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sábado, 27 de março de 2021

[0278] O Barro e a Escola

“A cerâmica romana encontrada num passado recente atesta a longevidade da arte de trabalhar o barro em Viana do Alentejo. Um barro que servia essencialmente para produzir loiça utilitária. Viana tornou-se famosa pela qualidade dos seus alguidares. No início do séc. XX um visionário local, o agrónomo e veterinário António Isidoro de Sousa cria uma Escola de Olaria, para dar formação artística aos filhos dos oleiros. Artistas plásticos que mais tarde de tornaram famosos, como Júlio Resende e Aníbal Alcino dos Santos, são contratados como professores. Com a ajuda preciosa do grande mestre oleiro Francisco Lagarto. E assim desenvolve-se uma escola que foi o berço dos atuais oleiros ainda existentes mas também o local onde grandes ceramistas se formaram, que foram mostrar as suas artes por esse Portugal fora.”


“Hoje, um curso de formação de oleiros do IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional], sob a orientação do mais novo oleiro existente, tenta formar possíveis futuros oleiros e / ou ceramistas. Um documentário baseado nos testemunhos daqueles que estiveram e ainda estão ligados a esta arte milenar na vila de Viana do Alentejo.”

Pode ver este documentário aqui (duração: 52 minutos e 20 segundos)


Fonte do texto e das imagens: documentário de Menêzes (2018)

domingo, 21 de fevereiro de 2021

[0273] O projecto «Inscrever a Europa nos Muros das Cidades»

A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia foi a principal base de trabalho para a realização de um projecto de expressão pública pelos alunos de várias das escolas do nosso país (e, num caso, pela população de uma vila).

Em cada um desses casos, uma equipa do Centro de Informação Europeia Jacques Delors trabalhou com professores e alunos, durante uma semana, visando que o produto final, um painel de azulejos, ficasse patente num local destacado da respectiva localidade.

As localidades e as escolas envolvidas foram:

 

2003

Alcabideche (Cascais): Escola Ibn Mucana.
Porto: Colégio Luso Francês.
Serpa: Escola Básica Integrada de Serpa, Escola Secundária de Serpa, Escola Oficina de Pintura de Azulejos e Louça Cerâmica, Escola Básica Integrada e Jardim de Infância de Pias.

2004

Guimarães: Escola Básica 2+3 de S. Torcato, Escola Secundária Martins Sarmento, Escola Secundária Francisco de Holanda e Centro de Formação da Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais.
Belém (Lisboa): Colégio de Pina Manique.
Tomar: Escola Secundária de Santa Maria do Olival.
Tondela: Escola Secundária de Tondela.
Vila Franca de Xira: Escola Básica 2+3 de Vialonga.

2005

Felgueiras: Escola Básica 2+3 de Idães, Escola Básica 2+3 de Airães, Escola Básica 2+3 Manuel Faria e Sousa e Escola Básica 2+3 Dr. Leonardo Coimbra.

2006

Reguengos de Monsaraz: Escola Secundária Conde de Monsaraz.
Tavira: Escola Secundária de Tavira.

2007

Oeiras: Escola Básica 2+3 de Caxias.
Mira Sintra: Escola Secundária Matias Aires.
Ulgueira: habitantes da vila.

2008

Loures: Escola Básica 2+3 Luís de Stau Monteiro.

 

Eis uma fotografia do painel que concretizou o projecto em Serpa:


Em https://www.inscrire.com/projet/inscrire-les-droits-humains-au-portugal/ é possível obter mais informações sobre cada um destes projectos,

 

Fontes: sítio da Association Inscrire Les Droits Fondamentaux
Fotografia: Eva Maria Blum

sábado, 24 de agosto de 2019

[0201] As Escolas de Segunda Oportunidade


Na Europa, as Escolas de Segunda Oportunidade começaram a surgir na segunda metade dos anos 1990. A rede que estas escolas criaram em 1999 inclui, actualmente, cerca de 40 parceiros (associações e estabelecimentos de ensino), na sequência do reconhecimento da educação de segunda oportunidade pela Comissão Europeia.

Em Portugal a primeira escola que se juntou a esta rede foi a Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos, criada em 2008:


Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos
(imagem retirada de https://escolasegundaoportunidade.blogspot.com/)


Foram entretanto criadas outras, sobretudo no Norte (Maia, Porto, Valongo), mas também no Sul (Samora Correia).

Estas escolas destinam-se aos jovens que, com mais de 15 anos e sem qualificação profissional, tenham abandonado os estudos há pelo menos um ano, tendo sido, há pouco mais de duas semanas, legalmente enquadradas pelo Ministério da Educação (Despacho nº 6954/2019).
Para concretizar este enquadramento em 2019-20, serão assinados protocolos entre cada uma destas escolas, a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e as entidades parceiras (autarquias, empresas, instituições de solidariedade social, movimento associativo). Haverá, portanto, um ambiente comunitário a rodear estas escolas.

