domingo, 23 de junho de 2019

[0195] Como surgiram os Serviços Educativos nos nossos museus

Entre 1961 e 2008 o número de museus portugueses mais do que triplicou (de 96 para 300) e o número dos seus visitantes mais do que decuplicou (de 740 mil para mais de 8 milhões). Entre os visitantes, os que o fizeram no âmbito de actividades pedagógicas passaram de menos de 20 % do total, em 1994, para mais de 25 %, em 2008. Catarina Moura, coordenadora do Serviço Educativo do Museu Nacional de Arte Contemporânea, contou uma história do surgimento dos serviços que apoiaram este tipo de visitas.


Subindo e Descendo (M. C. Escher, 1960)

Em 1936 a lei portuguesa já previa e recomendava “a visita dos alunos e professores dos estabelecimentos de ensino aos museus de arte e monumentos nacionais”, mas foi só em 1953, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, que “um grupo de mulheres pioneiras, autodidactas, num trabalho isolado e de absoluto mérito”, iniciou “uma nova era nos museus”, acompanhando as visitas de alunos e professores e fazendo a mediação com a respectiva colecção.
Depois, nos anos 70, a Fundação Calouste Gulbenkian criou um Serviço Educativo, “com monitores que promoviam visitas guiadas e actividades dirigidas ao público”, iniciativa que, em breve, foi replicada informalmente, mas convictamente, em “muitos museus” do Estado, tornando-se “uma realidade incontestável” apesar de nascida “à margem da lei”. Os novos educadores, então pagos à hora, ou dependentes de um subsídio da Gulbenkian, enfrentaram “todas as adversidades, perante a incredulidade de muitos directores e conservadores”, e demonstraram, na prática, “a possibilidade e a vantagem educativa em estabelecer relações de cumplicidade e criar laços simbólicos entre acervos e públicos.”
Apenas nos anos 80 a “carreira de monitor do serviço educativo” dos museus do Estado foi reconhecida na lei, o que terá estimulado a criação destes serviços em muitos dos nascentes museus autárquicos que, por se encontrarem mais próximos das comunidades, começaram a propor programações mais interactivas com os seus visitantes.
Em 1993 este novo grupo de profissionais decidiu começar a encontrar-se com regularidade, de modo a beneficiar de trocas e reflexões a uma escala maior, pois o seu número era muito reduzido em cada Serviço Educativo. O objectivo desses encontros não seria pequeno, atendendo ao que David Anderson afirmara:
Os objectos têm o poder de mover a mente e o coração das pessoas, exibi-los não chega. Mas, eles por si não são cultura, cultura é o que fazemos com eles”.
Em 2001, “inexplicavelmente”, estes encontros cessaram.

Fontes: livro de Rosa e Chitas (2010; p. 43); pdf de Moura (2012), onde são citados o Decreto-Lei nº 27 084 (artº 10º) e Aderson (conservador do Victoria and Albert Museum, em Londres)

sábado, 15 de junho de 2019

[0194] Os Anos Internacionais propostos pela Organização das Nações Unidas


A Organização das Nações Unidas (ONU) tem adoptado quatro ritmos para propor à comunidade mundial a atenção a temas que considera fundamentais: o mais conhecido, o Dia Internacional, tal como as Semanas Internacionais, são mais vocacionados para a celebração; o Ano Internacional e a Década Internacional apelam, principalmente, à intervenção.

O primeiro tema anual foi o dos Refugiados, proposto para 1959-60.
Desde aí, nem todos os anos estiveram associados a um tema, e alguns estiveram associados a mais do que um.
Para 2019 foram adoptados três temas (entre parêntesis, o acesso à respectiva resolução pela Assembleia Geral do ONU):

Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos (A/RES/72/228), já referido na mensagem «0182»

Ano Internacional da Moderação (A/RES/72/129)

Ano Internacional das Línguas Indígenas (A/RES/71/178):



A ONU argumenta assim em relação a este último tema:

As línguas são importantes para o desenvolvimento social, económico e político, a coexistência pacífica e la reconciliação nas nossas sociedades. Sem dúvida, muitas das línguas estão em perigo de desaparecer. Por esta razão, as Nações Unidas declaram o ano de 2019como Ano das Línguas Indígenas a fin de estimular a adopção de medidas urgentes para as preservar, revitalizar e promover.
É através da linguagem que comunicamos com o mundo, definimos a nossa identidade, expressamos a nossa história e cultura, aprendemos, defendemos os nossos direitos humanos e participamos em todos os aspectos da sociedade, só para nomear alguns. Através da língua, guardamos a história, os costumes e tradições das nossas comunidades, a memória, os modos únicos de pensamento, significado e expressão. Também a utilizamos para construir o futuro.
O idioma é fundamental nos âmbitos da protecção dos direitos humanos, da boa governança, da consolidação da paz, da reconciliação e do desenvolvimento sustentável.
O direito a utilizar o idioma da sua preferência é um requisito prévio para a liberdade de pensamento, opinião e expressão, de acesso à educação e à informação, ao emprego, à construção de sociedades inclusivas e outros valores consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Muitos de nós podem viver na sua língua materna sem limitações nem problemas. Mas esse não é o caso de todos.
Dos quase 7 000 idiomas existentes, a maioria foi criada e é falada por povos indígenas que representam a maior parte da diversidade cultural do mundo.

Já estão previstos temas para mais três anos (embora não para todos os próximos anos):

2020: Ano Internacional da Saúde das Plantas (A/RES/73/252)

2022: Ano Internacional das Pescas Artesanais e da Aquacultura (A/RES/72/72)

2024: Ano Internacional dos Camelídeos (A/RES/72/210)

Fonte: sítio da Organização das Nações Unidas (versão inglesa)

sábado, 8 de junho de 2019

[0193] Tema para o Dia Mundial dos Oceanos de 2019: o papel do género


Em 1992 a Conferência sobre o Ambiente e o Desenvolvimento promovida pelas Nações Unidas no Rio de Janeiro proporcionou a primeira razão para a celebração dos oceanos. Desde 2009, após decisão das Nações Unidas, essa celebração foi transformada em Dia Mundial dos Oceanos e concretizada em cada dia 8 de Junho.

Os temas centrais propostos nos últimos para esta celebração foram:
2013 e 2014: Juntos temos o poder para proteger os oceanos;
2015 e 2016: Oceanos saudáveis, um planeta saudável;
2017: Nossos oceanos, nosso futuro;
2018: Oceanos -- Sensibilizar para agir, Proteger para valorizar.

Em 2019, destacando que 70 %
da superfície do nosso planeta está coberta por oceanos
do oxigénio tem origem nos oceanos …,

… foram dois os temas centrais avançados para esta comemoração:

Juntos, podemos proteger e renovar o nosso oceano e
O género e o oceano.

No argumentário que sintetiza o segundo destes temas refere-se que:
·      as mulheres e as crianças têm um risco 14 vezes superior de ser atingidas pelas catástrofes naturais (e as perturbações provocadas pelas mudanças climáticas atingem, em particular, as costas marítimas);
·      os conhecimentos sobre o mar e as pescas são transmitidos quer por via paterna quer por via materna;
·      metade dos trabalhadores na aquacultura são as mulheres, que recebem apenas 64 % do que os homens recebem como salário, tendo ainda menos acesso aos cargos onde são tomadas as decisões;
·      só 2 % dos 1,2 milhões de marinheiros são mulheres;
·      só 24 % dos membros dos parlamentos e 38 % dos cientistas marinhos são mulheres.



Fontes: sítios da Calendarr Portugal e das Nações Unidas

sábado, 1 de junho de 2019

[0192] A Rede de Museus do Distrito de Beja

Trata-se de uma rede informal que inclui museus dos concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Ourique, Serpa e Vidigueira:




A necessidade sentida de troca de experiências, de formação e de um fórum de discussão que, para além do debate de ideias, permita o assumir de posições a uma só voz, levou à criação desta Rede de Museus do Distrito de Beja.
A sua Carta de Princípios, aprovada pelos municípios aderentes, tem como principais objectivos a qualificação, valorização e divulgação das unidades museológicas do Distrito; a cooperação, parceria e articulação entre as unidades museológicas dos concelhos que integrem a Rede; a optimização e rentabilização de recursos, principalmente em termos de meios humanos e da realização de projectos comuns; a difusão da informação relativa aos museus da Rede; e a promoção do rigor, ética e profissionalismo das práticas museológicas.

