quarta-feira, 24 de outubro de 2018

[0162] Como fazer o «Origami»? Qual o seu papel na educação?


A primeira sessão organizada pelo Grupo Estrela Azul em 2018-19 tem por título uma pergunta: Afinal, o Origami é útil?


Será dinamizada pela professora Ana Mota e decorrerá na Associação Almada Mundo (Praça Capitães de Abril nº 2 A e B, Cova da Piedade), no dia 31 de Outubro, a partir das 15h00. A participação é livre.

domingo, 21 de outubro de 2018

[0161] Como está o mundo neste momento?


Com fundamento nas estatísticas disponibilizadas por publicações internacionalmente fidedignas, o sítio Worldometers mostra a quem o consulta uma estimativa em tempo real do estado quantitativo de diversas facetas deste mundo sempre em mudança: a população; o governo e a economia; a sociedade e os seus media; o ambiente; a alimentação; a água; a energia; e a saúde.

Um exemplo, registado perto do fim da tarde deste Domingo:


Esta mensagem foi, portanto, uma das cerca de quatro milhões e meio de mensagens colocadas hoje em blogues de todo o mundo.

Fonte: sítio de Worldometers

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

[0160] CINEMAR: dois dias de cinema na Trafaria!



O Cinemar é uma mostra de filmes sobre o Mar e a Pesca que decorrerá ao ar livre, em dois locais da Trafaria, já nesta 6ª feira (dia 12) e neste Sábado (dia 13). E é gratuito.

Programa:


Esta iniciativa resulta da colaboração de um grande número de pessoas e de colectivos:


Informação recebida através de email

domingo, 7 de outubro de 2018

[0159] A visitar em Lisboa: o Jardim Botânico da Ajuda


O Jardim Botânico da Ajuda foi criado há 250 anos, sendo o mais antigo jardim botânico do país. Desenhado pelo naturalista italiano Domenico Vandelli, destinava-se à educação dos netos de D. José I e integrava um museu de história natural, uma casa de risco e laboratórios de química e de física, constituindo o primeiro espaço científico da cidade.
Em 1784, o padre João Faustino utilizou-o como ponto de partida para a viagem da sua máquina aeroestática, um balão foi feito em papel colorido e enchido com gás; este elevou-se nos ares, deambolou sobre o Tejo e acabou por cair em Cacilhas, tal como a «Gazeta de Lisboa» relatou ao pormenor.
Foi D. João VI, um dos netos de D. José I, que abriu este jardim ao público, uma vez por semana. E que, ao residir no Brasil para fugir às invasões francesas, fundou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Quanto ao jardim que deixou na Ajuda, acabaria por ser integrado no Instituto Superior de Agronomia, em 1910, contribuindo o seu espaço científico para a criação da Academia das Ciências.
Entre 1994 e 1997, depois de sucessivos períodos de abandono e decadência, o jardim foi restaurado, estando actualmente dividido em quatro partes: um patamar inferior, com um jardim de estilo romântico; um patamar superior, a «escola», onde as plantas estão organizadas de acordo com as suas regiões de origem; uma mata, junto ao portão que o liga à Calçada do Galvão; e o jardim dos aromas, onde podem ser apreciadas plantas aromáticas, medicinais, tintureiras e saponificadoras, em canteiros concebidos para também serem acessíveis a invisuais.
Entre as árvores mais apreciadas encontram-se:
Jacarandás (Jacaranda mimosifolia), originários da América do Sul (o nome provém do tupi-guarani) e hoje comuns nos jardins e passeios públicos;
o único exemplar de Schotia afra existente num jardim botânico europeu e que, pela sua dimensão, se encontra apoiado numa grande estrutura circular em ferro;
a árvore da Sumaúma (Ceiba pentandra), com um tronco protegido por grandes espinhos e cujos frutos, parecidos com uma pêra-abacate, têm as sementes protegidas por centenas de pelos brancos (outrora usados para encher as almofadas);
alguns Gingko (Ginkgo biloba), uma espécie vinda do tempo dos dinossauros e de que, dizem, alguns exemplares sobreviveram ao bombardeamento atómico em Hiroshima;
e vários Dragoeiros (Dracaena drago), nativos da Madeira e dos Açores (onde actualmente são considerados vulneráveis), entre eles o maior do país, que veio já adulto para Portugal, que tem actualmente perto de 400 anos de idade e que, por ter sido atacado por um fungo em 2006, que lhe apodreceu parte das raízes, se encontra agora apoiado por um conjunto de cabos e de ferros:

