quarta-feira, 30 de agosto de 2017

[0079] Encontro de História Oral - Práticas e Experiências Locais sobre a Memória

Este Encontro será realizado nos dias 11 e 12 de Outubro, no Museu da Cidade de Almada. Para os interessados, haverá ainda uma acção de formação creditada no dia 13.

Os respectivos programas podem ser acedidos através de


onde também é possível proceder às correspondentes inscrições.


Fonte: sítio da Câmara Municipal de Almada

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

[0078] Uma visita agradável e didáctica: a Estufa Fria, em Lisboa

O local onde a Estufa Fria se situa foi inicialmente uma pedreira onde se extraia basalto.
A fonte que aí brotava, e que comprometia a exploração, proporcionou alimento às plantas que, vindas de todo o mundo, se foram concentrando no espaço deixado vago e que se destinavam à arborização da Avenida da Liberdade. O atraso na concretização desta (em parte devido à Primeira Guerra Mundial) conduziu à transformação da antiga pedreira em abrigo para as plantas (significado de «estufa») aí guardadas, que foi inaugurada em 1933.

Actualmente a Estufa Fria é composta por três estufas: a Estufa Fria original e, mais recentes, a Estufa Quente e a Estufa Doce.
A designação «fria» significa que nela não é usado qualquer sistema de aquecimento. As outras duas dispõem de coberturas de vidro, que lhes eleva a temperatura, sendo a «quente» destinada a plantas tropicais (como o Cafeeiro, a Mangueira e a Bananeira) e a «doce» às Cactáceas (como o Aloé)

Não sendo um museu no sentido tradicional, é-o em sentido lato …

Até 17 de Setembro apresenta, no seu Centro de Interpretação, uma exposição sobre a difusão mundial das plantas durante a primeira globalização:


Fontes informativas: Câmara Municipal de Lisboa (folheto, sem data); Estufa Fria (sítio)

domingo, 20 de agosto de 2017

[0077] Encontro sobre Literacias e Necessidades Educativas Especiais em Almada


Trata-se de um encontro de apoio ao lançamento de um projecto da Câmara Municipal de Almada, no âmbito de uma candidatura a Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar (integrado no Portugal 2020 / Europa 2020).

A participação é gratuita, pressupondo inscrição

Fonte informativa: sítio da Câmara Municipal de Almada

domingo, 13 de agosto de 2017

[0076] Quem, da Nossa Banda, vai estar envolvido no Projecto Autonomia e Flexibilidade Curricular em 2017-18

Segundo a Direcção-Geral da Educação as escolas e os agrupamentos da Nossa Banda que decidiram envolver-se neste projecto (que envolve turmas de início de ciclo: 1º, 5º, 7º e 10º anos), que é da responsabilidade do Ministério da Educação, são (eventualmente, a lista pode estar incompleta):


Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi

Agrupamento de Escolas: Anselmo de Andrade; de Azeitão; do Barreiro; da Caparica; Emídio Navarro; do Monte da Caparica; Navegador Rodrigues Soromenho; de Pinhal de Frades; Romeu Correia; de Vale de Milhaços

Colégio: Atlântico; Cantinho das Descobertas

Escola Profissional: de Almada; da Moita

Escola Secundária: da Baixa da Banheira; Fernão Mendes Pinto

Seria interessante que os alunos, os pais e encarregados de educação e os professores envolvidos nesta experiência tomassem a iniciativa de se encontrar a meio e no final de 2017-18 para fazer o seu próprio balanço deste primeiro ano. Seria sinal de uma autonomia que não tem existido.

Fonte: sítio da Direcção-Geral da Educação

sábado, 5 de agosto de 2017

[0075] Navegação e medições: um check-in no século XVII

O holandês Dirk Stoop (1610 – 1686) pintou em 1662, ao serviço de D. João IV, um quadro (a óleo sobre tela, com 1230 mm x 1725 mm) que hoje é conhecido por Terreiro do Paço no século XVII e está à guarda do Museu de Lisboa:


A cena representada está relacionada com a partida da infanta D. Catarina de Bragança para Londres, onde casaria com o rei Carlos II.