Fonte: notícia de Silva (2019)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

[0197] Que fazer com os nossos arquivos memoriais?


Queremos “consumi[r os nossos arquivos memoriais] em nome apenas da parasitagem hedonista hodierna ou interrogá-los constantemente, potenciando o seu poder criativo, e já agora conservá-los para aqueles que virão depois de nós?”
Foi para ilustrar esta pergunta que Luís Raposo contou a seguinte estória:

“Era uma vez, um homem, José Leite de Vasconcelos, que moveu céus e terra em finais de oitocentos para fazer um museu que contasse as origens remotas do «ser português», muito mais do que do ser Portugal. Conseguiu finalmente instalá-lo em Belém, na ala recém-reconstruída do Mosteiro dos Jerónimos, que na altura e por influência do positivismo e do evolucionismo progressistas se preferiu politicamente consagrar a tal narrativa, em detrimento da que contasse a grandeza imperial. Passaram os anos, as décadas, os regimes, caminhou-se da Monarquia para a República, desta para a Ditadura Militar e o Estado Novo… e o «Museu de Belém» (assim simplesmente chamado porque não havia outro nas redondezas) foi singrando, reunindo arquivos da terra, promovendo ou até criando novos campos de estudo e novos oficiais dos mesmos. Chegou a Democracia e com ela todo um novo entusiasmo pelo estudo libertador do passado, como condição da libertação do presente e da garantia da liberdade no futuro.
É aqui que o contador da estória entra em cena. Nesse museu, no museu onde trabalho faz agora precisamente quatro décadas, havia, quando entrei, guardas de dia e de noite, estes com cães e licença de porte de arma, havia auxiliares de limpeza (as primeiras cuidadoras das colecções, como enfaticamente dizia Adília Alarcão, uma das pessoas com quem, mesmo sem disso me ter dado conta, mais aprendi a amar os museus pelas pequenas coisas do dia-a-dia), havia conservadores para várias colecções, havia arqueólogos com actividade de campo ao serviço do museu (eu próprio, era um deles), havia telefonistas, havia técnicos de laboratório (inclusive uma engenheira química, isto para além do sector de arqueociências, com diferentes especialidades, como a geologia ou a paleobotânica), havia secretaria com chefia própria, havia bibliotecária, havia fotógrafo, havia almoxarife, havia marceneiro e havia carpinteiro, havia, havia… éramos quase uma centena e apenas recorríamos a aquisições de serviços externas quando realmente justificadas, em situações técnicas (caso do transporte de peças para o exterior) ou para alargar o leque da criatividade (caso dos projectos de exposições).
Havia também desenhadores (no plural), conforme a longa, secular, tradição de uma Casa por onde passaram Guilherme Gameiro, Francisco Valença, João Saavedra Machado, Dario de Sousa … E até o grande Stuart aí colaborou, ocasionalmente. Em algumas décadas do século XX, especialmente durante o Estado Novo, era no «Museu de Belém» (ou «Museu Etnológico», que ainda ostentava no nome, conforme o baptismo que lhe deu o fundador) que se reuniam alguns destes mestres e aí conversavam, trocavam experiências, talvez também ideias, como o demonstram numerosas caricaturas do Sempre Fixe, resistentes dentro dos limites que o lápis azul e a tesoura (repetidamente representados por Valença) o deixavam. Diversas técnicas de representação gráfica em arqueologia foram testadas, desenvolvidas, no que constituiu uma escola prática. Os álbuns desses mestres, que no museu se guardam, constituem por si sós tesouros nacionais. E nunca é demais lembrar que, em Arqueologia, seja de campo seja de gabinete, incluindo registo de peças em museu, o desenho é muito mais importante do que a fotografia: esta, para usar a expressão de Mortimer Wheeler, «é mentirosa», porque dá a errada (e ingénua) sensação de autenticidade; aquele é verdadeiro, porque expõe sem filtros a interpretação do autor, desenhador e arqueólogo.

Desenho humorístico, de Francisco Valença, na capa do “Sempre Fixe”, em 1956. A resistência das colecções do “Museu Etnológico” à decisão governamental da entrega de Belém e dos Jerónimos à celebração do Império e à Marinha, patrocinada ao mais alto nível do regime pelo então ministro daquele ramo das Forças Armadas, Américo Thomaz, “eleito” dois anos depois Presidente da República, na célebre golpada contra a candidatura de Humberto Delgado.

