domingo, 25 de julho de 2021

[0294] A longa vida do Xadrez

No dia 20 de Julho comemorou-se o Dia Mundial do Xadrez.


Considera-se que o Xadrez teve origem num outro jogo, o Chaturanga, jogado na Índia por volta do século VI da era actual. Ao chegar à Pérsia, este jogo foi aí transformado em Xadrez, sendo depois difundido até à Europa:

Na seguinte ilustração, patente no Libro de los juegos (um manuscrito encomendado por Afonso X, o Sábio, rei de Castela, Leão e Galiza entre 1252 e 1284), vemos dois homens disputando uma partida de Xadrez perante um nobre:


Na transição para a Idade Moderna, como consequência das profundas mudanças sociais que estavam a ocorrer, as regras do Xadrez tornaram-se mais dinâmicas, tal como Bertolt Brecht descreve numa cena de Vida de Galileu, passada em 1616:
GALILEU (para os secretários que estão a jogar xadrez): Como podem continuar a jogar xadrez à moda antiga? Agora joga-se assim: as figuras maiores podem percorrer todos os campos. A torre anda assim (mostra como se faz). Tem-se espaço à vontade e podem-se fazer planos.

Com a continuação dos tempos, o Xadrez tornou-se um jogo despido de elementos não racionais, como se depreende do modo como o escritor Stefan Zweig o comenta: no “xadrez, jogo exclusivamente de cálculo, isento de todo o azar”, o “atractivo […] consiste unicamente no facto de a sua estratégia se desenvolver diversamente em dois cérebros diferentes”.

Esta visão do Xadrez como actividade puramente racional está também presente na pintura, na escultura e no cinema. Maria Helena Vieira da Silva, por exemplo, em A Partida de Xadrez (1943; 81 x 100 cm), incorpora este jogo num ambiente que se adivinha estar igualmente estruturado por uma racionalidade estrita:


Hoje, há países em que a aprendizagem do Xadrez faz parte dos currículos oficiais. Não é o caso de Portugal, embora algumas escolas o tenham adoptado: na Escola 31 de Janeiro, situada na Parede (concelho de Cascais), “o xadrez é uma disciplina como todas as outras, de frequência obrigatória e com direito a programa e avaliação”.

Para o director desta escola, Vítor Rodrigues, “A partir de três, quatro anos de experiência, estes alunos já têm uma grande capacidade de concentração e conseguem ficar três horas a jogar”.

Fontes: livros de Brecht (1970; pp. 100-101), de Pastoureau (2016; pp. 227-228) e de Zweig (1974, pp. 74-75); artigo de Leiria (2007)

sábado, 17 de julho de 2021

[0293] As actividades do Ciência Viva no Verão já começaram!



Como sempre, as actividades de Verão do Ciência Viva decorrem de 15 de Julho a 15 de Setembro.


Este ano, no distrito de Setúbal, apenas os concelhos de Almada e de Grândola participam.
As suas propostas estão descritas a seguir. Para mais pormenores sobre cada uma delas, clicar no respectivo título; e para as inscrições, consultar https://www.cienciaviva.pt/verao/2021/.

Concelho de Almada

DO CRISTO REI AO TEJO - UMA DESCIDA NO TEMPO
Embarque numa verdadeira viagem no tempo, observando camadas de rochas e fósseis que permitem descortinar os ambientes e paisagens existentes na região há milhões de anos atrás e perceber a forma como evoluíram ao longo do tempo.

ESTAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DO PARQUE DA PAZ
Venha explorar o lado menos conhecido do pulmão da cidade de Almada, descobrindo a enorme variedade de plantas e animais que aqui ocorrem, que justificou a criação da primeira estação da biodiversidade em contexto urbano a nível nacional.

FLORA E VEGETAÇÃO DA MATA DOS MEDOS
Participe num percurso pedestre de descoberta da flora e vegetação da Reserva Botânica da Mata dos Medos, onde os matos de aromáticas, pinhais e zimbrais litorais compõem uma magnífica paisagem de enorme valor ecológico.

Esta actividade decorre na área protegida Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica

PATRIMÓNIO NATURAL DA COSTA DA CAPARICA
Venha descobrir os valores naturais existentes na frente atlântica da Costa da Caparica, explorando a diversificada zona entre marés das praias urbanas e visitando o ReDuna, um inovador projeto de restauração ecológica do sistema dunar.

Concelho de Grândola

BIRDWATCHING
Apesar de abandonada a Mina do Lousal continua cheia de vida! O barulho dos martelos e das explosões deram lugar ao chilrear e os olhos deixaram o subsolo para olhar para o céu.
A observação de aves, birdwatching, é cada vez mais uma atividade apaixonante que atraí desde os 8 aos 80. Com binóculos ou a olho nu, venha descobrir as aves que sobrevoam a mina do Lousal.

COBRAS DE PORTUGAL: DA BIOLOGIA AOS MITOS
O projeto Cobras de Portugal pretende sensibilizar para a importância ecológica das serpentes nos ecossistemas, assim como capacitar os participantes para poderem contribuir de forma ativa na conservação destes animais. Ao longo da sessão serão abordados temas relacionados com a biologia e conservação das serpentes, boas práticas a adotar, bem como a desmistificação de mitos e histórias associados a estes répteis. Haverá também a oportunidade de aprender a identificar as várias espécies de serpentes que ocorrem naturalmente em Portugal.

ERRADICAÇÃO DE ACÁCIAS
As acácias apresentam elevada amplitude ecológica, colonizando muito eficazmente áreas perturbadas e sujeitas a incêndios, originando povoamentos monoespecíficos que substituem os habitats nativos, proliferando nas orlas de povoamentos florestais, pinhais e matagais, dunas, margens de cursos de água, vertentes com elevada exposição, bermas e taludes. Em Portugal, todas as espécies do género Acacia sp. são consideradas invasoras. Na proximidade da área de intervenção do projeto Life Ribermine, do qual o Centro Ciência Viva do Lousal é parceiro, existe um núcleo considerável e em expansão da exótica e invasora Acacia dealbata Link. (mimosa). Venha conhecer a problemática das invasoras e participar como voluntário num projeto de fundos europeus, utilizando uma das técnicas mais eficazes de controlo desta espécie.

