sábado, 30 de outubro de 2021

[0308] As Crianças e a Cidade

O Dia Mundial das Cidades é comemorado amanhã, 31 de Outubro.


Francesco Tonucci, autor do livro «A Cidade das Crianças», que deu origem à rede internacional City of Children, considera que o acesso das crianças ao espaço público, com autonomia em relação aos adultos, é uma das formas de participarem nos lugares onde vivem; e considera que isso também pode melhorar a autonomia dos adultos.


Excertos de uma entrevista que Francesco Tonucci concedeu a Abel Coentrão, jornalista do «Público»:

A ideia da Cidade das Crianças não é minha. Em Fano, o meu município, preparava-se, nos anos 90, uma semana dedicada à infância, durante a qual havia congressos, exposições, actividades, e que terminava, num domingo, com a cidade a oferecer-se às crianças, fechando as ruas para que estas pudessem brincar. O executivo municipal pediu-me que, sendo de Fano, assumisse a direcção científica do projecto. A contrapartida que exigi foi que aquilo deixasse de ser um evento, para se tornar em algo contínuo, permanente, de mudança da cidade, assumindo as crianças como parâmetro. Esse foi o núcleo filosófico da proposta.

A proposta que eu estava a fazer mudava as regras do jogo. De um projecto que era “para” as crianças, no qual se faziam muitas coisas “para” elas, eu pretendia passar a um projecto “com” as crianças e, “das” crianças. Ou seja, queria que os adultos pudessem aprender algo, escutando as crianças. Este é o coração do projecto: a participação delas.

Trata-se de uma utopia, pois a cidade nunca será das crianças. Eduardo Galeano explicava que essa é a função da utopia. Quando te aproximas, ela fica um pouco mais longe. E a pergunta é: para que serve? Para fazermos caminho, progredir. Eu sei que nunca conseguiremos, mas que ao movermo-nos nessa direcção, estamos a fazer uma boa política. A cidade de Pontevedra é um caso emblemático. Assumiu com uma coerência radical a ideia de devolver a cidade às pessoas. E o espaço público é o espaço de todos, o que significa que não pode ser apenas o espaço dos automóveis. E só num espaço devolvido às pessoas, as crianças podem se movimentar tranquilamente, sair para brincar, ir à escola sem a companhia de adultos, e vivendo, por isso, experiências de uma verdadeira cidadania. O acesso ao espaço público é uma das formas de participação das crianças na vida das cidades. Mas apenas se elas não estiverem a ser levadas pela mão de um adulto. Neste caso estarão apenas a percorrer a cidade, a acompanhar alguém, não a vivem como protagonistas. A participação tem um toque de protagonismo.

Outra forma de participação das crianças é através das suas palavras, das suas ideias, das suas opiniões. Por detrás disto temos dois artigos da Convenção dos Direitos da Criança. Neste último caso, o artigo 12, que diz que as crianças têm direito a expressar a sua opinião cada vez que se tomem decisões que as afectem. E que prossegue, assinalando que essa opinião tem de ser tida em conta. É um artigo impressionante. Que raramente se cumpre ... Sim. E acredito que quase não se pode cumprir. Nós, os adultos, não temos um direito deste tipo. Os nossos governantes não se comprometem a consultar-nos cada vez que se tomam decisões. Consultam-nos a cada cinco anos, quando terminam o mandato, e nos perguntam se gostamos ou não. E nós confirmamos, ou elegemos outros. Mas este artigo é muito claro, em relação ao direito das crianças. Isto implica uma responsabilidade muito grande para os adultos, dado que quase todas as decisões que tomamos afectam, de alguma maneira, a infância. Na família, na escola, na cidade. E nós pensamos, por exemplo, nos hospitais pediátricos, ou nos museus. Temos conselhos de crianças em instituições deste tipo e é sempre impressionante ver como a participação produz adesão, identificação, e efeitos positivos. Por exemplo, em departamentos de saúde, como o internamento em oncologia pediátrica, é muito importante que elas possam participar. Um amigo meu, especialista nesta área, não tem dúvidas de que isso favorece a própria terapia. E isso não é óbvio para uma parte do universo da medicina.

Há pouco tempo, na cidade de Latina, capital de Lácio, perto de Roma, que está na nossa rede, o conselho de crianças descobriu que o regulamento da polícia municipal tinha um artigo que proibia a brincadeira em lugares públicos. As crianças discutiram a questão com o adulto animador do conselho, dizendo que alguém se teria enganado, pois há um artigo da Convenção dos Direitos da Criança (CDC) que diz que elas têm direito a brincar, e não compreendiam que o não pudessem fazer num lugar público. Escreveram uma carta ao presidente da Câmara, a assinalar o equívoco. O autarca discutiu a carta com o resto do executivo municipal, respondeu às crianças a dizer-lhes que tinham razão, propôs uma alteração ao regulamento, que era já antigo, e o artigo passou a ter uma redacção em que assumem que, respeitando o artigo 31 da CDC, o município “favorece” a brincadeira em “espaços públicos e de uso público”, que seriam, neste caso, os espaços privados – como em condomínios – mas que têm um uso público.

Num congresso sobre a “cidade para brincar: 20-30”, em que participei, durante dois dias as intervenções passaram, basicamente, por ampliar a oferta de parques infantis, reconhecer o direito de todas as crianças desta cidade a terem um lugar para brincar perto de casa, em cada bairro, com jogos, por melhorar estes jogos, adequando-os a crianças com deficiências. Defendeu-se, também, que estes espaços deveriam ter serviços, como água e casas de banho. Quando chegou a minha vez, pedi desculpa, porque estava contra tudo o que tinha ouvido. A minha tese é que uma cidade estará apta para brincar quando não tivermos que criar mais locais específicos para as crianças estarem.

A cidade apta para brincar é aquela em que uma criança pode sair de casa sem ser pela mão de um adulto, encontrar amigos na rua e decidirem, juntos, ao que brincar, onde, e como. E decidir onde o farão faz parte do jogo. Pensar que brincar é ir todos os dias ao mesmo sítio, aproveitar os mesmos jogos, alguns deles em solidão, pois só podem ser usados por uma pessoa de cada vez, e acompanhado por um adulto é algo muito estranho. Que só poderia ser pensado por alguém que, pobrezinho, não tenha tido a oportunidade de brincar, quando era criança.

Quase todos os adultos foram crianças, mas quase ninguém se recorda disso. E os nossos autarcas estão em crise por isso e pedem a ajuda das crianças, para que elas lhe ofereçam o outro ponto de vista. E eles comprometem-se a escutá-las e a ter em conta o que dizem, e a pôr em prática algumas dessas ideias. Não é possível concretizar tudo, mas se não o fizer, deve justificar, perante aquelas crianças, as suas opções.