Fonte: página do Facebook da Rede de Museus do Distrito de Beja

segunda-feira, 27 de maio de 2019

[0191] Apresentação de um livro sobre o cinquentenário das Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade


No salão nobre do Estádio Municipal José Martins Vieira (Cova da Piedade), será apresentado no próximo Domingo (2 de Junho), pelas 16h00, o livro

50 Anos ao serviço do Ensino Popular e da Democracia,

uma história sobre as Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade.
A apresentação estará aberta aos interessados.



terça-feira, 21 de maio de 2019

[0190] A exposição «Algarve – Do Reino à Região»

Uma interessante iniciativa da Rede de Museus do Algarve (cujas origens foram referidas na mensagem «0188») foi a coordenação de 13 dos seus membros (oito museus e cinco municípios) para a realização de uma exposição conjunta onde se abordam os últimos mil anos da história e da cultura algarvia, ou seja, desde o Gharb al-Andalus até à actualidade:




Os locais onde se exibe este painel museológico e os respectivos títulos e temáticas são os seguintes:

Câmara Municipal de Alcoutim
Alcoutim, Terra de Fronteira
Através de um aprazível percurso pela vila de Alcoutim desvenda-se o seu crescimento urbano, associado à consolidação dos limites do Reino e ao controlo do comércio fluvial, a importância do rio e as suas relações com Sanlúcar do Guadiana

Câmara Municipal de Castro Marim
Castro Marim, Baluarte Defensivo do Algarve
Castro Marim, terra de fronteira, implantada numa colina sobranceira à foz do Guadiana, constituiu sempre o principal baluarte defensivo de um Algarve constantemente ameaçado por Mouros e Castelhanos

Câmara Municipal de Lagos
O Reino dos Algarves e para Além Mar – Leitura e Resenha da Cartografia Regional
Dois núcleos expositivos que retratam o Algarve na sua dimensão histórica e espacial, como local de partida e de chegada. O primeiro enfoca o Algarve como palco da expansão ultramarina, o segundo cartas de grande importância histórica e artística

Câmara Municipal de Silves
Do Gharb ao Algarve: Uma Sociedade Islâmica no Ocidente
Com uma centena de peças se ajuda a contar a história de um território. Do Gharb ao Algarve fala-nos de um tempo passado (sécs. VIII-XIII), mas também das continuidades que ajudam a compreender a região actual

Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Vila Real de Santo António e o Urbanismo Iluminista
Vila Real de Santo António foi idealizada de raiz de forma a funcionar como “cidade fábrica”, apresenta-se-nos como um exemplo único no panorama português, incomparável a qualquer outra obra da mesma época. É, por excelência, a Cidade do Iluminismo em Portugal

Museu da Cidade de Olhão
Os Compromissos Marítimos no Algarve
A exposição propõe um olhar sobre as diferentes dimensões em que operavam os Compromissos Marítimos, associações de mareantes, também conhecidas por Irmandades ou Confrarias do Corpo Santo, e que tiveram forte impacto nas comunidades onde foram criados

Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão: Os Descobrimentos Portugueses
A mostra evoca os desenvolvimentos que permitiram o sucesso das navegações de descobrimento portuguesas nos séculos XV e XVI, nomeadamente através de três vectores: navios, cartografia e navegação astronómica

Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira
Outras Viagens, Outros Olhares
Venha descobrir outros Algarves, numa viagem através do olhar dos outros! Dos viajantes do séc. XIX, aos testemunhos dos veraneantes de hoje, passando pelos curiosos olhares dos primeiros turistas

Museu Municipal de Faro
Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico
A exposição estabelece o século XX como campo de pesquisa, propondo uma releitura da inalienável multiplicidade e radical individualidade que caracteriza o território do Algarve enquanto lugar de reflexão, inspiração e criação

Museu Municipal de Loulé
Mendes Cabeçadas e a Primeira República no Algarve
A exposição sobre José Mendes Cabeçadas Júnior (1883-1965) mostra o militar, o político e opositor a Salazar. Apresenta também os principais eixos do republicanismo português no Algarve

Museu Municipal de Tavira
Cidade e Mundos Rurais
Tavira e os “mundos rurais, do período islâmico à actualidade, numa perspectiva pluridisciplinar. Os usos do território, arquitecturas, economias, festividades, musicologia, … Plantas, mapas, objectos, filmes, fotos, trechos musicais, …

