sábado, 25 de fevereiro de 2017

[0040] Menos poder para os directores, defendem 92% dos professores

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) promoveu um inquérito a que quase 25 mil professores de escolas públicas responderam (cerca de 16% do total).


Segundo o jornalista Samuel Silva, que noticiou a apresentação dos resultados, 92% dos professores inquiridos responderam que a gestão das escolas deve ser colegial: “A maioria dos inquiridos discorda do actual modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino, que estabelece que os poderes se concentram na figura de um director, que tem depois o papel de escolher o sub-director e os seus adjuntos. Apenas 7% concordam com a manutenção deste modelo.”
Sensivelmente a mesma percentagem das respostas apontou para que “o órgão de gestão da escola deve ser eleito por todos os professores, funcionários e representantes dos encarregados de educação e alunos,” sendo a “eleição entre os pares” o “modelo favorito”, “seja para a coordenação de departamento (94%) como para a coordenação de turma (87%). Além disso, 79% apontam que qualquer docente deve poder candidatar-se ao órgão de gestão, cabendo aos eleitores avaliar a sua competência.”

“Na avaliação ao actual regime de gestão das escolas, 71 % dos professores inquiridos consideram que o sistema aumentou as situações de abuso do poder, o clima de insegurança e de medo e o alheamento em relação aos assuntos da vida escolar, ao passo que 18 % acreditam que melhorou as relações de trabalho e as condições de participação nos processos de discussão e decisão.
A única matéria em que as opiniões dos professores ouvidos pela Fenprof estão divididas prende-se com a liderança do Conselho Pedagógico. Enquanto 52 % entendem que aquele órgão deve poder ser presidido por qualquer um dos seus membros, 47 % defendem que apenas o director ou o presidente do conselho de gestão deverão poder assumir aquele papel.
Os resultados deste inquérito estão a ser discutidos em cada escola desde a semana passada, num conjunto de reuniões que se prolongam até ao final do mês. A Fenprof vai também promover, no dia 14 de Março, um debate nacional sobre o tema, que contará com a presença das duas confederações de pais, o sindicato que representa os trabalhadores não docentes e o movimento estudantil.”

Fonte: Silva (2017)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

[0039] A Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis



«Uma cidade saudável é aquela que está continuamente a criar e a desenvolver os seus ambientes físico e social, e a expandir os recursos comunitários que permitem às pessoas apoiarem-se mutuamente nas várias dimensões da sua vida e no desenvolvimento do seu potencial máximo.» (Goldstein e Kickbush)

“A Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis é uma associação de municípios que tem como missão apoiar a divulgação, implementação e desenvolvimento do projeto Cidades Saudáveis nos municípios que pretendam assumir a promoção da saúde como uma prioridade da agenda dos decisores políticos.
Constituída formalmente em 10 de outubro de 1997, a Rede desenvolve a sua intervenção tendo por base as seguintes linhas orientadoras:

- Apoiar e promover a definição de estratégias locais suscetíveis de favorecer a obtenção de ganhos em saúde;
- Promover e intensificar a cooperação e a comunicação entre os municípios que integram a Rede e entre as restantes redes nacionais participantes no projeto Cidades Saudáveis da Organização Mundial da Saúde (OMS).”

São actualmente membros da RPMS os seguintes 36 municípios (com fundo colorido figuram os da Nossa Banda):

Alfândega da Fé; Amadora; Azambuja; Barreiro; Beja; Bragança; Castro Marim; Figueira da Foz; Golegã; Gondomar; Lagoa (Algarve); Lagoa (Açores); Lisboa; Loulé; Loures; Lourinhã; Lousã; Miranda do Corvo; Montijo; Odemira; Odivelas; Oeiras; Palmela; Ponta Delgada (Açores); Porto Santo (Madeira); Ribeira Grande (Açores); Seixal; Serpa; Sesimbra; Setúbal; Torres Vedras; Valongo; Viana do Castelo; Vidigueira; Vila Franca de Xira; Vila Real.

O município de Almada está em vias de aderir a esta rede.