À esquerda, um dos extremos do grande Ginkgo biloba; no centro, a Schotia afra

Fonte jornalística: Gonçalves (2018)
Fotografia: Eva Maria Blum

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

[0158] Em 5 de Outubro: Dia Mundial do Professor


O Dia Mundial do Professor foi instituído em 1994, pela UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Este ano o tema em destaque é o da qualificação dos professores:


Foi entretanto publicado o relatório Education at a Glance 2018, sendo possível acedê-lo em:
A divulgação de que foi alvo em Portugal enfatizou a média salarial dos professores portugueses, por ser consideravelmente superior à das restantes profissionais qualificadas. O relatório explica-o pelo envelhecimento dos professores portugueses, o que o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, confirmou: em Portugal leccionam apenas 121 professores com menos de 30 anos.
Segundo o relatório, a percentagem dos nossos professores do ensino básico e secundário que têm 50 anos ou mais era cerca de 22 % em 2005 e cerca de 38 % em 2016, enquanto no conjunto dos países da OCDE subiu dos 32 % para os 35 %.

Fontes: sítios da Calendarr Portugal, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e notícia de Silva (2018)

sábado, 22 de setembro de 2018

[0157] As praias da Nossa Banda: o início da transformação da Costa de Caparica


As praias para usufruto massificado resultaram de uma lenta apropriação e transformação dos seus areais. Na margem Sul do Tejo, a Ponta dos Corvos, a Mutela, a Margueira, Cacilhas, o Ginjal e a Banática começaram, desde a década de 1870, a ser usados pelas famílias aristocratas e burguesas de Lisboa para banhos e natação, seguindo-se-lhes a Trafaria e, mais tarde, a Cova do Vapor e a Costa de Caparica (mensagem «0154»).

A Costa de Caparica foi uma das praias visitadas por Adriano de Sousa Lopes (1879-1944), entre 1922 e 1926, tendo dela feito diversos desenhos e pinturas onde as únicas actividades humanas figuradas são as relacionadas com a pesca:

Manhã na praia da Caparica (óleo sobre cartão; acervo do Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa):


Céu da Caparica (óleo sobre tela; acervo do Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa):


Sensivelmente pela mesma altura também Raúl Brandão (1867-1930), no seu livro Os Pescadores, de 1923, descreveu a Costa de Caparica:

Da horrível Trafaria à Caparica gastam-se dezoito minutos num carrinho pela estrada através do pinheiral plantado há pouco. Os pinheiros são mansos, anainhos e inocentes: - os pinheiros novos são como bichos novos e têm o mesmo encanto … Ao lado esquerdo desdobra-se o grande morro vermelho a esboroar, e ao outro lado o terreno extenso e plano rasgado de valas encharcadas. De repente uma curva, algumas casotas cobertas de colmo - Caparica. Primitivamente isto foi um grupo de barracas que os pescadores aqui ergueram neste esplêndido sítio de pesca, à boca da barra, a dois passos do grande consumidor. Têm um ar ainda mais humilde que os palheiros de Mira ou Costa Nova. Quatro tábuas e um tecto de colmo negro com remendos deitados cada ano: alguns reluzem e conservam ainda as espigas debulhadas do painço. No imenso areal o barco da duna, sempre o mesmo barco, maior ou mais pequeno, próprio para a arrebentação, de proa e popa erguidas para o céu.”
“Uma grande extensão de areal, só areia e mar, barcos como crescentes encalhados e alguns pescadores remendando as redes. Nem um penedo. Areia e céu, mar e céu. Dum lado o formidável paredão vermelho, a pique, desmaiando pouco e pouco, até entrar pelo mar dentro todo roxo, no cabo Espichel. Do outro o mar azul metendo‑se, num jorro enorme, pela ampla barra de Lisboa, deslumbrante e majestosa. De onde isto é esplêndido é acolá do alto do convento dos Capuchos. Assombro de luz e cor. Amplidão. As casotas da Caparica aos pés, o mar ilimitado em frente, ao fundo e à direita a linha recortada da Serra de Sintra com as casinhas de Cascais e Oeiras no primeiro plano esparsas num verde amarelado … E a luz? E o prodígio da luz? … A gente está tão afeita à luz que não repara nela e trata como uma coisa conhecida e velha este azul que nos envolve e penetra e que desaba em torrentes sobre as águas verdes desmaiadas e sobre as terras amarelas e vermelhas até ao cabo Espichel … Mas fecho os olhos - abro os olhos … Imensa vida azul - jorros sobre jorros magnéticos. Todo o azul estremece e vem até mim em constante vibração. Quem sai da obscuridade para a luz é que repara e estaca de assombro diante deste ser, tão vivo que estonteia …

A pintura de Adriano de Sousa Lopes e a escrita de Raúl Brandão podem ter sido os primeiros sinais, registados, de uma nova visão sobre as praias da Costa de Caparica. Depois, ao longo de um século, seguiram-se as transformações de que hoje somos testemunhas.