Museu de Portimão
Manuel Teixeira Gomes – Entre Dois Séculos e Dois Regimes, Portimão – Território e Identidade
Um percurso na viragem do séc. XIX, entre a Monarquia e a I República, sobre a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, e a evolução de Portimão, sua terra natal, na passagem de vila rural e cidade industrial

Museu do Trajo de São Brás de Alportel
Sombras e Luz – O Século XIX no Algarve
Numa incursão em ambientes da época, um belo edifício oitocentista recria vivências domésticas, sociais e laborais com pinceladas de etiqueta, educação, religião, música e alguns momentos de interactividade

Fonte: sítio da Rede de Museus do Algarve

domingo, 12 de maio de 2019

[0189] A Rede Nacional de Áreas Protegidas

Agora que o tempo começa a ficar favorável para os passeios a pé pela Natureza, eis um mapa com a localização das áreas protegidas situadas no território continental do nosso país:




O Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas proporciona informações sobre cada uma destas áreas. Para as conhecer, basta clicar abaixo no respectivo nome:







Fonte: sítio do Instituto para a Conservação da Natureza e da Floresta

segunda-feira, 6 de maio de 2019

[0188] A Rede de Museus do Algarve


Criada em 2007, trata-se de uma estrutura informal, composta por museus integrados na Rede Portuguesa de Museus, outros museus municipais, entidades museológicas do Estado Português e privadas. E também inclui projectos museológicos em constituição que pretendem acompanhar, participar e cooperar nas suas actividades.
Antes de ter sido constituida foram consultadas as diversas instituições representativas da região, que afirmaram o seu interesse no desenvolvimento de uma rede museológica que promova o património cultural do Algarve e potencie o turismo cultural.

Os seus membros adoptaram uma Carta de Princípios cujas orientações são: liberdade de adesão, cooperação em rede, serviço público e ética profissional, informação e comunicação, formação, inovação e programação museológica. E visam o desenvolvimento de projectos de cooperação entre os museus e a promoção de acções das quais resultem maior eficácia e economia de meios, através da partilha equilibrada e objectivada dos recursos disponíveis.



Lista dos membros:
Câmara Municipal de Aljezur; Câmara Municipal de Castro Marim; Câmara Municipal de Lagoa; Câmara Municipal de Vila do Bispo; Centro de Ciência Viva do Algarve; Centro de Ciência Viva de Tavira; Direção Regional de Cultura do Algarve; Museu da Cidade de Olhão; Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão; Museu Municipal de Alcoutim; Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira; Museu Municipal de Arqueologia de Silves; Museu Municipal de Faro; Museu Municipal Dr. José Formosinho; Museu Municipal de Loulé; Museu Municipal de Tavira; Museu Municipal de Vila Real de Santo António; Museu de Portimão; Museu do Trajo de São Brás de Alportel; Parque Natural da Ria Formosa.




A coordenação desta rede é feita por um grupo eleito anualmente, sendo nele incluídos rotativamente os diversos museus. E a sua acção é apoiada por grupos de trabalho, cujos temas são, actualmente, a Arqueologia, a Conservação e Restauro, a Educação e o Património Cultural Imaterial.

Foi este ano lançado por esta rede o …




… de que a versão em «pdf» pode ser acedida aqui.

Fonte: sítio da Rede de Museus do Algarve

sábado, 27 de abril de 2019

[0187] Inaugurado o Parque Urbano do Seixal

Com 5,3 hectares, este parque está localizado à entrada da Vila do Seixal, no Alto de Dona Ana, encontrando-se rodeado a Sul e a Oeste pelas edificações remanescentes da corticeira Mundet:


Tendo no seu ponto mais alto uma altitude de 28 metros acima do nível do mar, permite uma visualização privilegiada sobre a Baía do Seixal e sobre Lisboa:


A Câmara Municipal do Seixal abriu-o oficialmente ao público no passado dia 25 de Abril.