Parcerias estabelecidas pela RPMS:

“Porque trabalhar em rede significa, entre outras coisas, potenciar as parcerias existentes, a Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis consolida-se no alargado leque de parceiros locais existente em cada município saudável português.
Parceiros:
OMS - Organização Mundial de Saúde
DGS - Direção Geral da Saúde
Escola Nacional de Saúde Pública
Instituto de Geografia e Ordenamento de Território."

Fontes digitais:
Rede de Municípios Saudáveis

Câmara Municipal de Almada

sábado, 18 de fevereiro de 2017

[0038] A Arte-Xávega» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

No passado dia 16 de Fevereiro foi publicado na IIª série do Diário da República o anúncio da inscrição da Arte-Xávega (Costa da Caparica, Almada) no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, na sequência de proposta apresentada pela Associação Grupo de Caretos de Podence.

A Costa de Caparica é referida pela primeira vez na cartografia em 1816, designada por «Cabanas da Costa».
Há referências mais antigas, como a que aí reporta 5 mortos como consequência do maremoto que se seguiu ao terramoto de 1755.
Tratava-se de um local insalubre, devido às águas paradas, situadas entre o areal e a arriba.
Há conhecimento da sua ocupação sazonal por pescadores; mas é só em 1770 que aí se instalam algumas companhas vindas de Ílhavo e de Olhão, as primeiras a norte da actual Rua dos Pescadores, as segundas a sul.
Os barcos usados, conhecidos por «Meia Lua», tinham a proa e a popa elevados, para vencer a rebentação, e o fundo chato, para deslizar na areia.

(descrição proveniente da divulgação feita pelo Centro de Arqueologia de Almada)

Caparica, Aguarela, Carlos Pinto Ramos

Esta forma de pesca sofreu nas últimas décadas uma evolução técnica (os barcos já não são os «Meia-Lua», a tracção das redes deixou de ser manual).

No sítio da Direcção-Geral do Património Cultural, que aprovou a inscrição da «Arte-Xávega» como Património Imaterial, pode ler-se e ver-se:

A Arte-Xávega consiste numa técnica tradicional de pesca com recurso a uma rede de cerco, lançada no mar e depois puxada, ou alada, para a praia. A arte, como é designado o conjunto constituído por cordas, alares e saco, é lançada ao mar a partir de uma embarcação, deixando em terra a ponta da corda designada por banda panda. Depois de largar a rede, a embarcação regressa à praia trazendo a outra ponta de corda, designada por banda barca. Logo que a segunda corda chega à praia inicia-se o processo de alagem em simultâneo de ambas as cordas, puxando para a praia a rede, cuja boca é mantida aberta com recurso a flutuadores e pesos.
Na comunidade piscatória da Costa da Caparica (Almada), este tipo de pesca realiza-se ao longo de todo o ano, encontrando-se largamente dependente das condições meteorológicas e do estado do mar, assim como, na época balnear, dos próprios condicionalismos de acesso às áreas de praia concessionadas. Esta comunidade piscatória é atualmente constituída por dois núcleos localizados na freguesia, um na Costa da Caparica e outro na Fonte da Telha, cada qual conta com cinco companhas de Arte-Xávega, que exercem a sua atividade em toda a frente atlântica até, mais a Sul, à Lagoa de Albufeira.


Texto e imagem:

O anúncio (nº 14/2017) publicado no Diário da República pode ser acedido em:

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[0037] Três modelos para pensar a relação dos grupos e comunidades com as suas memórias

Ana Carvalho, no âmbito da sua tese de doutoramento, relacionada com o trabalho nos museus, lembrou os três modelos propostos por Amareswar Galla para a relação entre os grupos e as comunidades com o património intangível de que são portadores, a participação como consulta, a participação com parceria estratégica e a participação como capacitação das comunidades:



Pensar sobre estes modelos será certamente importante para qualquer grupo ou comunidade que vise trabalhar as suas memórias.

Fonte: Carvalho (2008; pp. 30-31)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

[0036] O duplo problema do «tempo»

Na passada 5ª feira (dia 8 de Fevereiro), Manuel Carvalho da Silva proferiu uma conferência na sede Sul do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. Título: Agir contra a corrente: Desafios aos Professores e aos Sindicatos (mensagem «0033»).


O seu raciocínio sustentou-se (implicitamente) numa preocupação que começa a tornar-se central: em quê basear uma reformulação social?


