quarta-feira, 21 de junho de 2017

[0066] Um homem de Almada: Romeu Correia (1917 – 1996)

A exposição “Um homem chamado Romeu Correia” foi inaugurada no Museu da Cidade de Almada no passado dia 8 de Abril, estando aí em exibição até ao próximo dia 31 de Dezembro.

Biobibliografia de Romeu Correia apresentada no sítio do Instituto Camões:

(Cacilhas, 17-11-1917 – Almada, 12-06-1996)

Romeu Henrique Correia foi um “[e]scritor de raiz autenticamente popular, arrancando os seus temas (dramáticos e narrativos) à sua experiência dos meios proletários e pequeno-burgueses da capital e da sua cintura” (Rebello 1984: 63).

Paralelamente, houve o contacto com grupos de teatro amador de Almada, propício para incentivar e consolidar “uma carreira de autor dramático que o levaria até à primeira fila do nosso teatro contemporâneo e em que se combinam habilmente elementos do teatro de fantoches e de feira, do circo, do melodrama populista e do teatro de vanguarda” (Idem, ibidem).

     Romeu Correia, sem data
     [Arquivo da Companhia de Teatro de Almada]

A crítica expressou-se de imediato em termos lisonjeiros, designando o autor como “o mais genuíno dos dramaturgos de tendência neo-realista” (Rebello apud Flores 1987: 35) e “a maior revelação teatral do neorealismo” (António José Saraiva, apud Flores, Ibidem: 19). Essa posição ficou alterada pela mudança de rumo do dramaturgo, que inicialmente se adaptou ao neorealismo com a preocupação social e pedagógica, para a seguir oscilar “entre o irreal e o vital, o imaginativo e a realidade comezinha, excepto na ‘crónica dramática e grotesca’ Bocage, que, sendo um dos belos exemplos de teatro épico em Portugal, se institui, sobretudo, como uma narrativa de visualização plástica” (Mendonça 1971: 25-26), ou então conjugando o realismo popular com elementos imaginários, recusando-se “à fixação num modelo rígido que aliás o neo-realismo não impõe” (Carlos Porto, apud Flores, Ibidem), como também expressando “os conflitos sociais integrando-os no qua há de ritual poético no melhor teatro” (Mário Sacramento, apud Flores, Ibidem: 18).
As peças de Romeu Correia revelaram-se, portanto, numa síntese formulada a posteriori, a meio caminho entre realismo e expressionismo, de que são protagonistas os humilhados que afirmam os seus sonhos de resgate, a sua luta quotidiana, as problemáticas ligadas ao seu estatuto social. Pela fusão poética destes elementos, O vagabundo das mãos de oiro recebeu o Prémio da Crítica e foi unanimemente considerada a obra-prima do dramaturgo.
Para traçar cronologicamente o percurso de Romeu Correia, é preciso recuar aos finais dos anos 30, quando começou a escrever farsas carnavalescas em 1938, sendo Razão a sua peça de estreia, representada pela primeira vez em 1940 por um grupo amador de Almada. Espetador teatral assíduo, foi sobretudo no Teatro Estúdio do Salitre que absorveu as várias tendências estéticas modernas e contemporâneas que são visíveis nas suas peças num acto: Laurinda (1949, editada no mesmo ano nas páginas da revista Vértice), As cinco vogais (1951) e Desporto rei (1955).
A imediata representação de uma das suas peças pelo Grupo de Amadores da Sociedade Guilherme Cossoul deu-lhe o estímulo para escrever Casaco de fogo (1953, publicada pela primeira vez em 1956), peça dum simbolismo expressivo que descreve a vida nos bairros pobres, e que foi levada à cena em 1953 pelo Teatro Nacional D. Maria II. Seguiram-se os três atos de Céu da minha rua, apresentados em 1955 no Teatro Maria Vitória com o título Isaura, a galinheira (que terá posteriormente uma versão televisiva), Sol na floresta (publicada em 1968 no volume Três peças de Romeu Correia juntamente com Laurinda e Céu da minha rua) e O vagabundo das mãos de oiro (1960), sendo estas últimas levadas à cena respetivamente em 1957 e em 1962 pelo Teatro Experimental do Porto (companhia que, em 1968, propôs uma nova montagem de Desporto rei).
O vagabundo das mãos de oiro, farsa poético-política em três actos, cujo espetáculo de estreia absoluta mereceu o Prémio da Crítica de Teatro, teve êxito também junto dos leitores, tendo sido objeto de várias reedições, bem como de traduções para alemão (foi incluída na antologia organizada por José Luís de Freitas Branco, Dialog Stücke aus Portugal: Santareno, Coutinho, Rebello, Correia, Berlim, 1978) e italiano (na antologia abaixo referida, Teatro portoghese de XX secolo, Roma, 2001).
Se o texto seguinte, Jangada (1962, farsa em dois atos apresentada em 1966 no Teatro Villaret pela Companhia Portuguesa de Comediantes), se concentrava nos preconceitos e conflitos geracionais, em Bocage (1965) detetavam-se elementos das teorias brechtianas, inseridos através da parábola do poeta maldito que deu o título à peça, tornando-se emblema da decadência de uma época. A produção completa de Romeu Correia conta ainda com Amor de perdição (1966) “glosa dramática” redigida por encomenda a partir do romance homónimo de Camilo Castelo Branco; O cravo espanhol (1969, representada em 1970 no Teatro Capitólio), com tema etnográfico; Roberta (1971, levada à cena pelo Teatro Estúdio do Barreiro em 1972, distinguida no mesmo ano com o Prémio da Casa da Imprensa e produzida em versão televisiva transmitida pela RTP em 1977), inspirada nas antigas feiras e nos tradicionais robertos, marionetas que aqui encarnam tipos humanos; A vaga (1977); Grito no Outono (1980); As quatro estações (1980, encomendada pela Secretaria de Estado da Cultura e redigida para a televisão), empenhada na defesa dos direitos dos grupos socialmente excluídos e marginais; Tempos difíceis (1982, levada à cena no mesmo ano pelo Grupo de Teatro de Campolide), inicialmente intitulada Rectaguarda, baseada nos acontecimentos que, em 1958, envolviam a candidatura às eleições presidenciais do general Humberto Delgado, e as esperanças de renovação por parte dos progressistas que o apoiavam; O andarilho das sete partidas (1983), sátira comemorativa do IV centenário da morte do navegador Fernão Mendes Pinto pelas evocações as suas façanhas; A palmatória (1995), farsa trágica sobre a figura do poeta satírico setecentista Nicolau Tolentino.
Para além da edição de alguns volumes de narrativa e de contribuições variadas dispersas na imprensa periódica, recorde-se a sua adaptação teatral, redigida por encomenda em 1968 e inédita, do romance A rosa do adro (1870), de Manuel Maria Rodrigues. Em 1984 recebe o "Prémio de Teatro 25 de Abril" atribuído pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.
* Este texto é a versão revista e em português da ficha bio-bibliográfica de Romeu Correia editada in: Sebastiana Fadda (a cura di), Teatro portoghese del XX secolo, Roma, Bulzoni Editore, 2001. Desta antologia faz parte a peça Il vagabondo dalle mani d’oro.