Fonte: sítio da Câmara Municipal do Seixal
Fotografias: Eva Maria Blum

sábado, 20 de abril de 2019

[0186] A afirmação da Natureza: plantas do cabo Espichel

O Parque Natural da Arrábida abrange partes dos concelhos de Palmela, de Sesimbra e de Setúbal, inclui alguns monumentos notáveis e tem, no mar que o bordeja a Sul, um irmão, o Parque Marinho Professor Luís Saldanha:


O extremo Oeste do Parque Natural da Arrábida, onde também se situam o Santuário e o Farol do Cabo Espichel, é particularmente agreste. A sua vegetação é rasteira e, frequentemente, espinhosa:

Vista para Norte (fotografia de Eva Maria Blum)

Mas, tratando-se de uma vegetação espontânea, não afectada pela selecção e pelo tratamento químico aplicados na agricultura e nos jardins, a sua exuberância é enorme. Nesta altura do ano ela é especialmente visível através das flores:

Fotografias de Eva Maria Blum
(numa delas pode observar-se um insecto em acção)

sábado, 13 de abril de 2019

[0185] Ludoteca da Escola Básica de Vale de Milhaços: talvez a que funciona há mais tempo, ininterruptamente, numa escola da Nossa Banda


As origens desta ludoteca remontam ao início da década de 1990. O Núcleo de Almada e Seixal da Associação de Professores de Matemática juntou professores de diversas escolas no projeto Matlab, visando o desenvolvimento de actividades extracurriculares ligadas à Matemática, tendo daí resultado a constituição de Clubes e de Ludotecas em várias escolas, anualmente, a realização e do Inter-Escolas de Jogos de Reflexão.

Neste âmbito, em 1991-92, a professora Lídia Matias criou um Clube de Matemática na Escola Básica 2+3 de Vale de Milhaços, que acolhia semanalmente dois grupos de dez alunos, cada um durante 50 minutos. O interesse demonstrado pelo elevado número de inscrições levou à criação de um espaço acessível a toda a comunidade escolar, a Ludoteca, aberto dentro do horário de funcionamento da escola, onde também tem funcionado o Ludomat, um clube de desenvolvimento de atividades lúdico matemáticas e de apoio à Ludoteca na vertente de passatempos em suporte papel.
Com 75 m2 e quinze mesas, este espaço pode ser frequentado, simultaneamente, por 60 alunos:


Esta imagem permite identificar alguns dos jogos que se encontram sobre as mesas (eles podem ser trocados por outros, caso os alunos o solicitem): à esquerda o Pyramis, o Othelo / Reversi e o Abalone; e à direita as Damas, o Xadrez, o Ouri e o Quatro em Linha.
Num outro canto desta sala estão também disponíveis quatro computadores com jogos.

Para as escolas do 1º ciclo que fazem parte do Agrupamento de Vale de Milhaços, esta Ludoteca disponibiliza um Baú com jogos lúdico e didáticos, bem como passatempos de papel adequados às idades dos respectivos alunos.

Nos últimos anos o espaço da Ludoteca tem sido partilhado com a Sala de Estudo, que aí acompanha a realização de trabalhos relacionados com as diferentes disciplinas curriculares. A esta limitação associou-se uma outra: tendo deixado de ser acompanhada por uma Funcionária Auxiliar, a Ludoteca e a Sala de Estudo dependem dos tempos de alguns professores que a Direcção da Escola lhe atribui, o que não lhe tem permitido abrir permanentemente entre as 8h15 e as 18h30.

Informações e imagem: Lídia Matias


sábado, 6 de abril de 2019

[0184] 7 de Abril: Dia Nacional dos Moinhos


Esta comemoração tem sido promovida desde 2007 pela Etnoideia, com o apoio da Sociedade Internacional de Molinologia (TIMS).
Tem com único objetivo chamar a atenção para o inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.
Este dia poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projectos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de activistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.

Para apreciar a brochura com a lista dos Moinhos Abertos em 6 e 7 de Abril de 2019: clicar aqui.