Um exemplo desta preocupação está patente num artigo recente do sociólogo Razmig Keucheyan: «Aquilo de que (realmente) precisamos».
Aí ele refere o pioneiro da «ecologia política», desde os passados anos 50 e 60, André Gorz (1923-2007) que procurou fundamentar as opções do colectivo numa teoria das necessidades humanas.
Escreveu Keucheyan: “Segundo André Gorz, a sociedade capitalista tem como divisa: «O que é bom para todos não vale nada. Tu só serás respeitado se possuíres algo ´melhor` do que os outros». Podemos opor-lhe uma divisa ecologista: «só é digno de ti o que é bom para todos. Só merece ser produzido o que não privilegia nem rebaixa ninguém». Aos olhos de Gorz, uma necessidade qualitativa caracteriza-se por não conferir «distinção».

Carvalho da Silva propôs dois grandes princípios para responder a esta preocupação: o da «saúde» e o do «tempo». Na sua intervenção foi possível distinguir duas formas de abordar o menos óbvio princípio do «tempo»: por um lado, o da luta, porque ele nos é crescentemente «roubado» (através da intensificação do trabalho, da acessibilidade permanente a quem trabalha, etc.); por outro lado, o da afirmação, pois também nós procuramos definir (e impor) o que fazer com ele.

O irreversível «tempo» não foi sempre encarado do mesmo modo, porque as sociedades mudaram. No século XVII, por exemplo, Frei António das Chagas (1631-1682) escreveu sobre ele o seguinte poema, cantado hoje por Camané:

Conta e Tempo

Deus pede {hoje] estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar a minha conta feita a tempo
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo fazer conta,
Hoje quero acertar conta e não há tempo.

Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

Mas Frei António das Chagas escrevia já num tempo em que a noção de tempo começara a mudar fortemente. Patricia Fara, historiadora da ciência, escreveu sobre essa mudança: “Registar o tempo implica exercer controlo. Quando os relógios mecânicos foram introduzidos, no final do século XIII, impuseram horários religiosos regulares às atividades tradicionais das aldeias; seiscentos anos mais tarde, relógios mais precisos disciplinavam a sociedade, de forma cada vez mais estrita.

Com os extremos a que este controlo está hoje a chegar, não será necessário alterarmos a ênfase na «defesa do tempo que temos» para a ênfase na «afirmação do modo como o queremos usar»?

Fontes: Keucheyan (2017); Chagas, cantado por Camané (2015); Fara (2013; p. 261)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

[0035] Uma visita à Fragata «D. Fernando II e Glória», em Cacilhas

Imagem da Fragata antes do seu incêndio em 1963:


Foi o último navio exclusivamente à vela da Marinha Portuguesa e a última «Nau» da «Carreira da Índia», verdadeira linha militar que durante mais de 3 séculos fez a ligação entre Portugal e aquela antiga colónia. Foi também o último grande navio a ser construído no estaleiro real de Damão (Estado da Índia) onde foi lançado à água em 1843, sendo depois rebocado para Goa a fim de ser armado e aparelhado.
Foi baptizado com o nome de D. Fernando II e Glória em homenagem a D. Fernando Saxe Coburgo-Gotha, marido da Rainha D. Maria II de Portugal e à própria Rainha cujo nome era Maria da Glória.
Entre 1865 e 1938, fundeado no Tejo, funcionou como Escola de Artilharia Naval.
Em 1947 o navio passou a ser a sede de uma obra social que viria a acolher muitos adolescentes e jovens rapazes, maioritariamente órfãos e provenientes de classes desfavorecidas e que nele recebiam formação escolar e aprendizagem técnica naval para mais tarde poderem trabalhar na Marinha de Guerra, de pesca ou mercante.
Em 1963, ainda nessas funções, a «D. Fernando II e Glória» sofreu um grande incêndio que a destruiu em grande parte, tendo ficado meio submersa no rio Tejo até 1992, altura em que foi decidido promover a recuperação e restauro do navio, projecto considerado pelo governo de interesse cultural e que enquadrado na Lei do Mecenato foi alvo imediato do interesse de muitas empresas e instituições.