Conto tudo isto porque se reformou por estes dias a Helena Figueiredo, aquela que poderá talvez ter sido a última desenhadora do Museu Nacional de Arqueologia, já que não se vê no horizonte nenhuma possibilidade de inverter a caminhada para o abismo em que os Museus Nacionais se encontram em matéria de pessoal. Abismo que não é só pela falta do mais aparente (vigilantes-recepcionistas), mas pela efectiva falta de pensamento estratégico quanto ao que é ser museu e mormente museu nacional. Éramos próximo de uma centena há quatro décadas, a grande maioria com contratos de trabalho estáveis; cobríamos quase todos os sectores de especialidade necessários à realização da missão do museu e confiávamos na perenidade intergeracional da instituição. Hoje seremos pouco mais de três dezenas, recorremos a torto e a direito a externalidades, à exploração dos mais jovens (bolseiros, estagiários…), à precariedade em geral e até, cada vez mais, ao «voluntariado» …

Vaso neolítico do Monte da Vinha (Santiago do Cacém). 5º milénio antes de Cristo. Doação do escritor Mário de Carvalho ao Museu Nacional de Arqueologia, de cujo Grupo de Amigos é membro. Desenho de Helena Figueiredo do vaso neolítico do Monte da Vinha. Repare-se que a análise inteligente da desenhadora foi ao ponto de ter detectado, e representado, a forma dos instrumentos ou estiletes usados na execução dos motivos impressos.

Pergunto-me o que virá a seguir. A privatização mercantilista dos museus nacionais que possam gerar receita, convertidos em negócios destinados a distribuir lucro; ou, mais pudicamente, a sua semi-privatização, entregues a sociedades de capitais públicos assentes em sistemas de bilhética agressivos (insensíveis à dimensão cidadã), capazes, no melhor dos cenários, de potenciar essas «ilhas de abundância», conservando e promovendo os bens à sua guarda – ou meras centrais de emprego de «amigos» e «correligionários», rodízios de mãos que se lavam mutuamente, no pior dos casos?
E pergunto-me sobre tudo o resto, o que inexoravelmente «não dá dinheiro». Ficará simplesmente ao abandono, entregue à sua apagada e vil tristeza? Deixará o País de possuir arquivos de memória capazes de executarem as suas missões, verdadeiros museus nacionais desde logo, geridos com sentido de entrega à causa pública, com respeito por todos os que nos precederam, todos os que hão-de vir … e para nossa própria felicidade, afinal?
Ou tudo isto não passa de inquietações sem sentido, inerentes à idade, à velhice, à aproximação da reforma e decorrentes de um sentido de patriotismo emancipador, porventura fora de moda?”

Fonte (jornal): Raposo (2019)

sábado, 19 de janeiro de 2019

[0174] A educação: num mundo que sai de um paradigma e não sabe em qual entrará


Entrevistado por João Céu e Silva, o filósofo José Gil fez os seguintes dois comentários relacionados sobre a educação:

Fotografia (inserida na entrevista) de Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

João Céu da Silva:
O passado mostrado pela arte e pela cultura tem vindo a ser suplantado pela preocupação com a situação financeira e económica. Os pilares da educação mudaram?
José Gil:
Não é só a questão económica, o que se passa é, repito, uma erosão de tudo o que é a tradição. O passado está a ser engavetado, digitalizado e virtualizado, e cada vez menos lhe atribuímos uma realidade com peso. O passado é cada vez mais uma imagem que se transforma numa coleção de imagens enquanto objetos de consumo, apesar de não informarem nem sedimentarem a nossa pessoa e cada vez menos os comportamentos sociais. Um aluno sabe cada vez menos sobre o passado, nem lhe interessa saber, e isso é terrível, pois há uma erosão que vem da transformação do valor da realidade do passado e da transmissão pela tecnologia que traduz tudo em imagem. Tudo isso é metabolizado e instrumentalizado pelo capitalismo, que só conta cada vez mais com o que gera uma mais-valia.

João Céu da Silva:
Como é que se confronta pessoalmente com esta mudança de paradigmas?
José Gil:
Não acho que haja mudança de paradigma, porque tal não existe para o nosso presente. Estamos a mudar de paradigma sem que tenhamos aquele para o qual queremos mudar. Isto em tudo, como é o caso da educação para a cidadania. Havia antes uma educação para a transmissão e acumulação na área das humanidades, agora é o da cidadania. O que é que os professores vão ensinar? E como vão formar turmas tumultuosas. Isto é uma coisa ridícula, porque quando não se dão meios nem se preparam os professores para a cidadania não há formação possível: ou seja, não há paradigma, tanto mais que a questão da cidadania leva a ponderar questões totais na sociedade.