LOUSAL À LUZ DAS ESTRELAS
A observação astronómica será feita ao vivo ao telescópio mas com imagem projetada no anfiteatro, partilhando a experiência do uso do telescópio com obtenção de imagem direta mas, mais importante, o debater simultâneo do que são os astros celestes observados. E este é o debate mais interessante da sessão: a astrofísica (o entender) do que é o universo. Pelo caminho observaremos Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno culminando com a visão belíssima das crateras lunares. Apaixonante!
A viagem seguirá por estrelas, nebulosas planetárias, exames estelares abertos e globulares, terminando depois com as galáxias, a larga escala no universo.

MIRMECÓLOGO POR UM DIA
Sabe o que é a Mirmecologia?
É a ciência que estuda as formigas!
Quer ser Mirmecólogo por um dia?
Venha aprender a recolher e analisar amostras de formigas.
Saiba como funciona um formigueiro.
Conheça o mundo fascinante das Formigas!

MORCEGAGENS
Palestra introdutória, no auditório do Centro Ciência Viva do Lousal, seguida da identificação de morcegos perto das antigas galerias da mina do Lousal através da utilização de um detetor de ultrassons. Distribuição de um folheto informativo a cada um dos participantes, assim como de um inquérito de valoração económica da atividade, utilizado posteriormente num estudo científico de Green Economy, por parte do especialista.

MUÕES CÓSMICOS NA MINA
O projeto LouMu está instalado na mina do Lousal, e testa uma nova técnica para mapear estruturas geológicas, baseada em “radiografias” feitas com radiação natural produzida na atmosfera por partículas que chegam à Terra vindas da nossa ou outras galáxias: os muões cósmicos. Esta visita inicia-se com uma conversa sobre os raios cósmicos e a técnica de tomografia com muões, que é seguida de uma visita ao detetor instalado na galeria Waldemar acompanhado pelos cientistas (físicos e geólogos) que trabalham no projeto.

PERNAS PR'ANDAR
Percurso Interpretativo da Paisagem, Ciência, História Natural e Humana da Mina do Lousal, incluindo parte da Corta Mineira, mas também outros locais relevantes e identitários desta antiga Vila Mineira e seu entorno. Explicar-se-ão a história geológica e a evolução da paisagem industrial ligada ao desenvolvimento mineiro e sua arquitetura, focando-se períodos marcados de evolução desde o início da mina em 1900, a fase da mecanização, o abandono e a desertificação do território, etc..

PLANTAS EM MOVIMENTO
Após uma pequena apresentação sobre identificação botânica de espécies da flora do Alentejo no auditório do Centro Ciência Viva do Lousal, partimos à descoberta da flora, através de uma saída de campo pela Aldeia Mineira do Lousal e suas zonas húmidas.

TRILHOS DA SERRA
Percurso pedestre de cerca de 2 km situado na Herdade da Ribeira Abaixo, Estação de Campo do cE3c - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Climáticas. Ao longo do percurso, deixe-se maravilhar pela diversidade de espécie, animais e vegetais, que embelezam este ecossistema. Ao longo do percurso, poderá observar o montado, olival, galerias ripícolas, charcos artificias, ribeira e riachos, com toda a sua fauna e flora. Durante o percurso serão realizadas atividades que lhe permitirão explorar conteúdos científicos relacionados com o tema.

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA
Percurso pela corta mineira do Lousal e Galeria Waldemar d’Orey, uma das primeiras galerias a ser concessionada no Lousal. Nesta, é possível abordar fenómenos geológicos associados à génese dos sulfuretos maciços polimetálicos da Faixa Piritosa Ibérica, mas também sobre a história da mineração do Lousal, através da identificação dos paióis e entivação.

Fontes: sítio do Ciência Viva

domingo, 11 de julho de 2021

[0292] Recursos (II): alguns arquivos de fotografia em Portugal

Agência Lusa

Mais de um milhão e meio de imagens que contam a nossa história desde 1920. O arquivo desta agência noticiosa é acrescentado diariamente pelo trabalho dos seus jornalistas e dos de outras agências internacionais.

Acesso: https://www.lusa.pt/products/product_arquivo/fotos_de_arquivo.

 

Arquivo Municipal de Lisboa

Possui algumas centenas de milhares de registos fotográficos, datados de 1850 em diante, que têm vindo a ser disponibilizados online gradualmente. O tema predominante nas diversas coleções é o da cidade de Lisboa.

Acesso: https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/X-arqWEB/.

 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Inclui no seu acervo diversas colecções de fotografia.

Acesso: https://digitarq.arquivos.pt/.

 

Casa Comum

Esta plataforma disponibiliza documentos custodiados pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso, assim como documentação existente em outros arquivos, organizações e instituições parceiras que integram este projecto.

Acesso: http://casacomum.org/cc/arquivos.

 

Centro Português de Fotografia

Neste arquivo podem encontrar-se diversas coleções reunidas originalmente por indivíduos ou por entidades específicas, nomeadamente a Coleção Nacional de Fotografia.

Acesso: https://digitarq.cpf.arquivos.pt/.

 

Cinemateca Portuguesa

Os registos fotográficos que a Cinemateca disponibiliza online são sobretudo fotogramas retirados de diversos filmes.

Acesso: https://www.cinemateca.pt/Colecoes/Biblioteca-e-Arquivo-Fotografico.aspx.

 

Direção Geral do Património Cultural

Integram o arquivo de documentação fotográfica da DGPC as coleções de fotografia pertencentes a Museus, Palácios e outros imóveis tutelados por esta instituição, bem como coleções depositados por outras entidades e por colecionadores particulares.

Acesso: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/recursos/imagens/.

sábado, 3 de julho de 2021

[0291] Cinco curtos vídeos sobre a arqueologia de Almada

No total, duram cerca de vinte e seis minutos.
Tempo que os permite visionar e debater numa só aula!