Imagem retirada de www.cidadevirtual.pt/fragata/

A reconstrução do casco teve lugar no estaleiro Ria Marine em Aveiro. Em 1997 voltou a Lisboa a fim de completar os trabalhos de restauro no Arsenal do Alfeite e ser equipado para servir como navio museu. Em Abril de 1998 foi entregue à Marinha como Unidade Auxiliar e aberto ao público na EXPO 98.

Imagem retirada de www.revistademarinha.com

Características:
·      Comprimento máximo: 83,4 m
·      Boca no convés: 12,8 m
·      Pontal de construção: 7,07 m
·      Imersão máxima: 6,40 m
·      Superfície do velame: 2052,21 m2
·      Tonelagem: 1849,16 toneladas
·      Fundo forrado a cobre.

A sua lotação variava consoante a missão a desempenhar, indo de 145 homens na viagem inaugural ao máximo de 379 numa viagem de representação
Possui 4 pavimentos:
·      O convés: onde se processava toda a manobra e condução do navio
·  A bateria: onde está instalada a artilharia de maior calibre e os alojamentos do Comandante
·      A coberta: onde se situa a messe de oficiais e o espaço destinado a refeitório e dormitório dos passageiros e guarnição
·      O porão: destinado ao alojamento da carga, combustível, aguada, pólvora e géneros.

Texto ligeiramente adaptado de: http://ccm.marinha.pt/pt/dfernando/

Não deixar de ver: o vídeo apresentado na «coberta».
Possível interesse curricular: História de Portugal, séculos XIX e XX.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

[0034] Uma visita ao Museu de Metrologia, na Caparica

O Museu de Metrologia faz parte do Instituto Português da Qualidade, estando situado na Rua António Gião, nº 2, na Caparica (ver mapa do acesso na mensagem «0022»).
As visitas podem se guiadas, mediante marcação, ou feitas livremente.
É também possível visitá-lo virtualmente, em www1.ipq.pt/museu.
Contactos: por email, museu.metrologia@ipq.pt; e por telefone, 212 948 139.

A evolução das medidas em Portugal está organizada em três períodos.

A Idade Média, período caracterizado pela diversidade de padrões de medida e de valores.

A Formação do Estado Moderno, período caracterizado pelas tentativas de criação de um sistema uniforme de medidas.
Foi D. João II quem iniciou o processo de uniformização da grande variedade de medidas existentes no país.

Em 1499, D. Manuel concretizou a reforma do sistema de pesos, que subsistiu até ao século XIX:


Este sistema baseou-se no «marco» alemão e tinha uma matematicamente interessante escala de submúltiplos e múltiplos:


A Reforma de 1575, de D. Sebastião, visou o sistema dos volumes, de líquidos e secos.
As ordenações filipinas pouco alteraram estes sistemas, que vigoraram até ao século XIX, em Portugal, e até 1919, no Brasil.

Desde meados do século XIX, período caracterizado pela adopção e promoção do Sistema Métrico Decimal.
O Sistema Métrico Decimal, de 1791, foi inspirado no movimento filosófico, científico e político francês. Escreveu Lavoisier, em 1794: “Jamais algo de maior e mais simples, de maior coerência em todas as suas partes, saiu da mão dos homens.”
Apesar das invasões francesas (ou guerras peninsulares), este sistema foi adoptado em Portugal, mas com nomes provenientes da nossa tradição (por exemplo, em vez do «quilograma» manteve-se a «libra»).
A revolta liberal suspendeu a adopção da Reforma de D. João VI, de 1814, que só foi implementada a partir de 1852, por fases, já com os nomes das novas unidades traduzidos do francês:



No entanto, de acordo com Joaquim da Silveira (nascido em 1825 e, em 1858, primeiro Inspector-Geral dos Pesos e Medidas), continuaram a ser usadas muitas e diversas medidas por todo o país.
A Convenção do Metro foi realizada em Paris (1875), com a participação portuguesa.
O Sistema Internacional de Unidades foi adoptado em 1960, incorporado mais unidades e procurado fundamentá-las em constantes da natureza (a única que resiste actualmente a esse esforço é o «Kg», prevendo-se que em 2019 haja uma reestruturação que consiga contornar as dificuldades até agora encontradas).
Estas alterações provocaram resistências, por vezes violentas, como a Revolta dos Quebra Quilos, no Brasil. A convicção dos reformistas foi a de que a educação iria fazer desaparecer essas resistências:

Caixa Métrica nº 2

Lateralmente às salas com a evolução metrológica histórica há um conjunto de vitrinas, dispostas em torno de uma réplica da Balança da Casa das Índias (fabricada em 1803 com base num quadro actualmente patente no Museu da Cidade de Lisboa; a balança original desapareceu no terramoto de 1755), com instrumentos organizados tematicamente e relacionados, entre outros aspectos, com o volume de secos, o volume de líquidos, os comprimentos, os pesos e a aferição metrológica.