Romeu Correia foi ainda conhecido como desportista e cidadão.

Fontes na internet: Museu da Cidade de Almada; Instituto Camões

sexta-feira, 16 de junho de 2017

[0065] 20 de Junho, Dia Mundial dos Refugiados

Em 2000 as Nações Unidas alargaram o Dia do Refugiado Africano para Dia Mundial dos Refugiados, celebrando-o desde 2001.

A história tem persistentemente gerado refugiados, que a nossa cultura refere:


Mostrando como o passado pode servir para reflectir o presente, e o presente para interpretar o passado, Neil MacGregor, director do Museu Britânico, pediu a Lorde Ashdown para comentar os relevos de Lachish (que contam uma história de guerra e de refugiados na Judeia dos finais do século VIII a. C.):

Vi campos de refugiados por todos os Balcãs e, francamente, nunca consegui evitar que as lágrimas me viessem aos olhos, porque o que via era a minha irmã, a minha mãe, a minha mulher e os meus filhos. Vi sérvios expulsos por bósnios, e bósnios expulsos por croatas, croatas expulsos por sérvios e por aí adiante. Vi ainda o mais infame de tudo, os refugiados ciganos, um grande campo de refugiados, talvez 40 a 50 mil, a cargo do meu exército, a NATO. E ficámos a olhar enquanto as suas casas eram queimadas e eles eram expulsos dos seus lares. E isso fez-me sentir não só desesperadamente triste, mas também envergonhado. O que é verdade, e o relevo [de Lachish] mostra, é, em certo sentido, o carácter imutável e inalterável da guerra. Há sempre guerras, há sempre mortes, há sempre refugiados. Os refugiados são uma espécie de destroços e carga deitada ao mar. São abandonados quando a guerra termina.