Fontes (texto e imagens): Sítio do Museu Nacional de Arte Contemporânea (consultado, sobre a exposição «Sousa Lopes 1979-1944. Efeitos de Luz», em 13 de Outubro de 2015); Wikipédia (sobre Raúl Brandão); Brandão, citado por Gomes (2018; pp. 27-28)


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

[0156] A «Orca de Aljezur» deu à costa em Almada


O artista plástico Artur Bordalo, mais conhecido por Bordalo II, descreve a ameaça que a poluição exerce sobre os grandes animais representando-os através do lixo.
Para o Festival O Sol da Caparica deste ano Bordalo II criou a Orca de Aljezur, que evoca não só a poluição dos oceanos como a possibilidade de essa poluição aumentar devido a futuras prospeções dos fundos marinhos:


Com quase oito metros de comprimento, esta peça faz parte da série Big Trash Animals e utilizou o lixo retirado de algumas praias do concelho de Almada durante o Inverno. Segundo o autor, “a ideia passa por representar uma imagem da natureza, neste caso os animais, construída com aquilo que os destrói – o lixo, a poluição e a contaminação”; e, por não pretender que as pessoas fiquem “afastadas da realidade”, foca “pontos sensíveis, relevantes, que fazem parte da consciencialização”, como “forma fazer parte da mudança do Mundo para algo melhor.

Fonte: agenda da Câmara Municipal de Almada (2018)
Imagem: retirada da versão digital da agenda da Câmara Municipal de Almada (2018)

domingo, 9 de setembro de 2018

[0155] A 10ª edição da Feira ObservaNatura


Anualmente, na altura em que as aves migradoras se concentram para passar mais a Sul o Inverno, realiza-se no concelho de Setúbal a Feira ObservaNatura.


Dedicado ao turismo da natureza, este evento decorre este ano na Herdade da Mourisca, na Reserva Natural do Estuário do Sado, na cidade de Setúbal, no Parque Natural da Arrábida, na baía do Sado e na Península de Troia.
Habitualmente, cada edição desta Feira disponibiliza atividades como escalada, caminhadas, observação de aves e de golfinhos, stand up paddle, canoagem e vela.
Este ano haverá transportes que ligam os diferentes pontos onde decorrem as atividades, com paragens na Casa da Baía, no Parque Urbano de Albarquel, no cais de catamarãs, no Moinho de Maré da Mourisca e em Troia.
No Moinho de Maré e na Herdade da Mourisca as ações são especialmente focadas na observação de aves.
No Estuário do Sado realizam-se passeios de observação de aves e estabelece-se ligação às ruínas romanas de Troia através embarcações marítimo-turísticas, com saídas do cais palafítico do Moinho de Maré.

Imagens e outras informações: ObservaNatura

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

[0154] As praias da Nossa Banda no fim do século XIX


Desde a década de 1870 as famílias aristocratas e burguesas de Lisboa acostumaram-se a “ir a ares” para a margem Sul do Tejo, havendo referências de que usavam os areais da Ponta dos Corvos (ou Ponta do Mato), da Mutela, da Margueira, de Cacilhas, do Ginjal e da Banática para banhos e natação.
Um pouco mais tarde começou também a ser usada a Trafaria, que foi ganhando importância face aos condicionamentos introduzidos mais a leste (instalação de fábricas, da Base Naval e do Arsenal de Marinha e alargamento do cais de Cacilhas). Em 1901 foi aí inaugurada pela Rainha Dona Amélia uma Colónia Balnear, que a toponímia local recorda assim:



Depois foram descobertas as potencialidades da Cova do Vapor e, a partir de 1925, as da Costa de Caparica, cuja primeira ligação por estrada chegou via Trafaria.

