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domingo, 28 de novembro de 2021

[0312] Três escolas aniversariantes na Nossa Banda

Esta semana há três escolas do concelho do Seixal que estão de parabéns: no dia 25 de Novembro a Escola Secundária Manuel Cargaleiro completou 36 anos desde a sua inauguração, em 1985; ontem, 27 de Novembro, foi a vez de a Escola Básica 2 + 3 de Corroios completar os seus 34 anos; e hoje, 28 de Novembro, é a Escola Secundária João de Barros que completa os 35 anos desde que, em 1986, nela foram iniciadas as aulas.


Não foram anos fáceis, os da segunda metade da década de 1980, dado o grande incremento de população jovem nos concelhos de Almada e Seixal e a vetustez e a escassez das instalações escolares então existentes (ver a mensagem «0019», sobre o Encontro-Debate realizado na Escola Secundária Emídio Navarro, em 22 de Novembro de 1986, onde foram abordados os problemas existentes nas escolas destes dois concelhos).

Hoje estas escolas começam a defrontar-se com o problema inverso: o da redução do número de alunos.
E a Escola Secundária Manuel Cargaleiro continua como escola isolada, enquanto que as outras duas fazem parte do Agrupamento de Escolas João de Barros:



  

sábado, 9 de outubro de 2021

[0305] As escolas TEIP da Nossa Banda (IV)

No concelho de Almada, o Agrupamento de Escolas do Miradouro de Alfazina inclui apenas duas escolas: a Escola Básica Miradouro de Alfazina e a Escola nº 2 do Monte da Caparica – Maria Adelaide Silva.

No concelho de Setúbal, o Agrupamento de Escolas Ordem de San`tiago, constituído em 2003, inclui um maior e mais diverso número de escolas: a Escola Básica do 1º Ciclo / Jardim de Infância de Setúbal; a Escola Básica do 1º Ciclo / Jardim de Infância do Faralhão, a Escola Básica do 1º Ciclo do Faralhão nº 1, a Escola Básica do 1º Ciclo do Faralhão nº 2, a Escola Básica do 1º Ciclo das Manteigadas, a Escola Básica do 1º Ciclo nº 5, a Escola Básica do 1º Ciclo nº 7 e a Escola Básica do 2º e do 3º Ciclo e Escola Secundária da Bela Vista.


E apresenta-se, brevemente, assim:

Os estabelecimentos da EB1/JI de Setúbal, EB1 nº 5, EB1 nº 7, EB1 das Manteigadas e a EB 2,3/S da Bela Vista ficam situados em Setúbal, na freguesia de S. Sebastião, na periferia oriental da cidade em bairros de habitação económica, servindo maioritariamente uma população carenciada e desfavorecida a nível económico. Nesta zona da cidade coabitam populações oriundas de Países Africanos de Expressão Portuguesa, emigrantes Brasileiros e de Países de Leste Europeu, para além da Comunidade Cigana bastante numerosa. Esta multiplicidade cultural e étnica nem sempre tem uma convivência pacífica, sendo as rixas e os conflitos raciais muito frequentes.

Os estabelecimentos EB1/JI do Faralhão, EB1 do Faralhão nº 1 e EB1 do Faralhão nº 2 ficam situados na Freguesia do Sado, zona rural da cidade, mas também onde ficam situadas algumas das unidades fabris como por exemplo a SAPEC, a Portucel e a Lisnave. A população desta freguesia é na sua maioria originária do Alentejo, tendo migrado para esta cidade nos anos setenta. Nas escolas da Freguesia de S. Sebastião as famílias destruturadas ou mono parentais são muito frequentes, o que a par das inúmeras carências a vários níveis, se reflecte nas escolas, sendo muito frequentes o insucesso repetido, o abandono escolar, a assiduidade irregular, a indisciplina e a violência, assim como os comportamentos de risco e/ou desviantes e a incursão precoce na marginalidade. Para todos estes problemas estas escolas procuram soluções, quer isoladas, quer através de projectos conjuntos. Nas EB1/JI de Setúbal e EB1/JI Faralhão o pré-escolar conta com a Componente de Apoio à Família em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e inclui o serviço de almoço e prolongamento de horário.

No 1º Ciclo deste Agrupamento existem Actividades de Enriquecimento Curricular igualmente em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal. As actividades oferecidas são: Inglês, Expressão Física e Motora, Música e Artes. Todos os alunos podem frequentar o Apoio ao Estudo. Em todos os Estabelecimentos foi implementado o Plano Nacional de Leitura em articulação com as Bibliotecas Escolares. O Agrupamento apresentou também candidatura ao Programa Nacional do Ensino do Português no 1º Ciclo.

 

Fontes: sítios dos dois agrupamentos de escolas

sábado, 11 de setembro de 2021

[0301] As escolas TEIP da Nossa Banda (III)

O Agrupamento de Escolas da Caparica (concelho de Almada) é composto pelas seguintes escolas:

Escola Básica e Secundária do Monte de Caparica;
Escola Básica da Costa da Caparica;
Escola Básica José Cardoso Pires;
Escola Básica nº 2 Costa da Caparica; e
Escola Básica de Vila Nova de Caparica.

Tem o seguinte logotipo:


E, em 2021, tinha Biblioteca, Desporto Escolar, Clube de Protecção Civil e dois blogues, o da EB1 / JI da Costa da Caparica e o da EB José Cardoso Pires.

 

E o Agrupamento de Escolas José Saramago (concelho de Palmela), é composto por:
Escola Básica e Secundária José Saramago;

Escola Básica Águas de Moura;
Escola Básica Cajados;
Jardim de Infância Lagameças; e
Jardim de Infância Lagoa Calvo.


O seu logotipo é o seguinte:

E, em 2021, tinha uma Biblioteca, Desporto Escolar, o P.E.S. (Educação para a Saúde), A Melhor Turma e o E.P.I.S. (Sucesso Escolar)

 

Fontes: sítios dos agrupamentos

sábado, 21 de agosto de 2021

[0298] As escolas TEIP da Nossa Banda (II)

Das escolas TEIP da Nossa Banda (ver mensagem «0295»), dois «agrupamentos» situam-se no concelho de Seixal, pouco mais de um quilómetro distantes um do outro: o Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares (na Arrentela) e o Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato (na Amora), ambos compostos apenas por Escolas Básicas (a seguir referidas por EB).


O Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato é composto pela EB Pedro Eanes Lobato (2º e 3º Ciclo), pela EB da Amora (1º Ciclo), pelas EBs do 1º Ciclo com Jardim de Infância da Quinta da Medideira, da Quinta da Princesa, da Quinta das Inglesinhas e da Infante D. Augusto e ainda pelo Jardim de Infância da Quinta da Princesa:

Logo do agrupamento

Em 2020-21 tinha como projectos: o Desporto Escolar, a Literacia 3D, a Biblioteca Escolar / CRE, o Step, o Clube Arte, Música e Tecnologia, o EcoSol,o Orçamento Participativo, a Escola do Século XXI, a Educação Para a Saúde e o Erasmus.


O Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares é composto pela EB Nun`Álvares (2º e 3º Ciclo), pela EB da Torre da Marinha (1º Ciclo) e pelas EBs do 1º Ciclo com Jardim de Infância da Arrentela, do Monte Sião, da Quinta de São João e da Nun`Álvares:

Logo do agrupamento

Em 2020-21 este agrupamento tinha como projectos o Clube de Programação, o EPIS, a Programação no 1º Ciclo, o Programa Eco-Escolas, a Promoção e Educação para a Saúde, o Ciências por Miúdos, o Música no 1º Ciclo e o Hóquei em Patins na Pré-escolar.

Nenhuma das Escolas Secundárias das redondezas (José Afonso, Alfredo dos Reis Silveira, Manuel Cargaleiro e Amora) está agrupada nem foi incluída nos TEIP.

Fontes: sítios dos Agrupamentos de Escolas de Nun`Álvares e Pedro Eanes Lobato

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

[0295] As escolas TEIP da Nossa Banda

Segundo o Ministério da Educação, o programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) “é uma iniciativa governamental, implementada atualmente em 136 agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas que se localizam em territórios economica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam. São objetivos centrais do programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos.

Neste momento, este programa desenvolve-se em 136 unidades que representam “cerca de 17 % do total dos agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas do continente”:


Na Península de Setúbal (a Nossa Banda), as escolas TEIP envolvidas são:

Concelho de Almada
Agrupamento de Escolas da Trafaria *
Agrupamento de Escolas do Monte da Caparica *
Agrupamento de Escolas da Caparica *
Agrupamento de Escolas de Miradouro de Alfazina *

Concelho do Barreiro
Agrupamento de Escolas Santo António ***

Concelho da Moita
Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira *
Escola Secundária da Baixa da Banheira ***

Concelho de Palmela
Agrupamento de Escolas José Saramago, Palmela **

Concelho do Seixal
Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato ****
Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares ***

Concelho de Setúbal
Agrupamento de Escolas Ordem de Santiago *

* ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2006-07
** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no início do ano letivo 2009-10
*** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2009-10
**** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2012-13

Fonte: http://www.dge.mec.pt/teip/ (consulta em 31 de Julho de 2021)

domingo, 20 de junho de 2021

[0289] Os arquivos escolares

Num artigo sobre os arquivos escolares publicado na revista «Sísifo» (já referido na mensagem «0025» deste blogue), é mencionado um “levantamento efectuado em 1996, sob a coordenação de António Nóvoa”, através do qual se “demonstrou que o estado de conservação da documentação de arquivo nas escolas secundárias portuguesas” se podia considerar “maioritariamente razoável”, pois, entre as instituições analisadas, 72,3 % se situavam nesse nível, seguindo-se-lhe 11,5 % em nível bom e 10,3 % em mau estado, não havendo informação sobre outras 5,7 %.
No entanto, conforme acrescentou a autora deste artigo, Maria João Mogarro, António Nóvoa encarou com preocupação este “«razoável estado de conservação da documentação»”, dado que ele poderá “«ser posto em causa a curto prazo, já que a capacidade de acondicionamento por parte da maioria das escolas é cada vez menor, […] uma vez que a capacidade de armazenamento de nova documentação é nula em cerca de metade das escolas e muito reduzida nas restantes»”, o que facilmente intensificará “«dois fenómenos negativos»” usuais nestas circunstâncias: “«a eliminação desregrada ou a manutenção desorganizada ou pulverizada dos mesmos»”.

Um quarto de século após este levantamento, qual será o estado de conservação dos arquivos das nossas escolas?

Segundo Maria João Mogarro, os «arquivos escolares» são uma fonte privilegiada para o estudo das «culturas escolares».
Constituída por um conjunto de teorias, saberes, ideias e princípios, normas, regras, rituais, rotinas, hábitos e práticas, a cultura escolar, na sua acepção mais lata, remete-nos também para as formas de fazer e de pensar, para os comportamentos, sedimentados ao longo do tempo e que se apresentam como tradições, regularidades e regras, mais subentendidas que expressas, as quais são partilhadas pelos actores educativos no seio das instituições. Os traços característicos da cultura escolar (continuidade, persistência, institucionalização e relativa autonomia) permitem-lhe gerar produtos, que lhe dão a configuração de uma cultura independente. Esta cultura constitui um substrato formado, ao longo do tempo, por camadas mais entrelaçadas que sobrepostas, que importa separar e analisar. O exercício do arquivo tem um espaço importante neste processo historiográfico de investigação sobre a cultura escolar. Constituído fundamentalmente por documentos escritos, o arquivo ocupa um lugar central que decorre da directa relação da escola com o universo da cultura escrita. A escrita tem, ela própria, uma posição de grande centralidade no quotidiano escolar (na gestão administrativa, nas relações pedagógicas, na construção de saberes, nas relações sociais), estando presente em toda a vida da instituição. É esta íntima relação que o arquivo reflecte, na materialidade dos seus documentos e de forma mais consistente e lógica que os outros espólios, compreendendo-se assim o lugar central que ocupa na vida e na história da escola.