Fonte: Gil, entrevistado por Silva (2019)



quarta-feira, 25 de julho de 2018

[0150] Álvaro Laborinho Lúcio: “há uma educação para ricos e uma educação para pobres”


Nasceu em 1941
Foi jurista, professor universitário e ministro da Justiça

“Eu sou natural da Nazaré, uma terra que era na altura uma terra razoavelmente forte enquanto vila piscatória e onde havia imensa pobreza. Havia uma clara distinção entre o pé calçado e o pé descalço. Eu fiz toda a instrução primária na Nazaré onde havia duas escolas, uma em baixo e outra em cima. Na escola de cima andavam os filhos dos pés calçados. Mas os meus pais quiseram, e bem, que eu estivesse na escola dos pescadores, dos pés descalços. Eu fiquei sempre na escola deles e muitos dos meus amigos de infância fizeram a vida de pescador.
Eu tinha muito a noção do que era a miséria grande que havia na Nazaré, o que isso significava relativamente ao mar, o que isso significava relativamente à pesca, o que significava relativamente ao perigo brutal dos naufrágios que aconteciam. Havia sempre gente de luto na Nazaré e isso fez-me sempre compreender que essa distinção entre o pé calçado e o pé descalço correspondia na Nazaré à geografia da terra. Ia-se até um certo sítio e era a zona do pé calçado, ia-se daí para a frente e era a zona do pé descalço.”

“Há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres, como há uma saúde para ricos e uma saúde para pobres, como há uma educação para ricos e uma educação para pobres. Porque o modo de chegar à justiça, o modo de chegar à saúde e o modo de chegar à educação, tem caminhos que ainda estão fora da justiça, fora da saúde e fora da educação. E quando se chega, já se vai em situação de diferenciação. O importante é acabar com os pobres. A luta deve ser essa. A pobreza é uma violação de direitos humanos e o grande objectivo é a erradicação da pobreza. Foi o que se fez com a escravatura, foi o que se fez com o apartheid.”

“Quando falo nesta Europa que caminhou para a predominância dos interesses, do dinheiro e dos mercados, a escola veio transformar-se num instrumento disto. E isso é extraordinariamente negativo porque, no fundo, nós estamos a formar para isto, quando devíamos estar a formar para uma dissidência possível relativamente a isto, onde a escola devia formar cidadãos cultos, capazes de terem sentido crítico e serem dissidentes. E não. Ela está a formar gente com pensamento único. Se nós perdermos a dimensão cidadã, perdemos o único capital que temos modificador do mundo e da vida.”

Fonte: Laborinho, entrevistado (2018; p. 45)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

[0131] Consulta pública sobre os Currículos dos Ensinos Básico e Secundário


As propostas do Ministério da Educação para o Currículo dos Ensinos Básico e Secundário está, neste momento, sob consulta pública.


Na página «Documentos» (em «Documentos sobre Portugal») é possível aceder ao respectivo documento de síntese, bem como ao parecer do principal sindicato de professores, a FENPROF, sobre o Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (actualmente em regime experimental) que integra aquelas propostas.

domingo, 28 de janeiro de 2018

[0113] Um balanço sobre o nosso sistema educativo, por António Nóvoa

Entrevistado recentemente, António Nóvoa avaliou assim a situação do nosso sistema educativo, estando assinaladas algumas intervenções dos entrevistadores:


“A Educação é central, como a Ciência e Cultura. Julgo que nestas áreas o que tem sido feito tem sido feito de uma forma correcta — tanto na Educação, como na Ciência e no Ensino Superior. Mas tem sido pouco. Isto é: tem havido mais um gerir e resolver situações que vinham do passado ...”

Em 2015 disse que devíamos viver uma revolução nas escolas: mudança nos currículos, na organização e modelo da escola. Estamos a atrasar-nos?

“Estamos longe. Infelizmente não estamos neste momento numa dinâmica do que é o futuro da escola e da educação. E o mesmo se diga para as universidades, que estão muito ...”

Estagnadas?

“Muito contidas, a palavra estagnada seria injusta. Há muita coisa que se tem feito bem. Eu, pelo meu mandato de reitor, tenho um fantasma, que é a burocracia. E o complicador imenso em que se transformou a vida das escolas, dos professores, a gestão das universidades, a vida da ciência. Fazer um projecto científico é uma coisa do outro mundo. E temos de nos libertar disso. O tema da autonomia, que é para mim central ...“

Tem-se falado muito na autonomia ...

“... mas é conversa. As escolas deviam ser ambientes vibrantes, estimulantes.”

O que é que custa mais a ultrapassar? Burocracias, as medidas do Governo, os professores, a sociedade ...

“Há um conjunto dessas coisas todas. Mas há uma rigidificação burocrática que se criou nas nossas instituições, que é um factor que dificulta muito essa espécie de liberdade. As pessoas, às vezes, para fazerem coisas, quase têm de sair das instituições.”