Além dos variados e interessantes pormenores sobre a época podemos ver, à esquerda, junto ao rio, o embarque do dote da infanta, que está a ser supervisionado (e pesado) por funcionários ingleses. Algo que hoje, com as adequadas diferenças, é feito à bagagem de cada passageiro nos nossos aeroportos …


Informação sobre o quadro: exposição «Debaixo dos nossos pés» (Museu de Lisboa)
Imagem completa: sítio do Museu de Lisboa
Fotografia do pormenor: Eva Maria Blum (em 23 de Julho de 2017, na exposição «Debaixo dos nossos pés»)

sábado, 29 de julho de 2017

[0074] Para a observação de aves: o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena

Este espaço está situado na extremidade da Lagoa de Albufeira, no concelho de Sesimbra, sendo acessível a partir da Estrada Nacional nº 377 (para quem se desloca na direcção das aldeias de Alfarim e do Meco, a saída encontra-se claramente assinalada).

Fotografia do painel interpretativo principal: Eva Maria Blum (29 de Julho de 2017)

Dispõe de caminhos para observação das aves e das plantas aquáticas, com troços sobre passadiços que permitem caminhar sobre as águas e aceder a observatórios situados já dentro destas.










A ave que figura no seu logótipo é o Galeirão, talvez por ser muito visível. Mas também são facilmente observadas a Garça-real (ou Garça-cinzenta), a Garça-branca, a Gaivota-de-patas-amarelas, o Corvo-marinho e a Gralha, entre outras (dependendo da época do ano: as aves podem ser residentes, invernantes e estivais).

É possível realizar visitas por conta própria (tendo em atenção o horário de abertura do espaço), ou com acompanhamento.
Informações e contactos: Câmara Municipal de Sesimbra (www.cm-sesimbra.pt)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

[0073] O passado e o futuro das nossas universidades populares

Paulo Almeida, professor do Instituto Superior Técnico, redigiu em 2001 um pequeno texto que intitulou «Universidade Popular Portuguesa. Passado e Futuro».

Sobre o passado, Paulo Almeida começou por lembrar como, no século XIX, Alexandre Herculano caracterizara a “instrução popular” e como surgiram instituições que a procuraram implementar: a Voz do Operário (1883) e a Academia de Estudos Livres (1889), ambas em Lisboa e depois, já durante a República, a Universidade Livre (Lisboa, 1911), com as suas palestras semanais seguindo-se-lhe, passados poucos anos, a Universidade Popular do Porto, a Universidade Popular de Setúbal e, em Lisboa, a Universidade Popular Portuguesa (1919), cuja sessão inaugural decorreu na Padaria do Povo, em Campo de Ourique, e onde colaboraram, entre outros, António Sérgio, Jaime Cortesão, Rodrigues Lapa, Raul Proença, Mira Fernandes, Faria de Vasconcelos, Agostinho da Silva, Vieira de Almeida, Cirilo Soares, Moisés Amzalak, Leite de Vasconcelos, Mendes Correia, Virgínia de Castro Almeida, Aurélio Quintanilha e Azeredo Perdigão.

Foi na Universidade Popular Portuguesa que Bento de Jesus Caraça proferiu, em 1933, a sua mais famosa conferência: «A Cultura Integral do Indivíduo».


Paulo Almeida considerou ainda que a Universidade Popular continua a ter um importante lugar no futuro, pois “O ensino, hoje, em toda a Europa, visa sobretudo e cada vez mais o fabrico de eleitores, consumidores e contribuintes relegando para segundo plano a riqueza individual de cada um e cerceando as formas efetivas de participação coletiva.

O texto integral deste escrito de Paulo Almeida e o de Bento Jesus Caraça estão acessíveis na página «Documentos» deste blogue, tendo o primeiro sido enviado por António Amaral e o segundo retirado da ligação proporcionada na Wikipédia (em Bento de Jesus Caraça).

Fontes:documento, Almeida (2001); imagem, Wikipédia (Bento de Jesus Caraça), acedida em 26 de Julho de 2017

sábado, 22 de julho de 2017

[0072] Os planos municipais de combate ao abandono e insucesso escolares

Contando com generoso financiamento europeu, que o Estado central promove através do Portugal 2020, começam a surgir, por iniciativa de diversos municípios, os planos municipais de combate ao abandono e ao insucesso escolares.