    Fábrica Romana de Salga de Peixe, em Cacilhas
    https://www.youtube.com/watch?v=f34H3EtZM_g
    Duração: 3 minutos e 33 segundos


    Sítio Arqueológico da Quinta do Almaraz
    https://www.youtube.com/watch?v=b-GNditKcaA

    Duração: 5 minutos e 52 segundos


    Almada Velha (valorização patrimonial do núcleo histórico urbano)
    https://www.youtube.com/watch?v=BXMFYRwf8M8
    Duração: 4 minutos e 54 segundos


    Casa da Coroa (Costa da Caparica)
    https://www.youtube.com/watch?v=K4ezUp4Wv88
    Duração: 5 minutos e 28 segundos


    Rua Cândido dos Reis: uma rua de histórias (videomapping)
    https://www.youtube.com/watch?v=XlJBsXTCOLY
    Duração: 6 minutos e 17 segundos


sábado, 26 de junho de 2021

[0290] A partir de agora o leitor não será automaticamente avisado por email sobre a publicação das novas mensagens …

 

O seguinte aviso informa que vai ser desactivado, a partir de Julho, o serviço que permitia informar os interessados, por email, da publicação de uma nova mensagem»:


É pena.

Em princípio, este blogue manterá a ritmo de uma publicação por semana, o que permite consultá-lo regularmente para conhecer as novidades.

No entanto, se houver leitores interessados em ser avisados da publicação de cada nova mensagem, poderão informar o bloguer dessa vontade (via pontes.outrabanda.edu@gmail.com) e passarão a receber o aviso através de um grupo de emails (com Bc/c).

domingo, 20 de junho de 2021

[0289] Os arquivos escolares

Num artigo sobre os arquivos escolares publicado na revista «Sísifo» (já referido na mensagem «0025» deste blogue), é mencionado um “levantamento efectuado em 1996, sob a coordenação de António Nóvoa”, através do qual se “demonstrou que o estado de conservação da documentação de arquivo nas escolas secundárias portuguesas” se podia considerar “maioritariamente razoável”, pois, entre as instituições analisadas, 72,3 % se situavam nesse nível, seguindo-se-lhe 11,5 % em nível bom e 10,3 % em mau estado, não havendo informação sobre outras 5,7 %.
No entanto, conforme acrescentou a autora deste artigo, Maria João Mogarro, António Nóvoa encarou com preocupação este “«razoável estado de conservação da documentação»”, dado que ele poderá “«ser posto em causa a curto prazo, já que a capacidade de acondicionamento por parte da maioria das escolas é cada vez menor, […] uma vez que a capacidade de armazenamento de nova documentação é nula em cerca de metade das escolas e muito reduzida nas restantes»”, o que facilmente intensificará “«dois fenómenos negativos»” usuais nestas circunstâncias: “«a eliminação desregrada ou a manutenção desorganizada ou pulverizada dos mesmos»”.

Um quarto de século após este levantamento, qual será o estado de conservação dos arquivos das nossas escolas?

Segundo Maria João Mogarro, os «arquivos escolares» são uma fonte privilegiada para o estudo das «culturas escolares».
Constituída por um conjunto de teorias, saberes, ideias e princípios, normas, regras, rituais, rotinas, hábitos e práticas, a cultura escolar, na sua acepção mais lata, remete-nos também para as formas de fazer e de pensar, para os comportamentos, sedimentados ao longo do tempo e que se apresentam como tradições, regularidades e regras, mais subentendidas que expressas, as quais são partilhadas pelos actores educativos no seio das instituições. Os traços característicos da cultura escolar (continuidade, persistência, institucionalização e relativa autonomia) permitem-lhe gerar produtos, que lhe dão a configuração de uma cultura independente. Esta cultura constitui um substrato formado, ao longo do tempo, por camadas mais entrelaçadas que sobrepostas, que importa separar e analisar. O exercício do arquivo tem um espaço importante neste processo historiográfico de investigação sobre a cultura escolar. Constituído fundamentalmente por documentos escritos, o arquivo ocupa um lugar central que decorre da directa relação da escola com o universo da cultura escrita. A escrita tem, ela própria, uma posição de grande centralidade no quotidiano escolar (na gestão administrativa, nas relações pedagógicas, na construção de saberes, nas relações sociais), estando presente em toda a vida da instituição. É esta íntima relação que o arquivo reflecte, na materialidade dos seus documentos e de forma mais consistente e lógica que os outros espólios, compreendendo-se assim o lugar central que ocupa na vida e na história da escola.

Os documentos de arquivo permitem, a quem investiga as culturas escolares, desenvolver uma grande diversidade de investigações:



Mas, sob o ponto de vista dos «actores escolares», a que «documentos» das suas antigas práticas gostarão eles de aceder e que «memórias» e «reflexões» quererão eles construir a partir deles?

 

O artigo de Maria João Mogarro está acessível a partir da página «Documentos» deste blogue, clicando aí em «Documentos sobre Portugal».

 

Fonte: artigo de Mogarro na revista «Sísifo» (2006)

sábado, 12 de junho de 2021

[0288] O DataLABOR, depois do Instituto Nacional de Estatística e do PORDATA

A nova associação CoLABOR apresenta-se assim no seu sítio:

O Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social mobiliza recursos da academia, empresas, administração pública e organizações da economia social e solidária com vista ao aprofundamento do conhecimento de problemas presentes e antecipáveis em torno de três eixos de atividade: a) trabalho e emprego; b) proteção social; c) economia social e solidária.
O trabalho, o emprego e a proteção social foram politicamente concebidos no pós-guerra no quadro de políticas económicas orientadas para o pleno emprego e políticas sociais baseadas na mutualização (com garantia pública) da proteção de riscos associados ao desemprego, à doença e ao envelhecimento.
Hoje, a complementaridade entre trabalho, emprego e proteção social, tal como a conhecemos, parece estar em risco. Num contexto de acrescidas mudanças económicas, tecnológicas, demográficas, e de acentuação da integração económica e financeira internacional, as vulnerabilidades concomitantes dos regimes de emprego e de proteção social, com a decorrente recomposição das desigualdades e o surgimento de novos riscos societais, configuram o problema que motiva e justifica a criação do CoLABOR.
São objetivos do CoLABOR:

Mobilizar e expandir o conhecimento, hoje disperso em organizações de diferente natureza, para conceber respostas de política (pública e organizacional) aos problemas presentes e emergentes nos domínios do trabalho, do emprego e da proteção social;
Capacitar a administração pública, as empresas e as organizações da economia social e solidária, reforçando instrumentos de análise e intervenção, de antecipação de mudanças tecnológicas e socioeconómicas e de apoio à tomada de decisão, no plano micro – sobre reconfigurações tecnológicas, modos de gestão e organização – e no plano macro – sobre as instituições que enquadram a adoção de novas tecnologias, as relações laborais, bem como as que regulam a proteção social;
Qualificar o emprego mediante a formação de quadros e a criação de emprego científico, diretamente, nas atividades do CoLABOR e indiretamente nas organizações em que o CoLABOR seja chamado a intervir.