O mais interessante é aproveitar estes elementos que as crianças oferecem para repensar a política. Às vezes as crianças pedem uma coisa pequena, como no exemplo que dei de Latina. É preciso tornar isso público, dizer a todos que o regulamento mudou, porque eles tinham a lei do lado deles. E chegar, no caso, aos condomínios, que gerem espaços privados de uso público, e convencê-los a mudar os regulamentos desses espaços. Em contrapartida, pode-se criar uma placa, para pôr nesses lugares, dizendo que respeitam o artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança. A comunicação é importante. Vejam os cartazes que existem nos parques, indicando um conjunto de proibições. O que proponho é que se façam cartazes a dizer: “Convidamos as crianças a brincar neste lugar!” Ou, melhor ainda: “Convidamos os adultos a não incomodar as crianças que brincam!”. Gosto deste tipo de coisas porque, seguramente, vão criar um debate. Os jornalistas vão falar disso. E é perfeito para começarmos a discutir a cidade. Os pais normalmente querem lugares limpos, as crianças gostam de rebolar e sujar-se… Como se concilia isto? Num dos múltiplos encontros que tivemos online, por causa da pandemia, uma rapariga de Bogotá, Andrea, dizia-me que “Aleijar-se é muito importante”. Encantam-me estas frases que são genuinamente de crianças, que não a escutaram de um adulto. Nenhum adulto diz a uma criança: “Vai e aleija-te, é importante.” Em Itália temos uma estatística impressionante e vergonhosa. A primeira causa de morte até aos 26 anos são os acidentes de automóvel e de moto. Do meu ponto de vista, isto é intolerável. E por isso aprecio Pontevedra, que celebrou dez anos sem qualquer morte nas ruas. Isto é um tema urgente, para a democracia. E aleijarmo-nos é fundamental para não morrermos. Porque quem esfolou os joelhos a andar de bicicleta, com alguma probabilidade saberá mover-se com mais segurança numa motorizada. Eu não permitiria que se conduzissem motos sem se passar pela experiência da bicicleta. Nesta, podemos cair muitas vezes. Na mota, às vezes basta cair uma vez. Perante estas coisas, não podemos continuar a dizer, “sim, entendo”, sem resolver o problema. Em 1996 a ideia comum era já que a cidade tinha muitos riscos e perigos. E que para proteger as crianças era preciso fechá-la em casa, na escola, ou num parque, de preferência com uma cerca em volta. E essa sensação, parece-me, piorou. Ou não concorda? As crianças italianas e portuguesas sofrem com isso. Num estudo realizado há uns 15 anos, Itália aparecia em penúltimo lugar, e Portugal em antepenúltimo, num índice de autonomia das crianças do ensino básico, dos seis aos 11 anos. No meu país esse índice era de 7%. Portugal era pouco mais. Isso era impressionante. Na Alemanha 70% das crianças iam sozinhas para a escola e na Finlândia essa taxa era de 90%. Com climas bem piores que os nossos. Há quem diga que isso acontece por razões culturais. Mas, no meu tempo, e há 50 anos, as crianças italianas iam sozinhas para a escola. Brincavam na rua. Foi uma mudança rápida. E se formos ver os dados do Ministério do Interior, nessa altura as cidades eram mais perigosas do que hoje, pelo menos em Itália. Não sei como seria em Portugal.

Na verdade, podemos dizer que a cidade de hoje é mais segura, mas o medo é maior. E aqui abre-se outro tema muito interessante, do ponto de vista social. Isto significa que o medo perdeu a relação com os perigos, que estão desfasados. Isto é muito grave, tendo em conta que ter medo é um sentimento fundamental para a defesa pessoal, mas em excesso chega a provocar uma paralisia. E hoje é assim. Tenho-me perguntado como chegámos até aqui. Nós saíamos à rua para brincar não porque os nossos pais fossem avançados para o seu tempo mas porque não havia remédio. Os meus pais tinham medo e diziam-me para ter cuidado, porque já havia carros e outros riscos. Mas isso era independente do facto de eu sair ou não, porque isso tinha mesmo que acontecer. Não só porque eu o desejava, mas porque a casa era demasiado pequena e humilde para a minha mãe aguentar com quatro rapazes, numa divisão com uma mesa. Ficaria impedida de cumprir as suas tarefas. É uma história comum a muitas famílias, em Portugal ... O estranho disto é que as coisas mudaram ao mesmo tempo que os pais mais jovens têm mais conhecimento, e participam, mesmo os homens, muito mais na vida da família que a geração do meu pai, ou mesmo a minha. O que eu imagino é que, um dia, um pai teve a ideia, partilhada com todos os outros pais, que a sua filha ou filho não podiam sair sozinhos. Que tinham de os acompanhar. E, ao abrir a porta, faz a pergunta dramática: “Onde o levarei?” Estas duas questões foram o motor de uma produção comercial, do mercado, por um lado, e de um interesse político, por outro, como acontece com as perguntas que correspondem a necessidades. E nalgum momento pareceu a todos que isto era muito natural. E agora é muito complicado pedir às crianças que participem num processo de planeamento e pedir-lhes que imaginem lugares para brincar. Eu digo sempre: “Não o façam!”. Porque vão sempre desenhar baloiços e escorregas. Estes são os estereótipos que desenvolveram.

O alcaide de Pontevedra, Miguel Anxo Lores, é médico. E dizia-me: “Quando analisei a velocidade do trânsito, dei-me conta de que a 50 km/h morre um em cada dois peões atropelados. E a 30 km/h a percentagem baixa para um em cada 20. Para mim, isso é razão suficiente para mudar. Não me interessa mais nada. E toda a cidade passou a ter os 30 km/h como limite. Por outro lado, ele diz-me sempre: “A mim, não me interessa fazer receita com multas por excesso de velocidade, se isso pode matar alguém. A mim, o que me interessa é que na minha cidade não seja possível matar uma pessoa na rua.” A questão é a estrutura da cidade, não a norma. Quando ele fala da nossa relação, refere sempre: “Eu escutei o que dizias, e convenceste-me!”. Ele ouviu-me numa conferência em que eu desconhecia que, na assistência, estava o autarca, e desse dia recorda uma outra parte da minha intervenção. Disse, como sempre digo, que quando apresento o meu projecto a autarcas, nenhum me diz que não gosta, ou que não lhe interessa. Dizem-me sempre que ficam encantados, mas acrescentam: “dê-me um ano ou dois para eu resolver o problema do tráfego automóvel, e depois falamos”. Claro que a situação do tráfego não se resolve, e não falamos mais. Mexer com a mobilidade em automóvel não é fácil. Gera debates infindáveis ...