Fonte bibliográfica: Lorde Ashdown, citado por MacGregor (2014; p. 145)
Fotografia: Eva Maria Blum

terça-feira, 13 de junho de 2017

[0064] A obesidade dos nossos adolescentes

As imagens que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu da obesidade dos nossos adolescentes, em 2002 e em 2014, não eram boas: os nossos jovens aos 11, aos 13 e aos 15 anos estavam, e continuam a estar, entre os europeus mais obesos.

Em ambos os anos, os nossos jovens obesos seriam cerca de 5%:


As culpas são atribuídas à má alimentação e à reduzida actividade física. E as previsões para o futuro não são boas: cerca de 4 em 5 dos jovens obesos não superarão a obesidade e tal gerará problemas cardiovasculares, respiratórios, mentais e com a diabetes.


Fonte jornalística: Borja-Santos (2017), que se baseia no relatório «Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014» da OMS

sexta-feira, 9 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

[0062] A exposição «Na rota do progresso: a indústria naval em Almada»

Breve memória visual de uma visita à exposição permanente do Museu Naval de Almada:

Vista geral

     Traçado de peças em verdadeira grandeza
     (Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)

Traçado de peças em verdadeira grandeza

Traçado de peças em verdadeira grandeza     
(Sala do Risco, no Arsenal do Alfeite)     

O período tecnológico a que a Sala do Risco corresponde situa-se entre aquele em que o conhecimento estava na cabeça dos artesãos da construção em madeira e o actual, em que o conhecimento foi concentrado nos meios computacionais.

Este museu é acessível: ou a partir de Cacilhas, seguindo a pé pelo Ginjal até pouco depois do elevador panorâmico; ou a partir de Almada Velha, passando pela Boca de Vento e descendo até à beira Tejo pelo elevador panorâmico.

Fotografias: Eva Maria Blum (em Setembro de 2012); as duas últimas são fotografias de fotografias (e a penúltima foi entretanto retirada da exposição)

domingo, 4 de junho de 2017

[0061] 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos

Embora as raízes deste dia sejam mais antigas, ele foi adoptado, desde 2009, pelas Nações Unidas. O tema proposto para este ano é: «Os nossos Oceanos, o nosso Futuro».

Há uns anos atrás foi muito divulgado um dos problemas que todos os oceanos têm: o lixo que neles acumula e se vai concentrando em grandes ilhas.

O jornalista José Vítor Malheiros contou como tinha tomado conhecimento da ilha de lixo do Pacífico:

A ilha foi descoberta por um conhecido oceanógrafo californiano, Charles J. Moore, em 1997, quando regressava de uma regata Los Angeles-Havai a bordo do seu catamarã e tem a particularidade de ser uma ilha onde não se pode desembarcar porque é formada de plástico flutuante. O nome oficial é Great Pacific Garbage Patch (ou Grande Extensão de Lixo do Pacífico), mas é mais conhecida pelo nome de «Ilha de Lixo do Pacífico».

E prosseguiu assim:

Dizer que a ilha é feita de lixo não é rigoroso. Na realidade, é feita de plástico - o outro lixo ou se degrada ou se afunda. E dizer que se trata de uma ilha também é incorrecto, porque não se pode dizer exactamente quais são as suas fronteiras. Na realidade, é uma imensa extensão onde existe uma imensa quantidade de pedaços de plástico em suspensão, desde pedaços de embalagens de champô, cápsulas de garrafas, pedaços de brinquedos e bocados de redes de pesca até pedaços microscópicos, invisíveis a olho nu. O plástico desfaz-se, em pedacinhos cada vez mais pequenos, mas não se degrada e vai entrando na cadeia alimentar. Nalguns casos, mata imediatamente os animais que os ingerem ou que se enredam neles. Noutros casos mata-os lentamente, obstruindo vias respiratórias, tubos digestivos, acumulando-se no seu estômago e intestinos, intoxicando-os lentamente.
A Grande Ilha de Lixo tem, diz-se, o tamanho do Texas (os americanos acham que tudo o que é grande é como o Texas). Ou talvez mesmo o tamanho dos Estados Unidos. Mas ninguém sabe ao certo.