Como é que se ultrapassa isso?
“No caso das universidades é consagrando um verdadeiro estatuto de autonomia, com responsabilidades claras. Precisamos de ter uma muito maior autonomia das instituições, dos professores, das universidades, da ciência. Hoje, a ciência é a chave da sociedade do século XXI. A chave de tudo o que nos vai acontecer está na ciência e na tecnologia. Mas não é só a que se faz nos grandes laboratórios, não, é a que se faz dentro das escolas, na sociedade. Se não formos capazes de fazer isso, vamos andar enredados ...”

Fonte (citação): Nóvoa (entrevistado por Dinis e Lourenço, 2018; p. 11)
Fotografia (pormenor): Nuno Ferreira Santos

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

[0086] Como no Agrupamento de Escolas do Barreiro se encara o Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular



A Directora Felicidade Maria Fragoso Alves inseriu no sítio deste agrupamento, que dirige, uma mensagem para o corrente ano lectivo intitulada «Inovar e aumentar a qualidade das aprendizagens», na qual se refere assim a adopção do Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular do Ministério da Educação:

“Em termos das aprendizagens integramos o projeto de autonomia e flexibilidade curricular que visa a promoção de melhores aprendizagens indutoras do desenvolvimento de competências de nível mais elevado, assumindo a centralidade das escolas, dos seus alunos e professores, e permitindo a gestão do currículo de forma flexível e contextualizada, reconhecendo que o exercício efetivo de autonomia em educação só é plenamente garantido se o objeto dessa autonomia for o currículo. Mas nenhum órgão de gestão consegue enfrentar um processo de mudança e inovação sozinho. Precisa ter ao seu lado pessoas disponíveis, empreendedoras e capacitadas. Se os professores, os funcionários e os encarregados de educação não se envolverem na melhoria, não será possível refletir essa intenção quando se fecham as portas da sala de aula.”

Fonte: sítio do Agrupamento de Escolas do Barreiro (consultado em 20 de Setembro de 2017)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

[0082] Como a Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi encara o Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular

Uma das escolas da Nossa Banda envolvidas no Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, do Ministério da Educação, é a Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi, de Setúbal.


Eis como no seu sítio desta escola é descrita …

“A importância do projeto Flexibilidade Curricular

O Projeto Flexibilidade Curricular do Ministério da Educação conta com 235 escolas, a nível nacional. As turmas de 1º e 5º anos da Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi, uma das poucas escolas de ensino artístico especializado, integram este Projeto inovador.

«Ao participar neste projecto pretendemos a melhoria das aprendizagens dos nossos alunos e a valorização da nossa área de intervenção, as expressões artísticas, com maior incidência na área da música, por acreditarmos que esta área permite aumentar a concentração e o desempenho dos alunos. Será também valorizada a área da cidadania, tentando proporcionar aos nossos alunos a aquisição de competências diversas que ultrapassarão os currículos escolares.»

Este Projeto assenta num processo de participação e flexibilidade, onde cada aluno desenvolverá a sua criatividade, autonomia e sensibilidade, novas formas de saber, de estar, de comunicar e de aprender. Tendo em conta os seus interesses e necessidades, cada aluno será chamado a adotar um papel ativo na construção de aprendizagens significativas, enriquecendo, aprofundamento e consolidando as aprendizagens essenciais, através da aquisição e desenvolvimento de competências de pesquisa, avaliação, reflexão, mobilização crítica e autonomia de informação, com vista à resolução de problemas e ao reforço da auto-estima, em exercícios de cidadania ativa, de participação social, de partilha, de colaboração e de confronto de ideias.

Das várias novidades que este Projeto nos trará destacamos:


No 1º ano:
– criação da área Música Tradicional, em articulação com o clube riBombando.
– acréscimo de um tempo na Expressão Físico-motora
– integração da disciplina de Inglês no Projeto de Coadjuvação da escola

No 5º ano:
a vertente artística reforçada
– criação da disciplina Oficina de Música, em articulação com Oficina Criativa (Oferta Complementar)
– metodologia de projeto, indo ao encontro do interesse dos alunos, assente no tema integrador “Enraiz´Arte”
– ao longo do ano o trabalho assentará na dinâmica do trabalho de projeto, os alunos serão confrontados com a adoção de novas medidas e estratégias através de um planeamento curricular que terá como finalidade a adequação e contextualização do currículo ao projeto educativo da nossa escola e às características das turmas e dos alunos. O tema integrador definido para este ano “Enraiz´Arte”, será também um eixo fundamental para a criação de novos projetos interdisciplinares e transdisciplinares mais específicos.

Nota: mantém-se, nas várias valências da Academia, a criação de Projetos paralelos interdisciplinares e transdisciplinares, baseados nos Planos de Grupo / Turma, tendo em conta as caraterísticas e interesses dos intervenientes.”

Lista das escolas da Nossa Banda envolvidas no PFAC: mensagem «0076».