Às crianças, não lhes interessa nada uma cidade só para eles. Quando fazem propostas, nunca propõem coisas infantis. Para elas é evidente que a cidade tem que ser adequada para os seus irmãos mais pequenos, para os seus pais, avós, os idosos em geral, os cães e as plantas. Têm uma ideia de cidade muito ecológica e muito democrática. Só nós, os adultos, fomos capazes de pensar uma cidade só para nós, adultos e varões. Uma cidade para gente em idade activa ... Sim, a questão do género não se resolveu ainda, mas melhorou bastante, porque as mulheres lutaram muito. Mas ainda têm dificuldade em mover-se pela cidade com boas condições. A pandemia voltou a mostrar-nos essa fractura, no emprego por exemplo. Em Itália, pelo menos, uma grande percentagem dos que perderam emprego por terem de ficar em casa, para cuidar das crianças, eram mulheres.

Durante o isolamento da pandemia escrevi um livro em que reflectia sobre como a escola perdeu uma grande ocasião para mudar, durante esta pandemia. Chama-se “Pode um Vírus Mudar a Escola?”. E a resposta à pergunta é não. E é pena, porque a situação era tão intensa, a crise era tão forte, que quem quisesse poderia ter mudado a escola, e ninguém se oporia. Mas o que a escola fez, em Itália e noutros países, foi aproveitar as tecnologias para não mudar nada. E aproveitou até para se libertar, quase, de tudo o que era um distúrbio, uma moléstia, pois nem teve de organizar o recreio, deixou de ter as birras entre crianças. O ecrã transformou-se num púlpito onde o docente estava perante o seu aluno, para dar aulas e ditar deveres de casa. Isto fracassou. Se a escola for capaz de fazer um mínimo de auto-análise verá que fracassou. As crianças não gostaram nada disto e os estudantes mais velhos chegaram a protestar contra isto. Nos conselhos de crianças da rede de Cidades das Crianças, nós aproveitamos os mesmos ecrãs para escutarmos os mais novos. Estes ecrãs não são unidireccionais. Podem ser púlpitos, mas também podem ser praças, lugares de encontro, de intercâmbio, uma oportunidade para os professores darem a palavra aos seus alunos, ver como estavam a lidar com a pandemia, e abandonar os programas.

A questão dramática da escola é que as crianças se aborrecem. O que é grave é que ninguém se preocupa, ou se espante, com o facto de elas se aborrecerem. Porque os seus pais, na verdade, também se aborreceram. E os professores igualmente. Parece normal. Mas é evidente que, se uma pessoa se aborrece, não aprende. A aprendizagem exige interesse, participação, insisto.

Fontes: entrevista de Francesco Tonucci a Abel Coentrão no jornal «Público» (2021)

domingo, 24 de outubro de 2021

[0307] Sesimbra: «cidade educadora»

O município de Sesimbra aderiu em 2011 à Associação Internacional das Cidades Educadoras. Esta associação é constituída por «cidades», representadas pelas suas autarquias, e dela fazem actualmente parte 510 municípios, de 34 países, sendo a Rede Portuguesa de Cidades Educadoras composta por 83 cidades.

Ao aderir a esta associação os municípios subscrevem a Carta das Cidades Educadoras, que passa a constituir o seu elemento unificador: cada cidade-membro trabalha para que a educação seja o eixo transversal de todas as suas políticas, intercambia experiências com outras cidades (quer a nível nacional quer internacional) e colabora com organismos como a ONU e a UNESCO.
O trabalho da Rede Portuguesa tem proporcionado a criação de grupos de trabalho temáticos, como o do Projeto Educativo Local (responsável pela elaboração e edição do documento “Contributos para a construção de um Projeto Educativo Local de uma Cidade Educadora”), o da Cidadania e Participação, o das Cidades Inclusivas e o do Experimentar para Aprender.

Um dos instrumentos desenvolvidos pelo município de Sesimbra é o …

Através dele, e anualmente, são divulgados junto da comunidade educativa, e em particular junto das escolas, os recursos externos de que dispõem para desenvolver os seus próprios projectos.
Para 2021-22, os grandes tópicos que organizam esses recursos são:

O que cada um destes apoios significa está descrito em www.sesimbra.pt/educar-em-rede/sesimbra-educar-em-rede. E os proporcionados pela Câmara Municipal estão especificados em https://www.sesimbra.pt/pages/2270, incluindo, entre outros, os prestados pelo Arquivo, pela Biblioteca, pelo Cineteatro, pelo Museu, pelo Parque da Várzea e pela Lagoa Pequena.

 

Fontes: sítios referidos

sábado, 16 de outubro de 2021

[0306] As conversas no Centro de Arqueologia de Almada

 


Em 2019 o Centro de Arqueologia de Almada (CAA) lançou o projecto Conversas com sócios e amigos do CAA, através do qual se partilham experiências e reflexões sobre temas diversos relacionados com a História, a Arqueologia, o Património e a Educação Patrimonial, entre outros.
Estas conversas são realizadas uma vez por mês, preferivelmente numa quinta-feira às 18 horas. E consistem em duas partes: uma apresentação, com a duração máxima de uma hora, seguida de debate.


Até agora foram realizadas quinze conversas, tendo as dez primeiras sido presenciais:

14 de Fevereiro de 2019, apresentação de José Carlos Quaresma:
O papel do CAA na investigação e na defesa do património arqueológico: uma análise no panorama português.

14 de Março de 2019, apresentação de Jorge Raposo:
Como se fizeram e se fazem a Al-Madan impressa e a Al-Madan online (1982-2019).

4 de Abril de 2019, apresentação de Francisco Silva:
Patrimónios do Concelho de Almada, uma visão abrangente.

23 de Maio de 2019, apresentação de Eva Maria Blum:
Memórias sobrepostas. Patrimonialização no âmbito do planeamento urbano. O caso de Almada Nascente.

12 de Setembro de 2019, apresentação de Jorge Raposo (no Quarteirão das Artes, no Âmbito da Exposição Desenho Arqueológico do Centro de Arqueologia de Almada e em parceria com o Quarteirão das Artes e o #cidadãoexemplar):
Conversa sobre desenho arqueológico.

24 de Outubro de 2019, apresentação de Elisabete Gonçalves, Ana Braga e José Carlos Serra:
Era uma vez os pedagógicos. O serviço educativo do Centro de Arqueologia de Almada.