A Câmara Municipal de Almada preparou o seu, para o triénio 2017-2020, destacando-se nele o Mais Leitura / Mais Sucesso e, na vertente da expressão musical, o Outras Bandas – Instrumentos de Inclusão.













Fonte informativa: folhetos distribuídos pela Câmara Municipal de Almada

terça-feira, 18 de julho de 2017

[0071] Para as crianças, para todos nós: o Museu da Marioneta

Este museu foi criado em 1987, pela Companhia de Marionetas de S. Lourenço. A abertura ao público só ocorreu em Novembro de 2001, quando a Câmara Municipal de Lisboa lhe proporcionou o espaço do renovado Convento das Bernardas, situado em Santos.


Dedicado à história, interpretação e divulgação do universo da marioneta, possui uma colecção de máscaras e marionetas originárias de diferentes partes do mundo, que ilustram as diversas formas de manipulação, entre elas as marionetas de luva, as marionetas de fios, as sombras e as máscaras.

O Serviço Educativo proporciona visitas orientadas, visitas incluindo actividades, ateliês, manhãs criativas / ateliês de família, férias escolares e festas de aniversário.

Fonte informativa: Museu da Marioneta

quarta-feira, 12 de julho de 2017

[0070] Chegou o «Ciência Viva no Verão» de 2017

De 15 de Julho e 15 de Setembro há, um pouco por todo o país, mais de 800 iniciativas gratuitas de divulgação científica em que os veraneantes – que somos todos nós - podem participar.


Na Nossa Banda há iniciativas previstas nos concelhos de Almada, Barreiro, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal.

A descrição dessas iniciativas (o quê, onde, quando e como) pode ser consultada em
onde também podem ser feitas as respectivas (e indispensáveis) inscrições.

Fonte: Ciência Viva

sábado, 8 de julho de 2017

[0069] Uma experiência pedagógica em 2017-18, nas escolas que o decidirem

No passado dia 5 de Julho foi publicado na IIª Série do Diário da República o Despacho nº 5908/2017.
Através dele é autorizada, no próximo ano lectivo, em regime de experiência pedagógica, a implementação do projeto de autonomia e flexibilidade curricular dos ensinos básico e secundário.

Concorrem as escolas que o desejarem, com as turmas que decidirem.

Fonte: Diário da República Electrónico

sábado, 1 de julho de 2017

[0068] O 34º Festival de Almada (teatro, dança e música)

De 4 a 18 de Julho Almada volta a ser a capital do Teatro.

Estão programadas 44 produções de teatro, dança e música, com autoria de 15 criadores oriundos de França, Noruega, Bélgica, Argentina, Roménia, Inglaterra, Israel, Itália, Suíça e Espanha.


«Hedda Gabler», de Ibsen, com encenação de Juni Dahr, a peça mais votada no ano passado pelo público, regressa como «Espectáculo de Honra».

Haverá espaço para grandes nomes do teatro europeu, sendo apresentadas, entre outras peças, criações do suíço Christoph Marthaler, do italiano Pippo Delbono, da romena Gianina Cărbunariu, da companhia belga «Peeping Tom» e do agrupamento inglês «1927».

Às companhias nacionais estão reservadas cinco estreias e um ciclo dedicado ao Novíssimo Teatro Português.

Este ano será homenageado o artista plástico António Lagarto, a quem é dedicada uma exposição e uma instalação na Escola D. António da Costa.

A responsável pelo curso de formação teatral «O Sentido dos Mestres» é a encenadora norueguesa Juni Dahr e o autor do cartaz desta edição é Jorge dos Reis, que terá patente uma exposição de artes plásticas na Casa da Cerca.

Fonte informativa: www.m-almada.pt

sábado, 24 de junho de 2017

[0067] Em preparação: a Universidade Popular de Almada

Adoptando um conceito que difere do usado pelas universidades sénior ou da terceira idade, esta nova Universidade está aberta a toda a população, independentemente da sua idade e estatuto social.