Os documentos de arquivo permitem, a quem investiga as culturas escolares, desenvolver uma grande diversidade de investigações:



Mas, sob o ponto de vista dos «actores escolares», a que «documentos» das suas antigas práticas gostarão eles de aceder e que «memórias» e «reflexões» quererão eles construir a partir deles?

 

O artigo de Maria João Mogarro está acessível a partir da página «Documentos» deste blogue, clicando aí em «Documentos sobre Portugal».

 

Fonte: artigo de Mogarro na revista «Sísifo» (2006)

segunda-feira, 17 de maio de 2021

[0284] O painel em cerâmica que a Escola Básica d`Alembrança nos mostra

No Feijó, quem passa em frente à Escola Básica d`Alembrança pode ver, de um dos lados do portão de entrada, um longo painel de cerâmica. Ele foi produzido pelos alunos de uma das turmas que aqui estudaram e brincaram, em 1997-98 e em 1998-99:






Quem acompanhou estes alunos-artistas foi a professora Elisabete Pimentel e, em 1998-99, a sua turma era o 6º G.
No painel, podemos ver uma mãe levando pela mão um filho, duas crianças (ou dois adultos?), uma saltando à corda e outra de braços cruzados, algumas plantas (sobretudo Palmeiras, com as Tâmaras já bem desenvolvidas) e vários animais, desde gatos a patos, todos eles com um olhar ou um movimento algo antropomórfico …
Hoje, os jovens artistas que foram autores deste painel ainda são jovens, apesar de já terem dobrado os 30 anos de idade. Qu`alembranças terão eles sobre o que quiseram mostrar ao esboçar este painel? E que pensarão eles agora sobre ele?

 

Fotografias (foram recortadas de modo a se encaixarem; os dois extremos do painel não fazem parte desta composição): Eva Maria Blum (Fevereiro de 2019)



sábado, 1 de maio de 2021

[0282] Hoje a minha sala de aula é no mar

Francisco Alves Rito descreveu no jornal «Público» a seguinte experiência pedagógica, em curso na Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra):

Alunos de escola de Sesimbra aprendem sobre o oceano mergulhando nele


A Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho, em Sesimbra, está a viver, há um mês, uma experiência de ensino inédita em Portugal, em que o oceano é transformado em novas salas de aulas.
A primeira edição do Programa Atlantis, promovido pela Oceans and Flow, que se propõe levar educação ecológica subaquática às escolas, abrange 470 alunos de Sesimbra entre sessões de freediving (mergulho livre), limpeza de praia, palestras com especialistas e até um workshop para incluir algas na dieta alimentar.
No dia 22 de Março, Dia Mundial da Água, os responsáveis por esta inovadora proposta educativa apresentaram-se aos 21 alunos do oitavo ano que vão estar mais directamente envolvidos nas diversas actividades previstas até dia 16 de Junho. São três meses de mergulhos no mar de Sesimbra, aulas de biologia marinha, visita a uma pradaria marinha e outras iniciativas sempre próximas da maresia oceânica.
Até agora já participaram em sessões do oásis, um jogo criado no Brasil que mobiliza a comunidade para o desenvolvimento de um projecto colectivo. «Estamos a jogar em Sesimbra e a envolver as pessoas, a ouvi-las, sobre as necessidades ligadas ao mar, e escutamos os seus sonhos», relata ao PÚBLICO a coordenadora do Programa Atlantis.
Com este jogo, os estudantes desenvolvem a relações interpessoais e mobilizam a vila. «As actividades têm sempre a ver com mais consciência sobre o oceano, com cuidar do mar de Sesimbra», diz Violeta Lapa, que é uma das educadoras subaquáticas responsáveis pela idealização do programa.
A responsável, que é terapeuta aquática, mostra satisfação pela forma como o projecto está a decorrer, com o interesse crescente dos jovens participantes. «Está a correr muito bem. Eles estão muito entusiasmados e cheios de vontade de ir para o mar. É bom sentir este envolvimento. Já se vê uma grande transformação, mais atenção, vontade e alegria», afirma.
A anterior fase de confinamento em que o programa arrancou «alterou um pouco» o que estava planeado, designadamente quanto à logística das embarcações que transportam os alunos e obrigando a que algumas sessões presenciais tivessem de ser feitas à distância, mas, agora, com maior abertura e dias mais quentes, os grupos voltam a poder sentir a água no corpo e a areia nos pés. E é isso que faz a diferença.
«Este é o único programa do género que é mesmo no mar. O conceito do Programa Atlantis é trazer os jovens para os espaços naturais, para eles aprenderem como estar em segurança no mar e cuidar do mar», sublinha Violeta Lapa. A coordenadora destaca a componente de «ecologia profunda» do projecto. «Traz uma dimensão ética à ecologia, sem hierarquia entre Homem e Natureza, e permite que as pessoas despertem, abram o olhar e os sentidos, e isto provoca uma transformação e a vontade de cuidar», explica.
«Vamos ensinar como podem cuidar do mar, através da forma como consomem, como cuidam do lixo e noutros pequenos comportamentos. O programa tem esta componente pedagógica, de ensinar como cuidar de uma forma simples e divertida», acrescenta a terapeuta.
O que une os elementos da Oceans and Flow envolvidos nesta missão em Sesimbra é o gosto pelo mar. «Somos freedivers e vivemos diariamente o poder transformador de uma relação mais próxima com o oceano. Partilhamos a paixão pelo mar e a missão de despertar nas novas gerações o cuidado e afecto pela vida marinha. Com formações distintas na área do desenvolvimento humano, artes e movimento aquático, as nossas valências convergem num método único de educação», sintetiza a educadora subaquática Cris Santos.
O Programa Atlantis inclui acções abertas à comunidade, como palestras online e um workshop «de corpo e alga», em que os participantes recolhem algas para aprenderem sobre a sua utilidade alimentar, e vai terminar com uma exposição na marginal da Avenida 25 de Abril, em Sesimbra, com fotografias de todas as etapas do projecto, numa galeria ao ar livre.
Esta primeira edição é financiada pelo EEA Grants e Hydrokompass, com o apoio da Câmara Municipal de Sesimbra e quase duas dezenas de parceiros. A segunda edição ainda não está definida, mas os organizadores planeiam continuar em Sesimbra.