Um outro jornalista, Nicolau Ferreira, referiu uma outra concentração de plástico nos mares, desta vez no oceano Atlântico, onde a sua dimensão é particularmente grande entre as ilhas Bermudas e a América do Norte.

Fontes bibliográficas: Ferreira (2010); Malheiros (2010)
Fontes das imagens: www.worldoceanday.org/

domingo, 28 de maio de 2017

[0060] Livro sobre a Escola Secundário José Afonso (Seixal)

Está em fase de conclusão um livro sobre a história da Escola Secundária José Afonso, da autoria dos professores Alice Santos, Luís Filipe Santos, Madalena Ferreira e Sérgio Contreiras, prevendo-se que o seu lançamento ocorra no início do próximo ano lectivo.

Há dez anos atrás, no âmbito da elaboração de um dos seus Projecto Educativo, dois destes professores, Luís Filipe Santos e Sérgio Contreiras redigiram a seguinte síntese da história da Escola das Cavaquinhas / Escola Secundária José Afonso:

A criação da nossa escola deve-se à insistência de uma forte vontade local que encontramos reflectida, desde finais dos anos 50 até à abertura das aulas em 1964, na imprensa regional e nas actas da Câmara Municipal do Seixal (CMS) e do Conselho Municipal.
O desenvolvimento industrial, que já era considerável, pedia mão-de-obra qualificada, num tempo em que apenas as crianças com capacidade económica podiam deslocar-se diariamente às escolas de ensino pós-primário mais próximas, em Almada, Setúbal e Barreiro (eram por esses anos cerca de duas centenas).
E foi a própria Câmara que veio a tomar a decisão, na sessão de 1 de Setembro de 1960, de criar uma Escola Técnica Industrial e Comercial, «atendendo à extrema necessidade da existência de um estabelecimento deste género neste concelho».

À procura de casa

Não se tratando de uma iniciativa do governo, que até então construía os grandes e sólidos edifícios escolares que conhecemos, teve o Município que responsabilizar-se pelas necessárias condições físicas, o que veio a constituir uma história complicada em vários episódios ao longo de quatro anos.
Inicialmente a escola esteve para ser instalada na antiga Fábrica de Sardinhas do Seixal (edifício onde actualmente funcionam as Finanças e a Polícia), tendo mesmo sido publicado no Diário do Governo de 3 de Fevereiro de 1961, o aviso de concurso público para adjudicação das obras de adaptação.
Esta solução vem a ser abandonada no ano seguinte, decidindo a CMS, em Julho de 62, assumir a construção de um edifício novo para a Escola Técnica em terrenos prometidos gratuitamente ao Município para este fim.
Um ano depois, a empresa Mundet & Companhia, Lda. disponibiliza a Casa de Infância da sua fábrica no Seixal para instalação provisória da Escola.
Porém, esta solução vem a ser inviabilizada pela própria Mundet por ter decidido transferir de Lisboa para aquele edifício os seus escritórios centrais.

Em contrapartida, a Dª Paula Mundet cedeu, a título provisório, a Creche da fábrica da Amora, entretanto encerrada. Foi nesse edifício que a Escola veio finalmente a abrir, em Novembro de 1964.


Nascimento, crescimento

E aqui ficou instalada durante cinco meses até terminarem as obras (iniciadas logo no mês seguinte no Bairro das Cavaquinhas) da construção da sua casa própria em pavilhões prefabricados (que duraram até serem demolidos em 2004). O tão aguardado acontecimento deu-se no dia 26 de Abril de 1965. A Escola já tinha «poiso» certo … e muito espaço ao lado para crescer.


Estas instalações iniciais foram desde cedo, nos anos de 1966/68, sucessivamente acrescentadas, sempre a expensas do município, para garantir a oferta dos cursos industriais e comerciais que a comunidade local reivindicava, destacando-se os pavilhões oficinais.