(Fontes: As fotografias foram retiradas de www1.ipq.pt/museu; e a tabela sobre o sistema de pesos de D. Manuel foi retirado de Lopes, 2005, p. 45)

[0033] Memórias do sindicalismo docente: uma conferência e uma exposição em Almada

Na próxima 4ª feira, dia 8 de Fevereiro de 2017, às 18h00, na Rua D. Álvaro Abranches da Câmara, 42A, em Almada:


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

[0032] Pormenores marítimos da exposição «Almada. Uma história milenar. Entre a terra e o mar»

A exposição está ainda patente no Museu Naval de Almada (situado no Olho de Boi).
Há nela um pequeno destaque para a influência Fenícia, agora que se equaciona o futuro arqueológico da importante estação da Quinta do Almaraz.

Não se sabe como os Fenícios chamariam a esta sua povoação, situada acima de Cacilhas, e que aqui disporia de salgas de peixe e de um porto.

Mas foi aí que se encontraram, datados do século VII antes de Cristo, os seguintes objectos (em bronze e sobre cerâmica) que nos mostram um pouco do que seria o modo de vida marítimo destes Fenícios e dos povos locais que com eles conviviam:


Agulha de fazer redes, em bronze     
Grafito com representação de Corvina


Grafito com representação de uma embarcação indígena     
com proa curva, vela «latina» e espadela     
(Todas as fotografias: Eva Blum)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

[0031] Na próxima 2ª feira: reunião de preparação do Encontro «Memórias em Educação no Território de Almada e Seixal»

A reunião decorrerá na Escola Secundária Emídio Navarro, às 15h00 da próxima
2ª feira (dia 30 de Janeiro). O local de encontro é a entrada da Associação dos Antigos Alunos, mas o local da reunião deverá ser na Biblioteca.


Para resolver qualquer desencontro, por favor telefonar para 964 156 395 (Pedro Esteves).


Tema principal desta reunião: distribuição dos contactos para confirmar os primeiros intervenientes no Encontro e o(s) assunto(s) sobre que querem intervir.
Será com base nesta primeira lista que mais tarde será feita a divulgação para a participação com outras intervenções e para a participação sem intervenções.

sábado, 21 de janeiro de 2017

[0030] O Núcleo de História Local e de Arqueologia Os Investigadores (1990-96)

No dia 4 de Abril de 1990, na Escola Preparatória da Cova da Piedade (que tem hoje como patrono o Comandante Conceição e Silva), foi fundado o «Núcleo de História Local e de Arqueologia Os Investigadores».

Até 1995-96, inclusive, este projecto foi apoiada por três professores: Rui Miguel Salvado, Cristina Rodrigues de Matos e Clara Salvado. Que acumulavam esta «actividade de complemento curricular» com as normais tarefas lectivas e com outros empenhamentos na escola.

Participaram entusiasticamente neste projecto algumas centenas de alunos. E também, de outros modos, os pais, os encarregados de educação, a comunidade escolar e a comunidade educativa. Pelo que a organização se tornou muito rica:


(imagem de Salvado & Salvado, 1998; p. 51)

Um dos apoios indispensáveis, face aos enormes desafios a responder: a autorização, por parte do Ministério da Educação, da equivalência a «serviço lectivo» de algumas das horas deste trabalho. Assim sucede até 1994-95; para o ano seguinte, face à não autorização, dois dos professores solicitam um «ano sabático», e aguentam o projecto em 1995-96.
Mas o Ministério da Educação não mudou a sua política; e os professores não podem solicitar tão cedo novo ano sabático. E assim o projecto se extinguiu.