 

Fonte (texto e imagem): artigo jornalístico de Rito (2021)

sábado, 6 de fevereiro de 2021

[0271] As Escolas do Piedense

Conforme breve anúncio aqui dado (mensagem «0191»), foi apresentado, no dia 2 de Junho de 2019, no salão nobre do Estádio Municipal José Martins Vieira (Cova da Piedade), o livro

Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade
50 Anos ao serviço do ensino popular e da democracia
.


A Cova da Piedade resultou de três vagas migratórias. Na transição do século XIX para o século XX, os beirões chegaram para trabalhar, essencialmente, na indústria e nos serviços; depois vieram os algarvios, sobretudo de São Brás e de Silves, para trabalhar na cortiça; e, a partir do início da década de 40, como consequência da mecanização do trabalho agrícola no Alentejo, chegaram os alentejanos.
Em 1947, ainda na ressaca da IIª Grande Guerra, os sócios de dois dos clubes da Cova da Piedade decidiram fundi-los num só. O mais antigo, fundado em 1914, era o União Piedade Futebol Clube; o mais recente, fundado em 1928, era o Sporting Clube Piedense. Apesar das marcadas rivalidades existentes entre muitos dos seus dirigentes e sócios, nasceu assim o Clube Desportivo da Cova da Piedade (CDCP).

 

As «escolas» começaram pouco depois.
Em 1948, dando continuidade às creches que a indústria corticeira local já garantia, foi criada uma escola Pré-Primária, talvez a primeira no país, que também foi pioneira ao juntar meninas e meninos dos 4 aos 7 anos de idade. Primeiro abriu na Rua das Salgadeiras; depois, dada a grande procura, também na Rua União Piedense. Funcionou até 1978.

As aulas de Cultura Geral foram iniciadas em 1963, perdurando, sob outras formas, até hoje. Incluíam exposições de artes plásticas, visitas de estudo e debates com intelectuais, como Ferreira de Castro, Bernardo Santareno, Matilde Rosa Araújo, Assis Esperança, Fernando Gusmão, Morais e Castro e Joaquim Benite. Foi com esta cobertura que se ajudou a preparar o Congresso da Oposição Democrática, realizado em 1973, em Aveiro.

Também em 1963 se iniciaram as aulas noturnas, de preparação de adultos para os exames do 2º e do 5º ano do Liceu (hoje 6º e 9º ano) e para o acesso à Universidade.

 

Segundo o testemunho de Artur Jaime Ferreira de Castro Rodrigues, “As Escolas pré-primárias ajudaram a colmatar lacunas numa freguesia onde as pessoas tinham uma grande vontade de aprender e de se manter informadas. A título de exemplo: lembro-me de que, nas fábricas de cortiça, sobretudo no período do movimento anarquista, quando a maioria dos operários eram analfabetos, se quotizavam entre si, do pouco que ganhavam, para terem um leitor na Sala de Escolha, o que revela a forte consciência colectiva que se estabelecia em torno da necessidade de aceder à informação. Outro exemplo dessa necessidade é reflectida através do importante papel que as bibliotecas das várias organizações associativas (Clube Recreativo Piedense, SFUAP e Cooperativa Piedense) tiveram.

 

Fontes: livro do Colectivo das Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade (2019; pp. 8, 11, 16, 19, 20, 21, 22, 25, 26, 27 e 30)

Nota 1: nos diversos textos que compõem este livro surgem duas datas (nas pp. 25 e 26) para a fundação do Sporting Clube Piedense, 1928 e 1932; adoptei a primeira apenas por provir da mesma fonte que indica a fundação do União Piedade Futebol Clube.

Nota 2: de igual modo notei uma não coincidência testemunhal em relação à data de início da Pré-primária (1948 na p. 8 e 1947 na p. 25); adoptei a primeira data por estar integrada num testemunho mais alargado (integrando outras datas).

sábado, 16 de janeiro de 2021

[0269] As Escolas do concelho de Almada e o Rock (anos 60, 70 e 80)

Durante a preparação da exposição NA MARGEM: uma história do rock, com que o Museu da Cidade de Almada nos brindou em 2019, foi recenseado o surgimento de mais de quinhentos grupos musicais no concelho de Almada no período de 1961-2018 (quase seis décadas).

Mais de metade desses grupos surgiu na década de 1990. Muitos tiveram vida efémera, mas alguns sobreviveram e tiveram audiência nacional, como os «UHF», o mesmo acontecendo a vários músicos, caso do Tim, desde há muito nos «Xutos e Pontapés».

O relativo sucesso das bandas mais recentes, apesar do apoios que perderam, pelas escolas (ao se encerrem em si mesmas) e por algumas infraestruturas (como aconteceu há pouco tempo com o «Ponto de Encontro», em Cacilhas), baseou-se na influência que as rupturas sociais exerceram sobre as musicais nas décadas anteriores.


Na década de 60, a falta de salas de concertos levou os grupos musicais de então a recorrer a colectividades, a cafés e esplanadas, a escolas (à Escola Comercial e Industrial Emídio Navarro, ao Externato Frei Luís de Sousa e, a partir de 1965, à extensão do Liceu D. João de Castro, mais tarde Liceu Nacional de Almada) e aos núcleos urbanos (na Trafaria, no Monte da Caparica, na Sobreda e na Costa de Caparica).
A ampliação da rede escolar nas décadas de 70 e de 80 permitiu que as escolas assumissem um papel central na formação, difusão e fruição dos novos grupos musicais. Às dos anos 60, situadas no eixo central de Almada, juntaram-se a Escola Técnica Elementar D. António da Costa, e a sua secção no Feijó, a futura Pintor Columbano, a Escola Técnica Anselmo de Andrade, as Escolas Preparatórias Elias Garcia, da Trafaria e Comandante Conceição e Silva e a Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro.
A falta de recursos deu frequentemente lugar à criatividade, como a que António Antunes descreveu:

 

Queríamos tocar! Então a gente não tinha nada, não havia uma bateria, não havia uma guitarra … não havia nada … a gente só queria formar uma banda […]. Eu comecei a comprar potenciómetros, trastes, cartões, coisas assim do género, depois fomos aqui algures, talvez à Mecânica Piedense, comprar uma tábua e então foi descocar aquilo, foi fazer um braço … fazer os buraquinhos para, como é que se chama aquelas coisas da guitarra, os captadores de som … aquelas coisas assim … e começamos a montar duas guitarras. E depois o nosso amigo tinha andado na Emídio, percebia alguma coisa de mecânica e começou a montar uns amplificadores e foram os primeiros amplificadores que eu me lembro dos UHF.