Em 1968, em virtude da reforma que criou o Ciclo Preparatório do Ensino Secundário (correspondente ao actual 2º Ciclo do Ensino Básico), a Escola divide-se em duas: a Escola Preparatória Paulo da Gama, que fica instalada nos pavilhões iniciais, e a nossa Escola que, continuando com os ciclos seguintes das escolas técnicas, fica com as restantes instalações às quais serão acrescentados pavilhões prefabricados para aulas normais.

e formação da personalidade

Inicialmente criada por iniciativa municipal, a Escola acabou por surgir como secção da Escola Industrial e Comercial Emídio Navarro, de Almada, de acordo com o estipulado no Decreto n.º 45980 de 20 de Outubro de 1964. Em toda a região, “a nossa Escola Técnica” ficou sempre conhecida (e continua a ser) como Escola das Cavaquinhas.


Só em 1969, a escola se autonomiza, passando a ser, oficialmente, a Escola Industrial e Comercial do Seixal.
Na sequência da unificação do ensino secundário (liceus e escolas técnicas), operada com a revolução de Abril de 1974, a Escola Industrial e Comercial do Seixal dá lugar à Escola Secundária do Seixal. Esta nova realidade não impediu que a escola mantivesse, ao nível curricular, a sua identidade, continuando a oferta de cursos industriais e comerciais (mecânica, electricidade, secretariado) e, simultaneamente, se abrisse às áreas artísticas e da comunicação.


Finalmente, em 1993 a Escola Secundária nº 1 do Seixal (assim denominada desde a criação, em 1988, de outra na mesma freguesia, a nº 2, actual Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira), em homenagem ao professor-poeta-cantor e resistente antifascista, adoptou a designação de Escola Secundária Dr. José Afonso. A resposta positiva do Ministério da Educação ao nome proposto pela escola em 1991, com o acordo da Câmara Municipal do Seixal, demorou dois anos a chegar. Foi neste período que a CMS, antecipando-se à decisão do Ministério da Educação, atribuiu à rua o nome de Avenida José Afonso (até então Rua da Escola Técnica).

A História desafia o Presente

Actualmente, a escola continua instalada no seu chão original, diríamos histórico – o Bairro das Cavaquinhas. Desde 2004 em edifício novo, (à excepção do Pavilhão C, que data de uma remodelação anterior efectuada em 1986) e dotada de pavilhão gimnodesportivo, após muitos anos de lutas contra as más condições em que gerações de alunos, professores e funcionários, construíram sonhos, viveram experiências educativas e humanas ímpares que, ainda hoje, constituem a marca de identidade desta comunidade educativa.
Passou a fase do «Feia por fora / Bonita por dentro».
Guardemos a memória do que fomos e descubramos o que de melhor ela nos dá. Fica-nos a responsabilidade de continuarmos a (re)construí-la por dentro em cada gesto, na sala de aula e em todo o espaço educativo. A cidadania e o relacionamento humano bem sucedido entre os diversos actores educativos serão condição para todos os outros «sucessos».

Os interessados na aquisição do livro podem contactar os seus autores através de: fazespartedestahistoria@gmail.com, ou acompanhar a finalização do processo de publicação através de www.facebook.com/Livro-da-Escola-José-Afonso-Cavaquinhas.

Fonte do texto: Santos & Contreiras, em documentos da Escola Secundária José Afonso (2007)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

[0059] Ser jovem em Portugal

Em síntese, escreveram Andreia Sanches, Francisco Lopes e Joaquim Guerreiro no jornal «Público»:
São cada vez mais escolarizados. E cada vez mais conectados com o mundo, via Internet. Mas este ainda é o grupo da população mais atingido pela pobreza. Há em Portugal 3,1 milhões de jovens até aos 29 anos, 1,4 milhões têm 14 anos ou menos.

E em pormenor, evidenciaram-no assim, graficamente:







Fonte infográfica: Sanches, Lopes & Guerreiro (2017),

sábado, 20 de maio de 2017

[0058] 28 de Maio, Dia Mundial do Brincar

O World Play Day foi criado na 8ª Conferência Internacional de Ludotecas em Tóquio, em 1999, uma iniciativa da International Toy Library Association (ITLA), e foi celebrado pela primeira vez em 2000, embora a data, 28 de Maio, só tenho fixada sido no ano seguinte, de modo a coincidir com a do aniversário da ITLA.
O Dia Internacional do Brincar celebra o artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas, reforçando que Brincar é um direito. Relembra que o Brincar é uma fonte inesgotável de alegria, uma atividade fundamental para o desenvolvimento do ser humano, essencial para a saúde física e mental.