16 de Novembro de 2019, apresentação de Carlos Marques da Silva:
Azulejos on the Rock. Padrões de Rochas ornamentais em Azulejos Lisboetas do Século XIX.

14 de Dezembro de 2019, apresentação de Ana Braga:
Participação e património cultural: abrimos a porta?

23 de Janeiro de 2020, apresentação de Mariana Ferreira dos Santos:
Aves na arte rupestre.

27 de Fevereiro de 2020, apresentação de Vanessa Dias:
O inventário do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, incorporada no Museu Nacional de Arqueologia, no programa Matriz.

Estas conversas foram filmadas, podendo o visionamento da sua gravação ser solicitado ao CAA (
c.arqueo.alm@gmail.com).


A pandemia levou a uma paragem de um ano nestas conversas.
Em 2021 elas foram retomadas, via ZOOM
, tendo como anfitriões a Mariana Santos e o Francisco Silva. Cada uma das novas cinco conversas foi gravada e a gravação disponibilizada no canal do CAA no Youtube:

4 de Março de 2021, apresentação de
Ana Tomé e Jesse Rafeiro:

Retraçar os Capuchos da Caparica. Reconstituição do núcleo primitivo.
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=ex4bWc-xFgQ.

7 de Abril de 2021, apresentação de
Joel Santos, Jorge Raposo e José Carlos Quaresma:
Projecto AmphoraeFinder: uma ferramenta digital para o estudo das ânforas romanas.
Vídeo:
https://youtu.be/oVK3A3oOSRw.

13 de Maio de 2021, apresentação de
Carlos Marques da Silva:
Geodiversidade e identidade local: elementos identitários geológicos na heráldica municipal portuguesa.
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=be-gvFkRVvo.

15 de Junho de 2021, apresentação de
Vítor Mestre:
Reconciliação de tempos e vivências no património construído. Intervenções de conservação, restauro e reutilização contemporânea.
Vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=n5WYF8je33I.

15 de Julho de 2021, apresentação de
Pedro Esteves:
Os últimos 40 anos na educação, vistos por um professor.
Vídeo:
https://youtu.be/wINuV7mlNy4
<https://youtu.be/wINuV7mlNy4.


Nesta altura o CAA está a preparar as conversas de 2021-22, tendo decidido manter, nos próximos meses, a forma online (e a disponibilização dos vídeos em https://www.youtube.com/channel/UCrtyLb860hESf3Es8YPVCmg/videos).

Estão já agendadas:

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021, às 18h00, apresentação de Paula Gil:
Estatuária Urbana.

Sábado, 27 de Novembro de 2021, às 18h00, apresentação de Vítor Santos:
Os primeiros tempos do CAA.

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2021, às 18h00, apresentação de Jorge Raposo:
Quinta do Rouxinol.

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022, às 18h00, apresentação de Elisabete Gonçalves:
Educação Patrimonial no Território. O Contributo do CAA entre 1998 e 2018.

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022, às 18h00, apresentação de Carlos Rocha:
Toponímia.


Quem tiver interesse em apresentar, nestas conversas, um tema, uma experiência, uma reflexão, pode enviar um email para o CAA (c.arqueo.alm@gmail.com) com as seguintes indicações: nome, tema proposto e contactos (email, telemóvel).

Fontes: informações de Eva Maria Blum (coordenadora do projecto) e de Elisabete Glória (membro da direcção do CAA)

sábado, 9 de outubro de 2021

[0305] As escolas TEIP da Nossa Banda (IV)

No concelho de Almada, o Agrupamento de Escolas do Miradouro de Alfazina inclui apenas duas escolas: a Escola Básica Miradouro de Alfazina e a Escola nº 2 do Monte da Caparica – Maria Adelaide Silva.

No concelho de Setúbal, o Agrupamento de Escolas Ordem de San`tiago, constituído em 2003, inclui um maior e mais diverso número de escolas: a Escola Básica do 1º Ciclo / Jardim de Infância de Setúbal; a Escola Básica do 1º Ciclo / Jardim de Infância do Faralhão, a Escola Básica do 1º Ciclo do Faralhão nº 1, a Escola Básica do 1º Ciclo do Faralhão nº 2, a Escola Básica do 1º Ciclo das Manteigadas, a Escola Básica do 1º Ciclo nº 5, a Escola Básica do 1º Ciclo nº 7 e a Escola Básica do 2º e do 3º Ciclo e Escola Secundária da Bela Vista.


E apresenta-se, brevemente, assim:

Os estabelecimentos da EB1/JI de Setúbal, EB1 nº 5, EB1 nº 7, EB1 das Manteigadas e a EB 2,3/S da Bela Vista ficam situados em Setúbal, na freguesia de S. Sebastião, na periferia oriental da cidade em bairros de habitação económica, servindo maioritariamente uma população carenciada e desfavorecida a nível económico. Nesta zona da cidade coabitam populações oriundas de Países Africanos de Expressão Portuguesa, emigrantes Brasileiros e de Países de Leste Europeu, para além da Comunidade Cigana bastante numerosa. Esta multiplicidade cultural e étnica nem sempre tem uma convivência pacífica, sendo as rixas e os conflitos raciais muito frequentes.

Os estabelecimentos EB1/JI do Faralhão, EB1 do Faralhão nº 1 e EB1 do Faralhão nº 2 ficam situados na Freguesia do Sado, zona rural da cidade, mas também onde ficam situadas algumas das unidades fabris como por exemplo a SAPEC, a Portucel e a Lisnave. A população desta freguesia é na sua maioria originária do Alentejo, tendo migrado para esta cidade nos anos setenta. Nas escolas da Freguesia de S. Sebastião as famílias destruturadas ou mono parentais são muito frequentes, o que a par das inúmeras carências a vários níveis, se reflecte nas escolas, sendo muito frequentes o insucesso repetido, o abandono escolar, a assiduidade irregular, a indisciplina e a violência, assim como os comportamentos de risco e/ou desviantes e a incursão precoce na marginalidade. Para todos estes problemas estas escolas procuram soluções, quer isoladas, quer através de projectos conjuntos. Nas EB1/JI de Setúbal e EB1/JI Faralhão o pré-escolar conta com a Componente de Apoio à Família em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e inclui o serviço de almoço e prolongamento de horário.

No 1º Ciclo deste Agrupamento existem Actividades de Enriquecimento Curricular igualmente em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal. As actividades oferecidas são: Inglês, Expressão Física e Motora, Música e Artes. Todos os alunos podem frequentar o Apoio ao Estudo. Em todos os Estabelecimentos foi implementado o Plano Nacional de Leitura em articulação com as Bibliotecas Escolares. O Agrupamento apresentou também candidatura ao Programa Nacional do Ensino do Português no 1º Ciclo.