Trata-se de um projeto da Academia de Cultura e Solidariedade Ramiro Freitas para “promover a educação ao longo da vida, de modo a contribuir para o desenvolvimento pessoal através de atividades nas áreas social, educativa e cultural, elevando os níveis de literacia, do conhecimento e da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, através da realização de cursos, seminários e outras sessões de estudo, nomeadamente:
- Ciclos com aulas, com diferentes temas e periodicidades.
- Oficinas temáticas, de duração variável.
- Fórum «Pensar A Vida», ciclo de debates e de palestras.
- Centro de Estudos Temáticos: Círculo de Estudos Alentejanos (d’aquém e além Tejo) e     Círculo de Estudos da Diáspora cabo-verdiana e outras comunidades.”


quarta-feira, 21 de junho de 2017

[0066] Um homem de Almada: Romeu Correia (1917 – 1996)

A exposição “Um homem chamado Romeu Correia” foi inaugurada no Museu da Cidade de Almada no passado dia 8 de Abril, estando aí em exibição até ao próximo dia 31 de Dezembro.

Biobibliografia de Romeu Correia apresentada no sítio do Instituto Camões:

(Cacilhas, 17-11-1917 – Almada, 12-06-1996)

Romeu Henrique Correia foi um “[e]scritor de raiz autenticamente popular, arrancando os seus temas (dramáticos e narrativos) à sua experiência dos meios proletários e pequeno-burgueses da capital e da sua cintura” (Rebello 1984: 63).

Paralelamente, houve o contacto com grupos de teatro amador de Almada, propício para incentivar e consolidar “uma carreira de autor dramático que o levaria até à primeira fila do nosso teatro contemporâneo e em que se combinam habilmente elementos do teatro de fantoches e de feira, do circo, do melodrama populista e do teatro de vanguarda” (Idem, ibidem).

     Romeu Correia, sem data
     [Arquivo da Companhia de Teatro de Almada]