A 9ª Conferência Internacional de Ludotecas teve como tema Brincar é Crescer e foi realizada na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), de 13 a 17 de Maio de 2002, e organizada pelo Instituto de Apoio à Criança.
A Nossa Banda foi alvo de uma intervenção, intitulada «Ludotecas escolares e matemática, nos Concelhos de Almada e Seixal» (Pedro Esteves, Escola Secundária José Afonso)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

[0057] Dados estatísticos para pensar o insucesso escolar no 2º ciclo

A jornalista Clara Viana divulgou, há dias, as conclusões de um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência que visou as classificações internas dos alunos que frequentaram o 5º e o 6º anos de escolaridade em 2014-15 (as classificações internas são as atribuídas pelos professores, na escola, no final do ano lectivo).

O estudo descreveu a distribuição destas classificações de acordo com diversos critérios.

Ao cruzar a condição económica dos alunos com a sua classificação em diversas disciplinas tornou patente “haver uma enorme diferença entre as notas que os alunos carenciados obtêm e aquelas que são conseguidas por estudantes de meios mais favorecidos”, sobretudo nas disciplinas com carácter menos prático:

(se o rendimento do agregado familiar de um aluno for igual ou inferior ao salário mínimo nacional, ele pode dispor do apoio da Acção Social Escolar, ou ASE; esse apoio está dividida em dois escalões, A e B, correspondendo o primeiro aos casos mais carenciados)

O cruzamento do género dos alunos com a sua classificação em diversas disciplinas mostrou que os Rapazes têm mais dificuldades que as Raparigas em todas as disciplinas, à excepção da Educação Física:


A percentagem de negativas por disciplina confirmou ser mais forte nas disciplinas com carácter menos prático e a sua comparação com a capacidade revelada pelos alunos para recuperar de uma negativa no 5º ano mostrou que esta é menor precisamente nessas disciplinas:


Quanto ao número de negativas no final do ano lectivo, o estudo mostrou:



Fonte (citações e tabelas): Viana (2017 d)

sábado, 13 de maio de 2017

[0056] Um Dia Mundial da Metrologia aberto e ao pé de casa

O Dia Mundial da Metrologia é celebrado em 20 de Maio, aniversário da assinatura da Convenção do Metro, realizada em Paris, em 1875, por representantes de dezassete países, entre os quais Portugal.

O tema escolhido para as celebrações deste ano visa As Medições para os Transportes.


O Instituto Português da Qualidade (IPQ) associa-se a esta celebração organizando um “Dia Aberto”, que inclui a realização de um colóquio subordinado àquele tema e de visitas ao Laboratório Nacional de Metrologia e ao Museu de Metrologia do IPQ (programa).

Este “Dia Aberto” decorrerá no IPQ (localização e acesso: consultar a mensagem «0022»), durante a tarde de 22 de Maio (2ª feira).
A participação é gratuita, não dispensando a inscrição prévia (formulário), até ao dia 17 de Maio.

Fonte: www1.ipq.pt

domingo, 7 de maio de 2017

[0055] 10 de Maio, Dia Mundial das Aves Migradoras

A vida humana está interligada com a dos muitos outros seres vivos que partilham esta casa planetária comum. Não nos têm sido fácil compreendê-lo, porque nos habituámos a agir sem pensar para além de nós, porque até entre nós criámos fronteiras que nos tornaram ainda mais míopes.

O Dia Mundial das Aves Migradoras, pela primeira vez celebrado em 2006, por iniciativa das Nações Unidas, é um dos muitos dias de que nos desafiam a saber partilhar o planeta.
Muitas espécies de aves voam anualmente centenas ou milhares de quilómetros para garantir as suas condições de vida (nomeadamente de alimentação) e de reprodução. A maioria migra entre o Norte, onde se reproduz, e o Sul, onde inverna. Mas algumas espécies reproduzem-se no Sul e invernam no Norte; e outras residem em terras baixas durante os meses de Inverno e vivem nas montanhas durante o Verão.
Não se sabe exactamente como estas aves encontram as suas rotas migratórias. Há provas de que elas são capazes de se orientar pelo Sol durante o dia, pelas estrelas durante a noite e, sempre, pelo campo geomagnético. Algumas espécies podem detectar a luz polarizada, que usam para a navegação nocturna.
Estas aves, por serem migradoras, enfrentam os perigos das viagens, como a perda dos locais de invernia, como a alteração das suas fontes de alimentação.