Fonte informativa: sítio da Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

[0080] O ponto de vista dos directores sobre o «Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular», do Ministério da Educação

Escreveu o jornalista Samuel Silva em 4 de Setembro passado: “Projecto de flexibilidade curricular estreia-se com um mosaico de escolhas por parte das direcções escolares. O PÚBLICO falou com responsáveis de 31 das 235 escolas e agrupamentos envolvidas no projecto. Apostam na aplicação das mudanças às turmas de início de ciclo (1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos).




















          O novo ano lectivo começa oficialmente na próxima sexta-feira e há, desde já, uma certeza: as escolas vão ser mais diferentes umas das outras. Os projectos de flexibilidade curricular, introduzidos pelo Ministério da Educação como uma experiência pedagógica, entram em funcionamento. E vão ser usados de forma muito diversa pelos professores. Ainda que a generalidade das direcções escolares que entram na experiência tenha optado por aplicar a mudança a todos os alunos de início de ciclo, há casos em que serão constituídas «turmas de teste» para esta estratégia e há até quem vá ter disciplinas semestrais, à semelhança do que acontece no ensino superior.
A flexibilidade curricular permite, entre outras medidas, que as escolas façam a sua própria gestão de até 25% da carga horária lectiva. Ao longo da última semana, o PÚBLICO falou com responsáveis de 31 das 235 escolas e agrupamentos envolvidos no projecto. Na generalidade dos casos (74% das escolas contactadas), os directores apostaram em aplicar as mudanças a todas as turmas de início de ciclo (1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos), que são aqueles em que legalmente é possível usar os mecanismos de flexibilização. Nos restantes casos (8 escolas) é feito algum tipo de selecção, limitando o número de turmas e alunos envolvidos.
Mas mesmo nos estabelecimentos de ensino que optaram por aplicar este projecto a todos os estudantes, a forma como o mesmo será efectivado é muito variável. O retrato que é possível traçar é, por isso, bastante diversificado.
Várias escolas assumem a dimensão de experiência da novidade introduzida este ano. É o caso do Agrupamento de Pedome, em Vila Nova de Famalicão, que optou por aplicar a medida a duas das suas cinco turmas do 5.º ano. A flexibilidade curricular vai ser testada numa turma com «condições para poder ter bons resultados e sucesso educativo de qualidade». A outra turma “poderá não vir a apresentar um desempenho escolar e um sucesso de tanta qualidade”, assume o director Fernando Manuel Lopes. A intenção da escola é que, com «dados de partida diferenciados», possa documentar o impacto do projecto nas aprendizagens.
A experiência da Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga, passa por reforçar o número de horas destinadas ao director de turma em apenas uma turma do 7.º ano. A intenção é semelhante: «Vamos querer ver a diferença que essa alteração possa provocar», explica o director, João Andrade.

Convencer os professores

A escolha do Agrupamento de Escolas D. Dinis, em Leiria, teve outra motivação: os resultados dos alunos. A direcção optou por deixar de fora da flexibilidade curricular todos os alunos do 5.º e 7.º anos e também a generalidade dos do 1.º ciclo. Com uma única excepção: a escola EB1 do Arrabalde.
Esta é uma escola pequena — tem 60 alunos e apenas três turmas, já que funciona uma turma mista de 2.º e 4.º anos — que nos últimos anos tem tido maus resultados escolares. A direcção do agrupamento viu na flexibilidade curricular uma possibilidade para inverter essa tendência: «O objectivo desde modelo é ser promotor do sucesso escolar e é nesse sentido que vamos avançar com ele», explica a directora, Madalena Costa.
Há, porém, outros motivos práticos e não pedagógicos a condicionar as opções das escolas contactadas. Por exemplo, o Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora, em Matosinhos, aplicará o projecto em apenas duas de seis turmas do 7.º ano, dada a falta de disponibilidade demonstrada pela maioria dos professores para trabalharem no novo modelo.
O caso mais extremo será, porém, o do Agrupamento de Escolas Grão Vasco, em Viseu. A directora, Inês Campos, é uma entusiasta da flexibilidade curricular — «é um projecto muito válido e estou certa que trará resultados muito positivos» —, mas não encontrou a mesma abertura nos professores do estabelecimento de ensino. Por isso, apesar de estar na lista inicial do Ministério da Educação, não vai integrar esta experiência pedagógica no novo ano lectivo.
A flexibilidade curricular vai ser testada em cerca de 20% dos estabelecimentos de ensino. Há escolas que estão ainda a fechar o processo de constituição de turmas e de definição dos moldes de funcionamento dos projectos, pelo que o número total de turmas envolvidas neste primeiro ano lectivo de experiência pedagógica ainda não está fechado. Ao que o PÚBLICO apurou esse número deverá rondar as 2000 turmas.