sábado, 14 de janeiro de 2017

[0029] A peça «Os Dias do Pão»

O rato «Carcaça» e o antigo moleiro «Quixote» encontram-se e visitam ficticiamente o antigo moinho de vento deste. Ficamos a saber que aí entravam cereais, de que se faziam farinhas, e das quais se faziam alimentos como o pão, a bolacha e os bolos. Ficamos também a saber que estes moinhos já não existem e (porque entra uma menina no moinho à procura de farinha) que há fome, pois uns têm demais e outros de menos. No fim, com todo o público presente (crianças e adultos), fez-se um ateliê pedagógico, em que se procura recordar o essencial do que foi dito na peça, mas também se procura passar algumas mensagens que têm a ver com o 2º Objectivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas), «Erradicar a Fome»: usar energias renováveis, respeitar a diversidade da natureza e comprar produtos locais, partilhar alimentos.

(modelo de «quantos queres», para dobrar e usar pelos miúdos)

Este projecto resultou da colaboração entre Ângela Ribeiro (atriz marionetista) e o Centro de Arqueologia de Almada (CAA), cabendo a dramaturgia, interpretação e cenário à Ângela e a oficina ao CAA.

Mais informações:
                                   
Cevada                                                                                                                                      

Imagem de «Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz»       



[0028] De 6 a 8 de Abril: simpósio «Museus, Investigação & Educação»

O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) / Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), o Forum Intermuseus do Distrito de Setúbal (FIDS), os Museus Municipais de Almada (Câmara Municipal de Almada), o ICOM-Portugal e a Associação Portuguesa de Museologia (APOM) decidiram levar a efeito um simpósio de reflexão sobre o papel dos Museus na sociedade contemporânea, com particular enfoque nas funções Investigação e Educação, perspectivada às escalas local, regional e global.


A inscrição é gratuita: sem comunicação ou poster, até 30 de Março; com comunicação ou poster, até 28 de Fevereiro.

Mais informações e inscrição em: http://simpom.maeds.amrs.pt/.

Contactos do MAEDS - Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal
Morada: Avenida Luisa Todi, nº 162, 2900-451 Setúbal, Portugal
Telefone: +351 265 239 365

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

[0027] Tópicos inspiradores de debate, vindos das 26 mensagens de 2016

Dinâmicas dos actores educativos

Jovens tomam a iniciativa nas suas escolas

Mensagem «0021»:
Há cerca de 1 000 escolas ocupadas pelos seus alunos no Brasil. Dá trabalho ocupar uma escola. Os alunos escreveram:Sua saúde mental vale mais que suas notas”. E também: “NADA DEVE PARECER IMPOSSÍVEL DE MUDAR”. E disseram: “A escola tradicional não oferece muito pra gente”

Investigadores colocam desafios educacionais e organizativos

Mensagem «0001»:
A revista «Apogeo», da Associação de Professores de Geografia, dedicou o nº 48 ao tema «Educação e Território»

Mensagem «0025»:
Os arquivos escolares são particularmente importantes para a salvaguarda e preservação dos seus documentos, que constituem instrumentos fundamentais para a história da escola e a construção da memória educativa, afirmou a investigadora Maria João Mogarro

Escolas procuram vias curriculares alternativas

Mensagem «0006»:
Em 2008-12, na escola EB1 de Vale da Amoreira, situada entre a Moita e o Barreiro, os alunos de uma turma do 1º ciclo (filhos de portugueses, de cabo-verdianos, de angolanos, de guineenses, …) aprenderam simultaneamente em Crioulo e Português, com as professoras Ana Josefa e Ana Carina, durante uma hora e meia por dia; os seus pais ficaram orgulhosos

Mensagem «0013»:
A Casa da Floresta Verdes Anos, colégio em Lisboa onde não há computadores nem quadros interactivos, não é a única a seguir uma via menos convencional.
N’Os Aprendizes, em Cascais, além do edifício onde decorrem as aulas, há uma casa, o Reino dos Sentidos, dedicada sobretudo à arte-terapia: não é só para meninos com necessidades educativas especiais, qualquer criança pode ir lá e tentar ultrapassar uma dificuldade através da pintura, música, neuroterapia, entre outras hipóteses.