No dia 6 de Novembro passado “
o CoLABOR apresentou a DataLABOR, uma plataforma inovadora que agrega e permite cruzar dados estatísticos e jurídicos sobre o trabalho e emprego, a proteção social e a economia social e solidária em Portugal e que pretende ser uma contribuição para a formulação de políticas públicas baseadas no conhecimento e apoiar a tomada de decisão de entidades privadas e associativas.
A DataLABOR disponibiliza dados nacionais e internacionais sobre trabalho, emprego e proteção social. Nasce de um laboratório colaborativo, o CoLABOR, que junta ensino superior, três dos maiores empregadores nacionais e o setor social. Irá dar contributos para a formulação de políticas públicas, como a resposta à pandemia provocada pela COVID-19, e, ao mesmo tempo, proporcionar a empresas, organizações sindicais, empresariais e do terceiro setor, informação necessária à gestão, tomada de decisões e formulação de estratégias.

Esta plataforma pode ser consultada em https://datalabor.pt/

Uma das iniciativas do CoLABOR são as suas inforgarfias. Um exemplo (consultável em
Pilar Europeu dos Direitos Sociais - CoLABOR
), cuja fonte é o Eurostat, tendo os cálculos sido feitos a partir dos ganhos mensais médios em €uros:


Fonte
: sítio do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (CoLABOR)

sábado, 5 de junho de 2021

[0287] O passado no presente: a Quinta da Fidalga, na Arrentela

Para quem, vindo da Amora ou da Torre de Marinha, se desloca na direcção do Seixal, a Quinta da Fidalga passa quase desapercebida. Logo após a rotunda que assinala o término da Arrentela, a Quinta situa-se à direita, por detrás do muro branco que acompanha a estrada. Querendo estacionar, para uma agradável e instrutiva visita, é mais fácil fazê-lo no sentido do regresso, que se pode tomar ou na bomba de gasolina ou na próxima rotunda (a que tem uma instalação de homenagem aos bombeiros).


A Quinta teve origens no século XV, e nela ainda se pode ver o essencial que caracterizou as centenas de quintas que, até bem dentro de século XX, ladearam Lisboa a Norte e a Sul, estando estas na margem esquerda do Tejo. Quem nela hoje entra começa por ver a casa nobre e o jardim, inclui este um invulgar Lago de Maré. Depois, afastando-se gradualmente, vê os pomares, sendo alguns exclusivamente de citrinos, situados no interior de um sistema de rega reticulado. Ladeando os pomares encontram-se vários pontos de lazer (grutas, pequenos lagos, longos bancos). Só bem mais longe, após subir para um nível mais elevado, encontra o largo poço, com um alcatruz enferrujado, sendo perceptível como, a partir dele, a água seguia até ser armazenada num vasto tanque, deste seguindo para os pomares.
Não é tão certa a identificação do local onde se situariam a seara, a vinha, o olival, a horta e as árvores destinadas a proporcionar lenha, bem como os indispensáveis lagares, mas o espaço para tudo isto era abundante, estando agora parcialmente ocupado por estufas.


O arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020) explicou, numa entrevista a Eva Maria Blum, em 18 de Fevereiro de 2005, como eram estas quintas e como desapareceram.

Gonçalo Ribeiro Telles:

As “pessoas importantes e que tinham dinheiro, tinham uma casa de Verão. A casa de Verão […] era muito perto da cidade. Era na periferia da cidade. […]. Eram as quintas. Havia à volta das cidades […] um anel de quintas. O que era essa quinta? Era um micro-mundo. Porquê? Porque a quinta tinha a casa, mas era simultaneamente de habitação, de produção de frescos para a casa, de vegetais para a casa.
Tinha depois uma coisa que caracteriza todas as quintas em Portugal, que é o laranjal. Porquê? Porque a laranja que tínhamos era uma laranja que vinha desde o tempo romano, azeda. Só para remédios e para coisas assim. Quando chegou a [actual] laranja, com as descobertas, era doce. Foi um êxito. E quem queria mostrar o seu prestígio tinha que ter um laranjal. Portanto, tinha outra coisa, que era o laranjal. Para ter o laranjal teve que aumentar os tanques de rega. Porque o laranjal exige muita rega, mais do que a horta. Portanto, aumentaram todo o sistema hidráulico. Se for ver, são tanques enormes nas quintas - quanto maior é a quinta maior é o tanque - com sistemas de rega, tudo aquilo. Depois, é tudo decorado.
A quinta tem o sistema hidráulico todo e tem outra coisa fundamental, que é a mata.
[O] termo «floresta» não é português. […]. Veio de fora, só no século XVIII. O nome de mata em Portugal, […] não é do povoamento para cortar madeira, é a mata propriamente, com aspectos ecológicos, com aspectos […] de gestão ajardinada […]. Portanto, tinha a mata. […].
[…]. A quinta tinha um dono e tinha os elementos de mata, porque tinha que ter lenha para se aquecer no Inverno. Tinha que ter mata para poder ter água, por causa da chuva e da mata. Tinha que ter horta porque não havia supermercados nem centros comerciais e tinha que ter o laranjal para cheirar bem e porque era o fruto por excelência.
[…]. Conforme o tamanho e a riqueza do senhor, tinha três, quatro empregados. Agora, a agricultura estava fora da quinta. Na quinta estava a agricultura de produção directamente para a casa. […]. A quinta era [murada].
[À volta de] Lisboa contámos […] seiscentas quintas.
[…]. Agora, como é que isto foi tudo destruído?
[…] Quando vieram os planos [de urbanização] de pormenor atribuíram a classificação da quinta exclusivamente à casa da quinta. Quer dizer, [a quinta está classificada] como um valor cultural e nacional. Você agora vai fazer o plano. […]. «Toda a gente olha para a casa, para o palácio. Então, porque é que não [se] há-de construir aqui, no sítio da mata, se nós deixarmos ficar o palácio? Porque é que não [se] há-de construir no sítio da horta se nós deixarmos ficar o jardim, que é uma coisa mínima» Nas nossas quintas, como sabe, o jardim está disperso, está diluído por todo esse sistema. Pelo tanque da rega, que é um sítio fresco; pela mata onde se passeia; pela horta, que tem as latadas para os percursos. O jardim é uma coisa mínima. A planta do jardim é muito ligada à casa. Por isso é que temos aquele sistema do jardim que é o alegrete. Aquele sistema daqueles murozinhos e plantados […]. Mas [também] tem mata, tem horta, tem laranjal, tem os alegretes e tem as latadas e tem os tanques. Ora, o que é que fizeram? «Ora, isto não é nada. Isto pode-se construir. Só não se pode construir no palácio e no jardim». E destruíram tudo. Aqui em Lisboa foi uma razia. Ficou a do Marquês de Fronteira [… e mais …] duas ou três.


