)     

O período tecnológico a que a Sala do Risco corresponde situa-se entre aquele em que o conhecimento estava na cabeça dos artesãos da construção em madeira e o actual, em que o conhecimento foi concentrado nos meios computacionais.

Este museu é acessível: ou a partir de Cacilhas, seguindo a pé pelo Ginjal até pouco depois do elevador panorâmico; ou a partir de Almada Velha, passando pela Boca de Vento e descendo até à beira Tejo pelo elevador panorâmico.

Fotografias: Eva Maria Blum (em Setembro de 2012); as duas últimas são fotografias de fotografias (e a penúltima foi entretanto retirada da exposição)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[0054] Sesimbra e a construção naval em madeira

Museu Marítimo de Sesimbra

Até meados do século XX a baía de Sesimbra foi dominada pela presença de uma grande diversidade de embarcações de madeira que navegavam à vela e se dedicavam à pesca e ao transporte.

Entre estas embarcações, destacaram-se duas que são únicas desta região, ambas dedicadas à pesca, a Barca de Sesimbra e a Aiola:

Aiola em construção, pelo mestre Acácio Farinha, oferecida ao museu

Importância da construção naval em madeira em Sesimbra, documentada entre o século XV e o século XX:

Texto do museu

Escreveu António Telmo (Carvalho Vitorino, 1927-2010), ligado a Sesimbra por, entre outras razões, aí ter sido professor:

“Gama, Cão ou Zarco
Não nasceram aqui,
Quem nasceu aqui foi o barco.”

Fontes: folheto da Câmara Municipal de Sesimbra (sem data); Wikipédia
Fotografias: Eva Maria Blum








































terça-feira, 31 de janeiro de 2017

[0032] Pormenores marítimos da exposição «Almada. Uma história milenar. Entre a terra e o mar»

A exposição está ainda patente no Museu Naval de Almada (situado no Olho de Boi).
Há nela um pequeno destaque para a influência Fenícia, agora que se equaciona o futuro arqueológico da importante estação da Quinta do Almaraz.

Não se sabe como os Fenícios chamariam a esta sua povoação, situada acima de Cacilhas, e que aqui disporia de salgas de peixe e de um porto.

Mas foi aí que se encontraram, datados do século VII antes de Cristo, os seguintes objectos (em bronze e sobre cerâmica) que nos mostram um pouco do que seria o modo de vida marítimo destes Fenícios e dos povos locais que com eles conviviam:


Agulha de fazer redes, em bronze     
Grafito com representação de Corvina


Grafito com representação de uma embarcação indígena     
com proa curva, vela «latina» e espadela     
(Todas as fotografias: Eva Blum)