 

Fontes: sítios dos dois agrupamentos de escolas

sábado, 2 de outubro de 2021

[0304] Recursos (III): os Centros Ciência Viva

Têm sido criados Centros Ciência Viva um pouco por todo o país:


No distrito de Setúbal existe apenas um Centro Ciência Viva, no Lousal (concelho de Grândola), particularmente forte em Geologia, dadas as minas existentes na sua vizinhança (que fazem parte de uma Faixa Piritosa, que entra e se estende por Espanha).
No Centro Ciência Viva do Lousal também os visitantes invisuais podem aprender, dado ser-lhes proporcionada a possibilidade de tocar nos objectos geológicos. E todos podem aprender um pouco da história, da composição, das propriedades e do tratamento dado aos minérios.

 

Fontes: catálogo coordenado por Francisco Motta Veiga (2018); e sítio do Centro Ciência Viva do Lousal

sábado, 25 de setembro de 2021

[0303] O relatório «Education at a Glance» de 2021

O relatório Education at a Glance deste ano foi divulgado há dias pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Um dos temas que a jornalista Clara Viana dele destacou foi o das questões relacionadas com o «género». Escreveu ela: “Quase nada mudou no fosso entre rapazes e raparigas que se instalou no sistema de ensino. Eles continuam a chumbar mais, estão em maioria nos cursos que não têm o superior como saída óbvia e em minoria entre os licenciados. Mas no mercado de trabalho continuam a ganhar mais.

Para o ilustrar, deu o exemplo das repetências. No seguinte quadro figuram as percentagens de alunos repetentes, em 2019, no Ensino Básico e no Secundário, quer em Portugal, quer na OCDE, estando sob elas, entre parêntesis, as percentagens correspondentes aos rapazes:

Outro dos temas abordados por Clara Viana é o dos jovens que não trabalham nem estudam. Neste outro quadro figura a sua evolução percentual, de 2019 para 2020, em Portugal, na OCDE e nos países com o melhor e o pior registo da OCDE, respectivamente a Holanda e a África do Sul:



Fonte: Clara Viana, no jornal Público (2021)

domingo, 19 de setembro de 2021

[0302] O associativismo docente após o 25 de Abril


Em Portugal, o associativismo docente quase desapareceu durante o regime político que terminou em 25 de Abril de 1974.

O Movimento da Escola Moderna, destinado à generalidade dos professores interessados na sua perspectiva pedagógica, já dera os seus primeiros passos nos anos 60, mas a sua formalização só ocorreu em 1976. Depois, ainda nos anos 70, surgiram a Associação de Professores de Português (1977) e a Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica (1979). Para comparação, foi também nesta década que se constituiu a Confederação Nacional das Associações de Pais (1977).
Os anos 80 foram aqueles em que surgiu um maior número de novas associações de docentes: a Associação de Professores de História em 1981, a Associação Portuguesa de Professores de Inglês em 1985, a Associação de Professores de Francês e a Associação de Professores de Matemática em 1986, a Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia, a Associação de Professores de Filosofia e a Associação de Professores de Geografia em 1987 e a Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual e o Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Fisica em 1989.
Foram ainda fundadas outras associações de que não foi possível localizar o ano da sua origem. Igualmente para comparação, a Sociedade Portuguesa das Ciências da Educação foi fundada em 1990.

Tão ou mais importante do que o surgimento de cada uma destas associações foi a constituição, em 1992, do Secretariado Inter-Associações de Professores. Em 2010, faziam dele parte:
a Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica,
a Associação Nacional de Professores de Electrotecnia e Electrónica,
a Associação Portuguesa de Professores de Alemão,
a Associação Portuguesa de Professores de Francês,
a Associação de Professores das Ciências Económico-Sociais,
a Associação de Professores para a Educação Intercultural,
a Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual,
a Associação de Professores de Geografia,
a Associação de Professores de História,
a Associação de Professores de Matemática,
a Associação de Professores de Português,
o Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física e
o Movimento da Escola Moderna.

E era assim que este Secretariado se apresentava:

O Secretariado Inter Associações de Professores — SIAP — é uma plataforma de entendimento entre várias associações de professores. Actua no âmbito das questões pedagógicas comuns aos vários saberes e áreas disciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares, de política educativa, não se imiscuindo no campo laboral, que reconhece competir aos sindicatos. Tem vindo a assumir-se como um fórum de discussão pedagógica entre professores, tendo em vista:
à Contribuir para uma maior intervenção dos professores e suas associações pedagógicas na definição da política educativa nacional;
à Intervir na definição, implementação, avaliação e reformulação de questões relativas à educação;
à Participar activamente na política de formação dos professores;
à Organizar, conjuntamente, acções de formação de professores no âmbito interdisciplinar e transdisciplinar.

No entanto, o SIAP acabou por deixar de cumprir este papel. Já em 2009, Sérgio Niza, membro do Movimento de Escola Moderna, descrevera a preocupação com que via a tendência que se adivinhava para a inacção do Secretariado:

A emergência das associações pedagógicas nas últimas três décadas do século XX, entre os anos 70 e 80, decorre de motivações político-culturais, no caso dos grupos de estudo e movimentos pedagógicos ou da tentativa de afirmação de uma função complementar à de outras organizações como as associações sindicais e particularmente as sociedades científicas que pretendiam apropriar-se do saber didáctico das respectivas disciplinas, no momento em que era introduzida a Didáctica no ensino superior.

Na década seguinte, surge o secretariado inter-associações de professores (SIAP), fundado em Julho de 1992, com o objectivo de intervir activamente na reforma educativa liderada por Roberto Carneiro, tentando assumir-se como parceiro social junto do Ministério da Educação […]. Muitas das dificuldades do SIAP radicam no seu equívoco fundador: a necessidade de promover um contrato federador das associações pedagógicas, para se fazerem representar colegialmente e assim poderem colaborar numa reforma concebida e dirigida pelo Estado. No Seminário de Matosinhos (2008) tornou-se evidente, uma vez mais, que algumas associações não desejavam delegar numa outra instância congregadora a sua voz nas relações que mantêm com o Estado.

Por falta de finalidade estratégica própria, o SIAP tem vivido a reboque das políticas educativas em constante deriva. ”

“Deparamo-nos, portanto, com muitos temas de reflexão e de activação do trabalho inter-associativo:

1 – A problemática da reconstrução da profissão e da formação e a consequente valorização do trabalho docente, o que implica a passagem da sua condição de ofício ou pré-profissão, ao estatuto pleno de profissão.
2- A necessidade de estudar e compreender melhor o tão prolongado mal-estar docente.
3- A construção conjunta de conhecimento profissional através de acção, de investigação e de reflexão crítica compartilhada pelos próprios professores.
4- O estudo da complexidade da profissão e dos seus riscos psicológicos, como actividade centrada na interacção humana.