Na margem Sul do Tejo ficou este quinta, no essencial intacta, e visitável, permitindo que seja usufruída e compreendida. Foi com base nesta quinta que Eugénio Silva desenhou, a pedido da Câmara Municipal do Seixal, uma «História do Concelho Seixal», onde se esquematiza como se interligariam os …



Há poucos anos, no extremo do jardim, foi construído, com projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro.
Se esta Oficina é uma das razões para a visita de escolas ( e de adultos), toda a Quinta também o é.

Uma descrição da história e da actualidade desta quinta está acessível a partir da página Documentos (pasta «Documentos da Nossa Banda»).

Entrevista (não publicada) de Gonçalo Ribeiro Telles a Eva Maria Blum, em 2005
Desenho: BD de Eugénio Silva (2004)
Fotografias (tendo uma ou outra sido recortada): Eva Maria Blum, em 2021

sábado, 29 de maio de 2021

[0286] Em 1 de Junho: Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça

Texto transcrito da plataforma Florestas.pt:

 

Passaram dez anos desde que foi considerado um símbolo da nossa paisagem agroflorestal, mas o sobreiro (Quercus suber L.) é, desde há muitos séculos, uma espécie emblemática e não apenas no nosso território. Para assinalar o seu valor, Portugal assinala a 1 de junho o Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça.
Valorizado desde a Antiguidade pelas qualidades da sua casca, o sobreiro tem descritas as qualidades e usos da cortiça desde há milhares de anos. Vários estudiosos identificam vestígios da sua utilização desde a China ao Egipto, inicialmente como vedante de recipientes, isolante para habitações e boia flutuante para a pesca. O filósofo grego Teofrasto já descrevia nos seus textos de botânica, há cerca de 2200 anos, como o Quercus suber se distinguia de outras espécies: «o descortiçamento circular acarreta a morte de qualquer árvore (…). Mas quem sabe constitui o sobreiro uma exceção. Porque este ganha mais vigor se se lhe tira a cortiça exterior …».
Esta longa utilização valeu-lhe, desde cedo, o estatuto de espécie protegida que tem atualmente. Por exemplo, o rei visigodo Alarico II (485-507) promulgou uma compilação de leis romanas em vigor na península ibérica que incluíam medidas de proteção dos sobreiros. No nosso território, foi provavelmente no século XIII que começou a sua proteção, com os Costumes e Foros de Castelo Rodrigo e Castelo Melhor, promulgados pelo rei D. Sancho I, em 1209, que determinavam multas a quem danificasse sobreiros, prejudicando a produção da lande utilizada na alimentação dos animais. Nos finais do século XIII, já no Reinado de D. Dinis, surgem cartas de proteção do sobreiro e da azinheira com proibição e punição «de queimadas e varejamento indiscriminado do fruto, colheita abusiva da rama verde e sobretudo cortes indevidos», revela o trabalho «O Montado de sobro e o setor corticeiro: uma perspetiva histórica e transdisciplinar».
Estas e outras características continuaram a ser descritas ao longo dos séculos, multiplicando aplicações da árvore mãe da cortiça, cujo valor se estende à bolota e à importância ecológica do montado, sistema desenvolvido pelo Homem e aperfeiçoado ao longo de séculos em Portugal, para «melhorar o aproveitamento e a rentabilização dos escassos recursos numa região caracterizada por um clima mediterrânico e solos pobres».
Já no século XXI (2011), a Assembleia da República reforçou o estatuto simbólico do sobreiro, declarando-o como «Árvore Nacional de Portugal». Este estatuto advém, entre outros aspetos, da sua importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico, no armazenamento de carbono e, entre outros, na qualidade da água, ou seja, assegurando serviços de ecossistema fundamentais.
Adicionalmente, o Dia do Sobreiro e da Cortiça assinala a importância deste recurso renovável de referência para a economia. Para além dos milhares de postos de trabalho que justifica, a cortiça tem um peso significativo nas exportações portuguesas: mais de mil milhões de euros em 2020 (e também em 2019), de acordo com as estatísticas de comércio internacional do INE – Instituto Nacional de Estatística. Este contributo é sublinhado pela APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, que o identifica como representando cerca de 2 % das exportações de bens portugueses e 1,2 % nas exportações totais, com um saldo positivo de 815,6 milhões de euros para a balança comercial. Portugal é, também, o maior exportador mundial de produtos transformados, com 63 %, o correspondente a 986,3 milhões de euros.
Recorde-se que esta espécie estende-se por 720 mil hectares do território continental e cobre 22,3 % da nossa floresta, de acordo com dados do 6º Inventário Florestal Nacional.

 

Em vários pontos do país existem vários sobreiros monumentais, árvores que se distinguem de outras da sua espécie pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico. Um dos mais notáveis é conhecido como «Árvore casamenteira» ou «Sobreiro Assobiador». Em 2018, este sobreiro inconfundível na aldeia de Águas de Moura (Palmela), foi distinguido como Árvore Europeia do Ano e está inscrito no livro do Guinness como «o maior do mundo». São 16,2 metros de altura e uma frondosa copa cujo diâmetro se aproxima dos 30 metros.


O Observatório do Sobreiro e da Cortiça, situado em Coruche, foi desenhado pelo arquiteto Manuel Couceiro. Além de laboratórios e oficinas destinados ao estudo do sobreiro e da cortiça, o edifício acolhe também um espaço dedicado à compilação de informação relacionada com a fileira da cortiça e um auditório.