Um voluntário on-line da ONU colocou no YouTube o seguinte vídeo, destinado a inspirar o próximo dia 10 de Maio: https://youtu.be/gZBfYwZ-yD8

O sapal de Corroios é um dos mais importantes locais da Nossa Banda para as aves migradoras.
Segundo o professor Manuel Lima, aí residem espécies como o Pato-real, a Galinha-de-água, o Pernilongo, a Perdiz-comum, o Melro-preto, a Cotovia-de-poupa, a Fuinha-dos-juncos e a Gralha-preta; são espécies migratórias que aí passam o Outono e o Inverno, o Pato-trombeteiro, a Piadeira, o Corvo-marinho, o Mergulhão-pequeno, o Alfaiate, a Rola-do-mar, a Petinha-ribeirinha, a Alvéola-branca e o Pisco-de-peito-ruivo; são migratórias que aí passam a Primavera e o Verão, o Rouxinol-pequeno-dos-caniços, a Alvéola-amarela, a Rola-comum, o Abelharuco-comum, o Cuco-canoro, a Andorinha-das-chaminés, a Andorinha-dos-beirais e o Andorinhão-preto; e são migratórias de passagem, pois aí apenas descansam durante a sua migração, o Borrelho-grande-de-coleira, a Tarambola-cinzenta, o Pilrito-de-bico-comprido, a Andorinha-do-mar-anã, o Garajau-comum, o Guarda-rios e o Chasco-cinzento.

O Flamingo é maior ave que frequenta o sapal de Corroios, podendo atingir 135 cm de comprimento e 155 cm de envergadura das asas. Surge aí desde há vinte anos, em particular entre os finais de Setembro e os princípios de Março, mas nidifica na Camargue (França) e em Fuentes de Piedra (Espanha).

Grupo de Flamingos na maré baixa do sapal de Corroios, junto ao Moinho de Maré
(fotografia de Eva Maria Blum, Julho de 2014)

Fontes: www.worldmigratorybirdday.org/, Lima (2011; pp. 42-44 e 58)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[0054] Sesimbra e a construção naval em madeira

Museu Marítimo de Sesimbra

Até meados do século XX a baía de Sesimbra foi dominada pela presença de uma grande diversidade de embarcações de madeira que navegavam à vela e se dedicavam à pesca e ao transporte.

Entre estas embarcações, destacaram-se duas que são únicas desta região, ambas dedicadas à pesca, a Barca de Sesimbra e a Aiola:

Aiola em construção, pelo mestre Acácio Farinha, oferecida ao museu

Importância da construção naval em madeira em Sesimbra, documentada entre o século XV e o século XX:

Texto do museu

Escreveu António Telmo (Carvalho Vitorino, 1927-2010), ligado a Sesimbra por, entre outras razões, aí ter sido professor:

“Gama, Cão ou Zarco
Não nasceram aqui,
Quem nasceu aqui foi o barco.”

Fontes: folheto da Câmara Municipal de Sesimbra (sem data); Wikipédia
Fotografias: Eva Maria Blum








































segunda-feira, 1 de maio de 2017

[0053] Uma possibilidade trazida pelo documentário «Viva Portugal»

Depois de exibido em Quebradas, em Vila Velha de Rodão, em Lisboa, em Évora, no Alto da Cova da Moura (Amadora) e em Grândola, o documentário Viva Portugal foi exibido, ontem, em Almada.

1974-75 foi um ano muito diferente em Portugal. As mudanças profundas que estavam a ocorrer esbateram barreiras e tornaram simples o que, paradoxalmente, não é: ver (se necessário transgredindo as distâncias impostas), ouvir (e não apenas querer ser ouvido), expressar (o que se recusa e o que se deseja).

Cartoon: João Abel Manta

Figuram neste documentário algumas referências ao que ocorreu na Nossa Banda: na Lisnave, na Messa, na Siderurgia Nacional.

Ficou combinado voltar a exibi-lo ainda antes da conclusão do ano lectivo, para os alunos do ensino secundário, no mesmo local, a Academia Almadense.
E ficou no ar um par de desafios: por que não realizar novos documentários sobre o que aconteceu depois de 1975, para que possamos todos aprender com o rumo que as coisas tomaram? e por que não serem os actuais jovens a procurar essas memórias e a interpretá-las de acordo com as questões que hoje os preocupam?