Estes colégios são privados, mas a Escola da Ponte, Santo Tirso, do pré-escolar ao 3.º ciclo, é pública. Sem aulas expositivas, são os alunos que escolhem as matérias e quando querem ser avaliados.


Mensagem «0023»:
«Há seis, sete anos começámos a sentir que havia alguns problemas com a Matemática. Por outro lado, notávamos que os alunos davam muitas opiniões mas eram incapazes de argumentar. Não conseguiam construir um caminho para chegar a uma conclusão. Sabíamos de experiências do uso do xadrez em escolas lá fora e decidimos avançar», explicou Vítor Rodrigues, director da Escola 31 de Janeiro, na Parede

Grupos procuram estabelecer pontes entre todos os actores

Mensagem «0007»:
O Núcleo de Almada e Seixal da Rede Educação Viva, membro da «Rede de Educação Alternativa» (Reevo), promoveu um encontro regional, visando “dar vida a uma comunidade de partilha e aprendizagem, estimulante e participativa, num encontro com dinâmicas para todas as idades.”


Mensagem «0008»:
O grupo «Educação: Pontes na Outra Banda» divulgou o seu objectivo de estabelecer «pontes» entre os diversos envolvimentos profissionais na Educação, nomeadamente no âmbito da Educação Patrimonial

Mensagens «0008» e «0018»:
Um grupo de educadores divulgou a preparação de um Encontro sobre as «Memórias em Educação no Território de Almada e Seixal», a realizar no início de 2018

Mensagem «0010»:
Um grupo de educadores promoveu uma visita conjunta a três exposições patentes nas instalações do Presídio da Trafaria: «As Vinhas de Almada. O vinho na história local» (da autoria do Centro de Arqueologia de Almada); «Objecto - Projecto» (realizada no âmbito da Trienal de Arquitectura, com curadoria do arquitecto Godofredo Pereira); e «O Presídio e a Trafaria. 450 Anos de História» (da autoria do Centro de Arqueologia de Almada)


Comentário dirigido a esta mensagem:
Aqueles que nós consideramos «o outro», consideram-nos por sua vez como «o outro» …
Se esta distinção é estéril, que se ganhará se nos reconhecermos mutuamente como complementarmente diferentes?
Stephen Stoer e António Magalhães escreveram um livro para acentuar que «A Diferença Somos Nós» (2005). E o ensaísta Alberto Manguel, referindo-se a Dom Quixote e a Sancho Pança, afirmou: “Tornaram-se espelhos enobrecidos postos frente a frente, reflectindo as qualidades que, invisíveis num, são visíveis no outro, e vice-versa.” (2011; p. 108)

Mensagem «0022»:
Um grupo de amigos do Museu de Metrologia promoveu uma visita guiada a este Museu

Instituições promovem encontros de divulgação

Mensagem «0002»:
O Instituto Português da Qualidade promoveu um encontro sobre Metrologia e Ensino, com os objectivos de divulgar a Metrologia e de interagir com outras organizações ligadas à educação ao nível do 2º, 3º ciclo do ensino básico, do ensino secundário e do ensino superior.

Mensagem «0003»:
O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e o Fórum Intermuseus do Distrito de Setúbal divulgaram a realização das «Jornadas Arqueológicas da Região de Setúbal»

Mensagem «0011»:
O Museu Naval, de Almada, divulgou uma exposição sobre as origens «milenares» deste concelho

Caminhos para a construção de uma «comunidade»

Jovens dão a sua opinião

Mensagem «0012»:
«Se fosse ministro da Educação reduzia as cargas horárias para que tivéssemos tempo de ser crianças e jovens. Em vez de aulas com o professor a expor a matéria promoveria a aprendizagem por experimentação e observação, porque assim como é em 50 minutos de aulas com o professor a falar apenas retemos cinco a 10 minutos do que ele diz», disse a Mariana

Mensagens «0015», «0016» e «0017»:
O último estudo «Health Behaviour in School-aged Children», que a Organização Mundial de Saúde realiza de 4 em 4 anos, e que visa avaliar hábitos, consumos e comportamentos com impacto na saúde física e mental dos adolescentes, aos 11, aos 13 e aos 15 anos, foi apresentado em Março passado, em Bruxelas. Os dados são de 2013-14 e correspondem às respostas de mais de 220 mil adolescentes, norte americanos e europeus (6 mil eram portugueses), de 42 países e regiões