Em Gaia, um novo museu dedicado à cortiça abriu portas em 2020 e é uma oportunidade para ficar a conhecer melhor toda a cadeia de valor associada ao sobreiro. Numa experiência interativa, o Planet Cork convida à descoberta dos mais diversos usos da cortiça. Desde a exploração ancestral do sobreiro até às mais variadas e vanguardistas aplicações, como as tradicionais rolhas de vinho ou a utilização na indústria aeroespacial, há muito para explorar e aprender neste museu.

 

Fontes: sítio das Florestas.pt, para o texto; notícia de Rito (2016), para a imagem

Nota: a plataforma Florestas.pt, criada em 2020, é uma iniciativa da The Navigator Company sob coordenação técnico científica do Raiz – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e o apoio da comunidade científica nacional e de várias instituições e iniciativas com ligação à floresta.

sábado, 22 de maio de 2021

[0285] Como nos faz bem brincar!

Na próxima Sexta-feira, dia 28 de Maio, celebra-se o Dia Mundial do Brincar.

Brincar é a principal actividade das crianças, e a que elas, ao se tornarem adultas, chamam «jogar».

Louro Artur, pintor almadense nascido em 1943, mostra neste seu «Sonho de Infância» a contiguidade que existe entre as brincadeiras de crianças (jogo do berlinde) e o atrevimento com que exploram o mundo que as rodeia (a escada que dá acesso aos cachos de uvas): 


Os promotores das comemorações do Dia Mundial do Brincar escolheram para este ano em que ainda se vivem as limitações provocadas pela pandemia, o tema brincar é saúde. O seguinte esquema mostra como as crianças se desenvolvem fisicamente, cognitivamente, socialmente e emocionalmente quando brincam:


Já houve tempos em que brincar se fazia sobretudo «na rua». Entretanto surgiram espaços para brincar, por um lado mais controlados, mas também com propostas de «brincadeira» que só aí podem ser realizadas: as ludotecas.
O Instituto de Apoio à Criança tem recenseado regularmente as ludotecas existentes no nosso país. Da última vez que o fez identificou, na Nossa Banda, as seguintes ludotecas (não sendo certo se todas elas estarão ainda hoje a funcionar, nem sendo de excluir a possibilidade de novas ludotecas terem sido abertas):


Neste blogue, o Dia Mundial do Brincar já foi referido nas mensagens «0058» (em 2017) e «0238» (em 2020).

 

Fontes: mensagem de Artur Vaz no Facebook (pintura de Artur Louro) e informações prestadas pelo Instituto de Apoio à Criança (ludotecas)

segunda-feira, 17 de maio de 2021

[0284] O painel em cerâmica que a Escola Básica d`Alembrança nos mostra

No Feijó, quem passa em frente à Escola Básica d`Alembrança pode ver, de um dos lados do portão de entrada, um longo painel de cerâmica. Ele foi produzido pelos alunos de uma das turmas que aqui estudaram e brincaram, em 1997-98 e em 1998-99:






Quem acompanhou estes alunos-artistas foi a professora Elisabete Pimentel e, em 1998-99, a sua turma era o 6º G.
No painel, podemos ver uma mãe levando pela mão um filho, duas crianças (ou dois adultos?), uma saltando à corda e outra de braços cruzados, algumas plantas (sobretudo Palmeiras, com as Tâmaras já bem desenvolvidas) e vários animais, desde gatos a patos, todos eles com um olhar ou um movimento algo antropomórfico …
Hoje, os jovens artistas que foram autores deste painel ainda são jovens, apesar de já terem dobrado os 30 anos de idade. Qu`alembranças terão eles sobre o que quiseram mostrar ao esboçar este painel? E que pensarão eles agora sobre ele?

 

Fotografias (foram recortadas de modo a se encaixarem; os dois extremos do painel não fazem parte desta composição): Eva Maria Blum (Fevereiro de 2019)



sábado, 8 de maio de 2021

[0283] Os azulejos, o património e as escolas

Em 6 de Maio celebrou-se o Dia Nacional do Azulejo:


Os azulejos têm interessado as escolas por diferentes razões.
Por vezes eles são um suporte de histórias (as locais, as nacionais), ou de padrões (nos frisos, nos painéis).
Doutras eles são uma tecnologia (há escolas que os produzem), ou como um património (a apreciar, a defender, a divulgar).

Entre os potenciais parceiros das escolas encontram-se:

O Projecto SOS Azulejos (http://www.sosazulejo.com/), uma iniciativa do Museu de Polícia Judiciária, com o intuito de combater o furto, o vandalismo e a incúria a que tem estado sujeito o património azulejar português.

E o AzLab (https://blogazlab.wordpress.com/about/), uma iniciativa dos que estudam as diversas facetas dos azulejos que está aberta a colaborações que lhe sejam solicitadas.

Para Maio está agendado um Congresso, via ZOOM (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=293743225553004&id=100977948162867), cujo tema denuncia a actual forte preocupação dos estudiosos e dos defensores deste património com a sua preservação:



Fontes: sítio do Projecto SOS Azulejo e blogue do AzLab

sábado, 1 de maio de 2021

[0282] Hoje a minha sala de aula é no mar

Francisco Alves Rito descreveu no jornal «Público» a seguinte experiência pedagógica, em curso na Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho (Sesimbra):