 

Algumas escolas tiveram o privilégio de proporcionar um local de estreia a alguns grupos musicais, como aconteceu com os «Procyon» em 1983, na Escola Secundária do Pragal (ex Liceu Nacional de Almada), e os «Brainhead», em 1987, na Escola Secundária de Cacilhas.

 

Fontes: catálogo do Museu da Cidade de Almada (2019; pp. 20, 32, 36 e 40)

domingo, 18 de outubro de 2020

[0256] Educação Patrimonial (IV)

Os processos de patrimonialização têm dado origem a importantes iniciativas de educação / formação, sendo a inspirada pelo Campo Arqueológico de Mértola uma das mais antigas. Recentemente, no âmbito das candidaturas da Olaria Negra de Bisalhães (Vila Real) e do Figurado em Barro de Estremoz a Património Cultural Imaterial da Humanidade (respectivamente reconhecidas pela UNESCO em 2016 e em 2017), surgiram outras iniciativas semelhantes, visando dar continuidade aos ofícios locais que estavam em risco de se perder.


Respigadas entre outras iniciativas deste género, mas não dependentes do reconhecimento por uma entidade supervisora, estão as seguintes:

As Artes e Ofícios do Espectáculo, desde 1991 associadas à Escola de Circo do Chapitô (Lisboa):


A Arte do Junco, no Mosteiro de Santa Maria de Cós (Alcobaça);

A Tecelagem, a Cestaria e a Gaita de Fole, na Escola de Artes e Ofícios resultante da parceira entre os municípios de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca e a Escola Profissional do Alto Lima;

A Cordoaria, a Tanoaria, a Olaria e a Azulejaria, desde 2013 na Escola de Artes e Ofícios de Ovar.


Na Nossa Banda, onde ainda se sentem os antigos cruzamentos do mundo rural com os ofícios do rio e do mar, temperados pelas tradições mais recentes das indústrias e das artes como as da música e as do teatro, não se justificaria a criação de uma Escola de Artes e Ofícios, capaz de contribuir para o estabelecimento de pontes entre as muitas e meritórias iniciativas e de ajudar a inventar um futuro para essas actividades?

 

Imagem: sítio do Chapitô 

sábado, 3 de outubro de 2020

[0254] A Universidade Sénior do Seixal

 O Dia Mundial do Professor é celebrado em 5 de Outubro.


O movimento das universidades seniores foi iniciado em 1972, com a abertura da Universidade de Toulouse. Em Portugal a primeira universidade sénior surgiu em 1976, estando hoje activas mais de duas centenas.


A Universidade Sénior do Seixal, ou Unisseixal, abriu no dia 15 de Janeiro de 2007. Aceitando inscritos a partir dos dezoito anos de idade dá, no entanto, pela sua natureza, prioridade aos que tenham mais de cinquenta anos. No seu primeiro ano lectivo teve 239 alunos matriculados, número que tem vindo a aumentar, regularmente, estando prestes a ultrapassar o milhar.

Os alunos são organizados em turmas unidisciplinares (já ultrapassaram, em muito, a centena), correspondentes a um pouco mais de cem disciplinas diferentes, leccionadas por quase cem professores, uns ainda na vida ativa, a grande maioria já na reforma, todos voluntários. Entre as disciplinas destacam-se as musicais, as línguas, as artes, a saúde e a informática.

As aulas decorrem em dois polos principais, o do Seixal (para as aulas teóricas) e o do Centro Cultural e Desportivo das Paivas (para as aulas de movimento e de som). As restantes decorrem no auditório da Junta de Freguesia de Amora, no auditório da Junta de Freguesia de Corroios e na Escola Básica 2+3 de Vale de Milhaços.


A Unisseixal faz parte da Casa do Educador do Concelho do Seixal, uma instituição de solidariedade social constituída por pessoas ligadas à educação que, deste e de outros modos, tem dado provas de preocupação com o bem-estar dos seus associados e da população do concelho em geral, promovendo, para além das aulas, atividades de cunho recreativo e cultural.

Presidindo a esta Universidade encontra-se um Conselho Diretivo, apoiado por um Conselho Pedagógico e por um Senado.


A Unisseixal é o sócio número setenta e dois da RUTIS, a Rede de Universidades Sénior. Os seus polos principais estão situados em edifícios pertencentes à Câmara Municipal do Seixal, que os pôs à disposição da Casa do Educador.


As futuras instalações da Unisseixal ficarão situadas no antigo Grémio da Lavoura, no Fogueteiro, sendo as obras custeadas pelo município:



Fonte: sítio da Unisseixal

Imagem: Seixal Boletim Municipal, nº 753 (Junho de 2020)

terça-feira, 21 de abril de 2020

[0233] O segundo adeus à «Escola Primária da Sobreda»


O ensino oficial na Sobreda começou em 1779, quando a rainha Dª. Maria I atribuiu a função de mestres aos frades Agostinhos Descalços do convento da Sobreda (os Capuchos da Caparica também receberam essa função). A instrução que ministravam era dirigida apenas a rapazes, que mais tarde podiam, ou não, professar votos naquela Ordem Religiosa. O convento encerrou em 1834, devido à lei que extinguiu as Ordens Religiosas.” Assim começa o capítulo sobre o Ensino no mais recente dos livros dedicados pelo Centro de Arqueologia de Almada à História e ao Património da Sobreda (Almada).

Nas décadas seguintes houve, certamente, outras formas de escolaridade na Sobreda. Sabe-se que, em 1881, existia uma escola laica, para rapazes, “fruto da iniciativa de alguns moradores”: os seus alunos e o seu professor surgem numa fotografia tirada nesse ano, e nela a escola está designada por Escola da Sobreda.