Fontes: Câmara Municipal de Almada (2015)
Fotografias: Eva Maria Blum

sábado, 25 de agosto de 2018

[0153] Entre o passado e o futuro da construção e reparação naval em madeira no estuário do Tejo


A Muleta que se encontrava em construção no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos (concelho da Moita) por encomenda da Câmara Municipal do Barreiro (mensagem «0098») está pronta, aguardando a chegada da autorização para navegar. Trata-se de uma embarcação com nove velas, concebida para a pesca de arrasto e usada entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel (desde um pouco a Norte até um pouco a Sul da costa atlântica de Lisboa).

O mestre Jaime Costa está à frente deste estaleiro, propriedade da sua família desde 1955.


Jaime Costa seguiu a arte do pai, carpinteiro naval, que também já fora a arte do avô e do bisavô.

O pai veio da terra dos moliceiros, Pardilhó, perto de Aveiro, chegando a Sarilhos Pequenos, junto ao Tejo, com 17 anos. E Jaime começou a aprender o ofício aos 11 anos, trabalhando a madeira durante o dia e estudando à noite. Concluíu o curso industrial e comercial na Escola do Montijo, pensou em continuar a estudar no Instituto Superior Técnico, mas o trabalho era muito. Era preciso aprender calafetagem, carpintaria e pintura, um saber empírico passado de pais para filhos.

Na década de 1950 haveria perto de 800 barcos a atravessar o Tejo, nomeadamente fragatas. Quando Jaime Costa chegava a Lisboa, ainda miúdo, as docas do Cais do Sodré, do Jardim do Tabaco, do Poço do Bispo e de Alcântara estavam apinhadas destas embarcações, de gente, que aí desembarcavam produtos agrícolas vindos dos campos alentejanos.
Havia, por essa altura, na margem Sul, 42 estaleiros navais a trabalhar, só entre a Lisnave e Alcochete. Hoje resta um único desses estaleiros. O mestre Jaime Costa, agora com 65 anos, continua a não ter dias de folga, pois no seu estaleiro apenas dispõe de três carpinteiros navais, sendo Jaime o mais novo. Tem encomendas até 2021, em grande parte devido ao interesse das câmaras municipais da margem sul pelas embarcações tradicionais. A Câmara da Moita, por exemplo, pretende lançar a candidatura a património imaterial da UNESCO das técnicas de construção e reparação das embarcações tradicionais do estuário do Tejo. Mas, para Jaime Costa, o turismo pode ser outra oportunidade a ter em conta: “Se nós conseguirmos arranjar diversidade [de trabalhos] para os moços, para virem trabalhar não só na carpintaria ou na pintura, eu penso que será mais cativante. De Verão, contactam com as pessoas, de Inverno reparam as embarcações”.

Fonte jornalística: Moreira (2018b), sendo a fotografia de Daniel Rocha

sábado, 18 de agosto de 2018

[0152] O novo sítio e as próximas iniciativas do Centro de Arqueologia de Almada


O «CAA», como é conhecido entre os seus sócios, é uma associação sem fins lucrativos criada em 1972, com estatuto de utilidade pública e de ONG-Ambiente, onde se trabalha na investigação e na divulgação da Arqueologia, do Património e da História.



Nos quatro Sábados de Setembro o CAA anima quatro visitas guiadas:

8 de Setembro 2018: o Centro Histórico de Cacilhas;
15 de Setembro 2018: a Cova da Piedade – Romeira:
22 de Setembro de 2018: a Trafaria – Murfacém;
29 de Setembro de 2018: o Centro Histórico da Trafaria.

Estas informações, os projectos e os contactos do CAA podem ser acedidos no seu novo sítio:
https://carqueoalm.wixsite.com/carqueoalm.

sábado, 11 de agosto de 2018

[0151] A última salina artesanal do Samouco


A existência de salinas entre o Samouco e Alcochete está documentada desde o século XIII.
Entre os anos 30 e os anos 50 do século XX chegou a aí 56 salinas, trabalhando nelas entre mil a mil e quinhentos salineiros, que produziam cerca de 110 a 120 mil toneladas de sal por ano.
Por volta dos anos 70, antes da construção da Ponte Vasco da Gama, estas salinas entraram em declínio, restando uma única a produzir de forma artesanal, a Marinha do Canto.

As marcas deixadas pelas salinas abandonadas, hoje situadas entre dunas, pinhais e sapais, na margem Sul do Rio Tejo, são bem visíveis no seguinte mapa:

Origem: Googlemaps

Tudo no processo de obter artesanalmente o Sal deve ser feito à mão.