A aposta dos privados 

Das 235 escolas envolvidas, 170 são públicas, às quais se juntam quatro das sete escolas portuguesas no estrangeiro. Outras 61 do ensino privado vão também fazer parte da experiência, o que levou a Associação dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (Aeep) a criar um grupo de trabalho para que os seus associados possam «partilhar ideias uns com os outros», explica o director-geral da associação dos colégios, Rodrigo Queiroz e Melo.
Um desses casos é o do Grupo Ensinus que tem sete instituições diferentes envolvidas no projecto de flexibilidade curricular, entre os quais o Real Colégio de Portugal, o Colégio de Alfragide e o Externato Álvares Cabral. Aí serão criadas novas disciplinas como o Laboratório de Empreendedorismo e Educação Financeira ou Técnicas Laboratoriais de Física e Química e, na Matemática, passará a ser aplicado o método usado em Singapura — que tem por base a compreensão dos conceitos antes de se ensinar procedimentos, utilizando uma abordagem visual e prática.
A «grande alteração» que a experiência pedagógica implicará, porém, tem a ver com o professor, considera Teresa Damásio, administradora do Ensinus. «Vai ter obrigatoriamente de alterar a sua metodologia de ensino e permitir maior interdisciplinaridade», defende.
Para preparar os docentes para essa alteração, o grupo contratou o especialista em mudanças educativas, Javier Aragay, para uma assessoria de três anos, em que dará tutorias mensais aos professores das várias áreas.
Outra das mudanças que vão ser aplicadas nos colégios do Grupo Ensinus é a passagem de algumas disciplinas para um regime semestral. Por exemplo, no 7.º ano os alunos passarão a ter quatro tempos semanais de Geografia na primeira metade do ano lectivo. Esses blocos nos horários são substituídos, no segundo semestre, por aulas de História.
A opção do Ensinus cruza-se com uma discussão que começa a ganhar força no sector: a possibilidade de o ano lectivo passar a ser organizado em dois semestres em lugar dos actuais três períodos. O Agrupamento de Escolas de Freixo, em Ponte de Lima, apresentou o seu próprio calendário escolar para 2017/18, dividido em dois semestres. O primeiro semestre começa a 13 de Setembro — como a generalidade das escolas, ainda que formalmente o ano lectivo comece na próxima sexta-feira, dia 8 — e prolonga-se até 2 de Fevereiro. O segundo estende-se entre 14 de Fevereiro e 19 de Junho. Os alunos mantêm dez dias de férias na altura do Natal e uma semana no Carnaval e Páscoa.
Esta possibilidade não foi aberta pelo projecto de flexibilidade curricular, mas pelo facto de a escola integrar os Projectos-Piloto de Inovação Pedagógica, destinado a um grupo mais restrito de estabelecimentos de ensino, e que reforça a sua autonomia caso adoptem projectos educativos diferenciadores.
O presidente Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, tem sido um dos defensores desta solução. De resto, pretendia fazer o mesmo na escola que dirige, a Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, mas a possibilidade foi negada pelo Governo. Ainda assim, dentro das possibilidades que a flexibilidade curricular prevê, na sua escola haverá também algumas disciplinas semestrais.
A mudança para um calendário lectivo semestral teria «vantagens evidentes», defende Filinto Lima. Por um lado, tornaria os dois períodos lectivo equivalentes, acabando com um velho problema de um 3.º período muitas vezes excessivamente curto. Por outro, promoverá o sucesso e terá efeitos positivos na disciplina, acredita: «Hoje em dia, há muitos alunos que chegam ao 3.º período com o destino traçado. Como o tempo é curto sabem que já dificilmente passam ou dificilmente chumbam.»”


Fonte (jornal): Silva (2017b)

domingo, 20 de agosto de 2017

[0077] Encontro sobre Literacias e Necessidades Educativas Especiais em Almada


Trata-se de um encontro de apoio ao lançamento de um projecto da Câmara Municipal de Almada, no âmbito de uma candidatura a Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar (integrado no Portugal 2020 / Europa 2020).

A participação é gratuita, pressupondo inscrição

Fonte informativa: sítio da Câmara Municipal de Almada

domingo, 13 de agosto de 2017

[0076] Quem, da Nossa Banda, vai estar envolvido no Projecto Autonomia e Flexibilidade Curricular em 2017-18

Segundo a Direcção-Geral da Educação as escolas e os agrupamentos da Nossa Banda que decidiram envolver-se neste projecto (que envolve turmas de início de ciclo: 1º, 5º, 7º e 10º anos), que é da responsabilidade do Ministério da Educação, são (eventualmente, a lista pode estar incompleta):


Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi

Agrupamento de Escolas: Anselmo de Andrade; de Azeitão; do Barreiro; da Caparica; Emídio Navarro; do Monte da Caparica; Navegador Rodrigues Soromenho; de Pinhal de Frades; Romeu Correia; de Vale de Milhaços

Colégio: Atlântico; Cantinho das Descobertas

Escola Profissional: de Almada; da Moita

Escola Secundária: da Baixa da Banheira; Fernão Mendes Pinto

Seria interessante que os alunos, os pais e encarregados de educação e os professores envolvidos nesta experiência tomassem a iniciativa de se encontrar a meio e no final de 2017-18 para fazer o seu próprio balanço deste primeiro ano. Seria sinal de uma autonomia que não tem existido.