A Escola Primária a que esta mensagem se refere apenas chegou com a República. E surgiu assim, segundo aquele livro: “Em 1913 abriu a primeira escola pública e mista, no contexto da reforma educativa levada a cabo pelo governo republicano.” E paralelamente foi “criada a Caixa Escolar da Sobreda, uma associação que fornecia livros, materiais escolares, vestuário e calçado, gratuitamente ou a preço inferior ao do mercado, e também organizava excursões, conferências e festas. Tinha três tipos de sócios: Efetivos, que eram alunos inscritos com uma quota semanal mínima; Protetores, que fixavam livremente a sua quota; e Beneméritos, que prestavam serviços, faziam donativos ou contribuíam com géneros. É interessante verificar que alguns ideais republicanos estão patentes nos estatutos: «Os sócios da Caixa professarão o culto da bandeira e o culto da árvore, e serão protetores dos animais.»

Capa dos Estatutos (em CAA, 2019; p. 50)

Em 1918 esta escola era designada nos documentos administrativos por Escola Mista da Sobreda de Caparica, sendo uma das onze escolas primárias oficiais no concelho de Almada.

No início da década de 1940 o edifício da escola estava degradado. A família Piano pagou as obras, que incluíram instalações sanitárias para meninas e para meninos.” E no ano lectivo de 1943-44 a escola reabriu. “Vinham crianças da Sobreda, Alto do Índio, Urraca, Vila Nova e Lazarim.” Presume-se que terá assim funcionado até 1974, quando, após 48 anos de interrupção democrática, o entusiasmo pela educação regressou. Para os cursos de alfabetização de adultos, que começaram a funcionar à noite nas suas instalações, esta escola ainda foi capaz de dar resposta; mas para a crescente procura por jovens alunos, durante o dia, foi-se mostrando insuficiente; algumas aulas foram desviadas para o Clube Recreativo Sobredense; e, por iniciativa da Comissão de Moradores, foram sendo encontrados novos espaços de apoio e desdobramento, alguns dos quais viriam a dar origem a novas escolas. Até que a responsabilidade pela actualização da rede escolar foi assumida pelo Ministério da Educação.

Para quem vinha do Solar dos Zagallos e chegava ao cruzamento com a N10-1, o edifício da Escola Primária da Sobreda situava-se em frente, à direita, no início da subida que conduz ao Alto do Índio:

Imagem captada do Google Maps (em 21 de Abril de 2020) e aqui recortada

E a sua vista aérea, onde a Rua do Alto do Índio começa, era a seguinte:

Imagem captada do Google Maps (em 21 de Abril de 2020) e aqui recortada

Este edifício foi demolido há escassos dias. Encontrava-se degradado, mas fazia parte da proposta de edifícios a proteger ao abrigo de Carta do Património Cultural do Concelho de Almada.

Fonte: catálogo com um texto de Abreu sobre as escolas de Almada (2005; pp. 13) e livro com o estudo do Centro de Arqueologia de Almada sobre a Sobreda (2019; pp. 51-54)

segunda-feira, 27 de maio de 2019

[0191] Apresentação de um livro sobre o cinquentenário das Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade


No salão nobre do Estádio Municipal José Martins Vieira (Cova da Piedade), será apresentado no próximo Domingo (2 de Junho), pelas 16h00, o livro

50 Anos ao serviço do Ensino Popular e da Democracia,

uma história sobre as Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade.
A apresentação estará aberta aos interessados.



sábado, 13 de abril de 2019

[0185] Ludoteca da Escola Básica de Vale de Milhaços: talvez a que funciona há mais tempo, ininterruptamente, numa escola da Nossa Banda


As origens desta ludoteca remontam ao início da década de 1990. O Núcleo de Almada e Seixal da Associação de Professores de Matemática juntou professores de diversas escolas no projeto Matlab, visando o desenvolvimento de actividades extracurriculares ligadas à Matemática, tendo daí resultado a constituição de Clubes e de Ludotecas em várias escolas, anualmente, a realização e do Inter-Escolas de Jogos de Reflexão.

Neste âmbito, em 1991-92, a professora Lídia Matias criou um Clube de Matemática na Escola Básica 2+3 de Vale de Milhaços, que acolhia semanalmente dois grupos de dez alunos, cada um durante 50 minutos. O interesse demonstrado pelo elevado número de inscrições levou à criação de um espaço acessível a toda a comunidade escolar, a Ludoteca, aberto dentro do horário de funcionamento da escola, onde também tem funcionado o Ludomat, um clube de desenvolvimento de atividades lúdico matemáticas e de apoio à Ludoteca na vertente de passatempos em suporte papel.
Com 75 m2 e quinze mesas, este espaço pode ser frequentado, simultaneamente, por 60 alunos:


Esta imagem permite identificar alguns dos jogos que se encontram sobre as mesas (eles podem ser trocados por outros, caso os alunos o solicitem): à esquerda o Pyramis, o Othelo / Reversi e o Abalone; e à direita as Damas, o Xadrez, o Ouri e o Quatro em Linha.
Num outro canto desta sala estão também disponíveis quatro computadores com jogos.

Para as escolas do 1º ciclo que fazem parte do Agrupamento de Vale de Milhaços, esta Ludoteca disponibiliza um Baú com jogos lúdico e didáticos, bem como passatempos de papel adequados às idades dos respectivos alunos.

Nos últimos anos o espaço da Ludoteca tem sido partilhado com a Sala de Estudo, que aí acompanha a realização de trabalhos relacionados com as diferentes disciplinas curriculares. A esta limitação associou-se uma outra: tendo deixado de ser acompanhada por uma Funcionária Auxiliar, a Ludoteca e a Sala de Estudo dependem dos tempos de alguns professores que a Direcção da Escola lhe atribui, o que não lhe tem permitido abrir permanentemente entre as 8h15 e as 18h30.