Após o Inverno os tanques são limpos. O primeiro tanque, o que se situa a cota mais elevada, serve para armazenar água e ocupa cerca de um terço da área da salina. Neste local do estuário do Tejo a salinidade da água anda pelos 18 a 20 gramas por litro, tendo a do mar cerca de 40. Esta água vai sendo transferida para outros tanques, por meio de comportas, até chegar ao tanque de cristalização, onde, à medida que a água se evapora, a salinidade da que fica vai aumentando.
Actualmente os tanques de cristalização da Marinha do Canto não ultrapassam 60 a 70 m2 de área, e apenas dois salineiros trabalham neles. Quando a salinidade da água ultrapassa os 200 gramas por litro desenvolve-se na água uma microalga cor-de-rosa, que constitui a base de uma longa cadeia alimentar que tem no topo e dá a cor aos Flamingos. Esta microalga desaparece com o escoamento da água onde vive.

Fotografia de Eva Maria Blum

Além do sal (grosso ou fino, conforme a moagem a que é posteriormente submetido) também se obtém a flor do sal, que se forma à superfície, sem contacto com o fundo do tanque, quando a salinidade da água atinge os 250 gramas por litro.

Além do seu uso na conservação dos alimentos e na culinária, o sal chegou a ser usado como moeda (e foi designado por “ouro branco”), sendo hoje usado para muitos outros fins.

A Marinha do Canto, integrada na natureza que a rodeia, é actualmente gerida pela Fundação Salinas do Samouco.

Fonte informativa: André Batista (da Fundação Salinas do Samouco)

Informação complementar: vídeo https://youtu.be/bfSXMhd-x0Q

quarta-feira, 25 de julho de 2018

[0150] Álvaro Laborinho Lúcio: “há uma educação para ricos e uma educação para pobres”


Nasceu em 1941
Foi jurista, professor universitário e ministro da Justiça

“Eu sou natural da Nazaré, uma terra que era na altura uma terra razoavelmente forte enquanto vila piscatória e onde havia imensa pobreza. Havia uma clara distinção entre o pé calçado e o pé descalço. Eu fiz toda a instrução primária na Nazaré onde havia duas escolas, uma em baixo e outra em cima. Na escola de cima andavam os filhos dos pés calçados. Mas os meus pais quiseram, e bem, que eu estivesse na escola dos pescadores, dos pés descalços. Eu fiquei sempre na escola deles e muitos dos meus amigos de infância fizeram a vida de pescador.
Eu tinha muito a noção do que era a miséria grande que havia na Nazaré, o que isso significava relativamente ao mar, o que isso significava relativamente à pesca, o que significava relativamente ao perigo brutal dos naufrágios que aconteciam. Havia sempre gente de luto na Nazaré e isso fez-me sempre compreender que essa distinção entre o pé calçado e o pé descalço correspondia na Nazaré à geografia da terra. Ia-se até um certo sítio e era a zona do pé calçado, ia-se daí para a frente e era a zona do pé descalço.”

“Há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres, como há uma saúde para ricos e uma saúde para pobres, como há uma educação para ricos e uma educação para pobres. Porque o modo de chegar à justiça, o modo de chegar à saúde e o modo de chegar à educação, tem caminhos que ainda estão fora da justiça, fora da saúde e fora da educação. E quando se chega, já se vai em situação de diferenciação. O importante é acabar com os pobres. A luta deve ser essa. A pobreza é uma violação de direitos humanos e o grande objectivo é a erradicação da pobreza. Foi o que se fez com a escravatura, foi o que se fez com o apartheid.”

“Quando falo nesta Europa que caminhou para a predominância dos interesses, do dinheiro e dos mercados, a escola veio transformar-se num instrumento disto. E isso é extraordinariamente negativo porque, no fundo, nós estamos a formar para isto, quando devíamos estar a formar para uma dissidência possível relativamente a isto, onde a escola devia formar cidadãos cultos, capazes de terem sentido crítico e serem dissidentes. E não. Ela está a formar gente com pensamento único. Se nós perdermos a dimensão cidadã, perdemos o único capital que temos modificador do mundo e da vida.”