A crítica expressou-se de imediato em termos lisonjeiros, designando o autor como “o mais genuíno dos dramaturgos de tendência neo-realista” (Rebello apud Flores 1987: 35) e “a maior revelação teatral do neorealismo” (António José Saraiva, apud Flores, Ibidem: 19). Essa posição ficou alterada pela mudança de rumo do dramaturgo, que inicialmente se adaptou ao neorealismo com a preocupação social e pedagógica, para a seguir oscilar “entre o irreal e o vital, o imaginativo e a realidade comezinha, excepto na ‘crónica dramática e grotesca’ Bocage, que, sendo um dos belos exemplos de teatro épico em Portugal, se institui, sobretudo, como uma narrativa de visualização plástica” (Mendonça 1971: 25-26), ou então conjugando o realismo popular com elementos imaginários, recusando-se “à fixação num modelo rígido que aliás o neo-realismo não impõe” (Carlos Porto, apud Flores, Ibidem), como também expressando “os conflitos sociais integrando-os no qua há de ritual poético no melhor teatro” (Mário Sacramento, apud Flores, Ibidem: 18).
As peças de Romeu Correia revelaram-se, portanto, numa síntese formulada a posteriori, a meio caminho entre realismo e expressionismo, de que são protagonistas os humilhados que afirmam os seus sonhos de resgate, a sua luta quotidiana, as problemáticas ligadas ao seu estatuto social. Pela fusão poética destes elementos, O vagabundo das mãos de oiro recebeu o Prémio da Crítica e foi unanimemente considerada a obra-prima do dramaturgo.
Para traçar cronologicamente o percurso de Romeu Correia, é preciso recuar aos finais dos anos 30, quando começou a escrever farsas carnavalescas em 1938, sendo Razão a sua peça de estreia, representada pela primeira vez em 1940 por um grupo amador de Almada. Espetador teatral assíduo, foi sobretudo no Teatro Estúdio do Salitre que absorveu as várias tendências estéticas modernas e contemporâneas que são visíveis nas suas peças num acto: Laurinda (1949, editada no mesmo ano nas páginas da revista Vértice), As cinco vogais (1951) e Desporto rei (1955).
A imediata representação de uma das suas peças pelo Grupo de Amadores da Sociedade Guilherme Cossoul deu-lhe o estímulo para escrever Casaco de fogo (1953, publicada pela primeira vez em 1956), peça dum simbolismo expressivo que descreve a vida nos bairros pobres, e que foi levada à cena em 1953 pelo Teatro Nacional D. Maria II. Seguiram-se os três atos de Céu da minha rua, apresentados em 1955 no Teatro Maria Vitória com o título Isaura, a galinheira (que terá posteriormente uma versão televisiva), Sol na floresta (publicada em 1968 no volume Três peças de Romeu Correia juntamente com Laurinda e Céu da minha rua) e O vagabundo das mãos de oiro (1960), sendo estas últimas levadas à cena respetivamente em 1957 e em 1962 pelo Teatro Experimental do Porto (companhia que, em 1968, propôs uma nova montagem de Desporto rei).
O vagabundo das mãos de oiro, farsa poético-política em três actos, cujo espetáculo de estreia absoluta mereceu o Prémio da Crítica de Teatro, teve êxito também junto dos leitores, tendo sido objeto de várias reedições, bem como de traduções para alemão (foi incluída na antologia organizada por José Luís de Freitas Branco, Dialog Stücke aus Portugal: Santareno, Coutinho, Rebello, Correia, Berlim, 1978) e italiano (na antologia abaixo referida, Teatro portoghese de XX secolo, Roma, 2001).
Se o texto seguinte, Jangada (1962, farsa em dois atos apresentada em 1966 no Teatro Villaret pela Companhia Portuguesa de Comediantes), se concentrava nos preconceitos e conflitos geracionais, em Bocage (1965) detetavam-se elementos das teorias brechtianas, inseridos através da parábola do poeta maldito que deu o título à peça, tornando-se emblema da decadência de uma época. A produção completa de Romeu Correia conta ainda com Amor de perdição (1966) “glosa dramática” redigida por encomenda a partir do romance homónimo de Camilo Castelo Branco; O cravo espanhol (1969, representada em 1970 no Teatro Capitólio), com tema etnográfico; Roberta (1971, levada à cena pelo Teatro Estúdio do Barreiro em 1972, distinguida no mesmo ano com o Prémio da Casa da Imprensa e produzida em versão televisiva transmitida pela RTP em 1977), inspirada nas antigas feiras e nos tradicionais robertos, marionetas que aqui encarnam tipos humanos; A vaga (1977); Grito no Outono (1980); As quatro estações (1980, encomendada pela Secretaria de Estado da Cultura e redigida para a televisão), empenhada na defesa dos direitos dos grupos socialmente excluídos e marginais; Tempos difíceis (1982, levada à cena no mesmo ano pelo Grupo de Teatro de Campolide), inicialmente intitulada Rectaguarda, baseada nos acontecimentos que, em 1958, envolviam a candidatura às eleições presidenciais do general Humberto Delgado, e as esperanças de renovação por parte dos progressistas que o apoiavam; O andarilho das sete partidas (1983), sátira comemorativa do IV centenário da morte do navegador Fernão Mendes Pinto pelas evocações as suas façanhas; A palmatória (1995), farsa trágica sobre a figura do poeta satírico setecentista Nicolau Tolentino.
Para além da edição de alguns volumes de narrativa e de contribuições variadas dispersas na imprensa periódica, recorde-se a sua adaptação teatral, redigida por encomenda em 1968 e inédita, do romance A rosa do adro (1870), de Manuel Maria Rodrigues. Em 1984 recebe o "Prémio de Teatro 25 de Abril" atribuído pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.
* Este texto é a versão revista e em português da ficha bio-bibliográfica de Romeu Correia editada in: Sebastiana Fadda (a cura di), Teatro portoghese del XX secolo, Roma, Bulzoni Editore, 2001. Desta antologia faz parte a peça Il vagabondo dalle mani d’oro.

Romeu Correia foi ainda conhecido como desportista e cidadão.

Fontes na internet: Museu da Cidade de Almada; Instituto Camões

sexta-feira, 16 de junho de 2017

[0065] 20 de Junho, Dia Mundial dos Refugiados

Em 2000 as Nações Unidas alargaram o Dia do Refugiado Africano para Dia Mundial dos Refugiados, celebrando-o desde 2001.