Informações e imagem: Lídia Matias


domingo, 4 de fevereiro de 2018

[0115] Explorando, na Nossa Banda, a era pós-ranking das escolas

O jornal «Público» divulgou ontem, 3 de Fevereiro de 2018, o seu ranking anual das escolas portuguesas, tal como já vem fazendo desde 2001.
Este e outros rankings têm vindo a ser bastante criticados, sendo a razão central das críticas o afunilamento de perspectivas que eles, implicitamente, promovem: pressupõem um modelo particular de educação e as escolas são seriadas em função da sua capacidade de promover esse modelo.

Este ranking oferece-nos, no entanto, algumas oportunidades para pensar no que poderia ser diferente se as escolas deixarem de ser pressionadas para a uniformidade. E uma das oportunidades que nos proporciona decorre da informação sobre a média da escolaridade dos pais e das mães dos alunos de cada escola. Abaixo figuram as 28 escolas públicas dos concelhos de Almada e Seixal que, segundo o ranking do «Público», tiveram no final de 2016-17 pelo menos 50 alunos examinados no 9º ano (não estão indicados os seus nomes, apenas a sua localização aproximada no mapa, mais a respectiva média da escolaridade dos pais, em 2015-16):


Há neste mapa três regiões com escolas cujas médias da escolaridade dos pais são particularmente baixas (fundo verde). Em duas dessas regiões essas escolas estão situadas lado-a-lado com escolas cujas médias são substancialmente mais altas (fundo rosa).

Esta realidade (e a crítica que é feita aos rankings) sugere que se encare a seguinte questão: sendo cada aluno diferente, sendo cada família diferente, sendo cada escola diferente, não deverá a educação, em qualquer destas escolas, ser capaz de ter em conta essas diferenças, de modo a potenciar o melhor e a compensar o mais fraco de cada um?

Fonte: Público (2018), que pode ser descarregado a partir da página «Documentos» (na pasta «Documentos sobre Portugal»)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

[0027] Tópicos inspiradores de debate, vindos das 26 mensagens de 2016

Dinâmicas dos actores educativos

Jovens tomam a iniciativa nas suas escolas

Mensagem «0021»:
Há cerca de 1 000 escolas ocupadas pelos seus alunos no Brasil. Dá trabalho ocupar uma escola. Os alunos escreveram:Sua saúde mental vale mais que suas notas”. E também: “NADA DEVE PARECER IMPOSSÍVEL DE MUDAR”. E disseram: “A escola tradicional não oferece muito pra gente”

Investigadores colocam desafios educacionais e organizativos

Mensagem «0001»:
A revista «Apogeo», da Associação de Professores de Geografia, dedicou o nº 48 ao tema «Educação e Território»

Mensagem «0025»:
Os arquivos escolares são particularmente importantes para a salvaguarda e preservação dos seus documentos, que constituem instrumentos fundamentais para a história da escola e a construção da memória educativa, afirmou a investigadora Maria João Mogarro

Escolas procuram vias curriculares alternativas

Mensagem «0006»:
Em 2008-12, na escola EB1 de Vale da Amoreira, situada entre a Moita e o Barreiro, os alunos de uma turma do 1º ciclo (filhos de portugueses, de cabo-verdianos, de angolanos, de guineenses, …) aprenderam simultaneamente em Crioulo e Português, com as professoras Ana Josefa e Ana Carina, durante uma hora e meia por dia; os seus pais ficaram orgulhosos

Mensagem «0013»:
A Casa da Floresta Verdes Anos, colégio em Lisboa onde não há computadores nem quadros interactivos, não é a única a seguir uma via menos convencional.
N’Os Aprendizes, em Cascais, além do edifício onde decorrem as aulas, há uma casa, o Reino dos Sentidos, dedicada sobretudo à arte-terapia: não é só para meninos com necessidades educativas especiais, qualquer criança pode ir lá e tentar ultrapassar uma dificuldade através da pintura, música, neuroterapia, entre outras hipóteses.

Estes colégios são privados, mas a Escola da Ponte, Santo Tirso, do pré-escolar ao 3.º ciclo, é pública. Sem aulas expositivas, são os alunos que escolhem as matérias e quando querem ser avaliados.


Mensagem «0023»:
«Há seis, sete anos começámos a sentir que havia alguns problemas com a Matemática. Por outro lado, notávamos que os alunos davam muitas opiniões mas eram incapazes de argumentar. Não conseguiam construir um caminho para chegar a uma conclusão. Sabíamos de experiências do uso do xadrez em escolas lá fora e decidimos avançar», explicou Vítor Rodrigues, director da Escola 31 de Janeiro, na Parede

Grupos procuram estabelecer pontes entre todos os actores

Mensagem «0007»:
O Núcleo de Almada e Seixal da Rede Educação Viva, membro da «Rede de Educação Alternativa» (Reevo), promoveu um encontro regional, visando “dar vida a uma comunidade de partilha e aprendizagem, estimulante e participativa, num encontro com dinâmicas para todas as idades.”


Mensagem «0008»:
O grupo «Educação: Pontes na Outra Banda» divulgou o seu objectivo de estabelecer «pontes» entre os diversos envolvimentos profissionais na Educação, nomeadamente no âmbito da Educação Patrimonial

Mensagens «0008» e «0018»:
Um grupo de educadores divulgou a preparação de um Encontro sobre as «Memórias em Educação no Território de Almada e Seixal», a realizar no início de 2018

Mensagem «0010»:
Um grupo de educadores promoveu uma visita conjunta a três exposições patentes nas instalações do Presídio da Trafaria: «As Vinhas de Almada. O vinho na história local» (da autoria do Centro de Arqueologia de Almada); «Objecto - Projecto» (realizada no âmbito da Trienal de Arquitectura, com curadoria do arquitecto Godofredo Pereira); e «O Presídio e a Trafaria. 450 Anos de História» (da autoria do Centro de Arqueologia de Almada)


Comentário dirigido a esta mensagem:
Aqueles que nós consideramos «o outro», consideram-nos por sua vez como «o outro» …
Se esta distinção é estéril, que se ganhará se nos reconhecermos mutuamente como complementarmente diferentes?
Stephen Stoer e António Magalhães escreveram um livro para acentuar que «A Diferença Somos Nós» (2005). E o ensaísta Alberto Manguel, referindo-se a Dom Quixote e a Sancho Pança, afirmou: “Tornaram-se espelhos enobrecidos postos frente a frente, reflectindo as qualidades que, invisíveis num, são visíveis no outro, e vice-versa.” (2011; p. 108)

Mensagem «0022»:
Um grupo de amigos do Museu de Metrologia promoveu uma visita guiada a este Museu

Instituições promovem encontros de divulgação

Mensagem «0002»:
O Instituto Português da Qualidade promoveu um encontro sobre Metrologia e Ensino, com os objectivos de divulgar a Metrologia e de interagir com outras organizações ligadas à educação ao nível do 2º, 3º ciclo do ensino básico, do ensino secundário e do ensino superior.