Fonte: Laborinho, entrevistado (2018; p. 45)

sábado, 14 de julho de 2018

[0149] Uma magia por um grupo que está em constituição


Concretizando o anúncio feito neste blogue [mensagem «0144»], foi apresentada no Parque da Paz (Almada), no dia 30 de Junho, uma magia baseada nas Curvas de Jordan.
Como primeiro exemplo foi desenhado sobre a relva um «caracol», fechado e sem sobreposições (tal como são caracterizadas estas curvas):

Fotografia de Teresa Nascimento

Não sendo distinguíveis que partes estão dentro ou fora desta curva, foram então colocadas diversas pessoas, umas identificadas como sardinhas, outras como pescadores. À medida que a curva foi sendo pacientemente puxada, verificou-se que todos os pescadores estavam fora e todas as sardinhas estavam dentro dela.
Esta pequena magia aludiu à Arte Xávega, a arte pesqueira que se pratica na vizinha Costa da Caparica e que desde há pouco mais de um ano figura no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial [mensagem «0038»].

Depois de apresentada uma fundamentação matemática para o ocorrido …

Fotografia de Eva Maria Blum

… foi desenhado sobre a relva um segundo exemplo da Curva de Jordan, em forma de labirinto, e mostrada praticamente a regra de colocação de sardinhas e pescadores:

Fotografia de Eva Maria Blum

E a magia funcionou de novo!

O grupo de animadores desta iniciativa já explorou um outro tema, inspirado na exposição Com Conta, Peso e Medida ... [mensagem «0109»], patente ao público no Moinho de Maré de Corroios, onde se foca a colecção do Aferidor Municipal do Seixal.

A partir de Setembro este grupo pretende abordar outros temas (por exemplo: Quotidiano e Física; Origami e Matemática; Azulejos na Região; Blogues e Memória; …), reunindo para isso na última 4ª feira de cada mês, a partir das 15h00, na sede da Associação Almada Mundo, situada na Praça Capitães de Abril nº 2, Cova da Piedade: a participação é livre!

sábado, 7 de julho de 2018

[0148] A «Ilha do Sumiço»


O luto que se atravessa entre nós e a exuberância da luz e das cores no seio das quais vivemos …


… vem lembrar-nos a perda, as múltiplas perdas … e o seu ribombar, que pode ser mais forte que o da mãe natureza …

Este é o sumiço da vida, do trabalho; e também dos espaços da vida e do trabalho. E talvez o da própria natureza.

terça-feira, 3 de julho de 2018

[0147] Está quase a chegar o «Ciência Viva no Verão» de 2018


O programa com as centenas de acções propostas por centros ciência viva, instituições científicas, autarquias, empresas e associações científicas, e a realizar por todo o país de 15 de Julho a 15 de Setembro, vai ser divulgado esta semana!
A inscrição é necessária, mas gratuita.

Procurar informações aqui.


Fonte: sítio da Ciência Viva

sábado, 23 de junho de 2018

[0146] Tópicos sobre o património histórico do concelho do Barreiro


Da exposição permanente do Espaço Memória do Barreiro



Povoado Neolítico, na Ponta da Passadeira: com cerca de 5 000 anos; vestígios que o associam à caça, à pesca, à recolecção de marisco, à olaria e ao eventual culto do touro.

Vinhas: está documentada a sua existência em Coina (1257) e no Lavradio (1298); na primeira metade do século XIX elas ocupavam um terço do solo do concelho.

Salinas: existiam no Lavradio (antes de 1317) e no estuário do Coina (desde 1322); perduraram, juntamente com a agricultura, até ao início do século XX.

Fornos Cerâmicos: os da Mata da Machada (séculos XV e XVI) usavam a argila e a lenha das proximidades, produzindo malgas, pratos, candeias, tigelas, copos, escudelas e talhas, pesos de rede, telhas, formas de biscoito (para o Vale do Zebro) e formas de pão de açúcar (para os engenhos açucareiros); mesmo se pode dizer do forno de Santo António da Charneca, da mesma época.

Complexo Real de Vale do Zebro: no século XV tinha 27 fornos, um armazém de cereal, um cais de embarque, um moinho de maré com 8 moendas (o maior do estuário do Tejo, nessa época); produzia o «biscoito» (o nome proveio das duas cozeduras a que era sujeito, para ficar completamente desidratado), que era conservado em barricas e não azedava durante as viagens marítimas (precisava de ser humedecido antes de poder ser consumido; a ração diária era de 428 gramas por pessoa); danificado pelo terramoto de 1755, foi reconstruído, acabando por servir para outros fins.

Moinhos de maré: foi referenciada a existência de 11; o primeiro data de 1484; há vestígios dos de Coina, Telha, Palhais, de três na Alburrica (Grande, Pequeno e do Cabo) e do d`El Rei (Vale do Zebro); no século XVIII foi construído o de Braancamp, maior que o de Vale do Zebro; antes destes moinhos houve moinhos fluviais.