A história tem persistentemente gerado refugiados, que a nossa cultura refere:


Mostrando como o passado pode servir para reflectir o presente, e o presente para interpretar o passado, Neil MacGregor, director do Museu Britânico, pediu a Lorde Ashdown para comentar os relevos de Lachish (que contam uma história de guerra e de refugiados na Judeia dos finais do século VIII a. C.):

Vi campos de refugiados por todos os Balcãs e, francamente, nunca consegui evitar que as lágrimas me viessem aos olhos, porque o que via era a minha irmã, a minha mãe, a minha mulher e os meus filhos. Vi sérvios expulsos por bósnios, e bósnios expulsos por croatas, croatas expulsos por sérvios e por aí adiante. Vi ainda o mais infame de tudo, os refugiados ciganos, um grande campo de refugiados, talvez 40 a 50 mil, a cargo do meu exército, a NATO. E ficámos a olhar enquanto as suas casas eram queimadas e eles eram expulsos dos seus lares. E isso fez-me sentir não só desesperadamente triste, mas também envergonhado. O que é verdade, e o relevo [de Lachish] mostra, é, em certo sentido, o carácter imutável e inalterável da guerra. Há sempre guerras, há sempre mortes, há sempre refugiados. Os refugiados são uma espécie de destroços e carga deitada ao mar. São abandonados quando a guerra termina.

Fonte bibliográfica: Lorde Ashdown, citado por MacGregor (2014; p. 145)
Fotografia: Eva Maria Blum

terça-feira, 13 de junho de 2017

[0064] A obesidade dos nossos adolescentes

As imagens que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu da obesidade dos nossos adolescentes, em 2002 e em 2014, não eram boas: os nossos jovens aos 11, aos 13 e aos 15 anos estavam, e continuam a estar, entre os europeus mais obesos.

Em ambos os anos, os nossos jovens obesos seriam cerca de 5%:


As culpas são atribuídas à má alimentação e à reduzida actividade física. E as previsões para o futuro não são boas: cerca de 4 em 5 dos jovens obesos não superarão a obesidade e tal gerará problemas cardiovasculares, respiratórios, mentais e com a diabetes.


Fonte jornalística: Borja-Santos (2017), que se baseia no relatório «Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014» da OMS

sexta-feira, 9 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

[0062] A exposição «Na rota do progresso: a indústria naval em Almada»

Breve memória visual de uma visita à exposição permanente do Museu Naval de Almada:

Vista geral

     Traçado de peças em verdadeira grandeza
     (Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)

Traçado de peças em verdadeira grandeza

Traçado de peças em verdadeira grandeza     
(Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)     

O período tecnológico a que a Sala do Risco corresponde situa-se entre aquele em que o conhecimento estava na cabeça dos artesãos da construção em madeira e o actual, em que o conhecimento foi concentrado nos meios computacionais.

Este museu é acessível: ou a partir de Cacilhas, seguindo a pé pelo Ginjal até pouco depois do elevador panorâmico; ou a partir de Almada Velha, passando pela Boca de Vento e descendo até à beira Tejo pelo elevador panorâmico.

Fotografias: Eva Maria Blum (em Setembro de 2012); as duas últimas são fotografias de fotografias (e a penúltima foi entretanto retirada da exposição)

domingo, 4 de junho de 2017

[0061] 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos

Embora as raízes deste dia sejam mais antigas, ele foi adoptado, desde 2009, pelas Nações Unidas. O tema proposto para este ano é: «Os nossos Oceanos, o nosso Futuro».

Há uns anos atrás foi muito divulgado um dos problemas que todos os oceanos têm: o lixo que neles acumula e se vai concentrando em grandes ilhas.

O jornalista José Vítor Malheiros contou como tinha tomado conhecimento da ilha de lixo do Pacífico:

A ilha foi descoberta por um conhecido oceanógrafo californiano, Charles J. Moore, em 1997, quando regressava de uma regata Los Angeles-Havai a bordo do seu catamarã e tem a particularidade de ser uma ilha onde não se pode desembarcar porque é formada de plástico flutuante. O nome oficial é Great Pacific Garbage Patch (ou Grande Extensão de Lixo do Pacífico), mas é mais conhecida pelo nome de «Ilha de Lixo do Pacífico».