Educadores formulam as suas memórias

Mensagem «0019»:
Foram lembrados os 30 anos decorridos desde o dia 22 de Novembro de 1986, em que se  realizou na Escola Secundária Emídio Navarro um «Encontro Debate sobre a Situação do Ensino em Almada-Seixal»


Comentário dirigido a esta mensagem:
Em Almada e no Seixal o problema das instalações e dos recursos melhorou muito nestes 30 anos. Bem como o «sucesso escolar», tal como em todo o país.
A inadequação dos «programas» continua, nos exactos termos em que a formulámos em 1986. E o «sucesso educativo» foi sendo secundarizado.
A ligação entre os dois concelhos piorou. E fazem falta outros debates públicos (em que a maioria não vá apenas ouvir os «especialistas» e os «gestores»). Fazem sobretudo falta encontros entre a grande diversidade de educadores que, ao longo destes 30 anos, surgiu e se afirmou.
Por todo o país, aumentou, e muito, a «hierarquização», problema que pouco se sentia há 30 anos. E que hoje tem um reflexo devastador no ambiente escolar e no estado de espírito dos professores.

Mensagem «0026»:
Foram lembrados, através de um livro, «A Cidade do Teatro [edição comemorativa pelos 20 anos da MOSTRA DE TEATRO DE ALMADA / 1996-2016]», não só 47 os grupos participantes nas 20 edições desta Mostra como um pouco da história do teatro neste concelho e algumas das suas ligações à educação


Comentário dirigido a esta mensagem:
Este será o primeiro exemplo de uma «comunidade real» (teatral, mas também educativa) que se desenvolveu no seio da nossa «comunidade educativa virtual».
Deveriam ser estudadas as condições e as iniciativas que geraram esse desenvolvimento.

Investigadores divulgam os seus estudos e dão a sua opinião

Mensagem «0004»:
Um terço dos nossos professores portugueses foi descrito por um estudo como estando «exaustos, desiludidos ou baralhados»

Mensagem «0024»:
Chris Whitehead, investigador e professor de Museologia na Universidade de Newcastle, afirmou, numa entrevista, ser necessário os museus aprenderem a «lidar com o passado»: “Os museus têm tendência a concentrar-se nas dificuldades do passado, mas parecem não ver que elas nos seguem até ao presente. É obrigatório fazer essa ligação.” (Chris Whitehead)

Municípios adoptam uma filosofia educativa

Mensagem «0014»:
A Associação Internacional das Cidades Educadoras tem membros em todos os continentes. A Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras inclui, actualmente, 61 cidades, 5 delas do distrito de Setúbal:
O 1º Congresso Internacional das Cidades Educadoras foi realizado em Barcelona, em 1990. Nele foi elaborada a Carta das Cidades Educadoras, mais tarde revista nos congressos de Bolonha, em 1994, e de Génova, em 2004

Instituições internacionais divulgam os seus estudos

Mensagem «0005»:
Foi divulgado o relatório «Education at a Glance», de 2016, através do qual a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) compara e comenta o estado da educação nos seus países membros (e em mais alguns associados)

Mensagem «0020»:
Foi divulgado o relatório do TIMSS - Trends in International Mathematics and Science Study (Estudo Internacional sobre as Tendências em Matemática e Ciências) – realizado em 2015 pela IEA - International Association for the Evaluation of Educational Achievement (Associação Internacional para a Avaliação dos Resultados Educativos), e no qual participaram alunos portugueses

Comentário dirigido a esta mensagem:
A propósito dos «resultados» deste TIMSS [de 2015], houve quem destacasse que os miúdos portugueses da 4ª classe já estavam melhor que os finlandeses em Matemática. Mas «estar à frente dos outros» não é o objectivo dos finlandeses. Eero Väätäinen [citado por Descamps, 2013], que coordenou uma escola e o sector da educação duma cidade, descreveu assim o espírito das reformas educativas na Finlândia:
“Não devemos esquecer que as crianças não andam na escola para fazer testes. Elas vêm aprender a vida, encontrar o seu próprio caminho. Acaso se pode avaliar a vida?”