E se se quiser alargar esse trabalho inter-associativo a outro tipo de organizações associativas e académicas terão de confrontar-se com:

- O como se caminhou para a dispersão e indefinição das funções dos professores nas escolas;
- O quanto a sobredeterminação da centralidade da governação do Estado e o reforço da hierarquização nas escolas vem provocando uma desqualificação e proletarização do trabalho dos professores;
- O como a universitarização da formação de professores tem desvalorizado a natureza específica do conhecimento profissional.

Estão hoje criadas as condições históricas e sociais para recentrar neste fórum permanente de pedagogia e profissionalidade que é, ou pode ser, o SIAP, duas vocações fundamentais que se podem entrecruzar:

 

A. A do trabalho sobre a natureza específica do conhecimento profissional e os processos da sua construção, de modo a possibilitar uma fundamentação da actividade profissional docente.

Terão de ser os próprios a construir o conhecimento das práticas sociais que são as suas, podendo acontecer, por vezes, no quadro de uma colaboração com unidades de investigação universitária, na condição de assumirem o estatuto de parceria verdadeira.

B. A da reflexão ético-democrática como componente intrínseca dos hábitos de análise crítica de cada professor nas suas práticas sociais, assumindo-se como agente duma profissão formadora (transformadora), ou dito de modo mais pertinente, de uma função de agente do desenvolvimento humano, como nenhuma outra.

A ética, o esforço contínuo de reflexão crítica, deverá ou não ser entendida como uma matriz clarificadora dos juízos de valor a processar na resolução dos múltiplos dilemas que tecem a interacção pedagógica?

 

Fontes: sítios das associações referidas; e livro de Niza (2015; pp. 594 e 596-587)

sábado, 11 de setembro de 2021

[0301] As escolas TEIP da Nossa Banda (III)

O Agrupamento de Escolas da Caparica (concelho de Almada) é composto pelas seguintes escolas:

Escola Básica e Secundária do Monte de Caparica;
Escola Básica da Costa da Caparica;
Escola Básica José Cardoso Pires;
Escola Básica nº 2 Costa da Caparica; e
Escola Básica de Vila Nova de Caparica.

Tem o seguinte logotipo:


E, em 2021, tinha Biblioteca, Desporto Escolar, Clube de Protecção Civil e dois blogues, o da EB1 / JI da Costa da Caparica e o da EB José Cardoso Pires.

 

E o Agrupamento de Escolas José Saramago (concelho de Palmela), é composto por:
Escola Básica e Secundária José Saramago;

Escola Básica Águas de Moura;
Escola Básica Cajados;
Jardim de Infância Lagameças; e
Jardim de Infância Lagoa Calvo.


O seu logotipo é o seguinte:

E, em 2021, tinha uma Biblioteca, Desporto Escolar, o P.E.S. (Educação para a Saúde), A Melhor Turma e o E.P.I.S. (Sucesso Escolar)

 

Fontes: sítios dos agrupamentos

sábado, 4 de setembro de 2021

[0300] O testemunho de Carlos Fiolhais sobre os professores

Depois de na mensagem «0296» termos tido a opinião do Galopim de Carvalho sobre a profissão docente, desta vez temos a opinião de Carlos Fiolhais.

REGRESSO ÀS AULAS

Pela primeira vez, desde que comecei a ensinar, há 44 anos, não regresso às aulas. Dei em Julho a «última aula» em Coimbra, dizendo que poderia, se houvesse interesse, vir a dar mais «últimas aulas», o que tem vindo a acontecer. A diferença é que não vou iniciar nenhum curso para uma nova leva de alunos.
Já me perguntaram se não sinto um vazio. Respondo que não, pois tenho, tal como a Natureza em geral, horror ao vácuo. Tenho muitas coisas para fazer, a começar desde logo por ler uma pilha de livros que me aguarda há muito. É agora tempo para tudo aquilo que andava adiado. Como diz o belo trecho do Eclesiastes (3:1,2), «Para tudo há um momento, e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:/ tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou.»
Mas, mesmo apartado do ensino formal, quero deixar uma palavra aos professores que vão agora começar um novo ano lectivo. A escola é a mais útil das invenções da Humanidade, uma vez que é ela que, ao longo do tempo, lhe tem garantido o futuro. Pode o pai não saber artes ou a mãe não saber matemática, mas a escola, da qual os professores são o imprescindível núcleo, tem por obrigação transmitir o melhor da herança humana. É a continuação da Humanidade que tem lugar sempre que professores e alunos voltam às aulas em Setembro. Uma criança com seis anos que esteja a entrar para o 1.º ano do ensino básico jamais voltará à mesma idade. É, para ela, o tempo de aprender a ler, escrever, contar, e tudo o resto que a escola proporciona. A profissão de professor, que abracei há décadas, é apaixonante, porque confere o privilégio de participar activamente no processo de passagem de testemunho entre as gerações. Os meus primeiros alunos têm hoje mais de 60 anos, ao passo que os últimos têm só 20. E, de cada vez que o professor está diante de novos alunos, sabe que essa é uma ocasião irrepetível na vida daqueles jovens.
A escola mudou nas décadas em que fui professor no activo. Mas foi mais na aparência do que na essência, com o PowerPoint a substituir o quadro negro e, nos últimos meses, com o Zoom a substituir a sala de aula. Porém, os meios tecnológicos não passam de quinquilharia, que será um dia substituída por outra. O essencial da escola não mudou nem pode mudar: é o contacto criativo e fértil entre professores e alunos, que prepara estes para a vida. Esquecendo o essencial, hoje em dia impera a miragem tecnológica: a preocupação do Governo na área da educação é fornecer miríades de computadores. Ele pensa que o pagamento aos quinquilheiros o dispensa da sua missão de fomentar o processo profundamente humano que deve ocorrer na sala de aula. Mas é aí que, com consciência humanista, começa o futuro.
Em Portugal, para além da propaganda político-tecnológica, há boas e más notícias. Uma boa é a diminuição do abandono escolar, mas uma má é a abstrusa reforma do ensino da Matemática. João Araújo, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, afirmou que se está a assistir à «destruição do ensino da matemática,» quando se querem fazer sessões de divulgação em vez da «construção metódica e estruturada do saber». O matemático João Queiró escreveu nestas páginas: «Essas mudanças vão no sentido do triunfo da ignorância dos jovens, pela desistência de lhes transmitir o conhecimento matemático acumulado e apurado durante séculos ou milénios.» Outras disciplinas também são maltratadas: Galopim de Carvalho, o grande mestre das Ciências da Terra, disse que «as sucessivas tutelas parecem estar mais interessadas nas estatísticas do que na qualidade do ensino,» e Miguel Barros, presidente da Associação de Professores de História, disse que «a situação do ensino da História é, nalguns casos, catastrófica».