Moinhos de vento: aproveitavam os ventos predominantes de Norte; haveria uma dúzia no século XVIII, que perderam valor comercial com a chegada da moagem industrial; na Alburrica, subsistem os moinhos Nascente e Poente (1852), de tipologia portuguesa, e o Gigante (1852), de três pisos e pás de madeira, de tipologia holandesa, tal como o moinho do Jim, que se situou na antiga praia do Norte, hoje Av. Bento Gonçalves (1827).

Construção naval: para embarcações de longo curso, desde o século XV até ao século XIX, situada na Ribeira da Telha (Azinheira Velha, Santo André), próximo de uma mancha florestal (Mata da Machada); trabalhou em articulação com a construção naval da Ribeira, em Lisboa; paralelamente desenvolveu-se a construção e a reparação naval, destinadas à pesca e à navegação no rio.

Muleta: esta embarcação aparenta ter raízes no Mediterrâneo oriental; possui um mastro inclinado, com verga para uma grande vela latina, dois panos na ré e seis na proa; e possui «tartaranha» (rede de arrasto e de alar) e redes de deriva; exigia uma campanha de 15 homens, um mestre e 2 moços auxiliares; em 1901 só havia uma a laborar; foi substituída pelo Bote-de-fragata em 1928.

Real Fábrica de Espelhos e Vidros Cristalinos de Coina: fundada no século XVIII, por D. João V; laborou entre 1719 e 1749, sendo transferida para a Marinha Grande devido à proibição de utilizar a madeira dos pinhais reais, apesar de ter usado, durante algum tempo, hulha importada.

Linha Ferroviária de Sul do Tejo: começou a ser explorada comercialmente em 1861; em 1884 foi-lhe acrescentado a ligação a um cais fluvial, tornando atrativo o seu uso pela indústria.

Indústria Corticeira: a primeira notícia da inauguração de uma fábrica de cortiça no Barreiro é de 1865; em 1920 havia aí 40 fábricas e mais de 1000 operários (um terço da população activa barreirense; houve quem trabalhasse a partir dos 7 anos de idade; no fim do século XIX a jornada de trabalho era de 12 horas); a CUF veio proporcionar condições mais atractivas para os trabalhadores, a que se juntou a pressão do crescimento urbano, levando ao desaparecimento desta indústria.

Companhia União Fabril (CUF): instalou-se no Barreiro, para se expandir, pois o seu desenvolvimento estava limitado em Lisboa; em 1907 já tinha armazéns e um cais acostável; depois teve um ramal de caminho-de-ferro e novos terrenos para Sul do terreno inicial, situado junto ao rio; constrói um bairro operário em 1908; no final dos anos 50 emprega mais de 8 mil operários e na década seguinte mais de 10 mil; a recessão dos anos 70 questionou o seu modelo de grande concentração industrial.

Associativismo: são centenárias a Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense «Os Penicheiros» e a Sociedade União Democrática Barreirense «Os Franceses» (1870); a Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste (1894); a Sociedade Filarmónica União Agrícola 1º de Dezembro (1896); o Futebol Clube Barreirense e a Cooperativa «Corticeiros» (1911); e a Cooperativa Popular Barreirense (1913).

Fonte (catálogo): Camarão & Carmona (2015)

domingo, 17 de junho de 2018

[0145] Dia 4 de Julho: oficinas metrológicas para educadores (no IPQ)


Conforme lembra o Instituto Português da Qualidade (IPQ), a Metrologia é a ciência da medição e das suas aplicações, incluindo entre os seus conteúdos “as unidades de medida, os seus padrões e os instrumentos de medição, bem como todas as questões teóricas e práticas relacionadas com as medições.”

Na tarde do próximo dia 4 de Julho o IPQ promove as Oficinas à medida 2018, subordinadas ao tema Metrologia e Ensino, tendo como objetivo, para além da divulgação da Metrologia, a interação com outras organizações ligadas à educação ao nível do Ensino Básico, do Ensino Secundário e do Ensino Superior.”


Será feita uma introdução à Metrologia em sala de aula, por Olivier Pellegrino, seguindo-se-lhe oficinas laboratoriais sobre: comprimento; pH; eletricidade; propriedades dos líquidos; e volume. Para além de serem abordados de alguns conceitos básicos, serão apresentados exemplos de experiências didáticas e de recursos para a sala de aula, e promovido o diálogo entre metrologistas e a comunidade docente.