E prosseguiu assim:

Dizer que a ilha é feita de lixo não é rigoroso. Na realidade, é feita de plástico - o outro lixo ou se degrada ou se afunda. E dizer que se trata de uma ilha também é incorrecto, porque não se pode dizer exactamente quais são as suas fronteiras. Na realidade, é uma imensa extensão onde existe uma imensa quantidade de pedaços de plástico em suspensão, desde pedaços de embalagens de champô, cápsulas de garrafas, pedaços de brinquedos e bocados de redes de pesca até pedaços microscópicos, invisíveis a olho nu. O plástico desfaz-se, em pedacinhos cada vez mais pequenos, mas não se degrada e vai entrando na cadeia alimentar. Nalguns casos, mata imediatamente os animais que os ingerem ou que se enredam neles. Noutros casos mata-os lentamente, obstruindo vias respiratórias, tubos digestivos, acumulando-se no seu estômago e intestinos, intoxicando-os lentamente.
A Grande Ilha de Lixo tem, diz-se, o tamanho do Texas (os americanos acham que tudo o que é grande é como o Texas). Ou talvez mesmo o tamanho dos Estados Unidos. Mas ninguém sabe ao certo.


Um outro jornalista, Nicolau Ferreira, referiu uma outra concentração de plástico nos mares, desta vez no oceano Atlântico, onde a sua dimensão é particularmente grande entre as ilhas Bermudas e a América do Norte.

Fontes bibliográficas: Ferreira (2010); Malheiros (2010)
Fontes das imagens: www.worldoceanday.org/

domingo, 28 de maio de 2017

[0060] Livro sobre a Escola Secundário José Afonso (Seixal)

Está em fase de conclusão um livro sobre a história da Escola Secundária José Afonso, da autoria dos professores Alice Santos, Luís Filipe Santos, Madalena Ferreira e Sérgio Contreiras, prevendo-se que o seu lançamento ocorra no início do próximo ano lectivo.

Há dez anos atrás, no âmbito da elaboração de um dos seus Projecto Educativo, dois destes professores, Luís Filipe Santos e Sérgio Contreiras redigiram a seguinte síntese da história da Escola das Cavaquinhas / Escola Secundária José Afonso:

A criação da nossa escola deve-se à insistência de uma forte vontade local que encontramos reflectida, desde finais dos anos 50 até à abertura das aulas em 1964, na imprensa regional e nas actas da Câmara Municipal do Seixal (CMS) e do Conselho Municipal.
O desenvolvimento industrial, que já era considerável, pedia mão-de-obra qualificada, num tempo em que apenas as crianças com capacidade económica podiam deslocar-se diariamente às escolas de ensino pós-primário mais próximas, em Almada, Setúbal e Barreiro (eram por esses anos cerca de duas centenas).
E foi a própria Câmara que veio a tomar a decisão, na sessão de 1 de Setembro de 1960, de criar uma Escola Técnica Industrial e Comercial, «atendendo à extrema necessidade da existência de um estabelecimento deste género neste concelho».

À procura de casa

Não se tratando de uma iniciativa do governo, que até então construía os grandes e sólidos edifícios escolares que conhecemos, teve o Município que responsabilizar-se pelas necessárias condições físicas, o que veio a constituir uma história complicada em vários episódios ao longo de quatro anos.
Inicialmente a escola esteve para ser instalada na antiga Fábrica de Sardinhas do Seixal (edifício onde actualmente funcionam as Finanças e a Polícia), tendo mesmo sido publicado no Diário do Governo de 3 de Fevereiro de 1961, o aviso de concurso público para adjudicação das obras de adaptação.
Esta solução vem a ser abandonada no ano seguinte, decidindo a CMS, em Julho de 62, assumir a construção de um edifício novo para a Escola Técnica em terrenos prometidos gratuitamente ao Município para este fim.
Um ano depois, a empresa Mundet & Companhia, Lda. disponibiliza a Casa de Infância da sua fábrica no Seixal para instalação provisória da Escola.
Porém, esta solução vem a ser inviabilizada pela própria Mundet por ter decidido transferir de Lisboa para aquele edifício os seus escritórios centrais.