Fonte: sítio da Direcção-Geral da Educação

sábado, 22 de julho de 2017

[0072] Os planos municipais de combate ao abandono e insucesso escolares

Contando com generoso financiamento europeu, que o Estado central promove através do Portugal 2020, começam a surgir, por iniciativa de diversos municípios, os planos municipais de combate ao abandono e ao insucesso escolares.


A Câmara Municipal de Almada preparou o seu, para o triénio 2017-2020, destacando-se nele o Mais Leitura / Mais Sucesso e, na vertente da expressão musical, o Outras Bandas – Instrumentos de Inclusão.













Fonte informativa: folhetos distribuídos pela Câmara Municipal de Almada

sábado, 8 de julho de 2017

[0069] Uma experiência pedagógica em 2017-18, nas escolas que o decidirem

No passado dia 5 de Julho foi publicado na IIª Série do Diário da República o Despacho nº 5908/2017.
Através dele é autorizada, no próximo ano lectivo, em regime de experiência pedagógica, a implementação do projeto de autonomia e flexibilidade curricular dos ensinos básico e secundário.

Concorrem as escolas que o desejarem, com as turmas que decidirem.

Fonte: Diário da República Electrónico

quarta-feira, 17 de maio de 2017

[0057] Dados estatísticos para pensar o insucesso escolar no 2º ciclo

A jornalista Clara Viana divulgou, há dias, as conclusões de um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência que visou as classificações internas dos alunos que frequentaram o 5º e o 6º anos de escolaridade em 2014-15 (as classificações internas são as atribuídas pelos professores, na escola, no final do ano lectivo).

O estudo descreveu a distribuição destas classificações de acordo com diversos critérios.

Ao cruzar a condição económica dos alunos com a sua classificação em diversas disciplinas tornou patente “haver uma enorme diferença entre as notas que os alunos carenciados obtêm e aquelas que são conseguidas por estudantes de meios mais favorecidos”, sobretudo nas disciplinas com carácter menos prático:

(se o rendimento do agregado familiar de um aluno for igual ou inferior ao salário mínimo nacional, ele pode dispor do apoio da Acção Social Escolar, ou ASE; esse apoio está dividida em dois escalões, A e B, correspondendo o primeiro aos casos mais carenciados)

O cruzamento do género dos alunos com a sua classificação em diversas disciplinas mostrou que os Rapazes têm mais dificuldades que as Raparigas em todas as disciplinas, à excepção da Educação Física:


A percentagem de negativas por disciplina confirmou ser mais forte nas disciplinas com carácter menos prático e a sua comparação com a capacidade revelada pelos alunos para recuperar de uma negativa no 5º ano mostrou que esta é menor precisamente nessas disciplinas:


Quanto ao número de negativas no final do ano lectivo, o estudo mostrou:



Fonte (citações e tabelas): Viana (2017 d)

terça-feira, 21 de março de 2017

[0043] Ensinar e aprender: «conhecimentos» ou «competências»?

Um grupo de trabalho nomeado pelo Ministério da Educação elaborou uma proposta de perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória onde estabeleceu dez competências transversais às disciplinas que os estudantes deverão adquirir ao longo dos 12 anos que frequentam a escola.
Essas competências referem-se a: linguagem e textos; informação e comunicação; raciocínio e resolução de problemas; pensamento crítico e pensamento criativo; relacionamento interpessoal; autonomia e desenvolvimento pessoal; bem-estar e saúde; sensibilidade estética e artística; saber técnico e tecnologias; consciência e domínio do corpo. E cada uma delas é complementada pelos respectivos objectivos de aprendizagem.
Esta proposta esteve em consulta pública até 13 de Março, não estando ainda feito o seu balanço.


O Conselho Nacional da Educação, um órgão consultivo do Parlamento e do Governo, fez um apanhado da legislação que implicou alterações curriculares, verificando que desde o ano 2000 elas foram pelo menos 14:


Numa primeira abordagem à proposta de perfil do aluno da responsabilidade do Ministério da Educação, o Conselho Nacional da Educação considerou que a estruturação do ensino por competências pressupõe uma mudança da abordagem curricular que tem sido seguida em Portugal, essencialmente estruturada por conhecimentos. E mostrou preocupação com a possível instabilidade de rumo e estratégias do nosso sistema educativo que esta nova mudança pode acarretar.

Fonte jornalística (texto e imagem): Viana (2017b)