A participação é gratuita, mas não dispensa a inscrição prévia, que poderá ser feita (até ao dia 29 de Junho de 2018)a partir das instruções anexas ao programa.

Fonte: sítio do Instituto Português da Qualidade

domingo, 10 de junho de 2018

[0144] Uma magia no Parque da Paz (concelho de Almada)


A Curva de Jordan é uma curva muito simples.
Talvez por assim ser ela permite executar uma curiosa magia, apoiada numa história que diz respeito ao Património Imaterial do concelho de Almada (escolheu-a quem a vai apresentar …).

Qualquer pessoa pode participar nesta magia, que decorrerá no dia 30 de Junho, a partir das 10h, no Parque da Paz (vizinho do Centro Sul), junto ao muro situado entre o estacionamento da sua entrada principal e o quiosque:


No fim, quem quiser petiscar e conversar pode levar um farnel!

Os animadores desta actividade (Conceição Tomaz, Doroteia Costa, Fernando Martins, Filomena Teles, José Pinheiro, Lídia Matias, Lisete Seromenho, Mirita Sousa, Pedro Esteves, Rita Vieira, Teresa Nascimento e Vera Figueiredo) organizam, regularmente, um encontro-conversa.
A Curva de Jordan foi o tema principal do primeiro desses encontros, que aconteceu no dia 30 de Maio.
O próximo tema principal inspira-se na exposição Com Conta, Peso e Medida ..., que está patente ao público no Moinho de Maré de Corroios e na qual é focada a colecção do Aferidor Municipal do Seixal [mensagem «0109»], e irá ser abordado no encontro-debate do dia 27 de Junho, a iniciar pelas 15h, na sede da Associação Almada Mundo, sita na Praça Capitães de Abril nº 2, Cova da Piedade.

Estes encontros-debates ocorrem (em princípio) na última 4ª feira de cada mês, sendo de participação livre.

sábado, 2 de junho de 2018

[0143] As escolas e os seus nomes, na Nossa Banda


Há cerca de três décadas atrás os nomes das nossas escolas eram administrativamente decididos pelo Ministério da Educação. Como exemplo, na Nossa Banda, o Liceu Nacional de Almada, depois Escola Secundária de Almada, só adoptou o nome que hoje tem, Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, por decisão da própria escola, em 1987-88 [mensagem «0132»].

Que nomes escolheram então as escolas?
Nos concelhos de Almada e do Seixal, os nomes através dos quais as escolas públicas, isoladas ou agrupadas, visam ser identificados são ou o da sua localidade, ou o de um patrono.

As localidades mencionadas são 9 (num total de 27, ou seja 1/3): Alfazina; Amora; Cacilhas; Caparica; Monte de Caparica; Pinhal de Frades; Terras de Larus (designação poética); Trafaria; Vale de Milhaços.

E os patronos escolhidos são 18 (num total de 27, ou seja 2/3):
Alfredo dos Reis Silveira (1871-1935; construtor naval; autarca republicano);
Anselmo de Andrade (1844-1928; proprietário agrícola; economista, investigador, escritor, jornalista e político);
António Augusto Louro (1871-1949; promotor do ensino e político republicano);
António Gedeão (1906-1997; professor [Rómulo de Carvalho] e poeta [António Gedeão]);
Carlos Gargaté (artista e professor);
Daniel Sampaio (1946; psiquiatra e professor);
Elias Garcia (1830-1891; militar, professor, jornalista e político republicano);
Emídio Navarro (1844-1905; jornalista e político);
Fernão Mendes Pinto (1509-1583; explorador e escritor);
Francisco Simões (1946; escultor);
João de Barros (1496-1570; historiador e gramático);
José Afonso (1929-1987; cantor e compositor);
Manuel Cargaleiro (1927; pintor e ceramista);
Nun’Álvares (1360-1431; nobre e militar);
Paulo da Gama (cerca de 1465-1499; navegador);
Pedro Eanes Lobato (?-1442; companheiro de armas de D. Nuno Álvares Pereira);
Romeu Correia (1917-1996; desportista, escritor e dramaturgo);
Ruy Luís Gomes (1905-1984; matemático).


Fontes : sítios dos Centros de Formação de Associação de Escolas de Almada (AlmadaForma) e do Seixal (Academia do Professor), para os nomes das escolas; Wikipédia, para a biografia dos patronos (excepto António Augusto Louro, Carlos Gargaté e Pedro Eanes Lobato); sítio da Capeia Arraiana, para a biografia de António Augusto Louro; Facebook, para a Escola Pedro Eanes Lobato