Em contrapartida, a Dª Paula Mundet cedeu, a título provisório, a Creche da fábrica da Amora, entretanto encerrada. Foi nesse edifício que a Escola veio finalmente a abrir, em Novembro de 1964.


Nascimento, crescimento

E aqui ficou instalada durante cinco meses até terminarem as obras (iniciadas logo no mês seguinte no Bairro das Cavaquinhas) da construção da sua casa própria em pavilhões prefabricados (que duraram até serem demolidos em 2004). O tão aguardado acontecimento deu-se no dia 26 de Abril de 1965. A Escola já tinha «poiso» certo … e muito espaço ao lado para crescer.


Estas instalações iniciais foram desde cedo, nos anos de 1966/68, sucessivamente acrescentadas, sempre a expensas do município, para garantir a oferta dos cursos industriais e comerciais que a comunidade local reivindicava, destacando-se os pavilhões oficinais.


Em 1968, em virtude da reforma que criou o Ciclo Preparatório do Ensino Secundário (correspondente ao actual 2º Ciclo do Ensino Básico), a Escola divide-se em duas: a Escola Preparatória Paulo da Gama, que fica instalada nos pavilhões iniciais, e a nossa Escola que, continuando com os ciclos seguintes das escolas técnicas, fica com as restantes instalações às quais serão acrescentados pavilhões prefabricados para aulas normais.

e formação da personalidade

Inicialmente criada por iniciativa municipal, a Escola acabou por surgir como secção da Escola Industrial e Comercial Emídio Navarro, de Almada, de acordo com o estipulado no Decreto n.º 45980 de 20 de Outubro de 1964. Em toda a região, “a nossa Escola Técnica” ficou sempre conhecida (e continua a ser) como Escola das Cavaquinhas.


Só em 1969, a escola se autonomiza, passando a ser, oficialmente, a Escola Industrial e Comercial do Seixal.
Na sequência da unificação do ensino secundário (liceus e escolas técnicas), operada com a revolução de Abril de 1974, a Escola Industrial e Comercial do Seixal dá lugar à Escola Secundária do Seixal. Esta nova realidade não impediu que a escola mantivesse, ao nível curricular, a sua identidade, continuando a oferta de cursos industriais e comerciais (mecânica, electricidade, secretariado) e, simultaneamente, se abrisse às áreas artísticas e da comunicação.


Finalmente, em 1993 a Escola Secundária nº 1 do Seixal (assim denominada desde a criação, em 1988, de outra na mesma freguesia, a nº 2, actual Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira), em homenagem ao professor-poeta-cantor e resistente antifascista, adoptou a designação de Escola Secundária Dr. José Afonso. A resposta positiva do Ministério da Educação ao nome proposto pela escola em 1991, com o acordo da Câmara Municipal do Seixal, demorou dois anos a chegar. Foi neste período que a CMS, antecipando-se à decisão do Ministério da Educação, atribuiu à rua o nome de Avenida José Afonso (até então Rua da Escola Técnica).

A História desafia o Presente

Actualmente, a escola continua instalada no seu chão original, diríamos histórico – o Bairro das Cavaquinhas. Desde 2004 em edifício novo, (à excepção do Pavilhão C, que data de uma remodelação anterior efectuada em 1986) e dotada de pavilhão gimnodesportivo, após muitos anos de lutas contra as más condições em que gerações de alunos, professores e funcionários, construíram sonhos, viveram experiências educativas e humanas ímpares que, ainda hoje, constituem a marca de identidade desta comunidade educativa.
Passou a fase do «Feia por fora / Bonita por dentro».
Guardemos a memória do que fomos e descubramos o que de melhor ela nos dá. Fica-nos a responsabilidade de continuarmos a (re)construí-la por dentro em cada gesto, na sala de aula e em todo o espaço educativo. A cidadania e o relacionamento humano bem sucedido entre os diversos actores educativos serão condição para todos os outros «sucessos».

Os interessados na aquisição do livro podem contactar os seus autores através de: fazespartedestahistoria@gmail.com, ou acompanhar a finalização do processo de publicação através de www.facebook.com/Livro-da-Escola-José-Afonso-Cavaquinhas.

Fonte do texto: Santos & Contreiras, em documentos da Escola Secundária José Afonso (2007)