Mensagem «0003»:
O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e o Fórum Intermuseus do Distrito de Setúbal divulgaram a realização das «Jornadas Arqueológicas da Região de Setúbal»

Mensagem «0011»:
O Museu Naval, de Almada, divulgou uma exposição sobre as origens «milenares» deste concelho

Caminhos para a construção de uma «comunidade»

Jovens dão a sua opinião

Mensagem «0012»:
«Se fosse ministro da Educação reduzia as cargas horárias para que tivéssemos tempo de ser crianças e jovens. Em vez de aulas com o professor a expor a matéria promoveria a aprendizagem por experimentação e observação, porque assim como é em 50 minutos de aulas com o professor a falar apenas retemos cinco a 10 minutos do que ele diz», disse a Mariana

Mensagens «0015», «0016» e «0017»:
O último estudo «Health Behaviour in School-aged Children», que a Organização Mundial de Saúde realiza de 4 em 4 anos, e que visa avaliar hábitos, consumos e comportamentos com impacto na saúde física e mental dos adolescentes, aos 11, aos 13 e aos 15 anos, foi apresentado em Março passado, em Bruxelas. Os dados são de 2013-14 e correspondem às respostas de mais de 220 mil adolescentes, norte americanos e europeus (6 mil eram portugueses), de 42 países e regiões

Educadores formulam as suas memórias

Mensagem «0019»:
Foram lembrados os 30 anos decorridos desde o dia 22 de Novembro de 1986, em que se  realizou na Escola Secundária Emídio Navarro um «Encontro Debate sobre a Situação do Ensino em Almada-Seixal»


Comentário dirigido a esta mensagem:
Em Almada e no Seixal o problema das instalações e dos recursos melhorou muito nestes 30 anos. Bem como o «sucesso escolar», tal como em todo o país.
A inadequação dos «programas» continua, nos exactos termos em que a formulámos em 1986. E o «sucesso educativo» foi sendo secundarizado.
A ligação entre os dois concelhos piorou. E fazem falta outros debates públicos (em que a maioria não vá apenas ouvir os «especialistas» e os «gestores»). Fazem sobretudo falta encontros entre a grande diversidade de educadores que, ao longo destes 30 anos, surgiu e se afirmou.
Por todo o país, aumentou, e muito, a «hierarquização», problema que pouco se sentia há 30 anos. E que hoje tem um reflexo devastador no ambiente escolar e no estado de espírito dos professores.

Mensagem «0026»:
Foram lembrados, através de um livro, «A Cidade do Teatro [edição comemorativa pelos 20 anos da MOSTRA DE TEATRO DE ALMADA / 1996-2016]», não só 47 os grupos participantes nas 20 edições desta Mostra como um pouco da história do teatro neste concelho e algumas das suas ligações à educação


Comentário dirigido a esta mensagem:
Este será o primeiro exemplo de uma «comunidade real» (teatral, mas também educativa) que se desenvolveu no seio da nossa «comunidade educativa virtual».
Deveriam ser estudadas as condições e as iniciativas que geraram esse desenvolvimento.

Investigadores divulgam os seus estudos e dão a sua opinião

Mensagem «0004»:
Um terço dos nossos professores portugueses foi descrito por um estudo como estando «exaustos, desiludidos ou baralhados»

Mensagem «0024»:
Chris Whitehead, investigador e professor de Museologia na Universidade de Newcastle, afirmou, numa entrevista, ser necessário os museus aprenderem a «lidar com o passado»: “Os museus têm tendência a concentrar-se nas dificuldades do passado, mas parecem não ver que elas nos seguem até ao presente. É obrigatório fazer essa ligação.” (Chris Whitehead)

Municípios adoptam uma filosofia educativa

Mensagem «0014»:
A Associação Internacional das Cidades Educadoras tem membros em todos os continentes. A Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras inclui, actualmente, 61 cidades, 5 delas do distrito de Setúbal:
O 1º Congresso Internacional das Cidades Educadoras foi realizado em Barcelona, em 1990. Nele foi elaborada a Carta das Cidades Educadoras, mais tarde revista nos congressos de Bolonha, em 1994, e de Génova, em 2004

Instituições internacionais divulgam os seus estudos

Mensagem «0005»:
Foi divulgado o relatório «Education at a Glance», de 2016, através do qual a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) compara e comenta o estado da educação nos seus países membros (e em mais alguns associados)

Mensagem «0020»:
Foi divulgado o relatório do TIMSS - Trends in International Mathematics and Science Study (Estudo Internacional sobre as Tendências em Matemática e Ciências) – realizado em 2015 pela IEA - International Association for the Evaluation of Educational Achievement (Associação Internacional para a Avaliação dos Resultados Educativos), e no qual participaram alunos portugueses

Comentário dirigido a esta mensagem:
A propósito dos «resultados» deste TIMSS [de 2015], houve quem destacasse que os miúdos portugueses da 4ª classe já estavam melhor que os finlandeses em Matemática. Mas «estar à frente dos outros» não é o objectivo dos finlandeses. Eero Väätäinen [citado por Descamps, 2013], que coordenou uma escola e o sector da educação duma cidade, descreveu assim o espírito das reformas educativas na Finlândia:
“Não devemos esquecer que as crianças não andam na escola para fazer testes. Elas vêm aprender a vida, encontrar o seu próprio caminho. Acaso se pode avaliar a vida?”