Que podem fazer os professores? Não é fácil, dada a subalternidade a que têm sido remetidos, mas têm de resistir em nome da Humanidade de que são guardiões. Não só podem como devem continuar a dar o melhor de si aos seus alunos. Fala-se muito dos «heróis» do SNS, mas há também campeões nas nossas salas de aula, que dão triplos saltos sem receberem encómios. É a eles que quero saudar, louvando-os e encorajando-as, neste regresso às aulas.


Fonte: opinião de Fiolhais no jornal «Público» (2021)
Imagem: Wikipédia

sábado, 28 de agosto de 2021

[0299] A Associação Cultural «O Mundo do Espectáculo»


Eis como esta associação se apresenta:


Um projecto que é um Mundo ...

Projecto de formação, animação e criação artísticas, existente desde 1990-91, em Almada, que surge com o objectivo de criar uma nova sensibilidade relativamente às artes e expressões.

Nele se consideram fundamentais a educação estética como componente crítica e integradora do conhecimento e a educação artística como componente expressiva
e criadora. Pretende-se nesta dupla focagem, contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa e a sua abertura aos valores culturais.

O que fazemos?

A Associação Cultural o Mundo do Espectáculo desenvolve projectos de formação e animação na área das artes para um público diversificado desde a formação de professores, educadores de infância e monitores de ATL, a oficinas para o público infantil, juvenil e adulto.

Estes projectos são dinamizados pelos núcleos independentes de formação e de criação artística que integram a associação: Actos Urbanos, Cena Múltipla, Teatro&Teatro, Teatro de Areia.

Eis como esta associação se apresenta:

 

Um projecto que é um Mundo ...

 

Projecto de formação, animação e criação artísticas, existente desde 1990-91, em Almada, que surge com o objectivo de criar uma nova sensibilidade relativamente às artes e expressões.

 

Nele se consideram fundamentais a educação estética como componente crítica e integradora do conhecimento e a educação artística como componente expressiva e criadora. Pretende-se nesta dupla focagem, contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa e a sua abertura aos valores culturais.

 

O que fazemos?

 

A Associação Cultural o Mundo do Espectáculo desenvolve projectos de formação e animação na área das artes para um público diversificado desde a formação de professores, educadores de infância e monitores de ATL, a oficinas para o público infantil, juvenil e adulto.

 

Estes projectos são dinamizados pelos núcleos independentes de formação e de criação artística que integram a associação: Actos Urbanos, Cena Múltipla, Teatro&Teatro, Teatro de Areia.



Fonte: sítio de O Mundo do Espectáculo

sábado, 21 de agosto de 2021

[0298] As escolas TEIP da Nossa Banda (II)

Das escolas TEIP da Nossa Banda (ver mensagem «0295»), dois «agrupamentos» situam-se no concelho de Seixal, pouco mais de um quilómetro distantes um do outro: o Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares (na Arrentela) e o Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato (na Amora), ambos compostos apenas por Escolas Básicas (a seguir referidas por EB).


O Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato é composto pela EB Pedro Eanes Lobato (2º e 3º Ciclo), pela EB da Amora (1º Ciclo), pelas EBs do 1º Ciclo com Jardim de Infância da Quinta da Medideira, da Quinta da Princesa, da Quinta das Inglesinhas e da Infante D. Augusto e ainda pelo Jardim de Infância da Quinta da Princesa:

Logo do agrupamento

Em 2020-21 tinha como projectos: o Desporto Escolar, a Literacia 3D, a Biblioteca Escolar / CRE, o Step, o Clube Arte, Música e Tecnologia, o EcoSol,o Orçamento Participativo, a Escola do Século XXI, a Educação Para a Saúde e o Erasmus.


O Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares é composto pela EB Nun`Álvares (2º e 3º Ciclo), pela EB da Torre da Marinha (1º Ciclo) e pelas EBs do 1º Ciclo com Jardim de Infância da Arrentela, do Monte Sião, da Quinta de São João e da Nun`Álvares:

Logo do agrupamento

Em 2020-21 este agrupamento tinha como projectos o Clube de Programação, o EPIS, a Programação no 1º Ciclo, o Programa Eco-Escolas, a Promoção e Educação para a Saúde, o Ciências por Miúdos, o Música no 1º Ciclo e o Hóquei em Patins na Pré-escolar.

Nenhuma das Escolas Secundárias das redondezas (José Afonso, Alfredo dos Reis Silveira, Manuel Cargaleiro e Amora) está agrupada nem foi incluída nos TEIP.

Fontes: sítios dos Agrupamentos de Escolas de Nun`Álvares e Pedro Eanes Lobato

sábado, 14 de agosto de 2021

[0297] Em férias, nas margens das praias e dos rios da Nossa Banda

Observem.

Algas no Portinho da Arrábida (concelho de Setúbal):


Tanques romanos de salga de peixe na Estação Arqueológica do Creiro (concelho de Setúbal):


Salinas no Samouco (concelho de Alcochete):


Prados na Ponta dos Corvos (concelho do Seixal):


Aves no Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (concelho de Sesimbra):


E depois voltem: com outros familiares e amigos, com as escolas, com os grupos séniores …

 

Fotografias: Eva Maria Blum (entre 2013 e 2018)

sábado, 7 de agosto de 2021

[0296] A opinião de Galopim de Carvalho sobre os professores e os educadores

Recentemente, o geólogo António Galopim de Carvalho pronunciou-se assim sobre os nossos professores e educadores:


Devo começar por afirmar que não estou aqui para agradar ou desagradar a quem quer que seja. Estou apenas a revelar a análise que faço de um problema nacional que sempre me preocupou. Em tempo de férias e a meio de uma pandemia e de uma pré-campanha eleitoral sem qualidade no conteúdo e na forma, desejo saudar os professores (sem esquecer os educadores) das nossas escolas e reafirmar que os considero entre os mais importantes pilares da sociedade e, uma vez mais, dizer a governantes e governados que é necessário e urgente restituir-lhes a atenção, o respeito e a dignidade que a liberdade e a democracia lhes retiraram.
É verdade que dispomos de um parque escolar como nunca houve, é verdade que temos escolas em número suficiente para acolher a totalidade da população em idade escolar, é verdade que foi institucionalizado o ensino obrigatório e gratuito até ao 12.º ano e é verdade que se democratizou o ensino, mas só na letra da lei. Basta comparar as posições relativas das escolas públicas e privadas nos agora intitulados «rankings» (uma maneira desnecessária de dizer classificações).
Ao longo destes anos, verifiquei que:

·       A preparação científica e pedagógica dos professores não tem sido devidamente testada, através de processos de avaliação a sério, criteriosamente regulados, por avaliadores devidamente credenciados;

·       Como no antigamente, a par de bons, muito bons e excelentes professores, muitos deles desmotivados, há outros, francamente maus, instalados na confortável situação de emprego garantido até à reforma;

·       Os sindicatos, nivelando, por igual e por baixo, os bons e os maus professores, têm grande responsabilidade numa parte importante da degradação do nosso ensino público;

·       Os livros e outros manuais de ensino repetem-se acriticamente, com discursos estereotipados, em obediência a programas mal pensados, levando ou, melhor, obrigando os professores, não a ensinar e formar homens e mulheres conscientes do mundo e da sociedade onde vivem, mas a «amestrar» alunos a acertar nos questionários de exames, por vezes, autênticas charadas;

·       As sucessivas tutelas parecem estar mais interessadas nas estatísticas do que na qualidade do ensino;

·       Os programas oficiais amarram os professores, não lhes dando tempo para, como alguém disse, «divagações desnecessárias»;

·       Os professores estão sobrecarregados com tarefas administrativas e outras de que deveriam estar rigorosamente libertos;

·       Os professores estão mal pagos e muitos deles vivem longe das famílias ou perdem horas nos caminhos diários de ida e volta a casa e a contarem os tostões.

Em finais de 2015, na cerimónia de entrega do Prémio Manuel António da Mota, no Palácio da Bolsa, no Porto, o primeiro-ministro, disse: «De uma vez por todas, o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação.» Palavras sábias, mas que não passaram disso. A verdade é que continuamos na mesma, cada vez com mais futebol e, agora, entretidos a tempo inteiro, dos pais aos filhos crianças, a dedilharem nos telemóveis.
Quem não vir esta realidade ou é «cego» ou «tapa os olhos».
É, pois, urgente olhar para esta realidade e haver vontade política (despida de constrangimentos partidários) para promover uma profunda avaliação e consequente reformulação de uma «máquina ministerial» poderosa e nebulosa, de há muito, instalada.

 

Fonte: opinião de António Galopim de Carvalho no jornal «Público» (2021)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

[0295] As escolas TEIP da Nossa Banda

Segundo o Ministério da Educação, o programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) “é uma iniciativa governamental, implementada atualmente em 136 agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas que se localizam em territórios economica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam. São objetivos centrais do programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos.

Neste momento, este programa desenvolve-se em 136 unidades que representam “cerca de 17 % do total dos agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas do continente”:


Na Península de Setúbal (a Nossa Banda), as escolas TEIP envolvidas são:

Concelho de Almada
Agrupamento de Escolas da Trafaria *
Agrupamento de Escolas do Monte da Caparica *
Agrupamento de Escolas da Caparica *
Agrupamento de Escolas de Miradouro de Alfazina *

Concelho do Barreiro
Agrupamento de Escolas Santo António ***

Concelho da Moita
Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira *
Escola Secundária da Baixa da Banheira ***

Concelho de Palmela
Agrupamento de Escolas José Saramago, Palmela **

Concelho do Seixal
Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato ****
Agrupamento de Escolas de Nun'Álvares ***

Concelho de Setúbal
Agrupamento de Escolas Ordem de Santiago *

* ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2006-07
** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no início do ano letivo 2009-10
*** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2009-10
**** ‐ Escolas que integraram o Programa TEIP no decurso do ano letivo 2012-13

Fonte: http://www.dge.mec.pt/teip/ (consulta em 31 de Julho de 2021)

domingo, 25 de julho de 2021

[0294] A longa vida do Xadrez

No dia 20 de Julho comemorou-se o Dia Mundial do Xadrez.


Considera-se que o Xadrez teve origem num outro jogo, o Chaturanga, jogado na Índia por volta do século VI da era actual. Ao chegar à Pérsia, este jogo foi aí transformado em Xadrez, sendo depois difundido até à Europa:

Na seguinte ilustração, patente no Libro de los juegos (um manuscrito encomendado por Afonso X, o Sábio, rei de Castela, Leão e Galiza entre 1252 e 1284), vemos dois homens disputando uma partida de Xadrez perante um nobre:


Na transição para a Idade Moderna, como consequência das profundas mudanças sociais que estavam a ocorrer, as regras do Xadrez tornaram-se mais dinâmicas, tal como Bertolt Brecht descreve numa cena de Vida de Galileu, passada em 1616:
GALILEU (para os secretários que estão a jogar xadrez): Como podem continuar a jogar xadrez à moda antiga? Agora joga-se assim: as figuras maiores podem percorrer todos os campos. A torre anda assim (mostra como se faz). Tem-se espaço à vontade e podem-se fazer planos.

Com a continuação dos tempos, o Xadrez tornou-se um jogo despido de elementos não racionais, como se depreende do modo como o escritor Stefan Zweig o comenta: no “xadrez, jogo exclusivamente de cálculo, isento de todo o azar”, o “atractivo […] consiste unicamente no facto de a sua estratégia se desenvolver diversamente em dois cérebros diferentes”.

Esta visão do Xadrez como actividade puramente racional está também presente na pintura, na escultura e no cinema. Maria Helena Vieira da Silva, por exemplo, em A Partida de Xadrez (1943; 81 x 100 cm), incorpora este jogo num ambiente que se adivinha estar igualmente estruturado por uma racionalidade estrita:


Hoje, há países em que a aprendizagem do Xadrez faz parte dos currículos oficiais. Não é o caso de Portugal, embora algumas escolas o tenham adoptado: na Escola 31 de Janeiro, situada na Parede (concelho de Cascais), “o xadrez é uma disciplina como todas as outras, de frequência obrigatória e com direito a programa e avaliação”.

Para o director desta escola, Vítor Rodrigues, “A partir de três, quatro anos de experiência, estes alunos já têm uma grande capacidade de concentração e conseguem ficar três horas a jogar”.

Fontes: livros de Brecht (1970; pp. 100-101), de Pastoureau (2016; pp. 227-228) e de Zweig (1974, pp. 74-75); artigo de Leiria (2007)