Cartaz desta comemoração em 2019

Fonte: sítio da Rede Portuguesa de Moinhos

domingo, 31 de março de 2019

[0183] Ser cidadão, para Augusto Boal


Mal terminada a comemoração do Dia Mundial do Teatro, no passado dia 27 de Março, vale a pena fazer uma pequena incursão pelo modo como Augusto Boal relacionou as Pessoas e o Mundo através do Teatro.
Afirmou ele, num documentário exibido em Almada em 26 de Julho de 2015, que cidadão não é aquele que vive em sociedade, mas sim aquele que transforma a sociedade em que vive:

Cartaz do documentário de Zelito Viana

A sua concepção acerca do teatro corresponde a esta ideia fundamental: os métodos do seu Teatro do Oprimido não surgiram como invenções individuais, antes como consequência de descobertas colectivas surgidas no contexto de experiências concretas. Aqueles a quem se destina o seu Teatro não são apenas espectadores, transformam, colectivamente, as suas percepções sobre a vida, expressando-as através do Teatro
A sua Árvore do Teatro do Oprimido tem como raízes a Ética da Solidariedade, as quais alimentam as mais variadas manifestações do conhecimento humano:


Fontes: documentário de Viana (2010); sítio da Secretaria da Educação do Paraná (Brasil), incluindo para a segunda imagem

sábado, 23 de março de 2019

[0182] 2019: Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos


As Nações Unidas e a UNESCO tomaram a decisão de comemorar os 150 anos da criação, por Dmitry Mendeleev, de um dos mais importantes instrumentos na história da ciência.

Mendeleev começou por criar uma ficha de papel para cada um dos 63 elementos químicos então conhecidos. Depois alinhou as fichas, por ordem crescente de massa atómica e por coluna dos elementos com propriedades semelhantes, reparando existir entre os elementos uma rede de relações verticais, horizontais e diagonais.
Existiam lugares vazios nesta disposição das fichas, o que levou Mendeleev a admitir que eles correspondiam a elementos ainda não descobertos, cujas propriedades físico-químicas podiam ser previstas a partir da lógica do sistema que tinha criado. E, de facto, acertou nas propriedades de sete desses elementos ainda desconhecidos. Estava-se em 1869.

Quase meio século depois, em 1913, Henry Moseley, ao analisar os espectros de raios-x dos 83 elementos já conhecidos, encontrou uma relação matemática entre o comprimento de onda e o número atómico de cada elemento, provando que o número atómico era a informação mais importante para prever o seu comportamento. Ao dispor os elementos químicos por ordem crescente do seu número atómico, Moseley criou a tabela periódica tal como ainda hoje é usada:



As comemorações são também momentos em que se pode e deve pensar nos aspectos menos simpáticos do uso aquilo que se comemora. A European Chemical Society criou uma variante da tabela periódica em que se destaca a abundância / escassez de cada elemento químico, a sua utilização ou não no fabrico de smartphones e os conflitos políticos / militares em que a respectiva extracção está ou não envolvida:


Fontes: sítios da Ciência Viva (texto e 2ª imagem) e da Tabela Periódica.org (1ª imagem)


quarta-feira, 20 de março de 2019

[0181] Primavera: a Árvore e a Floresta


Anualmente, no dia 21 de Março, a Árvore e a Floresta são mundialmente celebradas.
A origem recente desta ideia deve-se à iniciativa do jornalista e político norte-americano Julius Sterling Morton, que, para incentivar a plantação de árvores no estado de Nebraska, promoveu o Arbor Day em 10 de Abril de 1872.
Em Portugal a 1ª Festa da Árvore foi comemorada em 9 de Março de 1913 e o 1º Dia Mundial da Floresta em 21 de Março de 1972.

Os actuais argumentos para que estas celebrações se realizem recorrem a informações vindas da ciência e, por vezes, da economia. Através delas somos recordados de que 30 % da superfície terrestre está coberta por florestas, de que mil árvores adultas absorvem cerca de seis mil quilogramas de dióxido de carbono e de que é através da fotossíntese que as árvores absorvem esse dióxido de carbono e produzem e libertam oxigénio para a atmosfera.

Estas celebrações têm, no entanto, origens muito mais antigas, sempre associadas ao momento particular em que o ciclo da Natureza se encontra nesta época do ano: o início da Primavera.
Sandro Botticelli (1445 - 1510), por exemplo, celebrou deste magnífico e abrangente modo o extraordinário momento em que, uma vez mais, estamos a entrar:

Primavera, de Sandro Boticelli (pintado por volta de 1478; quadro patente na Galeria Uffizi, em Florença; dimensões, 203 x 315 cm)

Segundo Susie Hodge, Botticelli representou através desta pintura textos dos romanos Ovídio e Séneca, que viveram um milénio e meio antes dele.

Fontes: sítios da Calendarr Portugal e da Wikipédia; Hodge (2017; pp. 60-63)