quarta-feira, 11 de março de 2020

[0228] Reactivação da «Plataforma pelo Património Cultural»


Esta Plataforma, abreviadamente conhecida por PP-Cult, foi publicamente divulgada em 16 de Outubro de 2008. Na altura, as cerca de duas dezenas de associações de cariz técnico-científico, profissional e cidadão que a elaboraram também apresentaram um manifesto a que deram o títuloo «O património como valor estratégico e oportunidade nacional» (e a que ainda é possível aceder em: http://icomos.fa.utl.pt/documentos/DeclaraPlataformaPPCULT.pdf).

Afirmava-se, nesse manifesto, que o Património Cultural constitui o valor mais precioso de qualquer país, em especial dos que possuem percursos históricos mais antigos e cujos recursos naturais foram parcialmente exauridos com o tempo, um valor “de que cada geração, presente e futura, se deve considerar como fiel depositária e cuja amplitude transcende a esfera estritamente nacional. Não podemos considerar-nos donos de tudo quanto nos foi colectivamente legado e que pertence em grande medida a quem nos antecedeu, cabendo-nos a nós apenas reparti-lo com os nossos contemporâneos e com quem nos há-de suceder. Cuidar e desenvolver o Património Cultural, muito mais do que uma decorrência da lei, nacional, europeia ou universal constitui, pois, um imperativo civilizacional e de cidadania.


A actividade da PP-Cult durou até cerca de 2014. Agora, em 1 de Março de 2020, pouco mais de uma década passada, e com uma visão mais alargada acerca do Património Cultural, as associações que a haviam criado decidiram reactivá-la, perguntando-se:
O que se passa com o inventário e monitorização pelo Estado dos bens móveis e imóveis integrantes do património cultural e nomeadamente dos classificados?
Que condições têm os serviços do Estado, a todos os níveis, para executarem as suas funções, num contexto que sabemos ser de despovoamento e desqualificação?
Que lugar para a desconcentração ou a descentralização administrativa, a regionalização político-administrativa e a municipalização no que se refere a políticas de património cultural?
Que políticas culturais há para os novos patrimónios que se encontram em processo de afirmação social?
Quando se prevê a participação legal do associativismo patrimonial na construção do nosso legado comum, retomando designadamente as práticas emergentes de Abril de 1974 da sua participação extensiva nos organismos de consulta do Ministério da Cultura?
Como assegurar o cumprimento das leis de enquadramento, visando a protecção dos acervos e a concretização das missões de museus, bibliotecas e arquivos, quando verificamos que vários destes últimos têm vindo até a fechar ou se tornaram praticamente inacessíveis por falta de pessoal?
Para quando a regulamentação da actividade de restauro de bens patrimoniais?
Que medidas foram tomadas para garantir a protecção do património arqueológico (sítios e colecções), seja em meio urbano, seja em meio rural, seja ainda em meio subaquático, num contexto cada vez mais dominado pela actividade empresarial?
Como enfrentar a gentrificação, a crise climática ou a degradação dos ecossistemas e das paisagens culturais, processos inexoráveis do nosso tempo?
Conhecendo os prejuízos, potenciais e reais, que benefícios são retirados pelos bens patrimoniais da explosão turística e quem realmente determina como aplicar os recursos daí resultantes?
O que foi feito em favor do desenvolvimento de políticas integradas interdepartamentais e interministeriais, visando a valorização e boa gestão do património cultural?

Original da Declaração «Património Cultural, condição cidadã de futuro»:

Associações subscritoras desta Declaração:
Associação dos Arqueólogos Portugueses; Associação Portuguesa de Antropologia; Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos; Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial; Associação Portuguesa de Museologia; Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas; Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente; Federação dos Amigos dos Museus de Portugal; Fórum CIDADANIA LX; Fórum de Conservadores-restauradores; Fórum do Património; ICOMOS Portugal; OPRURB – Ofícios do Património e Reabilitação Urbana; Associação Portuguesa de Turismo Cultural; Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia

Notícia sobre esta Declaração na imprensa diária:

Imagem: jornal Público

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