Alunos de escola de Sesimbra aprendem sobre o oceano mergulhando nele


A Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho, em Sesimbra, está a viver, há um mês, uma experiência de ensino inédita em Portugal, em que o oceano é transformado em novas salas de aulas.
A primeira edição do Programa Atlantis, promovido pela Oceans and Flow, que se propõe levar educação ecológica subaquática às escolas, abrange 470 alunos de Sesimbra entre sessões de freediving (mergulho livre), limpeza de praia, palestras com especialistas e até um workshop para incluir algas na dieta alimentar.
No dia 22 de Março, Dia Mundial da Água, os responsáveis por esta inovadora proposta educativa apresentaram-se aos 21 alunos do oitavo ano que vão estar mais directamente envolvidos nas diversas actividades previstas até dia 16 de Junho. São três meses de mergulhos no mar de Sesimbra, aulas de biologia marinha, visita a uma pradaria marinha e outras iniciativas sempre próximas da maresia oceânica.
Até agora já participaram em sessões do oásis, um jogo criado no Brasil que mobiliza a comunidade para o desenvolvimento de um projecto colectivo. «Estamos a jogar em Sesimbra e a envolver as pessoas, a ouvi-las, sobre as necessidades ligadas ao mar, e escutamos os seus sonhos», relata ao PÚBLICO a coordenadora do Programa Atlantis.
Com este jogo, os estudantes desenvolvem a relações interpessoais e mobilizam a vila. «As actividades têm sempre a ver com mais consciência sobre o oceano, com cuidar do mar de Sesimbra», diz Violeta Lapa, que é uma das educadoras subaquáticas responsáveis pela idealização do programa.
A responsável, que é terapeuta aquática, mostra satisfação pela forma como o projecto está a decorrer, com o interesse crescente dos jovens participantes. «Está a correr muito bem. Eles estão muito entusiasmados e cheios de vontade de ir para o mar. É bom sentir este envolvimento. Já se vê uma grande transformação, mais atenção, vontade e alegria», afirma.
A anterior fase de confinamento em que o programa arrancou «alterou um pouco» o que estava planeado, designadamente quanto à logística das embarcações que transportam os alunos e obrigando a que algumas sessões presenciais tivessem de ser feitas à distância, mas, agora, com maior abertura e dias mais quentes, os grupos voltam a poder sentir a água no corpo e a areia nos pés. E é isso que faz a diferença.
«Este é o único programa do género que é mesmo no mar. O conceito do Programa Atlantis é trazer os jovens para os espaços naturais, para eles aprenderem como estar em segurança no mar e cuidar do mar», sublinha Violeta Lapa. A coordenadora destaca a componente de «ecologia profunda» do projecto. «Traz uma dimensão ética à ecologia, sem hierarquia entre Homem e Natureza, e permite que as pessoas despertem, abram o olhar e os sentidos, e isto provoca uma transformação e a vontade de cuidar», explica.
«Vamos ensinar como podem cuidar do mar, através da forma como consomem, como cuidam do lixo e noutros pequenos comportamentos. O programa tem esta componente pedagógica, de ensinar como cuidar de uma forma simples e divertida», acrescenta a terapeuta.
O que une os elementos da Oceans and Flow envolvidos nesta missão em Sesimbra é o gosto pelo mar. «Somos freedivers e vivemos diariamente o poder transformador de uma relação mais próxima com o oceano. Partilhamos a paixão pelo mar e a missão de despertar nas novas gerações o cuidado e afecto pela vida marinha. Com formações distintas na área do desenvolvimento humano, artes e movimento aquático, as nossas valências convergem num método único de educação», sintetiza a educadora subaquática Cris Santos.
O Programa Atlantis inclui acções abertas à comunidade, como palestras online e um workshop «de corpo e alga», em que os participantes recolhem algas para aprenderem sobre a sua utilidade alimentar, e vai terminar com uma exposição na marginal da Avenida 25 de Abril, em Sesimbra, com fotografias de todas as etapas do projecto, numa galeria ao ar livre.
Esta primeira edição é financiada pelo EEA Grants e Hydrokompass, com o apoio da Câmara Municipal de Sesimbra e quase duas dezenas de parceiros. A segunda edição ainda não está definida, mas os organizadores planeiam continuar em Sesimbra.

 

Fonte (texto e imagem): artigo jornalístico de Rito (2021)

sábado, 17 de abril de 2021

[0281] O Dia da Terra

No próximo dia 22 celebra-se pela 52ª vez o Dia da Terra.
A sua primeira manifestação ocorreu em 22 de Abril de 1970, por iniciativa do activista ambiental, e senador, Gaylord Nelson.
Como resultado da pressão social que começou a ser exercida, o governo norte-americano criou a Agência de Proteção Ambiental e publicou diversas leis que lhe proporcionavam instrumentos de actuação.
Em 1972 realizou-se o primeiro encontro internacional sobre o meio ambiente, a Conferência de Estocolmo, que visou sensibilizar os governos de todo o mundo para os problemas ambientais.
Em 2009 a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram a importância desta celebração, instituindo-a como Dia Internacional da Mãe Terra.

O poeta e diplomata indiano Adhay K. escreveu para este dia o seguinte «Hino da Terra»:

 

O nosso oásis cósmico, a pérola cósmica azul
O planeta mais bonito do universo
O nosso oásis cósmico, a pérola cósmica azul
Todos os continentes e oceanos do mundo
Juntos flora e fauna juntos espécies tudos
Preto, castanho, branco, cores diferentes
Somos humanos, a terra é o nosso lar

O nosso oásis cósmico, a pérola cósmica azul
O planeta mais bonito do universo
Todos os povos e todas as nações do mundo
Todos por um, um por todos
Juntos desenrolamos a bandeira azul
preto, castanho, branco, cores diferentes
Somos humanos, a terra é o nosso lar.

 

Duas fotografias que ilustram, neste início de 2021, a exuberância da Natureza apesar das condições inóspitas que por vezes enfrenta:




Fonte: Wikipédia
Fotografias (na vizinhança do Farol do Cabo Espichel): Pedro Esteves

sábado, 10 de abril de 2021

[0280] Recursos (I): a Biblioteca Digital Mundial

Esta biblioteca já aqui foi apresentada há dois anos e meio, na mensagem «0168». Desta vez, para abrir uma série de mensagens dedicadas aos «recursos» (que vão sendo organizados em pasta própria neste blogue), mas também porque estão a ser completados os seus 12 primeiros anos de existência, são-lhe acrescentas algumas informações dizendo respeito à história, à organização e ao acervo.


Marcos cronológicos da criação da Biblioteca Digital Mundial:

Junho de 2005: o bibliotecário do Congresso Norte Americano, James H. Billington, propõe à UNESCO a criação de uma Biblioteca Digital Mundial.
Dezembro de 2006: a UNESCO e a Biblioteca do Congresso Norte Americano co-patrocinam uma Reunião de Peritos com as principais partes interessadas de todas as regiões do mundo; dela resulta a decisão de formar grupos de trabalho para desenvolver normas e diretrizes para seleção de conteúdos.
Outubro de 2007: a Biblioteca do Congresso e cinco instituições parceiras apresentam um protótipo da futura Biblioteca Digital Mundial na Conferência Geral da UNESCO.
Abril de 2009: a Biblioteca Digital Mundial é lançada para o público internacional, com conteúdo sobre cada estado-membro da UNESCO.

Os seus documentos estão organizados de diversas formas: região mundial, país, língua, assunto, etc. E também de acordo com seu o suporte e tipo, que são: Imagens e Fotografias; Jornais; Livros; Manuscritos; Diários; Mapas; Registos fonográficos; e Filmes.

Entre os documentos sobre Portugal encontram-se um
mapa de Lisboa , produzido em 1785 (trinta anos após o grande terramoto e o Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, 1497-1499 (ver em: https://www.wdl.org/pt/item/10068/view/1/63/): A descrição que é feita deste é a seguinte:

Este manuscrito é a única cópia conhecida de um relato que acredita-se ter sido escrito a bordo durante a primeira viagem marítima de Vasco da Gama à Índia. O texto original, que foi perdido, é muitas vezes atribuído a Álvaro Velho, que acompanhou Vasco da Gama à Índia em 1497-1499, mas que não voltou para Portugal com a expedição, permanecendo por oito anos em Gâmbia e Guiné. O manuscrito é anónimo e sem data, porém a análise paleográfica atribui sua datação à primeira metade do século XVI. O documento descreve a viagem para a Índia e o contato com diferentes povos nas costas da África e da Índia. Ele fala sobre doenças, plantas e animais, reféns, títulos e profissões, armas de guerra, comida, pedras preciosas, desafios de navegação e vários outros tópicos. Anexado ao corpo principal do texto encontram-se uma descrição de alguns dos reinos do Oriente, uma lista de especiarias e outras mercadorias e seus preços, e um vocabulário da linguagem de Calecute. Com uma letra de mão diferente, novos títulos foram adicionados, como Descobrimento da Índia por Vasco da Gama, na folha 1, e Relação do descobrimento da Índia por Vasco da Gama, na folha de guarda inicial. O manuscrito permaneceu durante séculos nas coleções do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Em 1834 ele foi transferido para a Biblioteca Pública Municipal do Porto. A viagem de Vasco da Gama em torno do Cabo da Boa Esperança rumo à Índia foi um evento de enorme importância histórica. Além de ser um dos grandes atos da navegação europeia, o feito lançou as bases para o Império Português, que duraria por séculos, e estabeleceu novos contatos entre a Europa e as civilizações da Ásia, fixando um marco no início do processo que mais tarde veio a ser chamado de «globalização». O Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia entrou para o Registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2013.


Fonte: sítio da World Digital Library

sábado, 3 de abril de 2021

[0279] Moinhos da Nossa Banda

O Dia Nacional dos Moinhos é comemorado em 7 de Abril, tendo essa comemoração já aqui sido referida nas mensagens «0047» (2017) e «0184» (2019). Dadas as restrições que estamos a viver, este dia não contou em 2020 (e não contará em 2021) com a iniciativa Moinhos Abertos.
Os moinhos da Nossa Banda que estiveram abertos nas comemorações de 2017 foram os seguintes:
Três moinhos de vento: Moinho Nascente da Alburrica, no concelho do Barreiro; Moinho do Esteval, no concelho do Montijo; e Moinho da Serra do Louro, no concelho de Palmela;
Dois moinhos de maré: Moinho de Maré do Cais, no concelho do Montijo; e Moinho de Maré de Corroios, no concelho de Seixal;
E ainda dois moinhos de tracção mecânica: Moinho das Galgas, num lagar de Azeite do concelho do Montijo, e Moagem de Sampaio, no concelho de Sesimbra.

Há pelo menos mais um moinho de vento que poderá estar aberto na próxima iniciativa dos Moinhos Abertos, o Moinho do Outeiro, no concelho de Sesimbra. E dois moinhos de maré: o Moinho de Maré de Alhos Vedros (mensagem «0097»), no concelho da Moita, e o Moinho de Maré da Mourisca (mensagens «0130» e «0155»), no concelho de Setúbal.
Portanto, na Nossa Banda, moinhos patrimonializados não faltam!

Em circunstâncias normais o Moinho de Maré de Corroios, além de ser visitável é sede de ateliês destinados a alunos das escolas, quer do concelho de Seixal, quer vindos de escolas de várias partes do país, dinamizados pelo Serviço Educativo do Ecomuseu Municipal do Seixal. A exploração pedagógica que as escolas podem fazer destes ateliês permite-lhes estabelecer ligações à Astronomia, à Física, à Geometria, à História e à Mecânica.

Este moinho foi construído há mais de 600 anos, no século XIV, e a sua estrutura original foi preservada, apesar das ampliações de que beneficiou (e da destruição parcial pelo terramoto de 1755).
Através desta vista aérea pode ver-se a água aprisionada na Caldeira (parte inferior da imagem) durante a maré cheia, que depois será deixada sair de modo a movimentar os rodízios (submersos) que por sua vez movimentarão as mós:


Esquema do funcionamento mecânico de um moinho de maré:


Pode ver dois vídeos interessantes sobre moinhos, um sobre o Moinho do Outeiro (em https://www.youtube.com/watch?v=WVci7XuYtDM) e outro sobre o funcionamento de um moinho de vento (em https://www.youtube.com/watch?v=jq7y2-2w_jU).

 

Imagem: Câmara Municipal do Seixal

sábado, 27 de março de 2021

[0278] O Barro e a Escola

A cerâmica romana encontrada num passado recente atesta a longevidade da arte de trabalhar o barro em Viana do Alentejo. Um barro que servia essencialmente para produzir loiça utilitária. Viana tornou-se famosa pela qualidade dos seus alguidares. No início do séc. XX um visionário local, o agrónomo e veterinário António Isidoro de Sousa cria uma Escola de Olaria, para dar formação artística aos filhos dos oleiros. Artistas plásticos que mais tarde de tornaram famosos, como Júlio Resende e Aníbal Alcino dos Santos, são contratados como professores. Com a ajuda preciosa do grande mestre oleiro Francisco Lagarto. E assim desenvolve-se uma escola que foi o berço dos atuais oleiros ainda existentes mas também o local onde grandes ceramistas se formaram, que foram mostrar as suas artes por esse Portugal fora.”


“Hoje, um curso de formação de oleiros do IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional], sob a orientação do mais novo oleiro existente, tenta formar possíveis futuros oleiros e / ou ceramistas. Um documentário baseado nos testemunhos daqueles que estiveram e ainda estão ligados a esta arte milenar na vila de Viana do Alentejo.”

Pode ver este documentário aqui (duração: 52 minutos e 20 segundos)


Fonte do texto e das imagens: documentário de Menêzes (2018)